Não, não vá embora assim. Fique mais um pouco, não fuja de mim. A porta está aberta se você quiser passar.
Mas quem irá abri-la no dia em que você quiser voltar?
domingo, 29 de abril de 2012
sábado, 28 de abril de 2012
ME ACORDA
Teus olhos perseguem os meus e os meu lábios pousaram nos teus. Vem, me dá um beijo, me faz acreditar que não foi sonho meu.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
AMOR TEU
Conte-me seus sonhos, seus segredos e seus mistérios. Não, não precisa falar alto demais. Converse baixinho, sussurre doces palavras no meu ouvido. A noite é longa, a madrugada é fria. Deixe que eu me aconchegue nos teus braços e me enrosque no teu pescoço. Me envolva, me fale, pode até me beijar. Abra o jogo, a guarda, teus lábios. Faça da tua vida um pouco da minha, do teu caminho um pouco do meu. Lembre-se de mim como alguém que nada mais é que o amor teu.
LAURINHA FUGIU DE CASA
Laurinha fugiu de casa. Chegou uma hora que não agüentou mais. Sabe quando vem pressão de todos os lados? Chefe insuportável, prazos extrapolados, namorado distante, amigos que não ligam para saber como você vai... Por que não dar um basta em tudo? Por quê? Por quê?
Num impulso algo desesperador, Laurinha chegou em casa, colocou seus cremes numa frasqueira, algumas poucas roupas numa mochila. Conferiu o dinheiro na carteira e deduziu que dava para algum começo longe dali. Não deixou sequer um bilhete de despedida para a chata da sua família e para o boçal do namorado. Largou o celular em cima da mesa, trancou a porta do apartamento e jogou a chave dentro do lixo, enrolada em uma folha de jornal. Adeus, seus palhaços. Adeus.
Laurinha simplesmente desapareceu. No primeiro dia ninguém deu falta. Ela não foi ao trabalho, mas sua ausência foi só motivo de alguma especulação. Deveria estar bêbada em casa, depois de uma noite de badalação, segundo o chefe insuportável. Tudo bem, ela iria para a rua mesmo. A família só foi achar que algo estava errado quando passados três dias sem que Laurinha desse sinal de vida, o irmão mais velho decidiu ele próprio arrombar a porta do apartamento. Tinha quase certeza de que encontraria o corpo de Laurinha estripado na cama. Felizmente, quase tudo estava normal. Quase. Aquele celular jogado na mesa era estranho. Laurinha não vivia sem celular. Com a pulga atrás da orelha, o homem foi verificar o armário. Dando falta dos cremes, mas não das roupas, ele concluiu: Laurinha dera no pé. Aquele arsenal de cremes era o companheiro diário da irmã desde os doze anos de idade. Aonde Laurinha ia, levava aquela parafernália junto. O boçal do namorado foi informado do sumiço dela. Primeiro ele ficou surpreso, depois partiu para outra.
A moça não deu mais notícias. Por algum tempo, os pais ficaram desesperados. Ela poderia ter sido raptada, estar sendo torturada ou pior, já ter morrido. Apesar da situação, os irmãos de Laurinha tentavam tranqüilizar os velhos. Laurinha fôra embora para ser feliz, apenas isto. Que deixassem a moça em paz.
As mensagens no Facebook aumentaram consideravelmente. De repente, os amigos surgiram. Recados e mais recados para Laurinha perguntando onde ela estava. Los Angeles, África, Patagônia, Fernando de Noronha. Lugares românticos, exóticos, paradisíacos. Certamente, Laurinha estaria curtindo uma boa vida. Sol, mar, homens à vontade.
De alguma forma não explicada, Laurinha foi aparecer somente dois anos e meio depois, quando seu pai agonizava numa cama de hospital. O desejo do homem era ver todos os filhos reunidos e Laurinha apareceu para dar um último adeus ao velho. Ela veio, despediu-se do pai, ficou por uma semana em casa consolando a mãe, deu tchau e foi embora. Alguém disse que ela só voltaria de novo para enterrar a velha. O fato é que Laurinha partiu para inveja de tantos que ficaram. Para inveja de tantos que gostariam de chutar o balde e sair em busca de uma vida mais feliz em outro lugar, de preferência bem longe. O problema é que não chutamos balde algum, não gritamos, não berramos. Ficamos parados no mesmo lugar, engolindo sapos, criando úlceras, chorando em silêncio, escondidos. Boicotamos nossa felicidade todos os dias. Por quê? Por quê?
quarta-feira, 25 de abril de 2012
ELE ERA PERFEITO
No começo ele era perfeito. Afinal, todos são perfeitos no início de qualquer relacionamento. A Cris se encantou com o Ricardo e achou que tinha tirado a sorte grande. Bonito, atencioso, emprego estável. O que ela poderia querer mais da vida e do amor?
Na primeira crise Ricardo deu um empurrão em Cris, e ela foi parar do outro lado do quarto. Ele chorou, pediu perdão. Não queria ter feito aquilo, perdeu a cabeça. Puxa, mas ela provocava! Andar com aquela minissaia na rua era coisa de vadia! Apaixonada e comovida com a preocupação do namorado, a Cris perdoou tudo. E selaram o amor com beijos e uma noite romântica.
Da segunda vez foi um pouco pior. Cris teve que usar óculos escuros por quase uma semana para disfarçar o hematoma perto do olho. Era meio chato ter que ir trabalhar daquele jeito e a desculpa foi que havia dado com o rosto em um poste. Ninguém acreditou, mas ninguém quis se meter. O tal do Ricardo tinha cara de poucos amigos. Quando vinha buscar a Cris no trabalho, os colegas evitavam o casal. Mesmo assim ela não desistiu do Ricardo. Achava que podia mudar o namorado. Tanto que levou suas coisas para a casa dele e com poucas semanas de namoro já estavam morando sob o mesmo teto.
A família da Cris não gostou nem um pouco da novidade. Todo mundo sabia da fama de violento do Ricardo, menos ela. As irmãs tentaram lhe abrir os olhos, mas Cris só os tinha para o namorado. Tudo o que ele dizia era lei e estava correto. Os incidentes que aconteceram entre o casal não havia sido nada demais. Briguinha à toa. Ela que provocara.
Não demorou muito para Cris rolar a escada do prédio. Ninguém viu o que aconteceu, mas a versão era que tinha escorregado e rolado uns cinco ou seis degraus. Da queda resultou um braço quebrado e mais hematomas no rosto. Os amigos não conseguiram ignorar o fato, muito menos a família. Dessa vez Cris escutou a todos, inclusive a sugestão de saltar fora do relacionamento antes que fosse tarde demais. Com o braço envolto em gesso e sentindo muita dor, ela prometeu pensar. O coração também doía. Não queria abandonar seu amor. Ricardo era meio violento, mas um cara legal. Talvez com uma boa conversa, ele conseguisse controlar o gênio difícil.
Ontem foi a missa de sétimo dia da Cris. Ela não teve tempo de conversar com o Ricardo e muito menos se defender. A família e os amigos ainda se culpam por não terem feito nada a tempo de impedir o que aconteceu.
Quantas "Cris" existem perto de nós?
terça-feira, 24 de abril de 2012
TU
Teu rosto me encanta, teu corpo me desconcerta. Tuas mãos me desesperam, teu beijo me eleva. Teus olhos impressionam, teu sexo me renova. Tuas noites são muito curtas e teu amor, muito breve.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
SONHO ENQUANTO VOO
Eu sonho enquanto durmo, mas também sonho de olhos abertos. Sonho enquanto caminho em avenidas repletas de gente. E sonho mais ainda quando eu estou ao seu lado. Divago quando escrevo minhas linhas e me apaixono quando elas são repletas de amor. Viajo por mundos distantes, enquanto meus pés estão grudados no chão. Voo enquanto sonho, sonho enquanto voo. Meu mundo é assim, entre letras e linhas. Criei asas, não quero mais aterrissar.
domingo, 22 de abril de 2012
APENAS SEXO
Ele: um pouco mais de 50 anos, quase grisalho, alto e com pinta de galã. Bem casado, pai de três filhos, se um dia teve qualquer relacionamento extraconjugal ninguém jamais soube. Ela: um pouco mais de 30 anos, solteira, independente, bela. Não procurava homem para casar e sim para se divertir. Seu foco era a carreira ascendente.
Os dois eram colegas em uma grande empresa. Ela fora transferida meses antes para a matriz e ambos se cruzaram várias vezes nos corredores, reuniões, em happy hours. Alguns olhares trocados, alguns sorrisos devidamente disfarçados. Ele já havia passado por isto outras vezes. Porém, amava profundamente a esposa. Tudo era estável ao seu redor. Casamento, carreira, finanças, família. Não precisava sair atrás de mulher alguma.
Ele chamava demais a atenção dela. Porém era impossível não reparar na reluzente aliança de ouro na sua mão esquerda. Reparara também os olhares do homem. Não foi nem preciso ir atrás de informações do colega. Várias colegas o descreviam como um cara tranquilo, bom caráter e... fiel. Sim, fiel! Impressionante. A mulher sempre tivera todos os caras que quisera. Quando perdia o interesse, descartava-os rapidamente. Mas ele... puxa, tinha balançado suas estruturas.
Tudo aconteceu em uma festa da empresa. Os olhares começaram tímidos. Aos poucos foram se intensificando. Aparentemente ninguém percebeu quando um garçom passou a ela um bilhete lacônico, que dizia simplesmente: “siga meu carro”.
O coração dela disparou. Percebeu quando ele saiu do salão com passos calmos. Discretamente foi atrás. O manobrista entregou o carro a ele, ela o seguiu em uma distância respeitosa. Foram parar em um motel de luxo. Chegaram às dez horas, saíram um pouco depois da meia noite. Ela, apaixonada. Ele, arrependido. Despediram-se sem grandes arroubos e cada um foi para o seu lado.
Na manhã do dia seguinte ele estava tenso. No desjejum mentiu que tinha uma reunião complicada logo mais. A esposa nem desconfiou. Já a outra estava feliz, leve, de alma lavada. De todos os seus homens, aquele tinha sido o melhor. The best. Sabia que podia tê-lo somente para si.
Ela deu um jeito de entrar na sala dele perto do meio dia. Com seu sorriso sedutor e o andar de felina, avançou em direção a ele, convicta de que o jogo estava ganho. Surpreendeu-se com o seu tom de voz ríspido:
- O que você quer?
Ela nem pôde falar, sequer sentar.
- Escute bem o que eu vou lhe dizer. Sou bem casado, minha esposa é maravilhosa e eu amo minha família. O que aconteceu ontem foi um grave errado. Entendeu? Para falar a verdade, não era para ter acontecido.
Ela não piscou. Não disse nada. Deu meia volta e foi embora. Foi enxugar suas lágrimas no banheiro. Dez minutos depois saiu, sentindo-se dona novamente do seu coração. Não era de olhar para trás.
Novamente uma festa. Ou melhor, um almoço. Final de ano, os funcionários se reuniram em uma grande churrascada familiar. Ele foi acompanhado da esposa e do filho mais novo. Ela, do novo namorado. As mulheres se admiraram com a beleza do parceiro da colega. Ele se enciumou. O outro era jovem, espirituoso, divertido e pareciam se dar muito bem. Era nítido isto na troca cúmplice de olhares, nas mãos entrelaçadas. Filha da puta, praguejou ele, furioso. O que você faz na cama com este cara é melhor do que foi comigo?
Ela nem o olhou. Diversas vezes se cruzaram e ele foi solenemente ignorado. Melhor assim, pensou ele, injuriado. O que você foi para mim? Um pedaço de carne, sexo fácil, só isto.
A esposa notou que o marido estava aborrecido. Ora, depois de tantos anos juntos, a mulher sabia o que cada piscar de olho significava. Não foi difícil perceber a direção dos olhares do companheiro. Ele seguia a loura por todos os lados, muito sutilmente. O que teria havido entre os dois? Flerte? Conversas picantes?
Sexo? Ou foi além disto ainda?
O telefone da esposa tocou. Pelo número do visor logo soube quem era. Discretamente e com toda a sua elegância, a mulher pediu licença do grupinho com quem conversava e se afastou. Em menos de cinco minutos ela já combinara um encontro com o amante de 25 anos e voltou para a festa.
sábado, 21 de abril de 2012
A VIDA CHAMA
Cansei de perder tempo esperando meus sonhos acontecerem por uma questão de mágica. Meu medo se misturou a minha inércia e juntos esses dois fazem um estrago terrível. Mas depois que você sai da letargia e sente o gostinho daquilo que conquistou, não consegue parar mais. Nada é o bastante, nada mais é impossível. Os sonhos continuam ali, povoando a tua mente. O detalhe agora é que eles são realidade também.
É a força da vida pulsando. E o que pode ser maior que isso? Apenas Deus.
É a força da vida pulsando. E o que pode ser maior que isso? Apenas Deus.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
TÃO SIMPLES
O sono me embala, o sono me chama,
Mas o que eu desejo são teus beijos
E o calor da tua cama.
Mas o que eu desejo são teus beijos
E o calor da tua cama.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
MEU DOCE VAMPIRO
Nunca fecho a janela quando vou dormir. Deito na cama, mas meus olhos ficam abertos. Ele irá entrar a qualquer momento, quando eu menos esperar. Por favor, venha logo. Leve-me para seu mundo, deixe-me ser igual a você.
Você existe? Ou só pertence aos meus sonhos? Por quais mundos você vaga?
Eu estou aqui. Não demore. Meu corpo arde.
Você existe? Ou só pertence aos meus sonhos? Por quais mundos você vaga?
Eu estou aqui. Não demore. Meu corpo arde.
terça-feira, 17 de abril de 2012
AH, COMO EU QUERO...
Ah, como eu quero...
Não sei se você consegue decifrar o desejo nos meus olhos
Eu poderia dizer tantas coisas se as palavras não me faltassem
Então, por favor... Ah, por favor
Escuta meu sussurro antes que minha voz se perca
Porque a única coisa neste mundo que eu quero...
Fica comigo?
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