segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

UM CADÁVER NO MEU JARDIM (Cap. 5)

Cris chegou a se sentir tonto. Apagou a luz quase no mesmo instante que a acendeu e fechou a porta que separava a cozinha da sala com um estrondo. Pegando Poncho pela coleira, o garoto arrastou o cachorro até o jardim. Por nenhum momento o cão soltou o pé de Tereza que exalava um fedor pavoroso.

− Solta este troço, Poncho! – murmurou Cris sacudindo o bicho para que ele largasse o pé.

Mas não teve jeito. Poncho parecia estar gostando muito do pé de Tereza e mantinha os dentes cravados ali. A cova havia sido escavada pelo cão e Cris, apesar do escuro, pôde ver o cobertor cor-de-rosa de Amanda por entre a terra.

− Solta, Poncho! Puta que pariu, cachorro, solta esta merda!

Como o cão não havia jeito de largar o pé de Tereza, Cris pegou um balde, encheu de água e jogou sobre ele. O bicho latiu, incomodado, e o soltou. Mais que imediatamente, Cris chutou o pé para dentro da cova, empurrou com um cabo de vassoura bem para o fundo e pulou histérico sobre a terra até que esta ficasse lisa. Com a calça embarrada e um cão molhado sacudindo-se todo ao seu lado, Cris era a imagem do desamparo. Para não correr o risco de Poncho desenterrar o corpo inteiro, o garoto se viu obrigado a amarrá-lo junto à casinha. E que lá ficasse de castigo a noite toda.

Amanda observou a cena do seu quarto, no terceiro piso da casa. Um cachorro esfomeado, um irmão transtornado, um pé humano enfiado dentro de uma cova rasa, a empregada desaparecida.

Sua família era demais.

*

Cris passou reto pela sala, ignorando pais e irmão. Não passou despercebido a sujeira das calças do jovem e sua pressa em alcançar o andar de cima. Carlos murmurou:

− Acho que ele se desentendeu com o Poncho.

André sentiu o coração acelerar. Pressentindo que algo havia acontecido – e grave −, ele disfarçou e disse:

− Bem, se vocês me dão licença, estou achando este filme uma merda e vou dormir. Boa noite.
− Mas você não acabou de dizer que o filme era excelente? – perguntou Marília sem entender nada.

Aquela altura André já estava na metade das escadas, quase no encalço do irmão. Ela olhou para o marido e comentou:

− Estes dois garotos estão muito estranhos. Você não acha?

− E alguém é normal nesta família?

sábado, 27 de dezembro de 2014

UM CADÁVER NO MEU JARDIM (Cap. 4)

Depois de uma noite mal dormida, a primeira coisa que Cris fez ao se levantar foi olhar pela janela do seu quarto. Eram quase dez horas da manhã e havia uma movimentação estranha no jardim. Empregados de uma empresa de eventos instalavam tendas ao redor da piscina e mesas por toda a parte. Sem entender nada, Cris colocou a primeira roupa que viu pela frente e desceu as escadas de dois em dois. Encontrou o irmão sentado na frente da televisão jogando.

− Você viu o que estão fazendo lá fora?

André o olhou com o canto do olho, mais preocupado com o andamento do seu game.

− Claro que vi. O que tem?
− O que é  aquilo?
− Relaxa, cara. Amanhã é o aniversário de casamento dos nossos pais. O pessoal tá lá fora arrumando tudo para a festa.
− Puxa vida! – ele se recostou no sofá se recordando do fato. – Eu nem lembrava mais. Mas justo no nosso jardim? Onde está enterrada a Te…
− Psiu. As paredes têm ouvidos.

Cris falou cochichando:

− Eu bem que falei que era melhor ter atirado a Terê no rio. Em qualquer rio. Olha o perigo que estamos correndo agora!

André largou o jogo e encarou o irmão.

− Escute aqui – disse ele bem impaciente, – você acha que amanhã as pessoas vão comemorar o aniversário escavando a cova da Tereza?
− Claro que não! Isto é ridículo!
− Então fique na sua. Não dê na vista ou logo vão desconfiar que você está estranho. A começar por Amanda. Nada escapa daquela garota.
− Está certo – resmungou Cris ficando em pé, mas não convencido das palavras do irmão.

Tenso, ele disfarçou e foi até a área de serviço onde podia observar o trabalho intenso dos funcionários da empresa. Lá fora Marília dava as coordenadas. Ela queria tudo perfeito. De repente a mãe se plantou exatamente onde Tereza estava enterrada. O sangue de Cris gelou. A terra estava remexida sob os pés dela. E se Marília desconfiasse de alguma coisa? Não, aquilo era loucura. Afinal, quem poderia adivinhar que um corpo estava enterrado ali embaixo? 

Não havia testemunhas.

Só ele. Poncho.

*

Naquela noite, véspera da festa, Cris e André resolveram ficar em casa, bem como Amanda. O outro dia prometia muita diversão e todos tiveram a mesma ideia: descansar para se esbaldar no domingo.

Na verdade, Cris não tinha nenhuma vontade de sair. Se pudesse, ficava fazendo plantão no jardim para confirmar que ninguém se aproximaria da cova de Tereza. André, por sua vez, assistia a um filme de comédia com os pais. Para ele a vida transcorria muito normalmente, como se fosse comum uma pessoa ter morrido bem naquela sala onde todos estavam tão confortáveis. Acabrunhado, ele sentou no tapete, um pouco afastado dos pais e do irmão. Marília perguntou enquanto degustava uma bebida:

− Alguma coisa está incomodando você, meu filho?

André nem piscou. Cris respondeu rápido:

− Não, mãe. Está tudo tranquilo. Eu, pessoalmente, estou super tranquilo. Na boa, na paz. Legal mesmo.

Marília encarou o filho por alguns instantes. Tinha reparado que o gêmeo vinha mantendo um comportamento estranho. O que estaria perturbando o garoto? De repente Poncho ganiu lá fora. Ninguém deu importância. Cris fazia de conta que prestava atenção no filme, mas seus pensamentos estavam longe. Porém, quando Poncho fez outro ruído esquisito já dentro da cozinha, Marília explodiu:

− Amanda deixou a porta da área aberta e o cachorro entrou – ela fez menção de se levantar para pôr o cão no seu devido lugar. – Vou lá dar um jeito nisto. Carlos dê uma pausa no filme, por favor.

Cris, no entanto, ficou em pé primeiro que a mãe. Fez um gesto para que ela permanecesse sentada e disse já indo em direção à cozinha:

− Deixe que eu cuido dele.

Calmamente, Cris se arrastou até a cozinha disposto a tirar seu animal de estimação de dentro da casa antes que a mãe surtasse. Quando acendeu a luz se deparou com uma cena pavorosa.

Poncho encarava Cris com o pé de Tereza na boca.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

UM CADÁVER NO MEU JARDIM (Cap. 3)

Os pais e a irmã, Amanda, chegaram um pouco antes das oito horas da noite. Cris e André encontravam-se tranquilamente sentados no sofá assistindo a um filme, dividindo uma panela de pipoca.

− E então? Tudo bem por aqui? – perguntou Marília colocando a bolsa sobre a mesa.
− Tudo ótimo – responderam ambos com o olhar fixo na televisão.
− Onde está Tereza?

Tinha que ser ela. Amanda, a irmã mais velha. Coroada a rainha de fazer perguntas inoportunas desde que se conhecia por gente.

− Saiu mais cedo – disse André com a boca cheia de pipoca e sendo observado discretamente pelo outro gêmeo.
− Como assim foi embora?

Marília se plantou na frente dos filhos com as mãos na cintura. E arrematou:

− O combinado era que ela ficasse aqui até nós chegarmos.

Cris não conseguiu responder nada. André, sempre o mais despachado, disparou:

− Ela recebeu um telefonema um pouco antes do almoço e saiu correndo.

Um telefonema do além, disse Cris para si mesmo e quase se engasgou com a pipoca.

Marília olhou para o marido e disse:

− Você escutou esta, Carlos? A Terê recebeu uma ligação e deixou os guris sem almoço.

Carlos a recém tinha se atirado em uma poltrona, esticando as pernas.

− Muito estranho. Quem iria ligar para ela? Que eu saiba, Terê não tem parente nenhum.
− Tem, sim – atalhou Amanda pegando um pouco da pipoca dos irmãos. – Aquele irmão bêbado que volta e meia aparece do nada para pedir dinheiro emprestado a perder de vista.
− Então foi ele – deduziu Marília contrariada. – E vocês comeram o quê?

Na verdade, Cris e André haviam se esquecido de almoçar devido aos acontecimentos. Lá pelas quatro horas da tarde sentiram fome e comeram ambos um sanduíche ralo. André respondeu:

− Um sanduíche. Ou dois.
− Por esta eu não esperava. Terê nunca nos deixou na mão. Algo aconteceu.

Amanda falou:

− Bem, alguém terá que ir para cozinha preparar alguma coisa para a gente comer. Pelo visto a Terê não deixou nem o jantar pronto.
− Eu terei uma boa conversa com ela – Marília não escondia sua contrariedade.

Cris quase se engasgou de novo. André manteve os olhos fixos na TV e a boca cheia de pipoca.

− Cadê meu vaso?

O grito de Marília foi tão agudo que o restante da família se assustou. Cris olhou para André que olhou para Cris. Então o primeiro respondeu contrariado:

− O Poncho derrubou. E quebrou.
− O quê? O cachorro entrou aqui?

Era terminantemente proibido que o cachorro entrasse na casa.

− Er… foi tudo muito rápido, mãe. De repente ele estava aqui dentro e… derrubou o troço.
− Muito bem! O meu vaso de porcelana chinesa se resume a um troço!
− Marília, por favor – se meteu Carlos desejando um pouco de paz. – Aquele vaso era uma das coisas mais feias que eu já tinha visto na vida. O Poncho merece um osso extra. Falando em osso, meu amor, estou morrendo de fome. Que tal você ir para a cozinha fazer uma coisinha para a gente comer?

Amanda se aproximou da mãe e pegou-lhe o braço.

− Vamos, mãe. Eu ajudo você. Deve ter algum macarrão instantâneo mofando dentro do armário.

As duas desapareceram na cozinha para alívio dos três homens. Carlos murmurou:

− Estranho a Tereza desaparecer assim, né? Logo ela, tão sensata.
− Ô… − fez André.

A paz durou apenas cinco minutos. De repente Amanda veio da cozinha e perguntou em alto e bom som:

− Vocês queimaram alguma coisa na churrasqueira?

Sim, eles haviam queimado. A bolsa e o celular de Terê haviam sido destruídos hora depois de a mulher ter sido enterrada no jardim. Cris encontrara os pertences dela sobre o balcão da cozinha e o irmão tivera a brilhante ideia de incinerar tudo na churrasqueira. Bem, ele que respondesse agora. E foi o que o gêmeo fez, surpreendendo a Cris por sua frieza:

− Precisei queimar uns trabalhos antigos da faculdade.
− Não era mais fácil rasgar tudo? – perguntou Amanda, cética.
− Não.

Cris sequer olhou para os dois irmãos que trocavam aquele diálogo surreal.

− Está incomodando você? – André fez a pergunta enchendo a boca com muita pipoca.
− De jeito nenhum.


Amanda desapareceu na cozinha e Cris cutucou o irmão. Percebeu que André deixou escapar o ar preso devagarinho. Eles precisavam manter os olhos abertos. 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

UM CADÁVER NO MEU JARDIM (Cap. 2)

Os muros altos que cercavam a casa foram aliados dos dois irmãos. Enrolada em um grosso cobertor, Tereza foi arrastada da sala até o jardim. Ao lado da piscina, o corpo aos seus pés, Cris disse:

− Será que esta idiota não percebeu que a gente estava só brincando?
− Bom, isto não importa agora – André consultou o relógio e disse. – São quase uma hora da tarde. Nossos pais vão chegar perto das oito horas da noite. Até lá vamos ter bastante tempo para cavar um buraco e enterrar nossa amiga.
− O que você está dizendo? Entendi bem? Você quer enterrar a Tereza no nosso jardim?
− E você tem alguma ideia do que fazer com o corpo?
− Pensei em pôr no porta-malas e atirar em algum rio.
− E sermos flagrados por alguém? Não, cara. Vamos enterrar a Tereza por aqui mesmo. É mais seguro.
− Você acha seguro ter um corpo no seu jardim? Onde sua mãe e sua irmã tomam banho de sol? Onde seu pai costuma reunir os amigos para uma churrascada?
− Quer chamar a polícia? Quem empurrou ela foi você.
− Eu não empurrei ninguém. Nem toquei nela.
− Muito menos eu. Chamamos a polícia?
− Está bem – concordou Cris sem muita convicção. – Sem testemunhas então.

André pegou uma pá de bom tamanho na garagem e escolheu um ponto no jardim, próximo a um arbusto.

− O que você acha? O jardineiro tirou a grama para fazer uma floreira para a mamãe. A terra já está remexida mesmo e ninguém vai notar. E além do mais, quem não gostaria de repousar eternamente sob flores bem cuidadas?
− Se foi para fazer algum tipo de graça, desculpe. Não achei nada divertido.
− Cara, quer relaxar? – pediu André, mostrando-se muito calmo com a situação. – Nós não temos culpa. Ninguém mandou a Terê se meter na nossa brincadeira. Foi um acidente. No meio do caminho ela encontrou a quina de uma mesa e deu azar.
− Puxa, eu que não queria ser tão azarado assim… − murmurou Cris vendo o irmão pegar a pá e começar a cavar.

*

Os dois se alternaram escavando o buraco durante algum tempo. Quando consideraram a profundidade suficiente, André se espreguiçou, jogou a pá para o lado e perguntou:

− Quer fazer algum tipo de prece?
− Como assim, prece? Que prece você quer que eu faça?
− Sei lá, não tem padre aqui. Algo como encomendar o corpo.
− Encomende você. Não entendo nada destas coisas. E foi você quem inventou esta história de enterrar o corpo no jardim da nossa mãe.
− Melhor que a sua ideia de atirar a coitada no rio. Bem – e André juntou as mãos frente ao peito e fechou os olhos, – Tereza, siga em paz. De verdade, eu e meu irmão não queríamos matar você. Foi uma fatalidade. Adoramos todos os momentos que passamos juntos. Sentiremos saudade dos cachorros quentes com molho picante que você fazia para nós dois.

Cris não acreditou que estava ouvindo aquilo tudo. André fez o sinal da cruz, abriu novamente os olhos e encarou o irmão.

− Me ajuda a botar o corpo dentro da cova.

Com alguma dificuldade, os meninos empurraram a pobre Tereza para o buraco. Rapidinho, André cobriu o corpo com a terra e depois sapateou em cima para deixá-la lisinha. E disse aparentemente muito satisfeito com o seu trabalho:

− Pronto. Trabalho limpo e sem testemunhas.
− Tem uma testemunha sim – retrucou Cris inconformado com aquela situação.
− Quem? – indagou André surpreso.
− O Poncho.


O pastor alemão de estimação da família observava a cena a alguns metros de distância. 

Poncho sabia demais.

domingo, 21 de dezembro de 2014

UM CADÁVER NO MEU JARDIM (Cap. 1)

− Ei, você está roubando! – berrou Cris em frente à televisão.

− Cara, é você que não sabe jogar – devolveu André sem tirar os olhos da tela.

Cris e André. Gêmeos, belos e doidos por jogos de videogame. Todo o tempo livre era dedicado a se digladiarem jogando os mais diversos games. Naquele dia, sem aulas na faculdade, os dois resolveram ficar em casa e se divertir na frente da TV. Os pais e a irmã haviam viajado para a serra. Era próximo do meio dia e a família só voltaria à noite. Na cozinha, Tereza, a empregada de muitos anos, era a encarregada de não deixar os garotos morrerem de fome.

De repente ela escutou um barulho vindo da sala. Alguma coisa havia quebrado. Enxugando as mãos no pano de prato, Tereza largou tudo o que estava fazendo para ver o que estava acontecendo. Quando chegou na porta da sala levou um susto.

− Cris! André! Mas o que vocês estão fazendo?

Os dois estavam em luta corporal. O vaso de porcelana chinesa da Dona Marília jazia espatifado no chão. Tensa, Tereza aproximou-se deles. Conhecia aqueles meninos desde pequenos e nunca os vira engalfinhados como naquele dia.

− Vamos! Parem vocês dois!

Ela se meteu inadvertidamente entre os gêmeos. Tentou apartá-los e impor alguma ordem. Afinal, Dona Marília lhe tinha confiado o bem-estar de ambos. De repente um empurrão vindo de um deles atingiu seu peito. Tereza parou do outro lado da sala. E por lá ficou.

*

Os garotos pararam com a brincadeira de se matarem e olharam para a figura imóvel de Tereza.

− Foi mal, Terê. Pode levantar – falou André com as mãos na cintura.

Cris deu uma risada.

− Você não se deu conta que era só galinhagem nossa?

Nada. Tereza não se mexia.

− Acho que ela se machucou – sussurrou Cris começando a ficar preocupado.
− Cara, você conhece a Terê. Ela está tirando sarro da gente.

Ainda rindo, André se aproximou da empregada e se agachou.

− Está bem, Terê. Chega de brincadeira. Levante. Eu disse le-van-te, entendeu?

O silêncio predominou na ampla sala da casa. Algo estava errado. Quando Cris parou ao lado do irmão, este já segurava o braço da mulher procurando alguma pulsação.

− Cara, não estou achando o pulso dela.
− Me dá aqui! – berrou Cris praticamente puxando o braço da mulher para si.

Agachados, um ao lado do outro, Cris e André passaram os dez minutos seguintes procurando algum sinal de vida em Tereza.

− Cris, vá lá em cima e pegue um cobertor.
− Cobertor pra quê? – indagou ele muito pálido. – Você acha que ela está com frio?
− Bem… Ela não começou a gelar ainda.

sábado, 13 de dezembro de 2014

O NOME DELA É ISABELA


Isabela. Morena, longos cabelos cacheados e um corpo violão que deixava os homens enlouquecidos. Apesar de todos os seus atributos, Isabela não reparava no alvoroço que provocava.

A jovem de apenas 20 anos trabalhava no centro da cidade como vendedora de uma grande loja popular. Notadamente era a que mais vendia. Não apenas por sua competência, mas como foi dito acima, pelos seus atributos.

E como era de se esperar, tamanha popularidade e encanto logo começou a incomodar algumas colegas. Imagine, elas se cutucavam, aquilo era jeito de vir trabalhar? Com aquela calça jeans branca entrando na bunda e marcando a frente? O dono da loja já havia reparado, um pouco constrangido. Porém, quando a Isabela se postava na frente da loja esperando os clientes, poucos minutos depois já tinha uns cinco homens atrás dela desejando “comprar” alguma coisa. Isabela garantia suas vendas e, além do mais, se comportava bem. Não era uma vadia ou coisa parecida. Era uma boa moça.

Mesmo assim, com as vendas bombando, as colegas de Isabela pediram para se reunirem com o patrão. E durante a reunião exigiram que ele tomasse uma providência. Afinal, Isabela estava passando de todos os limites. Zeca escutou, não gostou e depois que as mulheres terminaram suas lamúrias, ele perguntou:

Vocês querem então que eu chegue para Isabela e diga: minha filha, troque suas calças, pois ela está marcando seu rabo e as suas colegas não estão gostando. É assim?
Lógico que todas ficaram chocadas com o jeito rude do Zeca. Mas a Cris logo se recuperou do susto e devolveu:
− Não precisa ser assim tão grosso. Basta dizer à moça que se vista mais decentemente.
− Bem, mas eu não posso dizer isto. Ela pode entender mal. Digam vocês.
Feito isto, a reunião terminou. Zeca deu as costas e deixou meia dúzia de colaboradoras furiosas. Cris, com a mão na cintura, declarou:
− Me sinto autorizada a dizer para a Isabela como se vestir. Não foi isto que ele disse?

Sim, foi isto, concordaram todas. E seria naquele dia mesmo, aproveitando que Isabela tinha se apresentado ao trabalho com uma microssaia que quase mostrava a bunda. Foi depois do almoço. Encontraram-se ambas no banheiro da loja. Cris disparou:

− Muito linda sua saia. Pena que não é apropriada para o local de trabalho.

Isabela retocava o batom vermelho sexy nos lábios carnudos. Olhou de soslaio para a colega e perguntou:

− Você acha?
− Mulher decente não anda vestida assim. É só um conselho.
− Obrigada.

Cris esperou que Isabela retrucasse, mas a outra se concentrou em aplicar o batom e não lhe deu mais bola. Lá fora as colegas esperavam com curiosidade. Quando Cris saiu foi cercada imediatamente.

− E então? Você falou? O que ela disse?
− Nada. Veremos amanhã.

Isabela trabalhou normalmente a tarde toda. Era perto do Natal e ela mais uma vez bateu o recorde de vendas, principalmente com a clientela masculina. No dia seguinte, portanto, Isabela apareceu vestida sobriamente. A saia quase arrastava nos pés e apesar do calor, a camisa lhe tapava os braços, nada revelando dos seios poderosos.

Para os colegas homens aquele foi um dia de tristeza não somente porque as vendas caíram. Não poder olhar a bunda da Isabela enquanto ela se movimentava graciosa pela loja era um desperdício. O Zeca também estava abalado. Um que outro cliente entrava na loja. Durante aquela semana foi assim. Com a loja às moscas.
Quando iniciou a semana seguinte e Isabela apareceu vestindo uma calça saruel, larga e de tons nude, o Zeca deu um berro. Quem estava na loja achou que o homem estava sofrendo um ataque cardíaco. Na verdade, era um surto de raiva. Ele apontou o dedo direto para a moça. Os olhos arregalaram e quando ele falou a saliva saltou e pegou em quem estava perto:

− Isabela! Volte para casa e só me apareça aqui vestindo uma roupa decente!

Isabela quase se encolheu. Encarou o patrão e falou baixinho:

− Mas seu Zeca… Esta é uma roupa decente.
− Queremos ver sua bunda, seus peitos, suas coxas! O que você tiver! Só volte para esta loja quando tiver algo para nos apresentar!

Os homens aplaudiram, contudo as colegas se cutucaram. Como assim? O velho estava louco?

− Olha só, seu Zeca – começou a miar a Isabela, − é que eu moro longe e até eu voltar...
− Tá aqui – Zeca se aproximou dela e abriu a carteira. Tascou duas notas de cem reais nas mãos dela e ordenou. – Vá em algum lugar e compre uma roupa de puta. Entendeu? Já!
− Sim senhor.

A jovem desapareceu da loja e alguns juraram que ela não voltaria mais. Porém, meia hora depois Isabela apareceu vestindo um short vermelho e um top pink. Entrou na loja como se fosse uma rainha, com meia dúzia de fregueses atrás.


O natal daquele ano na loja do seu Zeca foi um sucesso.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

domingo, 2 de novembro de 2014

NA SAUNA (conto erótico)

Ele era alto, moreno de olhos verdes, corpo bem trabalhado na academia. 50 anos completados na semana anterior. Bem sucedido, carismático, o sorriso mais lindo que já vi na vida.

Puta merda. Ele era meu padrasto.

Eu tinha 19 anos. Minha mãe se separou do trouxa do meu pai quando eu nem bem tinha completado três anos de vida. Desde então a vida dela foi uma eterna busca pelo homem perfeito (?), coisa que parecia cada vez mais difícil de encontrar. Era possível dizer que com a minha pouca idade até eu já conhecia mais homens que ela.

Enfim, um dia o passarinho azul atravessou o caminho da minha mãe. De uma hora para outra ela mudou. O semblante sério deu lugar a risadas fora de hora, esmalte vermelho nas unhas e mais visitas ao salão de beleza. Não foi preciso ninguém me contar que tinha homem na jogada.

Conheci o Regis em um almoço de família onde ele foi apresentado oficialmente para todo mundo. Eu babei, minhas tias babaram, minhas primas babaram, minha avó se encantou. Não era para menos.

O Regis era simplesmente tudo de bom.

Lembro que naquele mesmo almoço ele vestia uma calça jeans clara e que marcava sua linda bundinha. Se alguém percebeu, não sei, mas meus olhos não desgrudaram daquela bunda nem por um minuto. A única coisa que me lembro foi de ter dito para mim mesma que pela primeira vez na vida minha mãe tinha dado uma dentro.

Bem, o namoro rendeu. Rendeu tanto que decidiram se casar. Quase surtei, juro. Uma coisa era ver o Regis uma ou duas vezes por semana. Mas juntar os trapos?! Isto significava que aquele baita homem viveria em nossa casa. Ou nós na dele, tanto faz. E como resistir a tamanha tentação? Pensei seriamente em me mudar e deixar que eles vivessem só os dois, em seu ninho de amor. Quando propus isto para minha mãe, ela refutou na hora. Claro que não expliquei os motivos para querer sair de casa e acabei ficando. Meu Deus, eu fiquei.

Nos mudamos de mala e cuia para a casa do Regis. Felizmente a casa era grande. Eu podia me perder lá dentro e evitar sua presença se assim eu quisesse. Mas eu não queria. À medida que o tempo foi passando percebi porque minha mãe era tão louca por ele. Meu padrasto era um ser apaixonante. O sorriso e a gargalhada dele enchiam a casa e logo eu também me vi ensandecida também. Eu tinha um namorado. Paulinho. Tudo nele era “inho”. E comparado com o Regis, meu querido perdia disparado.

Uma bela noite minha mãe ligou para casa e avisou que teria uma reunião até mais tarde. Resultado: eu e meu padrasto sozinhos em casa. Cheguei a ter uma palpitação. Nossa, será que se eu desse mole para ele, alguma coisa poderia acontecer? Eu estava tão desesperada de tesão que estava a fim de jogar tudo para cima apenas para desfrutar de algumas horas com o cara.

Percebi quando Regis pegou suas coisas e foi para a sauna. Era um dos hobbies dele. Minha mãe detestava e nunca o acompanhava. Bem, a partir daquela noite a solidão do meu padrasto na sauna chegaria ao fim. Vesti um top e um short bem curtinho que mal tapava a bunda. E lá fui eu.

Abri a porta da sauna já fazendo carão. Queria que ele se impressionasse com meu jeito sexy. Regis estava de olhos fechados e descerrou as pálpebras devagar quando se deu conta que não estava mais sozinho lá.

Nossa, ele estava nu. Inteiramente. O pau com que eu tanto sonhava estava ali ao meu alcance e o calor que me consumia era bem maior que o da sauna. 

− Quer um boquete? Eu sei fazer um melhor do que qualquer mulher.

Ele me encarou como se não acreditasse no que estava vendo. Mas antes que pensasse em me expulsar dali, aproximei-me rapidamente e me ajoelhei na sua frente. Não, ele não me afastou. Pelo contrário. Enfiou aquele pau de 22 centímetros dentro da minha boca. Quase me engasguei. Estava acostumada com o “inho” do Paulinho e pensei que fosse morrer asfixiada. Porém esta sensação durou por poucos segundos. Logo me adaptei àquele pau incrível e o chupei com tanta vontade que logo comecei a escutar os gemidos dele.

Fiquei totalmente empolgada. Do caralho passei para as bolas dele. Ricas bolas, por sinal. Era tudo o que eu amava. Lambi, chupei, beijei. Peguei o cacete para chupar de novo como se aquilo fosse meu troféu. Ah, como eu queria poder tirar uma foto daquele momento e guardar para sempre.

De repente meu padrasto me puxou para cima. Suas mãos procuraram avidamente os botões do meu short. Uau!!! Ele queria me comer. Eu o ajudei e logo estava nua inteirinha na frente dele. Sentei-me em cima do pau do Regis e logo aquele tronco invadiu minha buceta de alto a baixo. Até então nunca tinha transado com um cara tão bem dotado e sinceramente no início foi um pouco desconfortável. Achei que seria rasgada. Não que me importasse. Com dor ou sem dor era uma maravilha poder cavalgar o Régis, sentir os dedos dele no meu cuzinho e a língua nos meus seios. Será que ele fazia isso com minha mãe? Duvido. Ela era muito tradicional e certinha. Não era para menos que o Régis estava me comendo tão gostoso. E dali para frente sempre seria assim.

Ele gozou na minha buceta feito um cavalo e eu cheguei ao clímax praticamente junto. Tentei não berrar muito, mas não teve jeito. Vi estrelas por toda a sauna, algo quase inédito para mim. E eu já sabia o que faria depois daquela sessão incrível de sexo. Telefonaria pro Paulinho e daria um fim no nosso relacionamento. Eu topava ser amante do meu padrasto sem problema nenhum.

Nos recuperamos por 10 minutos, enquanto eu o enchia de beijos. Ele já era meu e nem sabia disto ainda. Foi quando Regis me deitou no chão da sauna e me cobriu totalmente. Senti meu rabo sendo aberto pelas mãos fortes dele e previ a cena. Seria currada. E agora? O meu cuzinho não comportaria todo aquele pau.

Bom, isto não era problema do Régis quando ele enfiou sem cuspe o enorme caralho dentro de mim. Eu berrei enquanto ele urrava no meu ouvido:

− Rebola, vadia! Vai, mexe este rabão!

Aquilo me excitou. Só de tentar rebolar eu sentia dor, mas não me fiz de rogada. Obedeci-o totalmente, pois se eu não fizesse aquilo, outra iria fazer. Dor e prazer se misturavam naquela foda imperdível. Meus gritos se confundiam com os urros dele. Não sabia que era tão bom ser arrombada. Nossa, eu só desejava transar o resto da vida com aquele homem e minha mãe que se danasse.

Senti o jato quente de porra no meu rabo e o Regis desabando sobre minhas costas. Era ótima a sensação de ter um homem daquele tamanho deitado em cima de mim, me cobrindo com toda a sua masculinidade. Tadinho, ele estava tão cansado que nem tirou o caralho de dentro da minha bunda. Não me importei. Eu estava adorando aquilo.

De alguma forma eu peguei no sono por uns vinte minutos, creio. E quando acordei o Régis continuava na mesma posição. Em cima de mim, com o pau enterrado no meu cu. A sauna estava quente demais e depois de todo aquele exercício eu me sentia desconfortável. A pedida era um banho a dois bem juntinhos antes que minha mãe chegasse.

− Régis, meu amor… Vamos fazer outra coisa?

Silêncio. Nossa, eu tinha dado uma canseira no meu velho!

− Amor… Uma ducha cai bem agora.

Tentei me virar um pouco e olhei bem para o rosto dele. Régis estava com os olhos arregalados, babando no meu cabelo e ficando roxo.

Puta que pariu, ele estava morto!

Empurrei-o para o lado e meu padrasto rolou no chão ficando de barriga para cima. A visão era aterradora. Me vesti correndo e quando dei meia volta para sair daquele inferno, deparei-me com minha mãe parada na porta da sauna. Encaramo-nos por longos segundos. Eu podia ter dito várias coisas. Desculpe, foi uma fatalidade, meus pêsames. Mas a única coisa que veio a minha mente para falar foi:


− Pelo menos ele morreu feliz.