Meu coração não é teu tapete.
terça-feira, 31 de maio de 2016
quinta-feira, 26 de maio de 2016
SINOPSE DE INIMIGOS
Quando
um inquérito sobre desaparecimento de garotas adolescentes do Sul do país cai
nas mãos do delegado Leonardo Alvarenga, da Polícia Civil de São Paulo, crimes
misteriosos começam a acontecer. À medida que o delegado aprofunda suas
investigações, é descoberta uma terrível conspiração que ameaça colocar em
risco a segurança nacional e sua própria vida.
quarta-feira, 4 de maio de 2016
NO ESCRITÓRIO (Conto Erótico)
Ramona entrou
na sala do Dr. Clóvis e fechou a porta sorrateiramente. O chefe, concentrado
entre tantos papéis, perguntou sem olhar para sua secretária:
− Dona Ramona, a senhora trouxe o
relatório que eu pedi?
Ela não
respondeu. Aproximou-se lentamente da mesa do chefe, abrindo um a um os botões
pequenos da sua blusa recatada. Quando parou em frente a ele estava apenas de
sutiã.
O homem
ainda não havia reparado que sua subordinada estava tentando lhe seduzir. Sua
preocupação eram os números da empresa. Ele estendeu a mão para pegar o
relatório. Ramona não perdeu tempo. Abaixou um pouco o corpo e sugou com
vontade dois dedos da mão do chefe.
Dr. Clóvis
tomou um susto. Ele não era nenhuma beleza. Pelo contrário. Era baixinho,
sedentário e usava óculos fundos de garrafa. Não fazia sucesso com as mulheres.
Mas como tinha a carteira recheada, sempre havia uma para satisfazer suas
necessidades mais prementes. Nunca, nunca mesmo, aventurara-se com qualquer
colega da empresa. Pelo menos até aquele momento. A estonteante Ramona, ex-miss
bumbum, estava deliciosamente chupando seus dedos.
Seu pau
subiu na hora. Foi inevitável. Ramona estava gulosa, sorvendo seus dedos sem
parar e lhe lançando olhares muito sedutores. Os peitos siliconados quase saltavam
do sutiã vermelho e a saia longa estava prestes a ser jogada no chão.
− Dona Ramona, alguém pode entrar e…
Ela soltou os dedos do chefe e a mão
dele caiu pesadamente sobre a mesa.
− Eu tranquei a porta.
− Dona Ramona – ele estava arfante.
Ramona abriu o fecho da saia que despencou no chão. A sua secretária estava sem
calcinha. – Aqui não é lugar para…
− É sim – devolveu ela, agora dando a
volta na mesa e parando finalmente ao seu lado. Com alguma violência, virou a
cadeira de rodinhas onde ele estava sentado e o posicionou frente a ela. Murmurou
– Eu chupo seu pau. Depois você me chupa, ok?
Naquele
momento o presidente da empresa abriu a porta que não estava trancada como
Ramona acreditava. Ela ficou em pé, assustada, sem tentar esconder a nudez. Dr.
Clóvis tentou cobrir seus 25 centímetros de pau com o relatório financeiro.
− Sexo a três? – indagou o manager,
abrindo o fecho das calças. – Vamos lá!
quarta-feira, 13 de abril de 2016
O DESCONHECIDO - Conto erótico/Última parte
Kendra
empalideceu e manteve apenas a cabeça fora d’água. O que ele pretendia? Por que
a encarava daquela maneira tão insistente? Kendra se sentiu envergonhada,
afinal estava nua frente a um total desconhecido. Se Eimé soubesse, bateria
nela. Mas a mãe jamais saberia que aquela cena estava se desenrolando. Aquele
homem em breve iria embora. Talvez quisesse apenas matar alguma curiosidade.
Então, sem nunca tirar os olhos dela, ele também começou a tirar a roupa, sem
pressa.
O coração da
garota acelerou. Kendra pensou em recuar, nadar para mais longe ou gritar.
Aquilo, no entanto, de nada adiantaria. Ela se encontrava sozinha ali, longe da
proteção da mãe e à mercê de um homem que nunca vira antes. Antes, na
hospedaria, havia imaginado o quanto seria delicioso estar em seus braços.
Agora já não tinha tanta certeza assim.
De repente ele
estava nu. Kendra engoliu em seco. Já havia visto um homem sem roupa, mais de
um até. Certa vez deitara com um hóspede bem mais velho em troca de algumas
moedas. Contudo, aquele homem era diferente. O membro se destacava entre as
pernas fortes. Kendra sentiu um arrepio. Podia tentar fugir. Na verdade, mesmo
com todos os riscos, seu desejo era ficar.
Ele entrou na
água e Kendra recuou alguns passos. A respiração estava cada vez mais ofegante,
não exatamente por medo. Quando o homem estava a poucos passos de Kendra, ela
ficou em pé, cobrindo os seios. Perguntou, desafiadora:
— O que você
quer? Saia daqui!
Ele avançou
rapidamente e em um gesto somente, pegou-a pelos cabelos, imobilizando-a.
Kendra tentou gritar, mas sua foi boca foi devorada pela dele. A jovem nunca
havia sido beijada daquele jeito e tentou se debater. As mãos do homem a
agarraram fortemente pelos quadris, machucando-a.
Kendra já estava
sem ar quando a língua dele desceu rápida para a pele alva do seu pescoço,
mordiscando cada pedacinho dele. Ela tentou afastá-lo, com medo de toda aquela
impetuosidade. O membro duro e grosso a cutucava forte no meio das suas pernas
toda vez que ele a puxava contra si.
Do pescoço, a
boca do homem foi para os seios fartos de Kendra. Ela gemeu alto ao sentir os
dentes dele morderem e sugarem os biquinhos. Kendra segurou fortemente a cabeça
dele, ao mesmo tempo em que um dos dedos do homem vasculhava o traseiro dela.
Assustada, ela
tentou recuar. O que era aquilo? A sua experiência com homens era pouca, nunca
havia visto nada igual. Ainda assim aquilo era bom. Porém, quando o dedo dele
entrou fundo no seu corpo, as pernas lhe faltaram. Ela foi mantida firme pela
cintura antes que afundasse, ainda com os seios cobertos pela boca do
desconhecido.
Kendra gemeu a
cada metida do dedo dele no seu traseiro. Aquilo doía ao mesmo tempo em que uma
onda de prazer começou a tomar forma. Kendra cravou as unhas nas costas do
homem quando sentiu o gozo explodir de uma maneira que nunca tinha
experimentado na vida.
Ainda não tinha
acabado. Com o membro, ele forçou as pernas de Kendra a abrirem. Ela quase
pediu para ele parar. Não seria capaz de aguentar aquilo tudo.
A entrada não
foi tão suave assim, nada comparado com suas experiências pífias. Ele foi lhe
rasgando sem dó, em um movimento de vai e vem contínuo que fez Kendra gritar. O
homem a segurava fortemente pelos quadris a cada metida violenta, impedindo que
ela se soltasse.
Depois de algum
tempo ele gozou, praticamente urrando no ouvido dela. A jovem sentiu um jorro
quente dentro do corpo e as pernas mais fracas ainda. Apoiada no peito dele, de
olhos fechados, Kendra desejou que ele a levasse embora dali. Imóveis, colados
um ao outro, o homem levou alguns minutos para se recuperar. Não demorou muito,
no entanto, ele se endireitou. Kendra se surpreendeu quando o desconhecido se
afastou um pouco dela e a encarou com aqueles olhos negros e gelados. Ainda
assim, ela ofereceu os lábios para um beijo. Ele recusou.
Kendra não
entendeu aquela atitude e não teve coragem de perguntar. Não sabia bem o que
fazer ou o que falar até ele esticar a mão e segurar os dedos trêmulos dela. Lentamente,
os dois atravessaram a lagoa, o sol queimando os seus corpos nus. Kendra ficou
mais feliz. Ele podia tê-la abandonado no meio da lagoa, como uma mulher
qualquer. Deixou-se levar até a beira, ansiosa pelo que ainda estava por vir.
Porém, por
aquela Kendra não esperava. Mal pôs os pés na terra firme e foi jogada
violentamente no chão. Ela caiu sentada, com as pernas abertas. Constrangida,
tentou cobrir o corpo com as mãos. Kendra se perguntou se não era hora de fugir
enquanto olhava apavorada para ele. Quando fez menção de levantar, o
desconhecido foi mais rápido, jogando-se sobre Kendra. De repente ela mal podia
respirar, com o corpo pesado e quente cobrindo-a toda. Não que a sensação fosse
ruim. Mas... o que esperar de um homem como aquele?
Subitamente,
Kendra foi posta de barriga para baixo sem delicadeza nenhuma. Ela soltou um
gemido abafado e fez menção de fugir. Contudo, presa debaixo dele era
impossível. Para surpresa dela, suas pernas foram abertas bruscamente e Kendra temeu
o que viria em seguida.
Ela soltou um
grito de dor, medo e prazer quando o membro do homem invadiu seu traseiro em
uma arremetida só. Uma das mãos tapou-lhe a boca para que os gritos não fossem
ouvidos. Kendra não imaginava que tal coisa existisse. Não podia ser normal.
Além do mais, aquilo era bizarro! Mesmo sem querer, ela não conseguia se
controlar. Kendra empinou o traseiro para tê-lo inteiro dentro de si. Queria
que ele parasse. Não, ele podia continuar pelo tempo que quisesse. Ela gozou
mais uma vez com o rosto colado à grama ao mesmo tempo se perguntando quando
iria viver aquilo outra vez.
De repente ele
parou e desabou ao seu lado. Kendra permaneceu atirada no chão, imóvel e
dolorida. Teria que retornar à hospedaria e disfarçar os hematomas que em breve
apareceriam pelo corpo. O homem, enfim, levantou. Foi até a água, lavou-se e
refrescou-se, sob os olhares atentos de Kendra. Em seguida começou a se vestir,
sem pressa. O sol a ofuscava quando ele a encarou pela última vez.
— Qual o seu
nome? ─ perguntou ela, curiosa.
Silêncio. Ele
sorriu levemente. Calçou os sapatos e remexeu em um dos bolsos do casaco.
Algumas moedas, mais do que Kendra já vira durante um mês de trabalho,
brilharam na grama ao seu lado. O homem deu meia volta e foi embora.
Kendra segurou
uma pequena vontade de chorar enquanto juntava as moedas e as apertava
fortemente entre os dedos. Em pé, sentindo algum desconforto, vestiu a roupa e
calçou as sandálias. Guardou o dinheiro com cuidado para que a mãe não visse e
fizesse perguntas indiscretas. Voltou para casa devagar tentando pensar em
alguma desculpa para dar à Eimé pela demora. A esta altura o desconhecido já
havia montado no seu cavalo e partido para o seu destino. Em pouco tempo o
homem já não lembraria mais dela.
E Kendra jamais
saberia seu nome.
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O DESCONHECIDO - Conto erótico/Parte 1
A hospedaria
ficava em uma curva na beira da estrada. Um jardim bem cuidado na frente
tornava o lugar aconchegante. Do lado de fora era possível sentir o aroma
delicioso da carne feita nas grandes panelas da cozinha da hospedaria. Eimé, a
dona do local, dava conta das deliciosas comidas preparadas junto com a
cozinheira, Maria, que a acompanhava há muito tempo. Kendra, a filha de 19
anos, ajudava a servir os visitantes e hóspedes.
O trabalho de
Kendra, assim como das duas outras mulheres, era pesado. Acordavam-se antes de
o sol raiar e imediatamente começavam os preparativos para o desjejum e, em
seguida, para o almoço. Entre um intervalo e outro, Kendra limpava a hospedaria
e os seis quartos que a compunham. Assim era o dia todo, as horas passavam rápidas
demais. Quando Kendra repousava a cabeça no travesseiro antes das oito horas da
noite, seu corpo já estava cansado demais para pensar em qualquer coisa. Ela só
queria dormir.
Aquele dia
quente de sol não foi diferente. Kendra levantou ainda de madrugada, como de
costume, pôs seu vestido simples de trabalho e prendeu os cabelos loiros e
cacheados debaixo de um lenço florido. Os olhos azuis brilhavam intensamente
quando desceu as escadas e logo começou a trabalhar.
Na cozinha as
panelas fumegavam, enquanto o aroma delicioso da comida dava água na boca dos
visitantes que lentamente começaram a chegar para o almoço. Kendra se
movimentava de um lado para o outro para dar conta de tudo e logo um fiozinho
de suor começou a escorrer pelas costas. Em meio às atividades frenéticas
lembrou que poderia ir à lagoa mais tarde, se sobrasse um tempo. Depois que
limpasse a cozinha não faria mal nenhum se desse uma escapulida, desde que Eimé
não visse. A mãe sempre tirava um cochilo depois que os afazeres do almoço
terminavam.
Kendra servia
uma travessa de carne e especiarias a um visitante, alheia ao burburinho de
vozes masculinas a sua volta. Sabia ser o alvo de muitos olhares, mas nenhum
daqueles homens a interessava. Pesados, barbudos e fedidos, isto o que eles
eram. Já tinha 19 anos e nenhuma perspectiva de encontrar um amor. Não por
aquelas bandas, pelo menos.
O ruído de vozes
subitamente cessou. A princípio, Kendra não se deu conta. Continuou servindo a
comida como se nada estivesse acontecendo. Sem querer, seus olhos se voltaram
para Eimé. A mãe segurava um pano de prato, olhando fixamente em direção à
porta. Ela estava diferente, parecia surpresa com alguém que recém chegara.
Curiosa, Kendra resolveu fazer o mesmo e conferir quem era.
Um homem alto,
pele morena e cabelos escuros estava parado à porta, perscrutando o salão
procurando um lugar para se acomodar, juntamente com seu cocheiro. Eimé,
recuperando-se do seu torpor, adiantou-se para receber o ilustre freguês.
O coração de
Kendra acelerou, a ponto de ela fazer transbordar vinho da taça de um hóspede,
precisando secar tudo em seguida, embaraçada. Com o canto dos olhos, percebeu o
belo homem já acomodado em uma mesa mais ao canto. Eimé se aproximou da filha e
a puxou para a cozinha. A mãe estava visivelmente encantada.
— Temos um
hóspede célebre hoje. Sirva o conde direitinho e se mantenha calada.
Eimé colocou uma
travessa de carne nas mãos da filha.
— Leve de uma
vez. Ele e o cocheiro estão com fome.
Kendra pegou o
recipiente quente e se dirigiu até a mesa. Os olhos do conde se cruzaram com os
dela e Kendra se sentiu envergonhada. Pelo que se lembrava, era a primeira vez
que um homem daquele porte aparecia na hospedaria, o que justificava o
comportamento da mãe. E dela própria. Tensa, Kendra colocou a travessa sobre a
mesa e relanceou os olhos rapidamente para o conde.
— Traga-nos
vinho ─ disse ele encarando Kendra sem disfarçar um certo interesse.
A moça chegou a
estremecer. A voz dele era forte. Forte e fria. O tom arrogante aumentou um
pouco o calor que sentia percorrer seu corpo. Tímida, Kendra respondeu, quase
sem olhar para o rosto dele:
— Sim, senhor.
— Agora.
— Sim, senhor.
Quase sem ar,
Kendra deu meia volta e foi até a cozinha buscar a jarra de vinho. Eimé estava
à frente das panelas e percebeu que a filha parecia um pouco estranha.
— Tudo bem no
salão?
Kendra não
encarou a mãe. Sabia a que ela se referia. Segurando a garrafa e os cálices, a
jovem respondeu:
— Ele quer
vinho.
— Leve de uma
vez. Não deixe o conde esperando ─ ordenou Eimé rispidamente, secando o suor
com um lenço.
Kendra retornou
ao salão. O lugar estava cheio, havia vozes por todos os lados. Porém, ela não
via mais ninguém. A beleza e virilidade do conde tomavam conta do ambiente. As
pernas estavam trêmulas quando Kendra parou frente à mesa. Serviu os cálices
tentando não tremer demais, ciente do quanto era observada por ele. De repente,
sentiu um leve empurrão. Era Eimé. Sorridente e não parecendo sentir um pingo
de vergonha ante aquela visita ilustre, ela disse para a filha, sem tirar os
olhos do homem:
— Volte para a
cozinha. Maria precisa de você lá.
Era a primeira
vez que Eimé se dirigia a ela daquele jeito, pedante e seco. Sentindo-se
magoada, Kendra foi até a cozinha. Maria cortava um pedaço de pão e as panelas
cozinhavam carne.
— Mamãe disse
que você precisa de ajuda.
Maria a olhou
sem entender.
— Aqui está tudo
sob controle, Kendra ─ ela olhou pelas frestas da janela. — Veja, chegou mais
uma carruagem! Ajude a arrumar uma mesa para o próximo visitante.
Kendra voltou
para o salão e ajudou a servir as demais pessoas. Eimé circulava pelo lugar com
uma postura diferente, os ombros para trás e com os longos cabelos castanhos
descendo pelas costas. Nunca Eimé tirava o lenço da cabeça, mas por causa do
homem ela abrira uma exceção. Kendra se sentiu enciumada. Era nítido que ela
queria chamar a atenção do homem bonito. Pelo visto, no entanto, as tentativas
de Eimé resultavam frustradas. O conde não tirava os olhos de Kendra.
Cada vez mais o
desejo tomava conta de Kendra. Se no início estava tímida, depois de um tempo
já não se sentia tão envergonhada em sustentar os olhares calorosos que o conde
lhe enderaçava. Em dado momento, chegou a esboçar um sorriso leve, para depois
quase se arrepender. Nossa, não queria que o desconhecido a achasse uma
oferecida. De qualquer forma, era muito bom sentir-se desejada. Ah, seria
maravilhoso que ele passasse apenas uma noite que fosse na hospedaria!
A mão calejada
de Eimé a segurou fortemente pelo cotovelo. Kendra deu um gemido baixinho ao
mesmo tempo em que enfrentava os olhos furiosos da mãe.
— Venha comigo
já.
Kendra não teve
coragem de olhar para os lados, mas teve certeza que muita gente viu sua
vergonha ao ser conduzida como uma criança para a cozinha. Lá dentro, Eimé,
furiosa, quase bateu na filha única com um pano de prato sujo.
— Não saia desta
cozinha, entendeu? Pensa que não vi seu olho comprido para cima do conde? Não se
comporte como uma rameira.
A moça não disse
nada. Era lógico que Eimé estava morrendo de ciúmes. E era óbvio também que o
conde não teria interesse nenhum pela mãe, jovem, porém com o corpo disforme.
Inconformada, Kendra se sentou em um banco da cozinha. Maria foi levada ao
salão para ajudar a servir os visitantes.
O calor na
cozinha era insuportável e a raiva de Kendra também. Sem se importar com o
trabalho ou com o castigo que levaria da mãe mais tarde, a jovem abandonou a
cozinha e suas panelas, fugindo pela parte de trás da hospedaria. Caminhou
lentamente até a lagoa, aproveitando os odores do bosque e o ar puro. Precisava
de um mergulho para afastar o calor que a consumia. Sabia que quando voltasse,
o conde estaria longe. Mas seria melhor assim. Nunca mais o veria mesmo.
Kendra tirou o
vestido lentamente e agachou-se à beira da lagoa para sentir a temperatura da
água. Estava perfeita. Animada, Kendra entrou com cuidado e mergulhou em
seguida, adorando aquele momento. Precisava de um descanso. Fazia alguns dias
que não tinha tempo para si mesma.
Ela perdeu a
conta do tempo em que ficou por ali, esquecida dos seus afazeres. Talvez sua
mãe não precisasse tanto dela, já que a despachara da hospedaria daquela forma
tão rude. Kendra decidiu permanecer mais um pouco na lagoa, imaginando se o
homem bonito já teria partido. Esperava, com todas as suas forças, que ele
voltasse um dia.
Um ruído de
passos sobre alguns galhos partidos afastaram Kendra dos seus devaneios. Ela se
assustou. Não estava sozinha! Nervosa, chegou a afundar, engolindo água. Quando
voltou desajeitada à superfície, deparou-se com o homem a observando da beira
da lagoa.
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A NOIVA MORTA - Final
Uma forte tempestade começou a se armar, mas a
ameaça das nuvens grossas não abalaram a vontade de Getúlio em ir ao encontro
de Mariana. Estonteado e com a visão um pouco turva, ele reuniu suas forças
para caminhar até o cemitério. Não havia ninguém na rua. Todos estavam
recolhidos em suas casas esperando a chuva cair. Um pouco antes de chegar à
praça, a tempestade desabou com força. O homem tremeu. Estava com pouca roupa e
ela quase não lhe esquentava contra o frio. Ainda faltava um bom pedaço para
chegar ao seu destino e uma dúvida se instalou na sua mente. Teria condições de
vencer o trajeto, bêbado e entorpecido pelo frio?
Mesmo assim ele foi em frente. Olhou para os lados
procurando Mariana. Talvez ela estivesse por ali. Não foi naquele lugar que
Josué a vira pela primeira vez ?Mas não havia nenhum sinal dela. As costas
começaram a doer e Getúlio espirrou. Tinha os pulmões fracos. Não podia se dar
ao luxo em se expor daquela forma ao frio. Um trovão forte o assustou e
Getúlio, na sua bebedeira, quase perdeu o equilíbrio. Um vulto branco surgiu do
outro lado da praça.
— Mariana… ─ gemeu ele, emocionado.
Getúlio deu mais dois passos e caiu de joelhos no
piso molhado. Além das costas, o peito começou a doer também. Sentindo-se doente,
ele se arrastou até o gramado da praça onde permaneceu deitado, respirando com
dificuldade. As pernas amoleceram e ele finalmente se deu conta que não teria
condições nenhuma de ir até o cemitério encontrar Mariana, ou seja lá onde ela
estivesse. Talvez estivesse ele próprio morrendo.
Resignado, Getúlio permaneceu de olhos fechados.
Nunca imaginou que iria morrer daquele jeito, abandonado na chuva, em plena
praça da cidade. No dia seguinte, quando o sol nascesse e a cidade acordasse,
alguém encontraria seu corpo duro e frio. As pessoas lamentariam sua má sorte e
a vida sem alegrias, seguindo suas vidas. As lágrimas de Getúlio misturaram-se
com a da chuva.
Um movimento ao seu lado fez com que ele abrisse os
olhos, devagar. Logo depois sentiu uma mão quente encostar em sua testa. Um
doce perfume o envolveu. Ele sabia de quem era.
— Mariana, meu amor... Você voltou.
— Fique quietinho ─ retrucou uma voz sussurrada. —
Vou tirar você daqui.
Getúlio, apesar de todo o seu intenso mal-estar,
sentiu uma alegria infinita. Mariana, a mulher da sua vida, viera do mundo dos
espíritos para lhe salvar. Ou levá-lo junto com ela. A partir dali ele não viu
mais nada. Relaxou tão profundamente que o cansaço, as emoções e um sono pesado
o levaram para um mundo sem sonhos, onde ninguém poderia lhe alcançar.
*
Getúlio acordou em um lugar que parecia ser um
hospital. Ao seu lado, havia mais duas camas ocupadas por pessoas que dormiam
profundamente. Do lado esquerdo, uma porta e ao longe ele podia escutar
murmúrio de vozes. Por alguns instantes, Getúlio se perguntou
se havia morrido. Será? Então por que Mariana não viera ainda lhe amparar?
Porém, quando tossiu e sentiu o peito doer se deu conta que, infelizmente,
estava vivo. E bem vivo. Pelo menos todos os desconfortos físicos que sentira
naquela noite terrível em que tentara ir atrás da noiva haviam desaparecido
quase pela metade. Mas como fora parar lá?
Aos poucos sua
memória foi lhe trazendo algumas lembranças. Estremeceu ao relembrar a sensação
do corpo molhado pela forte chuva e a dor que lhe varava o corpo. Lembrou
também que alguém surgira do nada e certamente havia sido esta pessoa que lhe
ajudara. Era Mariana, ele tinha certeza. Então ela não morrera? Ou ele próprio
estava morto? Sua cabeça doeu com tanta confusão.
Um toque no seu
braço fez com que Getúlio abrisse os olhos de repente. Havia cochilado e não se
dera conta. Ao seu lado, uma mulher vestida de branco o encarava firmemente.
— Bom dia, Getúlio. Finalmente você acordou.
Ele piscou algumas vezes. Nunca tinha visto aquela
pessoa na sua vida.
— Onde estou? Quem é você?
— Sou a enfermeira-chefe do hospital Santa Fátima. Encontrei
você delirando na praça debaixo daquela tempestade horrorosa.
Então não tinha sido Mariana? Porém, Getúlio não
ficou triste em descobrir aquilo.
— Há quanto tempo estou aqui?
— Há três dias. Meu nome é Soraia. Trabalho aqui há
dois meses.
Um pouco embaraçado, Getúlio respondeu:
— Deve ser por isto que não havíamos nos conhecido
ainda.
Ela sorriu levemente.
— Como você se sente?
— Meu peito dói um pouco ─ queixou-se ele. — Mas estou bem melhor que… quando você me
encontrou ─ Getúlio fez uma pausa. — Muito obrigado por me salvar.
Soraia sorriu levemente.
— Você me deu um susto e tanto. A chuva me pegou
logo que saí do mercadinho. Confesso que quando lhe vi deitado no chão,
acreditei que estivesse morto. Sorte sua que cheguei a tempo de providenciar
socorro.
Getúlio se sentiu envergonhado. Imaginou a
trabalheira que havia dado naquela noite inóspita por causa da sua loucura e bebedeira.
— Devo meus agradecimentos e minhas desculpas também
─ murmurou ele, em voz baixa.
— Nem pense nisto ─ Soraia tinha um sorriso muito
bonito. Suas feições eram suaves. — O importante é que você está bem agora.
Receio lhe dizer, no entanto, que você terá que ficar mais alguns dias conosco
no hospital. Você não está suficientemente forte para se cuidar sozinho.
Aquilo não pareceu tão ruim para ele. Soraia
perguntou:
— Fiquei sabendo que você mora sozinho na cidade e
seus parentes vivem longe. Gostaria de avisar alguém?
— Não, por favor ─ retrucou Getúlio. Seus pais já
eram velhinhos e sofrido muito com as desventuras da vida do filho mais velho.
Era melhor poupá-los. — Vou ficar bem, com certeza.
— Está bem, você quem sabe. Vou pedir para lhe
trazerem uma sopa bem quentinha. Só comidas leves por enquanto, está bem?
Ao dizer isto, Soraia saiu do quarto. A sopa veio em
seguida e Getúlio a saboreou lentamente. Não conseguiu mais tirar Soraia da
cabeça.
*
Soraia costumava passar uma ou duas vezes por dia
para ver como estava Getúlio. Ela mesma media sua pressão, auscultava o
coração, verificava se tinha febre. Sempre lhe deixava uma palavra doce ou de
esperança para ele, enchendo um pouco mais de alegria o coração solitário de
Getúlio. Aquela rotina durou uma semana. Certo dia, em uma manhã, o médico que
tratava dele apareceu no quarto e lhe deu alta. Getúlio ficou surpreso. Alta?
Claro, era maravilhoso estar curado e sair do hospital. Só não esperava que
fosse tão de repente. Enquanto se arrumava, Getúlio esperou a visita de Soraia.
Um pouco antes de ir embora, não se conteve e perguntou por ela na recepção.
Foi informado que ela tivera que fazer uma viagem inesperada e voltaria em dois
dias.
Sentindo-se desamparado, Getúlio voltou para casa,
acompanhado do ex-sogro, pai de Mariana. Quando chegou em casa, a mãe de
Mariana havia deixado tudo arrumadinho para que Getúlio, ainda um pouco fraco,
não tivesse que fazer força para nada. O casal foi embora, prometendo voltar
mais tarde para ver como estavam as coisas. Então o homem sentou no sofá, ligou
a TV e não assistiu programa nenhum. Sentia falta de Soraia. Não sabia nada
sobre ela, se era casada, tinha filhos ou onde morava. Ela lhe dera atenção e
cuidado quando mais ele precisara. Salvara sua vida também. Gostaria de vê-la
mais vezes, porém não sabia como lhe dizer isto. Soraia havia sido profissional
aquele tempo todo, exercendo com esmero sua profissão. Tímido, Getúlio não
queria se precipitar. Estava frágil fisicamente e emocionalmente para levar uma
negativa. Não via a hora de voltar à farmácia e se envolver completamente com
suas funções. Talvez assim conseguisse tirar Soraia da cabeça.
O dia passou lentamente para Getúlio. Almoçou sem
muita vontade e se deitou para cochilar. Tentou ler um livro, mas pegou no sono
antes. Acordou perto das quatro horas da tarde e foi regar o jardim. As
pequenas atividades em casa aliviaram um pouco a tristeza que sentia no
coração. À noite, um pouco antes de começar a jantar, o telefone tocou. Devia
ser um dos amigos querendo saber como ele estava. Já havia recebido várias
ligações naquele dia, abrandando um pouco a solidão. Em breve, quando estivesse
menos cansado, poderia receber visitas. Quem sabe até fazer um churrasco para
suas amizades.
— Alô?
— Boa noite, Getúlio!
A voz cristalina de Soraia amoleceu as pernas de
Getúlio. Ele precisou puxar um banquinho para sentar.
— Ei, Getúlio? Você está aí? ─ perguntou Soraia, com
a voz preocupada.
— Sim, estou ─ respondeu ele, disfarçando que estava
ofegante. — Puxa, que surpresa.
— Não pude estar presente por ocasião da sua alta ─
explicou ela. — Precisei fazer uma viagem repentina. Como você está?
— Ah, bem. Quer dizer, quase bem. Um pouco cansado.
— Não se esforce e nem volte a trabalhar ainda. Você
precisa de repouso. Está fazendo isto?
Getúlio ficou faceiro com aquela preocupação toda.
— Mais ou menos.
— Pois lhe recomendo que faça repouso. É importante
para sua completa recuperação.
— Estou fazendo o possível ─ ele respirou fundo e
disse — Soraia, mais uma vez obrigado por tudo.
— Não precisa agradecer. Fico feliz que está bem.
— Você… você volta quando?
— Depois de amanhã. Preciso resolver coisas que
ficaram pendentes antes de eu me mudar para aí.
— Isto é bom. Eu… que tal combinarmos de jantar? Meu
ex-sogro me disse que abriu um restaurante novo na cidade.
— Oh, eu adoraria. Ligo para você quando voltar.
Getúlio exultou com aquela possibilidade.
— A propósito... Como você descobriu o número do meu
telefone?
— Ah, Getúlio... Quando eu quero uma coisa, eu luto
até conseguir. Até a volta!
Soraia encerrou a ligação e Getúlio se pegou
sorrindo. De repente o mundo lhe pareceu um lugar melhor de se viver.
sábado, 9 de abril de 2016
A NOIVA MORTA - 7ª parte
Getúlio chegou meio bêbado um pouco depois das onze
horas da noite. Achou estranho não encontrar Josué, mas também não se importou.
Tomou um banho e foi para a cama onde teve um sono pesado e, felizmente, sem
nenhum pesadelo. O relógio despertou às 06h15min da manhã e o que sobrou da
bebedeira do dia anterior foi uma dolorida enxaqueca. Sem tempo para pensar
muita coisa, preparou um café preto bem forte como sua primeira refeição do
dia. Enquanto bebia, lembrou-se de Josué. Não o ouviu chegar de madrugada.
Lentamente, Getúlio se encaminhou até o quarto do primo e bateu suavemente na
porta:
— Josué? Fiz um café bem preto como você gosta.
Quer? ─Getúlio imaginou que o primo estivesse de ressaca também.
Somente o silêncio. Getúlio deu uma risadinha. A
noite havia sido muito boa para Josué! Curioso, abriu a porta. A cama
continuava arrumada, sem sinal nenhum que o outro tivesse retornado. Apesar de
o primo ser um homem feito, Getúlio voltou para a cozinha preocupado. Ora,
talvez ele tivesse preferido dormir na casa de alguma mulher como fizera outras
vezes. A diferença é que Josué sempre procurava avisar, ao contrário desta vez.
Getúlio se serviu de mais café e tentou se tranquilizar. Certamente estava tão
feliz que nem atinara de ligar para dizer que chegaria bem mais tarde.
Depois de tomar três xícaras de café e se sentir um
pouco mais disposto, Getúlio começou a se arrumar para enfrentar mais um dia na
farmácia. Lembrou-se da moça na praça e a imagem de Mariana veio a sua mente.
Getúlio sacudiu a cabeça freneticamente tentando afastá-la dos seus
pensamentos. Aquilo o perturbava demais. Se realmente o espírito de Mariana
estivesse vagando por aí, sinal que ela não encontrara a paz eterna. Getúlio
pensou em ir à igreja ao meio dia acender algumas velas em intenção à falecida.
Batidas fortes na porta da frente o tiraram dos seus
devaneios. Pensando ser Josué, Getúlio se apressou em abri-la. Ficou surpreso
ao se deparar com Benedito, o dono do bar onde costumava beber com o primo.
— Ué, cara! Que pressa é esta?
— Corre para o cemitério, Getúlio! ─ o homem segurou
o braço do amigo, puxando-o com força para fora de casa. — Seu primo Josué foi
encontrado lá.
Getúlio levou um susto. Mal teve tempo de pegar a
chave. Ainda meio descomposto, encaixou os pés no chinelo e foi acompanhado de
Benedito até o cemitério. Durante o trajeto, tentou arrancar alguma informação
do amigo, mas este parecia muito assustado. Cemitério! Getúlio já estava suando
frio. Que ressaca forte a do primo! Tanto lugar para ir, tinha que ser justo
naquele lugar maldito? Sombrio, Getúlio levantou a hipótese de que Josué havia
parado lá por causa da moça de branco.
Trêmulo, Getúlio chegou ao cemitério pensando
somente em levar o primo para casa e passar-lhe um bom sermão. Ao aproximar-se
distinguiu o delegado de polícia, o médico da cidade e o zelador do cemitério
em torno de um corpo no chão.
— Não sei como ele conseguiu entrar aqui, senhor
Getúlio ─ tentou se explicar o zelador, inconformado. — Eu fecho os portões às
seis horas da tarde!
As pernas de Getúlio se tornaram mais fracas ainda
quando o delegado o encarou, parecendo constrangido. Josué estava deitado no
piso duro, sem se mexer. Os homens abriram passagem para Getúlio chegar de vez
ao lado do primo.
Nas mãos dele, a foto roubada de Mariana.
— Ele… ele está morto? ─ balbuciou Getúlio ao ver a
expressão de dor estampada no rosto de Josué.
— Sim ─ confirmou o médico, segurando um lençol para
cobrir o defunto. — Provavelmente teve um ataque do coração. Desconhecemos é o
motivo de ele ter vindo aqui.
Mas Getúlio sabia. Antes que o corpo fosse coberto,
abaixou-se e resgatou a foto da esposa. Feito isto, deu as costas e foi embora,
caminhando pesadamente ao lado do Benedito. Mais uma tragédia na sua vida. A
desgraça era ainda maior por Josué ter escolhido morrer justo ao lado do túmulo
de Mariana. Getúlio não sabia se odiava ou não o primo por aquilo.
*
O enterro de Josué foi na cidade onde ele nasceu e
Getúlio achou melhor não comparecer. Mesmo triste, sentia-se traído pelo primo.
Josué, além de entrar no seu quarto sem permissão, roubara também a foto de
Mariana. Não havia desculpas. Pior de tudo era ter morrido praticamente ao lado
de onde o corpo da mulher estava enterrado. Bem, dizia Getúlio a si mesmo, pelo
menos o corpo de Mariana ele sabia onde estava. Já o seu espírito vagava sem
rumo. Ou talvez agora tivesse a companhia de Josué.
Ele não foi trabalhar por uns três dias, período em
que ficou em casa se lamuriando e enchendo a cara. Quem o tirou daquele estado
foi o pai de Mariana, dono da farmácia, preocupado com a sua situação.
Os dias então começaram a se arrastar para Getúlio.
A ausência de Josué lhe trouxe novamente o luto para seu coração. Pensou,
algumas vezes, em ir até a praça à noite tentar ver, ao menos de longe, a moça
de branco. Contudo, tinha receio encontrar Josué junto a ela e aquilo não teria
condições de suportar. Os amigos lhe chamavam para ir ao bar beber um pouco,
mas Getúlio preferia fazer isto em casa. Esvaziava duas garradas de cerveja
todas as noites para conseguir dormir. No dia seguinte se levantava de mau
humor para ir trabalhar. Os clientes cochichavam entre si que Getúlio não era
mais o mesmo de antes. Deixara de ser atencioso e gentil com as pessoas que lhe
procuravam. Ele parecia não se importar nem um pouco com isto.
Noite de sexta-feira. Nuvens pesadas de frio tomaram
conta da cidade e Getúlio resolveu fechar a farmácia mais cedo. Antes de ir
para casa, passou no bar para levar mais cerveja, juntando-se as que já
estocava em casa. Decidiu que passaria o final de semana bebendo para esquecer
a porcaria que era sua vida. Abriu a primeira garrafa na rua mesmo e quando entrou
em casa, já havia sorvido todo o seu conteúdo. Tomou um banho rápido, colocou o
pijama e sentou no sofá. Olhou ao redor e sentiu uma solidão terrível. Talvez
fosse sua sina viver sozinho o resto da vida. Perdera a primeira esposa durante
um parto complicado e o filho se fora junto. Depois conheceu a adorável Mariana
e a felicidade até que durou um bom tempo. Quando Mariana se foi, veio Josué
com sua alegria para tirá-lo do buraco sem fim que encontrava. Todos partiram.
Só restara ele, Getúlio, perdido na sua própria solidão, sem data para ter um
fim.
Getúlio não se deu conta quando dormiu. Acordou de
repente ao escutar uma voz sussurrada no seu ouvido:
— Meu amor...
Ele despertou totalmente, assustado. Olhou para os
lados tentando saber de onde vinha aquela voz. A sala estava escura e ele não se
lembrava de ter apagado as luzes. Um vulto na janela chamou sua atenção.
Getúlio virou a cabeça naquela direção, temendo o que poderia enxergar.
Mariana o encarava do lado de fora com uma expressão
de tristeza.
— Meu amor… ─ sussurrou ela, estendendo-lhe os dedos
brancos. — Não me deixe tão sozinha...
Um pouco travado pelo álcool, Getúlio deu um salto
do sofá e acabou se estatelando no chão. Outra vez olhou para a janela onde a
cortina se agitava suavemente.
— Eu vou buscá-la, querida ─ gemeu ele. Mas a moça
não estava mais ali. Desesperado, Getúlio gritou — Mariana! Mariana, volte!
Getúlio escancarou a porta de casa e se enroscou nos
próprios pés. Rolou três degraus, machucando-se na queda. Mesmo assim, levantou
o mais rápido que pôde e olhou para frente. Mariana, do outro lado da rua,
olhava para ele com seus olhos tristes.
— Fique onde está ─ implorou Getúlio mais para si
mesmo. A voz saiu entorpecida pela quantidade de álcool ingerida. — Já vou
buscar você. Não, não vá, por favor ─ a imagem de Mariana se desvaneceu aos
poucos até sumir completamente.
O homem ficou parado no mesmo lugar, respirando
fundo para tentar se acalmar. O vento frio cortava-lhe a respiração e ele nem
percebia. Quando tivesse a esposa novamente nos seus braços, todo o frio,
tristeza e dor se acabariam em definitivo.
Ele esperou mais um pouco, esperando Mariana voltar,
o que não ocorreu. Getúlio sugou todo o ar que podia, tentando criar coragem.
Precisava ir até o cemitério. Era lá que encontraria o amor da sua vida.
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