terça-feira, 1 de agosto de 2017

MEU CHEFE É UMA LOUCURA (Cap, 8)



Cheguei em casa à noite completamente transformada. Fui direto para o espelho me analisar. Sim, eu precisava urgentemente de uma recauchutada geral. Diminuir alguns centímetros na barriga era fundamental. Minha dieta seguia razoavelmente bem. Talvez houvesse emagrecido alguma coisa. Mas para conquistar Leonardo, meu chefe, e a quem eu nunca havia visto até então, era preciso muito mais. Certamente ele gostava de ficar com beldades. Eu estava longe de ser uma.

Por enquanto.

Meus objetivos agora voavam mais alto.

Não precisa emagrecer mais. Você está bem assim.

Ignorei o comentário mentiroso da minha mãe. Perguntei:

− O que acha de eu tingir meu cabelo de loiro?
− Acho que você ficará parecendo uma puta.

Ignorei de novo aquele comentário mal educado e grosso. Porém, estava decidida. No sábado pintaria meu cabelo de loiro. Loiro Marilyn Monroe. Minha cabeleireira oficial não se importaria que eu pagasse no final do mês. Um corte moderno, cabelos mais claros, magra. Leonardo – ou Dr. Leonardo enquanto ele fosse meu chefe – iria se encantar por mim.
*
− Tem certeza de que é isto que você quer?

Dona Carmem segurava meus cabelos analisando cada fio. Sim, eu estava decidida.

− Claro. Não aguento mais olhar para a minha cara.
− A razão de querer mudar o visual é algum homem?

Prontamente respondi:

− Não.
− Pois bem ­− disse ela finalmente pegando a tesoura e pedindo para a auxiliar misturar a tinta com a qual iria me transformar para sempre em uma diva. – Você sabe que para manter cabelos loiros é preciso muitos cuidados. E muita grana.
− Vai em frente, dona Carmem. Quero sair daqui outra mulher.
− Você pediu.

Fiquei 3 horas no salão. Em alguns momentos cochilei na cadeira tamanho o tédio. Sonhei com Dr. Leonardo. Foi um sonho erótico, minha calcinha estava molhada quando senti um cutucão no meu ombro. Achei que fosse ele, mas quando abri os olhos me deparei com uma figura loira me encarando pelo espelho. Quase gritei quando percebi que aquela era eu.

− Que tal?

Que tal? Nem eu sabia. Não conseguia dizer se estava bonita ou feia. Estranha aos meus olhos, por assim dizer. Dona Carmem fez um milagre. Meu cabelo sem graça ficou repicado, moderninho. Ganhei uma franja, ela caía meio de lado na minha testa. E a cor…

Ultra loira. Não havia um fio de cabelo escuro na minha cabeça. Exótica era a palavra que melhor me definia. Quando eu emagrecesse, ficaria igual a Madonna. Tentei prestar atenção no que Dona Carmem dizia:

− Você precisará retocar os cabelos de mês em mês e hidratar semanalmente. Faça tudo direitinho e não haverá problema.

Balancei a cabeça concordando com tudo, mas não conseguindo assimilar coisa nenhuma. Saí do salão meio zonza, um pouco envergonhada. Na rua meus vizinhos me olhavam com uma cara de terrível espanto. Não sabia se estava agradando alguém. Desconfiei que não. Nem eu própria sabia ainda o que pensava sobre meu novo look.

Entrei em casa em silêncio. Minha mãe estava na cozinha, preparando seus doces, cantarolando em uma bela manhã de sábado. Fui direto para o banheiro para me dar outra analisada. Meu Deus, eu estava completamente diferente.

­­− Ai, meu Jesus!

Minha mãe deu um berro quando me viu. Não reconheceu a figura loura, de costas, e que tentava ansiosamente se encontrar. Aquele grito ensurdecedor me fez gritar junto. Por uns 5 segundos ficamos nos encarando, aparvalhadas. Foi o tempo que precisou para que minha mãe se desse conta que eu era eu.

− O que você fez, minha filha?
− Está muito horrível?

Ela não respondeu imediatamente. Olhou-me, fez caretas, pegou o cabelo para ter certeza de que aquilo era verdade. Por fim respondeu:

− Horrível não. Só está esquisito.
− Esquisito pode ser pior que horrível.
− Para quê tão loiro?
− Por que eu queria mudar.
− Parabéns, você conseguiu. Ainda bem que seu pai não está aqui para testemunhar esta sua loucura.

Meu pai sempre fora muito rígido. Andar de minissaia ou vestidos curtinhos eu só podia fazer quando ele estava viajando. As poucas vezes que consegui arrumar um namorado foi escondido dele. Se ele me visse daquele jeito me expulsaria de casa na mesma hora.

Por via das dúvidas não saí mais de casa naquele dia. Fiquei trancada no quarto para não ter que escutar os resmungos da minha mãe a respeito do meu novo visual. Para piorar o quadro, à tarde ela recebeu visitas. Menti que estava com dor de cabeça e me tranquei no quarto para ninguém me ver.


Foi quando Samanta Hot encarnou em mim.

terça-feira, 25 de julho de 2017

MEU CHEFE É UMA LOUCURA (Cap.7)



O movimento estava grande naquela manhã. Era um movimento de vai e vem de pessoas e telefones tocando sem parar. Simplesmente era impossível manter qualquer tipo de conversação com minhas colegas. Por um lado era ótimo. Pelo menos o assunto “sexo” ficava em segundo plano.

Eu estava atendendo a uma ligação quando percebi Angélica e Kelly se cutucando por debaixo do balcão. O movimento não estava tão intenso naquele momento, mesmo com algumas pessoas passando por ali. Não entendi o motivo das meninas parecerem tão excitadas. Talvez fosse algum menino bonito que tivesse dado uma piscadinha para elas, pensei ingenuamente. E esqueci o assunto.

Alguns minutos depois quando tudo parecia mais calmo, Kelly suspirou:

− Val, você perdeu.
− Perdi o quê? – fiquei curiosa.
− O homem.
− Que homem?
− Dr. Leonardo – informou Angélica, abanando-se com um pedaço de papel transformado em leque. – Ele passou por aqui.

Aquele nome não me era estranho. Dr. Leonardo…

− Quem é? Não consigo me lembrar…

Tive a impressão de que minhas duas colegas queriam meu fígado. Como eu não sabia de quem se tratava o tal Dr. Leonardo???

− Não acredito, Val, que você fez uma pergunta destas! É o presidente, o chefão de todas nós!
− Ah… − lembrei vagamente que o RH havia me dito algo sobre. – Bem, se ele passar por mim nem vou fazer ideia de quem seja. Vocês precisam me avisar.

Angélica e Kelly se entreolharam.

− Nem é preciso avisar você, Val. De longe você verá quem ele é.
− Por quê? Ele é gordo?

Santa inocência. Angélica me encarou quase furiosa.

− Você acabou de dizer um sacrilégio.
− Devo lavar a boca? – eu ri sem entender o motivo de tanta excitação por causa do presidente da empresa. – Ele não é gordo?
− Valdirene – começou a falar Kelly pondo a mão no meu ombro, – o Dr. Leonardo é simplesmente o homem mais bonito do Brasil. E eu não estou exagerando.

Todos meus instintos afloraram naquele instante e posso dizer que minha vida mudou a partir dali. Fiquei curiosíssima.

− Como assim o mais bonito do Brasil? Você está tirando sarro da minha cara, não é mesmo?

As duas balançaram a cabeça negando que aquilo tudo fosse uma brincadeira. Realmente eu nunca as vira tão sérias.

− Quando você pôr os olhos no cara ficará louca de tesão.     
 
Interessei-me terrivelmente por aquela informação. Precisava saber mais sobre o tal Dr. Leonardo.

− Então me conte. Como ele é?

Angélica passou a dar a ficha do chefe, auxiliada por Kelly. O sentimento de adoração era genuíno.

− Imagine um homem de 1,90 centímetros de altura – Angélica o descrevia com gestos significativos – e com os olhos mais negros e misteriosos que alguém pode ter. Quando aquele deus olha para alguém, nunca se sabe o que ele pode estar pensando.

Fiquei aflita. Subitamente lembrei-me de Samanta Hot. Sussurrei:

− Continue.
− Ele usa ternos lindos, bem cortados  − continuou Angélica com os olhos vidrados, – mas mesmo assim dá para ver os músculos perfeitos do braço, do abdômen...

 Kelly foi em frente:

− Já enxerguei o músculo da perna dele saltando nas calças. E a boca… Nossa, aquilo não tem explicação.

Tomei um gole da minha garrafinha de água. Elas estavam descrevendo um deus grego.

− O que tem a boca dele?
− Carnuda. Gostosa. Boa de beijar.
− É? – mesmo sem conhecer meu chefe, os pensamentos que vieram a minha mente foram totalmente pecaminosos. Coincidentemente, Kelly os traduziu quase na mesma hora:
− Fico imaginando aquela boca na minha buceta.

Virei quase toda a garrafinha dentro da boca. Angélica não se fez de rogada e disse:

− Teve uma vez que ele passou por nós à paisana. Sabe o que isso significa? Que ele estava vestido com um jeans claro e uma blusa branca comum. Marcava a bundinha dele, sabe? Nós piramos sentadas aqui.

Quem estava completamente pirada era eu. Construí a figura de um homem na minha mente e já estava completamente envolvida com ele. Balbuciei:

− E… ele passou por aqui hoje?
− Sim, ele passou por nós – respondeu Kelly, suspirando. – Parecia estar desfilando em uma passarela.
− Será que ele vai voltar?

Minha voz saiu esganiçada.

− Sei lá. Às vezes ele tem reuniões fora, viagens, ficamos dias sem vê-lo.
− Mas sempre que ele lembra nos dá um abaninho – disse Angélica. – Para nós é tudo.

Minha barriga roncou naquele instante e eu lembrei que estava de dieta. Incentivei-me mais ainda. Para Dr. Leonardo dar bola para mim, eu precisava chamar atenção. Estar magra. Talvez loura. Quem sabe usar batom vermelho para aumentar o tamanho dos lábios. Silicone nos peitos, no futuro.

Fiquei apaixonada baseada apenas nas descrições das minhas amigas. Sentia-me uma adolescente babaca. Queria demais conhecer aquele homem.

Passei o resto do dia somente comendo frutas e esperando meu chefe cruzar a porta. Ele não apareceu.


E eu não desisti.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

MEU CHEFE É UMA LOUCURA (Cap. 6)





Quando cheguei em casa, à noite, estava exausta. Não pelo serviço. Aquilo era molezinha. O problema era conseguir manter uma mentira 24 horas por dia. Pelo menos estava me saindo bem. Eu tinha certeza de que nenhuma das duas colegas desconfiara da minha situação. Mas até quando?

Eu estava atirada no sofá quando me deparei com minha mãe vindo na minha direção. Dei um berro:
− Tira esse negócio daqui, mãe. Pelo amor de Deus, eu preciso emagrecer!

Ela parou no meio do caminho segurando um pratinho com um pedaço suculento de bolo de chocolate com cobertura de leite condensado. Fechei os olhos para não cair em tentação.

− Homem não gosta de mulher magra, Valdirene. E você está tão bem...
− Bem gorda – não adiantou somente fechar os olhos. O cheirinho delicioso entrou pelo meu nariz descaradamente. – Você não tem ideia de como fiquei ridícula naquele uniforme da empresa. Ou eu perco cinco quilos em um mês ou me interno em um SPA.
− Vai jantar o quê, então? – perguntou ela, inconformada com a minha recusa.
− Um prato de sopa.
− Você vai ficar fraca.
− Antes uma fraca magra a uma gorda forte. Quer fazer a gentileza de tirar esse troço do meu nariz?!

Entrei debaixo do chuveiro tentando imaginar como seria minha vida dali para frente. Enquanto não arrumasse um namorado de verdade, eu viveria na corda bamba. Qualquer deslize e minha terrível vergonha seria descoberta. Na verdade era muito mais fácil eu bancar a discreta e ficar na minha. O único problema é que eu não queria ficar para trás de Angélica e Kelly. Queria mostrar que podia tanto quanto elas. Infelizmente, no presente momento, eu não podia coisa alguma. Nem um namorado eu era capaz de arrumar.


Mas podia inventar um.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

MEU CHEFE É UMA LOUCURA (Cap. 5)




Quando comecei a trabalhar na empresa eu não havia perdido dois quilos, mas engordado três. Dentro daquele uniforme nada sexy senti-me uma ridícula entre as minhas duas colegas beldades. No entanto fui muito bem recebida, o que reduziu um pouco minha sensação de inferioridade. O serviço era fácil e agradável. Eu simplesmente tinha que informar às pessoas que entravam na agência onde ficava o lugar que elas desejavam ir. Simples. Havia momentos de grande movimento. Porém, quando tudo ficava calmo era até possível manter um diálogo com Angélica e Kelly. E antes do meio dia descobri que minhas colegas eram duas vadias.

Nem Samanta Hot poderia imaginar uma coisa daquelas. Ouvir as aventuras sexuais de Kelly e Angélica era como ter uma aula de sexo em tempo integral. Era somente sobre isto que elas conversavam. No início fiquei surpresa. Depois, assustada. Ser Samanta Hot entre quatro paredes era uma coisa. Mas ser Valdirene da Silva, a última virgem do país, entre duas putas, era bem complicado. Elas não podiam de jeito nenhum saber que eu era virgem, mas nem namorado eu tinha para disfarçar. Teria que inventar muitas coisas para não passar vergonha, além de trazer Samanta Hot para viver comigo durante 24 horas por dia.

No primeiro dia de trabalho fomos as três em um restaurante próximo. Era um lugar simples, sem muito espaço, mas com a comida boa. Para falar a verdade, mal senti o gosto. Angélica relatou todos os detalhes de sua última noitada o que me deixou constrangida e com inveja. Kelly dava alguns apartes e eu, muda. Não havia o que falar. Qualquer coisa que eu dissesse poderia virar contra mim. Socorro, Samanta Hot!

Então veio a pergunta fatal. Eu sabia que isso aconteceria, só não esperava que fosse tão cedo. E tão rica em detalhes.

− Você curte anal?

A pergunta foi feita para mim em alto e bom som. De repente parecia que tudo se movia em câmera lenta e que todo o restaurante esperava ansiosamente a minha resposta. O pedaço de bife desceu arranhando minha garganta enquanto eu encarava Angélica, a autora da pergunta, com o olhar mais casual do mundo. Respondi tentando mostrar todo o meu conhecimento e naturalidade sobre o assunto:

− Sexo anal é tudo. Senão tiver, não tem a menor graça.

Talvez o restaurante inteiro tenha ouvido minha resposta, porém não ousei olhar para os lados para confirmar. Meus olhos estavam cravados em Angélica que escutou minhas palavras com franca admiração.

− Bravo – disse ela encantada, batendo palmas para aumentar o meu vexame. – Você pensa como eu. Senão comerem minha bunda, não precisa nem continuar.

Nossa, pensei eu, tomando um copo de Coca Cola de um gole só. Kelly não se fez de rogada e emendou:

− Adoro dar a bunda. Adoro mesmo.
− Eu também. Amo – disse para corroborar mais minha mentira.

Não tive mais coragem de olhar para os lados. O restaurante estava cheio de gente, era pequeno, as cadeiras coladas umas nas outras. Todos os clientes já deveriam saber que eu curtia anal. Vexame. Depois, pensando bem, resolvi relaxar. Antes acharem que eu era uma puta do que descobrirem que eu era intocada. 

domingo, 2 de julho de 2017

A CHAVE DO MEU CORAÇÃO






Ela trancou a porta do seu coração
Para nunca mais amar
Mas um dia cruzou seu caminho
Um rapaz bonito e de bom papo
Com os olhos mais brilhantes que dois diamantes.
A moça se encantou, mas...
Será que deveria entregar a chave do seu coração
Para o moço de sorriso radiante e cabelos de sol?
Ela pensou, pensou e pensou.
E quando finalmente se decidiu

Não lembrava mais onde havia escondido a chave.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

MEU CHEFE É UMA LOUCURA (Cap. 4)





Naquele mesmo dia conheci minhas colegas. Seríamos três na recepção e ao me deparar com elas, logo percebi que teria que dar uma repaginada no meu visual o quanto antes para não ficar para trás. Angélica, negra e bem constituída de corpo, era muito simpática e possuía um sorriso contagiante. Elegante mesmo com aquele uniforme horroroso que eu seria obrigada a usar, Angélica tinha todos os requisitos para ser a madrinha de bateria da Portela. Bundão, coxão e peitão era o que se destacava naquele corpo exuberante. A outra moça era a Kelly, tipo mignon, mas igualmente bonita. Com longos cabelos louros, parecia uma boneca que falava, muito delicada e doce. E eu, Valdirene, a patinha feia. Precisava urgentemente dar um jeito na minha aparência ou ficaria virgem para o resto da minha vida.

Logo que cheguei em casa e coloquei minha mãe a par de todas as novidades, comecei desesperadamente a traçar um plano para sair da merda. O primeiro passo e o mais difícil – era começar uma dieta. Calculei que precisaria perder uns seis quilos. Pretendia chegar na empresa dali a quinze dias com dois quilos a menos. Complicado? Era só ignorar o brigadeiro que minha mãe estava enfiando na minha cara.

– O que é isso, mãe? – virei a cabeça para o lado para não ter que olhar para o doce.
– Como o que é isso? Seu doce preferido. Fiz para comemorar sua ascensão profissional.

Não resisti. Só aquela vez. Última e derradeira vez. Anunciei:

– Estou de dieta.
– Desde quando?
– A partir do momento que engolir o brigadeiro.

Dois brigadeiros depois e jurando para mim mesma que aquilo já era passado, sentei em frente ao computador. Foi automático. Abri o editor de texto e Samanta Hot encarnou em mim.

“A loura e a morena. Trabalhavam juntas a cerca de seis meses. Trocavam algumas confidências, particularidades sobre namorados, davam palpites sobre os seus cabelos, roupas, falavam mal do chefe. A intimidade começou a aumentar sem que ambas se dessem conta. Na noite anterior a loura havia dormido na casa da morena. Estava triste. Flagrara o namorado a traindo com outra. E o que era pior. Uma baranga. A morena a levou para casa, fizeram chá, beberam, conversaram, a loura chorou. Dormiram as duas na mesma cama, coxas se entrelaçando, os cabelos de ambas espalhados pelo travesseiro, um doce perfume no ar. No outro dia se levantaram cedo. Tomaram café juntas, havia algo estranho entre elas. Vieram dentro do ônibus cheio. A morena pressionando bunda da loura cada vez que alguém queria passar. E isso continuou até depois que o ônibus esvaziou.

A loura não se importou. Gostou da pressão daquele quadril forte. Em algum momento teve certeza que sentiu a mão da morena passando de leve na sua bunda. Nossa, aquilo era gostoso. Podia passar mais vezes, se quisesse.

As duas trabalhavam na mesma sala. Eram recepcionistas de uma grande empresa. E muito assediadas pelos homens. Mas naquele dia a loura e a morena não enxergaram homem nenhum. Trocaram olhares a manhã toda. Sorrisos marotos e cheios de promessas. Quando chegou meio dia a fome que as consumia era outra. A morena conduziu a loura direto para o almoxarifado. Conhecia bem aquele lugar. Fizera sexo inúmeras vezes ali. Não importava o gênero, homem ou mulher. Ela precisava era desafogar sua vontade e a loura agora estava ali, se ardendo de vontade. Fazia bastante tempo que queria comer a boneca. Agora a oportunidade tinha aparecido, mais forte, mais premente.

A morena não perdeu tempo. Assim que se viram sozinhas no canto mais escuro do almoxarifado, virou a loura de costas e baixou sua calcinha. Essa enlouqueceu. Gemeu, parecia uma gatinha. Empinou a bunda e a morena não perdeu tempo. Enfiou a língua e deu uma lambida bem gostosa no cuzinho da loura. Molhadinha. Gostosa. Logo a loura passou a rebolar, a gemer. A morena se excitou. Enfiou três dedos naquela bucetinha linda enquanto se encoxava na loura. Cada gemido da loura excitava mais a morena. Era um furacão, as duas. O pescoço branquinho da loura já acusava alguns roxos. A morena se lamentou não ter trazido o vibrador para fuder aquela buceta apertadinha. A mais apertadinha de todas que já provara.

De repente a loura se virou. Olhou bem fundo nos olhos da morena e aproximou-se dos seios volumosos dela. Chupou com toda força, até arrancar um grito gostoso dela. A loura se empolgou. Foi descendo pela barriga desenhada e perfeita, abriu o fecho da calça jeans da sua amiga e visualizou os cabelinhos enrolados assim que desceu suavemente a calcinha branca.

A morena fechou os olhos quando sentiu a língua doce da loura vasculhando sua buceta. Era suave, mas a chupava com vontade. Ela sentiu que teria um orgasmo ali mesmo, no almoxarifado. A loura agarrava sua bunda, apertava, dava tapinhas, não tirava a língua. Sua amiga tinha um gosto diferente. Muito melhor do que o cretino com aquele pau nojento. A morena empurrava cada vez mais a cabeça da amiga. A loura achou que seria engolida pela buceta da outra.

De repente a morena não teve mais como segurar. O orgasmo veio com tudo, uma avalanche incontrolável. Ela deu um grito agudo, as pernas fraquejaram, caiu de joelhos. A loura não quis perder tempo. Meteu dois dedos no cu gostoso da morena e socou com força até a outra ter outro orgasmo e ficar estendida no chão com a calcinha arriada.

Quando voltaram ambas para o trabalho à tarde estavam saciadas. Sorridentes. Não hesitavam em se esbarrar, beliscar a bunda uma da outra. A noite prometia sexo e loucuras. E aquele era só começo.”

Li minha história duas vezes, sem saber se a publicava ou não. Era meu primeiro romance lésbico, totalmente inspirado nas minhas novas e futuras colegas. Será que faria sucesso? Bom, não custa tentar, pensei. Em poucos minutos estava no site e em menos de uma hora os acessos se multiplicaram. Samanta Hot era um fenômeno.


Valdirene da Silva precisava urgentemente de um pau.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

MEU CHEFE É UMA LOUCURA (Cap. 3)

Parei de devanear, incomodada com meus próprios pensamentos. Ser virgem era algo que me deixava arrasada. Lembrei-me do celular. Segundo minha mãe, ele havia feito um “barulhinho”. Certamente era a maldita operadora me oferecendo um plano mágico. Sem esperar nada de bom, conferi o que era.

Me arrepiei. Gritei emocionada:

− Mãe! – abri a porta do quarto praticamente pulando. – Eu consegui! Eu consegui!

Minha mãe apareceu segurando um pano de prato, surpresa com a minha gritaria.

− Conseguiu o quê, criatura?
− Um emprego! – mostrei o celular para ela. – Olha aqui, é sério! Vou sair da pindaíba.

Ela franziu os olhos para enxergar o que estava escrito no visor do aparelho. Aparentemente não viu nada e perguntou:

− Onde, Valdirene? Em qual firma?

Eu já estava sem ar. Fui até a geladeira e me servi de um copo de água. Simplesmente mal podia conter a minha empolgação. De repente era como se o futuro abrisse suas portas para mim. Chega de ficar dentro do quarto escrevendo putaria!

− Naquela empresa lá do centro, mãe.
− A que tem vidros do chão até o teto?
− Esta mesma.      
   
Um lugar bem bonito onde eu iria trabalhar muito em breve. Era um prédio alto, uma agência famosa de propaganda e publicidade, toda envidraçada. Eu havia me candidato para recepcionista. Certamente trabalharia com uniforme, coque e cheia de pose. Samanta Hot ficaria um pouco para trás agora. Quem sabe até eu arrumasse um namorado firme?

− Quando você começa, Valdirene?
− Na mensagem diz que é para eu procurar o RH amanhã de manhã – respondi, aliviada. – Deve ser para providenciar documentos, exames... o de praxe. Acho que leva uns 15 dias.
− Fico feliz – disse minha mãe voltando para a cozinha. – Agora você desentoca daquele quarto e sai para a vida. E quem sabe até me dá um genro?


Coloquei o relógio para despertar às 7 horas da manhã e uma hora depois já estava sacolejando dentro de um ônibus lotado. Não, aquilo não era ruim. Depois de meses enfiada em um tédio dos infernos, estar apertada no meio de tanta gente era como se sentir viva novamente. Aquela seria minha rotina – bendita rotina – dali para frente. Eu estava pondo muita fé no meu novo emprego. Claro, eu sentiria alguma saudade de Samanta Hot. Afinal, ela me fizera companhia durante todos aqueles meses. Mas depois de pôr minhas contas em dia e renovar meu guarda-roupa, eu queria cursar uma faculdade, aperfeiçoar meu inglês, viajar. Samanta Hot talvez se aposentasse. E nem por um momento eu pensei nos meus famintos leitores.

sábado, 17 de junho de 2017

MEU CHEFE É UMA LOUCURA (Cap. 2)



A porta do quarto foi aberta de repente e eu levei um susto. Disfarcei e minimizei o texto antes que minha mãe descobrisse que meu vício do momento era escrever contos de putaria para a internet.

− O que foi, mãe?
− Seu celular fez um barulhinho. Acho que alguém está tentando falar com você.
− Obrigada, vou olhar depois – agradeci, desejando que minha mãe vazasse do meu quarto de uma vez. Meu conto estava em um ponto crucial e ser interrompida naquele momento me deixou ligeiramente aborrecida.

Peguei o celular e o coloquei em cima da penteadeira. Tentei me concentrar outra vez no texto, mas aquela pausa fez minha criatividade se perder em algum ponto da minha mente. Fiquei olhando para a tela do meu notebook, tentando encontrar um final excitante para a história. Não consegui.

Prazer, meu nome é Valdirene da Silva. Mas os mais chegados me chamam simplesmente de Val. Val. A moça sem graça e tímida, desempregada há meio ano. Val, a moça sem namorado e que passa a maior parte do tempo sonhando acordada, esperando que o príncipe encantado bata a sua porta. Não precisa vir de cavalo. Eu topo uma Mercedes.

Prazer, meu nome é Samanta Hot. O que eu faço? Escrevo contos eróticos. Enquanto Samanta Hot sou um sucesso. Minhas histórias picantes fazem sucesso na internet. Recebo elogios, convites para sexo selvagem e perguntas indiscretas. Sim, meus eróticos leitores imaginam que os textos que escrevo são uma espécie de autobiografia. Não são. Tudo não passa de uma mente extremamente criativa, que precisa pôr para fora tudo aquilo que parece transbordar. Eu poderia escrever sobre muitas coisas. Amor, romance, terror, suspense, aventura. Optei por putaria e sacanagem. E me dei bem. Mas não fiquei rica. Preciso desesperadamente de um emprego antes que minha mãe vá à falência.

Este é o meu grande segredo. Ninguém pode saber que a desajeitada Valdirene da Silva é a escaldante Samanta Hot. Que vergonha... Minha mãe sofreria um AVC se descobrisse do que é capaz de sair de dentro da minha cabeça com tamanha riqueza de detalhes. E com que cara eu iria olhar para a vizinhança, parentes, ex − colegas de trabalho? Nunca. Samanta Hot morrerá junto com Valdirene da Silva, a santa.

Valdirene da Silva, a virgem. Que isto não se espalhe. Tenho 30 anos. Quase nenhum namorado, muitas decepções, sexo nenhum. Sim, já cheguei perto. Estive na mesma cama que um homem, eu devia ter uns 20 anos. Eu era mais bonitinha, mais graciosa, mais alegre.  E Interessei-me pelo cretino-mor do bairro, o Jair.

Considero isto a maior cagada da minha vida. Acreditei que o desgraçado estava afim de mim também. O Jair já tinha comido mais da metade do mulherio do bairro. Acho que só faltava eu. E, como trouxa que era, caí bem certinho na lábia dele. Palavras bonitas ditas no meu ouvido tiveram o poder de me encantar. Quando me dei conta estava completamente envolvida e pronta para transar. Pelo menos era o que eu achava.

Fui para os finalmentes com ele muito rápido. Pudera, eu estava louca para perder minha virgindade. Provavelmente a última virgem do bairro era eu.  O Jair tinha muita experiência na área e decidi que seria com ele, na falta de coisa melhor. Lembro-me como se fosse hoje. Chegamos na casa dele, um sábado de tarde, e o cara não estava disposto a perder tempo. Foi logo tirando a roupa e arrancando a minha. Confesso, fiquei meio assustada, mas não podia recuar. Quando eu estava só de calcinha e com os peitos de fora, o Jair tirou a cueca samba canção.

Dei um grito.

Aquilo não podia ser de verdade. O Jair era um verdadeiro tripé. Imaginei aquela coisa entrando em mim, me rasgando, me deformando. O Jair levou um susto com meu berro e brochou na hora. Aproveitei aquele momento de constrangimento e me vesti correndo. Ele não fez nada para impedir. Ficou sentado na cama, com seu enorme pau agora murcho, observando-me sair porta afora para nunca mais.

Aquilo me marcou profundamente. Por semanas temi que o Jair abrisse a boca e revelasse meu fiasco. Mas ele nunca fez nada. Manteve silêncio sobre o fato e continuou comendo quem aparecesse na frente dele. Tive outros namoradinhos. Beijei na boca, mas sexo... Acabava com qualquer tipo de relacionamento quando as coisas estavam se direcionando para isto. E assim cheguei aos 30 anos. Virgem, subindo pelas paredes e louca para dar.


Ah, como eu queria ser depravada como a Samanta Hot!

quarta-feira, 14 de junho de 2017

MEU CHEFE É UMA LOUCURA (Cap. 1)

Valdirene está desempregada há meses quando consegue um emprego de recepcionista em uma grande empresa. Escritora erótica nas horas vagas e virgem aos trinta anos, ela mal pode acreditar que o seu chefe é o cara mais lindo que já viu na vida! E agora, Valdirene?


"Ramona entrou na sala do Dr. Clóvis e fechou a porta sorrateiramente. O chefe, concentrado entre tantos papéis, perguntou sem olhar para sua secretária:
− Dona Ramona, a senhora trouxe o relatório que eu pedi?
Ela não respondeu. Aproximou-se lentamente da mesa do chefe, abrindo um a um os botões pequenos da sua blusa recatada. Quando parou em frente a ele estava apenas de sutiã.
O homem ainda não havia reparado que sua subordinada estava tentando lhe seduzir. Sua preocupação eram os números da empresa. Ele estendeu a mão para pegar o relatório. Ramona não perdeu tempo. Abaixou um pouco o corpo e sugou com vontade dois dedos da mão do chefe.
Dr. Clóvis tomou um susto. Ele não era nenhuma beleza. Pelo contrário. Era baixinho, sedentário e usava óculos fundos de garrafa. Não fazia sucesso com as mulheres. Mas como tinha a carteira recheada, sempre havia uma para satisfazer suas necessidades mais prementes. Nunca, nunca mesmo, aventurara-se com qualquer colega da empresa. Pelo menos até aquele momento.A estonteante Ramona, ex-miss bumbum, estava deliciosamente chupando seus dedos.
Seu pau subiu na hora. Foi inevitável. Ramona estava gulosa, sorvendo seus dedos sem parar e lhe lançando olhares muito sedutores. Os peitos siliconados quase saltavam do sutiã vermelho e a saia longa estava prestes a ser jogada no chão.
−Dona Ramona, alguém pode entrar e...
Ela soltou os dedos do chefe e a mão dele caiu pesadamente sobre a mesa.
− Eu tranquei a porta.
− Dona Ramona – ele estava arfante. Ramona abriu o fecho da saia que despencou no chão. A sua secretária estava sem calcinha. – Aqui não é lugar para...
− É sim. – devolveu ela, agora dando a volta na mesa e parando finalmente ao seu lado. Com alguma violência, virou a cadeira de rodinhas onde ele estava sentado e o posicionou frente a ela. Murmurou – Eu chupo seu pau. Depois você me chupa, ok?
Naquele momento o presidente da empresa abriu a porta que não estava trancada como Ramona acreditava. Ela ficou em pé, assustada, sem tentar esconder a nudez. Dr. Clóvis tentou cobrir seus 25 centímetros de pau com o relatório financeiro.
− Sexo a três? – indagou o manager, abrindo o fecho das calças. – Vamos lá!"

quinta-feira, 18 de maio de 2017

A CASA DA FRENTE (Caps. 1/2/3)

Capítulo 1

            Quando Marcelo estacionou o carro junto ao meio fio, Samanta perguntou surpresa:
− Você tem certeza de que é esta?
− Eu não iria brincar com uma coisa tão séria – respondeu ele sorrindo.
            Ela riu alto. Aquela casa era simplesmente demais. Samanta abriu a porta do carro praticamente em câmera lenta analisando cada detalhe da construção. Em pé, na calçada, ficou em silêncio até escutar a voz de Marcelo:
− E então? O que você acha?
− Incrível. É a casa que eu sempre sonhei. Moderna, clean... Podemos entrar?
− Claro – Marcelo pegou as chaves do bolso e perguntou: − Você acha que eu a traria aqui só para ficar do lado de fora?
− Ora, eu mataria você!
            De mãos dadas, ambos entraram na casa. O hall e a sala eram de bom tamanho e Samanta logo se viu pensando na decoração
− Me aparece aconchegante – e ela apontou para o canto da sala. – Sempre sonhei em ter uma lareira como aquela ali.
− Você ainda não viu o resto. Venha  − disse Marcelo, puxando-a pela mão. – Tem muito mais.
            Durante a meia hora seguinte o casal percorreu a casa de dois pisos fazendo planos como se ela já lhes pertencesse. No final, Samanta enumerou tudo o que tinha gostado:
− Piscina, banheira de hidromassagem, lareira, escritório para você, um quarto de casal enorme… O que posso querer mais? Para mim ela é perfeita. Sem falar que este condomínio é bem bacana.
            Marcelo e Samanta estavam casados há pouco mais de um ano. Modelo famosa, Samanta fazia ainda alguns trabalhos, optando por ficar o maior tempo possível com o marido. Já Marcelo era um advogado em ascensão em uma notória firma jurídica. O casamento ia muito bem. Desde o primeiro dia que se viram nunca mais haviam se desgrudado.
            Porém, apesar de ambos estarem vivendo momentos de grande paixão, Samanta jamais poderia suspeitar que Marcelo, poucos anos antes, sofrera uma terrível decepção amorosa. Aliás, isto era um tabu na vida dele, um assunto que poucos conheciam e que Marcelo não fazia a menor questão de lembrar. Mulher de rara beleza, Samanta o fascinara instantaneamente com seus olhos verdes e a pele negra. Em três meses estavam casados e vivendo intensamente cada instante.
− É só você dizer “sim” e eu ligo para o corretor – Marcelo apontou para o celular. – A decisão está toda em suas mãos.
− Ligue para ele agora. Eu quero esta casa!
            Sem perder tempo, ele telefonou para o corretor acertando uma visita. Samanta já tinha mil idéias para decorar a casa quando o marido desligou o celular.
− Vou fazer deste lugar o nosso ninho de felicidade, meu amor. Será que fui piegas demais?
− Acho que sim – sorriu Marcelo, abraçando-a. – Mas qual é o problema, desde que isso a faça mais feliz?
− Você é o responsável por tudo de bom que tem acontecido na minha vida – confessou ela. – Mal vejo a hora de me mudar para cá – Samanta lhe roubou um beijo.
− Vamos dar uma volta pelo condomínio e conhecer nossos novos vizinhos?
− Claro, estou ansiosa por isto!
            O condomínio agradou em cheio Samanta. Com ciclovia e calçadão para caminhar, ela se sentiu em casa. De mãos dadas com o marido enquanto faziam o reconhecimento de área, ela apontou discretamente e exclamou:
− Veja, tem até um supermercado!
− Eu falei que você encontraria tudo o que precisa aqui – replicou Marcelo, satisfeito com a alegria da esposa.
− Realmente, estou cada vez mais surpresa. E aliviada.
− Aliviada por quê?
− Não suporto mais o estresse da cidade. Estou precisando de um lugar calmo para viver. E você também – reparou ela. – Aquele escritório suga toda sua energia.
− Você repõe todas minhas energias.
− Pensei que eu também tirasse.
− Nas horas certas, sim – Marcelo riu.
− E depois – emendou ela com um sorriso no rosto, – nossos bebês serão criados com mais liberdade e qualidade de vida. Este lugar é perfeito para crianças.
            Marcelo ficou em silêncio. O assunto “filhos” era constante na vida do casal, porém sempre por parte de Samanta. O sonho dela era ser mãe. Ele, no entanto, jamais revelara que fizera uma vasectomia meses antes de conhecê-la. E não tinha se arrependido disso mesmo depois de se apaixonar por ela. Crianças, sinceramente, somente a dos outros. E mesmo assim com alguma distância. Marcelo sabia que deveria ter contado para Samanta desde o início. Mas não o fizera. Assim, ela continuava alimentando seu sonho, mal sabendo que com Marcelo isso jamais poderia se concretizar.
− Você não acha? – perguntou ela.
− Acho o quê?
− Os nossos filhos serão muito felizes aqui. Viverão uma infância de verdade e não presos dentro de apartamentos, em uma selva de concreto.
− Ah, claro... Aqui é o lugar ideal – para trocar de assunto, Marcelo rapidamente falou. – Vou deixar você encarregada das reformas, dos pedreiros, de tudo. Com o novo caso que me deram na firma não terei tempo de gerenciar as coisas mais de perto.
− Deixa comigo – Samanta concordou feliz. – Vou adorar me ocupar com a reforma e a decoração da casa. Posso até consultar você de vez em quando.
− Gostaria muito, mas reconheço seu bom gosto. Fico tranquilo deixando tudo em suas mãos.
            Samanta deu uma gargalhada gostosa e o abraçou.
− Tenho certeza de que seremos muito felizes aqui, meu amor.
− Viveremos momentos inesquecíveis neste lugar.
            Eles mal podiam imaginar o quanto a frase de Marcelo tinha de verdadeira.

Capítulo 2

            Devido ao trabalho de Marcelo e ao tempo livre de Samanta, foi ela quem inspecionou as reformas que haviam planejado. Tudo estava saindo bem e dentro do cronograma proposto e o casal não via a hora de se mudar para o condomínio. Todos os dias pela manhã, Marcelo deixava Samanta na nova casa que tomava a forma que ambos desejavam e aparecia para buscá-la no horário do almoço e depois no final da tarde. Ela estava adorando sua nova atividade.
            Parada na calçada, Samanta observava, próxima ao gramado da frente, a paisagista conversar com o jardineiro. Pelo andar da carruagem, ela teria o mais lindo jardim do condomínio. Satisfeita, olhou em volta. As ruas calmas e com pouco movimento eram perfeitas para uma corridinha matutina ou ao entardecer.
            De óculos escuros e com os cabelos cacheados presos no alto da cabeça, Samanta se destacava em qualquer lugar graças ao seu porte altivo. Por isto não estranhou quando percebeu, pelo canto do olho, que alguém a observava da casa da frente. Samanta voltou-se rapidamente para dar o flagra, porém não foi rápida o bastante para ver quem era. Quem a espreitava escondeu-se atrás das cortinas. O mistério permaneceu durante o dia inteiro.
            Mais para o fim da tarde, quando Marcelo veio buscá-la após o trabalho, Samanta comentou:
− Sabe que havia alguém me espionando na casa da frente? Muita falta do que fazer!
− Certamente era algum fã seu. Deve estar se achando o cara mais sortudo do mundo porque você vai morar bem na frente da casa dele. É uma pena, porque quem ganhou a sorte grande fui eu.
− É impossível manter-se modesta ao seu lado, meu amor – comentou Samanta acariciando o rosto dele.
− Você é a única mulher que eu conheço que não precisa bancar a modesta.
− Estou tão feliz que nós vamos morar nesta casa, Marcelo – sussurrou ela enquanto o carro saía do condomínio e pegava a via movimentada. − Espero que os vizinhos também sejam legais.
− Bem, você tem a capacidade de se entrosar com qualquer pessoa, qualquer que seja o lugar. Você realmente não tem com que se preocupar.
− Mas você sabe que muitas pessoas só se aproximam porque sou relativamente famosa.
− Depois que essas mesmas pessoas lhe conhecem de verdade, ficam encantadas com seu carisma. Eu me encantei à primeira vista.
− E eu também – confessou ela com os olhos brilhantes. – Meu encanto permanece até hoje.
            Marcelo olhou para Samanta perguntando-se o que ela havia visto nele. Não que Marcelo fosse um homem sem atrativos. Pelo contrário. Mas sua esposa havia desfilado pelas passarelas de Nova York e Milão ao lado dos homens mais bonitos do mundo. O fato de ela achá-lo interessante e amá-lo a ponto de se casarem, era praticamente um milagre.
− Tenho a mais absoluta certeza de que seremos muito felizes na nossa nova vida – assegurou ele dando um beijo em Samanta.
           
Capítulo 3
           
            Dia da mudança. No interior da casa, Marcelo indicava onde os móveis deveriam ser colocados. Do lado de fora, além de verificar se os seus pertences estavam sendo bem transportados, Samanta observava disfarçadamente a casa da frente, a espera que o “espião” que a observara na vez passada aparecesse novamente por detrás das cortinas. Infelizmente para ela, nada aconteceu. Nenhum vulto suspeito apareceu na janela, a porta da frente se manteve fechada o tempo todo e parecia que realmente não havia ninguém na casa. Dando de ombros, Samanta se consolou pensando que teria muito tempo para descobrir quem a havia espionado.
            Uma mão bateu no ombro dela e Samanta levou um susto. Uma mulher simpática, de aproximadamente 45 anos e baixinha lhe sorria com todos os dentes possíveis. Sorrindo também, Samanta cumprimentou:
− Olá, bom dia.
− Olá, como vai você? Meu nome é Laura e seremos vizinhas. Vim aqui lhe dar boas vindas em nome do nosso condomínio.
            Ambas trocaram dois beijinhos e Samanta ficou na dúvida se ela não seria a moradora da frente.
− Oh, muito obrigada. E você? Mora onde?
− Do lado da sua casa. Estamos apenas separadas por um muro.
− Que ótimo! – exclamou Samanta. – Depois que estiver tudo arrumado, eu convido você para tomar um chá comigo. Você gosta de chá? Ah, eu nem me apresentei. Meu nome é Samanta.
− E quem não sabe disto? Já faz tempo que eu vejo você embelezando as capas das revistas de moda de todo o país.
− Depois que casei com Marcelo somente faço alguns trabalhos eventuais. Prefiro bancar a dona de casa. É bem menos cansativo, acredite.
− Escute, Samanta – disse Laura cada vez mais simpática. – Quando chegam moradores novos no condomínio, nossa associação costuma oferecer uma pequena recepção para que todos possam se conhecer e manter este clima de cordialidade que reina aqui. O que você acha de eu organizar um encontro assim em torno de você e seu marido?
− Eu acho ótimo. Afinal, eu preciso conhecer meus vizinhos. Quando seria?
− Bem, hoje é terça-feira... Que tal na sexta? Fica bom para vocês?
− Sim! – garantiu Samanta animada. – Para mim fica perfeito e tenho certeza que para Marcelo também.
− Então está combinado. Vou avisar os nossos vizinhos. Sexta-feira, às 21 horas. Pode ser?
− Claro!
− Na minha casa, então.
− Eu tenho certeza de que vou adorar conhecer todos vocês.
*
− Eu não vou.
            Samanta colocou as mãos na cintura. Ambos estavam parados no meio do quarto, ainda com as roupas dentro das malas e as portas do closet escancaradas esperando que alguém pusesse ordem na bagunça. Marcelo se despiu atirando a calça e a camisa para cada canto. A única coisa que ele queria era uma ducha relaxante.
− Marcelo, por favor! Não seja antipático.
− Não é que eu seja antipático. Sou apenas antissocial, só isto.
− Bem, então está na hora de você começar a se socializar.
− Justo na sexta-feira? – perguntou Marcelo, já nu e pronto para entrar no banho.
− Qual o problema?
− Sabe como eu vou estar na sexta? Um caco – ele tentou fugir da conversa se enfiando dentro do banheiro. Samanta foi atrás.
− Marcelo, é muito feio deixar as pessoas falando sozinhas.
− Não fiz isto – protestou Marcelo experimentando a água. – É que estou ansioso por um bom banho. Nosso dia foi pesado.
− Se você não for, eu irei sozinha – ameaçou ela.
− Sozinha? Vai me deixar sozinho em uma sexta à noite?
− Você vai ficar sozinho porque quer. Estou lhe dando a opção para me acompanhar.
            Ele ficou em silêncio por alguns instantes, enquanto se metia embaixo da água. Depois disse:
− Sabe o que eu havia planejado para a gente na sexta-feira? Um jantarzinho romântico, um bom vinho…
− Meu amor, teremos todas as noites de sexta-feira das nossas vidas para um programa como esse. Vamos, não seja ranzinza. Eu não posso desmarcar, já concordei com a Laura. A esta altura ela já deve ter convidado os outros moradores. Imagine que chato ter que ligar cancelando tudo? As pessoas vão pensar que somos um casal antipático!
− Está bem – concordou ele, depois de algum tempo em que o único som audível foi o da ducha. – Já que você faz tanta questão…
− Faço questão, sim. Tenho certeza que nós iremos ter uma noite muito agradável.


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