quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

A CAIXA






O AMOR QUE SINTO POR VOCÊ DEIXEI GUARDADO NUMA CAIXA.

TALVEZ EU A ENTERRE BEM FUNDO.

TALVEZ NÃO.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A VIDENTE E A BOLA DE CRISTAL





Cris ficou esperando por notícias do Agnaldo durante longos seis meses. Nem um telefonema, mail, pombo correio. Silêncio total e absoluto.

Meio anos antes, Agnaldo, num misto de arrogância e satisfação, informara para Cris que fora convidado a assumir uma das gerências da multinacional em que trabalhava, em Belém do Pará. Cris exultou. Sim, agora não haveria mais motivos para retardar aquele noivado que já durava três anos. Agnaldo finalmente iria pedi-la em casamento e ambos viveriam uma vida feliz em Belém. Um bom cargo, filhos, vida mansa. A vida que a vidente lhe previra há um tempo estava finalmente acontecendo.

Mas para espanto de Cris, Agnaldo somente comunicara sua transferência para Belém, fizera as malas e em dois dias partira, prometendo notícias assim que se instalasse. A mãe de Cris costumava dizer, sarcástica, que Agnaldo ainda não havia se instalado, tendo em vista a ausência total de sinais vitais.

Num primeiro momento, ela achou que ele estava morto. Não conhecia a família do Agnaldo para obter notícias, mas a avó da Cris, com seus oitenta anos, logo deu o veredicto: notícia ruim chega logo. Agnaldo deveria era estar aproveitando a sua nova vida de solteiro.

Cris desabou. Cachorro, sem vergonha, ordinário. Seria mesmo possível? Naqueles últimos seis meses, Cris emagreceu, não retocou sua tintura loira, andava de tênis e camiseta até no serviço. As colegas, pesarosas, tentavam ajudá-la a sair daquela depressão causada pelo cafajeste, mas Cris não queria se ajudar. Se pelo menos chegasse um mail!, dizia ela para si mesma.

Então ela teve uma idéia brilhante: A vidente! Aquela que lhe previra uma vida maravilhosa poderia dizer o que acontecera com o safado. Cris ligou para a mulher e implorou um horário no mesmo dia. Em menos de duas horas, estava sentada na frente da mulher e da sua bola de cristal.

Mas para espanto seu, a vidente lhe disse as mesmas coisas. Um homem maravilhoso, alguns filhos, uma vida pacata e feliz. Poderia não ser o Agnaldo, mas e daí? O Agnaldo era o único homem da face da terra? Não. Então que Cris ficasse calma e aguardasse. O único cuidado que deveria ter era com um pequeno acidente sem maiores proporções.

Um pouco mais feliz, Cris saiu da vidente com a cabeça nas nuvens. Quando foi atravessar a rua tranquila, na frente da casa da mulher, foi atropelada pelo que ela julgou ser uma bicicleta.

O casamento com o presidente da multinacional em que Agnaldo supostamente ainda trabalhava estava marcado para logo mais às dezessete horas. Três meses depois do atropelamento, Cris se lembrava do acidente rindo de tão feliz. Quando sentira o baque do Audi e caíra no asfalto, ela ficara ligeiramente desacordada. Mãos fortes a seguraram pelo rosto e um perfume a envolveu. Inebriada, ela respirou fundo e entreabriu os olhos. Deparou-se com o homem mais bonito do mundo. Agnaldo sumiu da sua visão para nunca mais voltar. Agora, prestes a casar com seu atropelador, Cris se sentia uma afortunada. A vidente lhe dera sorte, mas tanta sorte, que foi escolhida para ser sua madrinha de casamento. 

O MENINO QUE TINHA ASAS


Quando a criança nasceu, a mãe logo viu que havia algo estranho nas costas do filho. O médico não soube identificar o que eram aqueles dois pequenos membros que saltavam da pele do piá. A mãe se apavorou. Chorou, descabelou-se, entrou em depressão pós-parto ainda no hospital. Mas como o bebê gozava de ótima saúde, foram mãe e filho para casa. Caso surgisse alguma coisa diferente, falou o doutor, eles que voltassem.

E assim seguiu a vida em uma cidadezinha pequena do interior, onde a praça e a igreja eram os lugares mais movimentados. O piá foi crescendo. Aquela coisa nas costas quase nem aparecia. A avó paterna dizia que o guri estava marcado pelo diabo e, por via das dúvidas, nem nos dias de mais calor, o pobre andava sem camisa. Não seria de bom tom os vizinhos verem aquilo.

No dia em que o garoto completou nove anos, as asas finalmente tomaram a forma do que realmente eram. Asas. O menino possuía duas belas asas prateadas que brilhavam com a luz  do sol. A família ficou extasiada. Não havia marca de nascença do diabo. Não! Era ao contrário! Um anjo! Havia um anjo entre eles.

Mas o belo guri de cabelos loiros e encacheados não tinha a menor idéia do encantamento que causava. Entretanto, agora que suas asas tinham se revelado e não cabiam mais dentro da camisa e nem do casaco, ele estava proibido de sair de casa até que os pais decidissem o que fazer.

O menino das asas mal saía para o pátio. A vizinha fofoqueira do lado podia descobrir o segredo. Bem que podiam dizer que estava fantasiado de anjo... Já tinha visto na Bíblia Sagrada da avó a foto de um querubim. Porém, o guri sabia que de anjo não tinha nada. A única coisa que desejava era sair para a rua e jogar bola de gude com os outros meninos, correr de bicicleta e ser como os outros. Era tão simples...

E foi o que ele fez, em certo entardecer. O céu se encontrava violeta, uma brisa gostosa soprava sem parar. Lá fora os amiguinhos, que o julgavam doente, pois nunca mais pusera os pés na rua, corriam sem parar. Aquilo foi demais para um menino de apenas nove anos. Sem pensar duas vezes, ele abriu a porta da rua e se lançou na calçada. Quem reparou primeiro naquelas asas prateadas fugindo pelas aberturas que o pai improvisara na camisa foi o Juca. Pálido, ele apontou para o amigo e berrou:

— Ele tem asas!

Todos os olhos se voltaram para ele. De repente, a praça parou. Do armazém, saiu gente para a calçada para ver quem possuía asas. As crentes da cidade caíram de joelhos. Milagre! Milagre! Havia um anjo na cidade. Assustado, o menino quis correr. As pessoas se aproximavam ávidas de novidades, ávidas por um milagre, ávidas por algo que lhe movimentasse suas pobres vidas.

O garoto começou a ficar com medo, arrependido que estava de haver saído do refúgio do seu lar. Os olhos dos seus vizinhos, aqueles mesmos que conhecia desde que nascera, estavam diferentes, sinistros, quase maldosos. Eles queriam tocar nas suas asas, uma câmera fotográfica explodiu em um flash. Eu não sou anjo nenhum, quis ele gritar. Eu sou como vocês... Entretanto, nenhuma voz saiu dos seus lábios pálidos. Ele possuía asas, os outros não. A diferença era esta. As pessoas o julgavam divino. O menino sabia que era alguém como qualquer outro alguém.

Então, quando o desespero tomou conta do seu coração, suas asas bateram em um ruflar encantador. O último raio de sol iluminou a prata que lhe despontavam nas costas e as pessoas murmuraram um “oh” extasiado. Ele deu meia volta, atarantado, ensandecido no seu medo. Com reverência, as pessoas abriram espaço para o piá passar correndo, as asas batendo. E essas faziam um som que ninguém jamais conseguiu esquecer.

O garoto sentiu que seus pés não estavam mais tocando no chão. Primeiro ele pensou que estava deslizando; depois se sentiu no ar. E quanto mais batia suas asas, mais distante ficava da terra. Sabendo que alcançaria as estrelas, o menino que tinha asas voou cada vez mais alto. E sumiu. Nunca mais apareceu. As pessoas observaram-no desaparecer nas alturas, crendo que ele estava indo em direção a Deus.


Todos queriam ter asas também.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

STRIPTEASE




Ela havia se mudado há pouco tempo para o condomínio. 30 anos, loira, corpo bem estruturado. Solteira e pouco se lixando para isso. Sabia que podia ter o homem que quisesse quando desejasse. Era só estalar os dedos.

A janela do seu quarto era de fundos e dava para outra torre de apartamentos. Privacidade não havia muita. Às vezes, quando queria se divertir um pouco, apagava as luzes e ficava observando tudo o que se passava na casa dos vizinhos. O casal de velhinhos – eles não tinham muita graça −, o casal mais jovem que gostava de transar em cima da pia da cozinha, a solteirona do 3º andar, os gays do 5º. Era legal ficar olhando a rotina dos outros.

Logo percebeu que sua vida também estava sendo observada. Era o vizinho do 7º andar. Nunca o havia visto frente a frente, mas de longe ele parecia ser interessante. Quem sabe não seria a sua próxima transa? Algumas vezes, enquanto se penteava em frente ao espelho, podia enxergá-lo sorrateiro atrás da cortina, com um binóculo. Era engraçado. E ficaria bem mais se conseguisse excitá-lo e fazer com que o cara aparecesse de pau duro na porta do seu apartamento.

Era noite. Ela chegou do trabalho cansada e largou a bolsa em cima da cama. Sem querer se deparou com o vizinho já lhe cuidando. Sorriu. Sim, seria naquela noite que faria um strip-tease básico. Não precisava ser muito elaborado. O melhor ficaria para quando se encontrassem pessoalmente. Se valesse a pena, é claro.

Ela começou tirando os sapatos sentada no banquinho da penteadeira. Salto alto dourado. Jogou-os para o lado e ficou em pé. Espreguiçou-se, esticando-se toda. Ficou de costas para a janela e começou a tirar a blusinha, mexendo os quadris em uma dança sensual. O sutiã vermelho destacou-se na sua pele branca e ela imaginou que o homem devia estar ajustando o binóculo.

Ainda rebolando sexy, ela se virou e jogou os cabelos loiros para trás e olhou de soslaio para a janela. Ele estava lá. O cara já havia tirado a camisa. Será que estava com calor? A mulher continuou. Abriu o sutiã e os belos seios saltaram imediatamente para fora. Ela os acariciou vagarosamente, apertou-os, soltou. A barriga lisinha trazia um piercing com o formato de um diabinho.

O cinto das calças jeans começou a ser aberto. Ela parou de rebolar. Colocou um pé em cima da cama e foi puxando o cinto até ele sair todo. Atirou-o no chão e novamente se endireitou. Olhou para cima. O homem não disfarçava mais. Com os olhos grudados nela observou-a tirar as calças e revelar coxas generosas e uma calcinha vermelha igual ao sutiã. A calcinha era diminuta, mal tapava seu corpo. Ela ficou de costas novamente e mostrou ao seu admirador uma bunda perfeita. Olhando por cima do ombro, diretamente para ele, a mulher abaixou um pouco a calcinha. Deu uma reboladinha e decidiu abaixar a calcinha um pouco mais, revelando então todo seu rabo.

No outro apartamento o homem arfava. Aquela bunda era demais. A marca diminuta do biquíni o deixou de pau duro. Ela se virou para frente e mostrou a bucetinha sem pelos. A calcinha foi atirada longe. Nua. A mulher estava completamente nua.

Sem sentir vergonha alguma, ela sentou no banquinho da penteadeira e abriu as pernas, expondo sua buceta. Lambeu um dedo e introduziu no seu corpo vagarosamente. Ficou algum tempo tirando e botando o dedo, com um sorriso lascivo. Depois, excitada, não se fez de rogada. Encontrou o clitóris e começou a massageá-lo. Primeiro suavemente. Mas à medida que prosseguia, a excitação aumentava. Sua buceta estava molhada, o cuzinho também. Ela pôs-se de pé e ficou de costas para a janela. Aquela altura não havia somente um vizinho. Havia vários na janela. De adolescentes a mulheres, a plateia cresceu. Ela não se importou. Inclinou-se para trás, mostrando sua bunda. Abriu as pernas, queria que todos a vissem. Continuou tocando o grelhinho, rebolando, gemendo. Alcançaria o gozo em breve. Adorava estar sendo vista e desejada.


O orgasmo veio logo e suas pernas fraquejaram. Ela caiu no chão, de joelhos, com um grito de satisfação. Ficou ali um tempo, recuperando-se. Depois olhou para eles. Os vizinhos ainda continuavam lá. Levantando-se, ela caminhou até o interruptor de luz. O quarto ficou escuro. O espetáculo acabara.





sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

COM ELE NA PRAIA - Parte 3 (erótico)





Foi tão rápido que mal me dei conta. Fábio me virou de bruços com tanta violência que entrou areia no meu nariz e olhos. Enquanto tentava tirar a areia de qualquer jeito do meu rosto, senti meu short ser arrancado do meu corpo. Minha calcinha que já era pequena foi destruída. Quando ensaiei um grito, Fábio tapou minha boca com uma das mãos. Com a outra ele abriu minha bunda e logo começou a tentar enfiar o caralho dele em mim.

Com toda a minha experiência, eu fiquei apavorada. Aquilo não seria uma transa. Ser estuprada em uma duna de areia não era minha perspectiva de sexo para aquela noite. Tentei me soltar, mas não teve jeito. Fábio era muito mais forte que eu.

Senti aquele pau imenso encostar no meu cu. Pressenti o pior. Sem gel e com areia, eu iria sair destruída daquela foda. Me remexi e levei uma palmada forte na bunda. Fábio não estava para brincadeira.

— Se você resistir, vai ser pior ─ ameaçou ele rugindo nos meus ouvidos.

Minha excitação era coisa do passado. Eu inteira tremia de pânico. Senti a cabeça do pau do Fábio entrando no meu rabo sem dó nem piedade. Isto que eu estava acostumada a fazer anal! Mesmo assim, cada metida era um urro meu, abafado pela mão dele. Depois de uns dois minutos, meu primo enterrou todo o pau no meu cu, socando forte sem se importar com a dor que eu sentia. Prazer não tive nenhum. Perdi a conta de quantas enterradas levei. Chegou um momento que eu nem me mexia mais. Por fim, ele gozou no meu rabo e caiu para o lado, extenuado. Eu fiquei um tempo deitada de cara na areia, sem coragem para conferir meu estado.

Uns dez minutos depois eu me virei e consegui sentar. Fábio dormia do meu lado e um sanguezinho escorreu pelas minhas pernas. Fiquei em pé, puxei o short para cima e vi que o celular dele estava saindo da bermuda. Com as mãos tremendo e toda dolorida, filmei o Fábio dormindo pelado, com o pau murcho para fora das cuecas. Não foi difícil encontrar o número do celular da Claudia. Mandei para ela o vídeo de dez segundos e fui para o mar tentar me recompor.

Não demorou muito tempo senti uma mão pousando no meu ombro. Levei um susto e me virei. Fábio estava atrás de mim, com uma cara de louco.

— Você é a melhor foda de todos os tempos. Minha noiva não chega aos seus pés.

Aquela altura meu nojo era tanto que não me empolguei com o elogio. Praticamente cuspi as palavras em cima dele:

— Vá à merda.

Ele ficou mais excitado, se é que era possível. Fábio se aproximou de mim, já com o pau duro e baixou à força meu short ─ ou o que sobrou dele. Desta vez eu lutei, esperneei, até mordi a orelha dele. Mesmo assim nada disto foi o bastante. Ele socou o pau diversas vezes na minha buceta até me deixar meio desmaiada na beira da praia.

— Levanta. Ou você vai dormir aí hoje?

Fábio me puxou pela mão para que eu ficasse em pé. Meu cabelo era pura areia e antes de voltarmos para casa, tive que ir ao mar para limpar o sêmen e o filete de sangue que ainda escorria de mim. Enquanto voltávamos ele teve a cara de pau de dizer:

— Quero repetir tudo.

Eu nem respondi. Do jeito que eu estava, não iria poder transar tão cedo. Somente esperava que a Claudia já tivesse recebido o vídeo para eu ver o circo pegar fogo. Voltamos lado a lado. As ruas da praia estavam vazias. Era perto da meia noite. Se ele quisesse, podia me estuprar de novo. Não haveria testemunhas. Durante o trajeto tive que aguentar os comentários jocosos de Fábio dizendo coisas do tipo “seu rabo é bem apertadinho”, “quero arrombar de novo este cuzinho” ou “esta bucetinha vai ser minha de novo”.  Porém, uma quadra antes de chegarmos em minha casa, ele  praticamente ordenou:

— Vá você na frente. Não quero que ninguém nos veja chegar juntos.

Tudo bem, pensei eu. Ele iria pagar mais cedo ou mais tarde. Caminhei disfarçando a dor que sentia e antes de dobrar a esquina ainda conferi se não havia sangue nas minhas pernas ou se meu short não estava muito destruído. Me surpreendi quando reparei que havia luzes na minha casa. Percebi que na varanda estavam Vanessa, meus pais e Claudia, esta aos prantos. Tentei me manter o mais natural possível quando me aproximei. Vanessa veio ao meu encontro um pouco assustada.

— Onde você estava, Vitória? Fiquei preocupada. Depois que rolou a briga não vimos mais você.
— Encontrei com algumas amigas e ficamos conversando até agora ─ menti descaradamente. Apontei não tão discretamente para Claudia. — Por que ela está chorando?
— O Fábio sumiu ─ disse Vanessa. — Mas achamos estranho que ela não sai do celular.

Minha mãe se aproximou de mim. Também ela estava nervosa.

— Por que não levou o celular, minha filha? Fiquei com medo que você tivesse se machucado.
— Estou ótima, mãe. Só preciso de um banho.

Fui direto para o chuveiro. Peguei um saco plástico e coloquei fora meu short sujo de sangue. Lavei cada centímetro do meu corpo para tirar o que ficara de Fábio em mim e o cheiro dele. Nojo. Era isto o que eu sentia daquele animal. De repente, só o fato de ter feito o vídeo dele não foi o bastante para que eu me sentisse vingada.

Eu ainda estava no banheiro me secando com todo o cuidado quando escutei um som diferente lá fora. Era Fábio chegando. Apurei os ouvidos, esperando alguma gritaria de Claudia, cobrando o vídeo recebido. Contudo, não aconteceu nada. Quando saí do banheiro, os dois já haviam ido para o quarto e ficado por lá. Furiosa, saí enrolada na toalha e fui para o meu. Vanessa se preparava para dormir. Apaguei a luz para que ela não visse meus machucados e me deitei também.

— Eu vi.
— O quê?
— Quando o Fábio pegou você e a puxou para longe da confusão.

Fiquei em silêncio. Estava tentando encontrar uma boa posição quando minha irmã voltou à carga:
— O que rolou entre vocês?
— Nada.
— Mentira. Muito estranho você chegar e ele aparecer menos de dez minutos depois.
— Só coincidência.
— Ah, não vai contar mesmo? Adoro suas histórias.
— Bem, mas desta você não irá gostar. Boa noite ─ encerrei o assunto ali mesmo.

Vanessa pegou no sono logo. Mas eu não. Por dentro eu sentia o ódio correr forte nas minhas veias. Meu coração batia tão rápido que era impossível que eu continuasse deitada. Por fim me levantei. Olhei para o relógio. Eram duas horas da madrugada. Fui até o banheiro e percebi que eu sangrava um pouco ainda. Certamente teria que procurar algum posto de saúde quando o dia amanhecesse.

Aquilo não ficaria assim.

Me dirigi até a cozinha e peguei a faca de churrasco mais afiada do meu pai. Depois caminhei lentamente pela casa através das peças escuras. O único som que se ouvia era o da minha respiração pesada. Abri a porta do quarto onde Fábio e Claudia dormiam profundamente. Eles sequer se mexeram. Aproximei-me da cama segurando a faca com força. O luar entrava pelas frestas da veneziana, revelando o corpo nu dele. Será que Fábio ainda tinha transado com a noiva depois de ter me estuprado?

Bem, isto não me interessava. Ele nunca mais estupraria ninguém. Menos de um minuto depois saí do quarto triunfante segurando o caralho decepado dele nas minhas mãos.

Bem feito.


Clínica Santa Catarina, abril de 2015.


sábado, 26 de dezembro de 2015

COM ELE NA PRAIA - Parte 2 (erótico)





— Estou pronta, meus amores. Que horas nós vamos?

Não preciso dizer que a Claudia não desgrudou do Fabinho por nenhum momento. Ela sentia que eu era um perigo em potencial. Acho que ele também percebeu. Meu primo evitava olhar muito para meu lado para não cair em tentação. Mas, para provocá-lo, algumas vezes eu caminhava na frente dele, rebolando e mexendo no cabelo. Eu estava chamando a atenção dos outros homens. Por que justo ele iria me ignorar?

Claudia se manteve muda o tempo todo, com os olhos grudados em mim e nos meus movimentos sexies. Quando chegamos ao Centrinho, ela deu um jeito de me dar um esbarrão que chegou a me jogar para o lado. Vanessa me encarou de olhos arregalados e eu lhe fiz um sinal discreto; em pouco tempo teria a volta. Eu só ainda não sabia como faria para prender Fabinho na minha teia.

Estávamos na fila da sorveteria quando Vanessa encontrou algumas amigas. O lugar estava cheio e eu não conseguia parar de olhar para o Fábio. Percebi que ele estava constrangido com aquela meu flerte escancarado. Eu pouco ligava para Claudia. O tesão que sentia era tanto que ondas de calor subiam dos meus pés à cabeça a todo instante. De repente escutei um barulho de garrafa quebrando. Olhei para trás assustada. Uma briga estourou praticamente na frente da sorveteria.

Foi uma gritaria geral. Mães fugindo com filhos, cadeiras voando, gente aos berros. Em um primeiro momento eu fiquei paralisada, sem saber como agir. Depois senti a mão forte de um homem pegando meu braço e me arrastando dali em meio a um monte de gente se batendo um contra os outros para sair dali. Só fui me dar conta que era o Fabinho depois de uns cinco segundos.

Olhei para trás, mas não encontrei Claudia e Vanessa. Fiquei preocupada com minha irmã, porém ela era esperta e provavelmente já estava em algum lugar seguro. Quanto à Claudia... por mim podia ser pisoteada que não faria falta nenhuma. A mão forte do Fábio me excitou. Ele me segurava com força, mesmo quando não havia mais risco nenhum e as coisas já estavam calmas. Quando me dei conta estávamos na beira da praia.

Ele diminuiu o passo e andamos de mãos dadas, em silêncio, por algum tempo na areia. Algumas vezes Fabinho me encarou, mas não disse nada. E eu também fiquei em silêncio, esperando que ele fizesse algo. O celular do meu primo tocou e ele ignorou totalmente. Sorri para mim mesma. Era certo que a gente iria transar.
Uma duna grande foi o local escolhido para a nossa transa. Eu me mantive calada enquanto ele me levava até lá. Escalei aquela montanha de areia excitada. Não havia ninguém por perto. Nem eu acreditava que seria tão fácil.

De repente ele soltou minha mão, se virou para mim e me deu um empurrão tão forte que me jogou na areia. Fiquei chocada com aquela atitude. Sinceramente, pensei que Fábio fosse mais gentil.

— Ei! ─ protestei limpando a areia das minhas mãos.
— Não é isto o que você quer? ─ perguntou meu primo avançando sobre mim. — Trepar comigo?
— Claro… claro que sim.

Confesso que fiquei com um pouco de medo. Havia um brilho diferente nos olhos dele. Fábio abaixou um pouco a bermuda e saltou de lá um pau enorme. Calculei que devia ter uns 23 centímetros. Quase um tripé.

— Quero ver você dar conta de tudo isto aqui, sua vadia.

Nem eu achei que daria conta de tanto. Mas eu respondi no ato:

— Dou conta sim! Você não me conhece! 

... continua ...

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

COM ELE NA PRAIA - Parte 1 (erótico)




Verão é super bom. Pelo menos eu assim achava. Nossa casa na praia estava sempre cheia de gente, parentes principalmente, que por lá se instalavam para passar o verão. Meus pais, ótimos anfitriões, adoravam receber. Eu também. Mas depois dos 18 anos comecei a perder a paciência com a falta de privacidade. Tios, primos, amigos dos primos, vó, amiga da vó. Todo mundo tropeçando um no outro, colchões espalhados pela garagem e pela sala, barracas no jardim. Churrascada e pagode quase todos os dias. Por fim, perdi a paciência. Depois de um tempo decidi começar a passar o verão em outras paragens, com meus amigos ou o namorado de plantão.

Até que um dia decidi voltar para a casa dos meus pais na praia. Foi quando revi meu primo, o Fabinho.

*
Eu não via o Fabinho há uns dois anos. Ele nunca foi muito de ficar conosco na casa da praia, apesar de ser afilhado dos meus pais. Para falar a verdade, eu já nem lembrava dele direito e pouco ouvia falar na pessoa. Naquela temporada minha mãe abriu a casa já no Natal. A parentada veio chegando aos poucos. Os dias passavam e eu me perguntava até quando aguentaria aquela casa cheia e banheiro sempre ocupado. Não dei mais que dez dias como prazo para o meu saco estourar.

Era uma quinta-feira de janeiro quando meu pai comunicou que o Fabinho viria passar alguns dias com a gente na praia. Naquela época incrivelmente só estávamos nós, os donos da casa. Eu nem dei bola. Soube que meu primo viria com a namorada, quase noiva e logo minha mãe tratou de reservar um quarto só para o casal. Lá eu dividia o meu quarto com minha irmã mais nova, a Vanessa. Achei o cúmulo o Fabinho ter um quarto só para ele.

Ele chegou na sexta-feira quase ao meio dia. Eu recém estava voltando da praia, de biquíni e cabelo escorrendo água salgada. De longe percebi um carro estranho chegando e uma movimentação ao redor. Só o reconheci quando me aproximei do portão da casa. Meu Deus. Fabinho estava lindo.

Por algum motivo, minhas pernas tremeram. Resolvi respirar fundo para me acalmar. Fabinho tinha desenvolvido os músculos durante o tempo em que ficamos sem nos ver. O cabelo comprido batia no ombro e levantava quando soprava a brisa do mar. Fui descendo meu olhar para bunda e coxas. Tudo nele era apetitoso. Eu e Fabinho tínhamos apenas dois anos de diferença. Ele devia estar com uns 24 anos. De pura gostosura.

Foi quando me deparei com a namorada-noiva do meu primo. Ela também havia saído do carro, porém eu estava tão absorta devorando Fabinho com os olhos que nem tinha percebido aquela coisa aguada me encarando.
Ridícula. Foi isto o que eu pensei. Loira, de cabelo liso e bonita, ainda assim a namorada dele era sem sal. Ela percebeu o quanto eu babei por ele e por isto me encarou furiosa. Naquele momento eu decidi que transaria com o Fabinho. E se eu quisesse, até faria com que ele se apaixonasse por mim.

— Vitória, lembra do Fabinho? ─ meu pai perguntou, tentando fazer graça.

Fabinho olhou para trás e deu de cara comigo. Percebi que meu primo fez uma análise rápida de mim. Não consegui perceber se ele havia gostado ou não do que estava vendo.

— Oi, Vitória ─ cumprimentou aproximando-se de mim. Ele me deu um rápido beijo no rosto, mas eu ainda tive tempo de sentir o perfume gostoso dele.

— Oi, Fábio ─ respondi tentando controlar meu tesão. — Você está muito bem.

Acho que ele ficou um pouco constrangido, talvez por estar com a namorada junto, observando a tudo. Fabinho olhou para ela e a puxou para mais perto.

— Esta é a Claudia, minha noiva.

Noiva? Ex-noiva.

— Oi ─ disse eu, mas sem olhar para ela.

A vaca nem me respondeu. Minha mãe reparou no clima ruim que se formou e mudou de assunto, perguntando pela minha tia e o resto da família. Em pouco tempo estavam todos dentro de casa, inclusive eu. Enquanto meu pai os levava para o quarto onde ficariam, minha mãe me arrastou para um canto da cozinha. Pensei até que ela fosse me bater.

— Pensa que eu não vi seu olho comprido para o primo? Vitória, você não vai destruir mais um noivado.

Minha fama de destruidora de relacionamentos ainda reinava na família. Há mais ou menos cinco anos, minha tia mais nova, irmã da minha mãe, arranjou um namorado galã, muita coisa pra ela. Não tive dúvida. Na primeira oportunidade, em um churrasco familiar, eu o levei para o quartinho da empregada e transamos ali mesmo. Fomos flagrados e o escândalo foi geral. Minha tia terminou o namoro e se mudou para o Nordeste. Até hoje ela me odeia. Posso dizer que traumatizei minha família. Apertando o meu braço com força, Dona Neusa, minha mãe, parecia que ía entrar em surto.

— Você não vai nos envergonhar de novo!
— Assim você me ofende ─ respondi sem convicção, sabendo muito bem o que eu iria fazer.

Só fui ver meu primo de noite. Passei praticamente o dia todo na praia surfando e quando voltei encontrei Vanessa, Fábio e Claudia na varanda tomando chimarrão. A loira idiota nem olhou para o meu lado. Meu primo me cumprimentou bem comportado, mas percebi que havia um interesse disfarçado sobre mim.

— Mana, estamos combinando de ir ao Centrinho. Quer vir com a gente?

Era tudo o que eu queria. Claudia fez uma careta de nojo quando eu respondi que sim.

— Claro. Estou precisando comprar umas bijus para mim ─ era mentira. — Só preciso tomar um banho antes.
Fábio não falou nada, acariciando a mão da noiva. Vanessa disse, muito animada:

— Certo, mas não demore. Estou louca para tomar sorvete.

Tomei um banho caprichado, tirei todo o sal do cabelo e pus meu melhor perfume. 

Quarenta e cinco minutos depois apareci com um short curto jeans quase mostrando a 

bunda e uma miniblusa que mostrava minha barriga sarada e meu piercing de coelhinha 

da Playboy. 

... continua ...

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

APRESENTANDO...

Meu nome é Patrícia, sou escritora desde criança e tenho muitos textos guardados no meu pen drive. Espero poder dividi-los com vocês. Adoro escrever histórias de suspense, terror, comédia leve e eróticos. Venham me visitar!

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

LONGA ESPERA

Penteei meu cabelo, pus meu perfume mais doce
Nos meus lábios, o batom mais vermelho
Sem demora me instalei na janela de cortinas floridas
Alisei meu vestido lilás de renda e fitas, caprichei no sorriso sedutor
Fiquei por horas seguidas esperando meu amor passar
Abanei para um, acenei para outro
Mas o rapaz de terno escuro desta vez não apareceu
A noite chegou e com ela meu desalento
Sentei na cadeira de balanço com meu bordado nas mãos
Oh, Deus, a única coisa que eu desejo para mim
É uma vida de sonhos, amor e paixão


MOÇO BONITO



Aquele moço moreno e bonito
Tímido, de sorriso acanhado
Me faz ter sonhos infinitos
Eu te quero meu namorado



terça-feira, 3 de novembro de 2015