sábado, 7 de dezembro de 2024

VICKI VIDA LOKA - CAP. 3 - O CARA MAIS BONITO DA ESCOLA




Meu olhar cruzou com o dele durante a mesma insuportável aula de Filosofia, quando eu tentava, de forma heroica, manter meus olhos abertos. Para disfarçar um bocejo de grandes proporções, virei para trás fingindo que pegaria algo na mochila pendurada na cadeira.

Meu bocejo ficou pela metade.

Na minha diagonal, duas fileiras atrás, me deparei com o ser mais belo do planeta. Surfista. Pele bronzeada. Cabelos loiros. Músculos na medida certa.

Nossos olhos se cruzaram por exatos dois segundos, os mais longos da minha vida e que não causaram efeito nenhum a ele. Tudo bem, já estava acostumada. Meu tipo de beleza não é suficientemente forte para provocar amores à primeira vista. A partir daí, tudo se apagou da minha mente. Quem era ele? A aula acabou, o sinal para o intervalo tocou e eu estava em surto.

Depois de dois períodos de Filosofia, eu precisava desesperadamente de ar puro e descobrir quem era o cara. Vi quando ele saiu da sala acompanhado de outros meninos sem nem se dar ao trabalho de olhar para o meu lado. Normal. Somente a Jéssica poderia me salvar.

— Quem é?

— Quem é o quê?

— O surfista.

— Dudu?

— Você está me perguntando ou afirmando?

— Só pode ser ele. É o único surfista da sala.

— Dudu? – fiquei saboreando as sílabas. Dudu. Eduardo. Eduardo & Victória. Vicki & Dudu. Que lindo...

— Você também?

— Eu o quê?

— Apaixonadinha?

— Eu? Só achei o cara interessante. A propósito, ele tem namorada?

— Ah, ele fica com várias. Só não ficou comigo porque eu não faço o tipo dele. Mas não namora ninguém. Só quer curtir.

— Ótimo. Então eu tenho chances.

Não levou cinco minutos e eu já estava com Jéssica na arquibancada assistindo o Dudu mostrar sua habilidade no futebol. Eu não estava sozinha. Todas as garotas da escola estavam ali, sem sequer piscar para não perder um único lance. Dudu, meu futuro namorado, sabia ser uma estrela. Perdoei o fato de ele ser um baita exibido. Cada gesto seu era triunfal e exagerado para chamar ainda mais atenção das gurias.

Eu não conseguia tirar os olhos dele.

— Tá vendo aquela morena lá do outro lado?

Foi um sacrifício eu ter que desviar o olhar para onde Jéssica apontava. Tive o desprazer de topar com uma morena peituda, bundão e coxa grossa literalmente grudada na cerca que separava a quadra da arquibancada. Se eu tivesse uma palavra para descrevê-la, seria uma com cinco letras:

VADIA. Em negrito e caps lock.

— O que tem?

— É a ficante mais frequente dele.

Eu teria trabalho. Mas estava gostando daquilo.

— Susi.

— É o nome dela?

— Aham.

Anotei no meu caderninho mental. Vamos em frente.


segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

VICKI VIDA LOKA - CAP. 2 - PRIMEIRO DIA NA ESCOLA

 




A escola não fica muito longe de casa, mas meu pai fez questão de me prestar um apoio moral.

Ganhei uma carona.

Implorei, pelo amor de Deus, que ele me deixasse na esquina. Eu não podia passar a impressão, já no primeiro dia de aula, que eu era uma patricinha estilo Gabi, minha irmã. Eu caprichei no visual. Mechas laranja no cabelo, calça capri larga e regata de uma banda de rock. Me senti uma superstar quando me aproximei da escola enfrentando as dezenas de olhares dos meus novos colegas.

Para disfarçar a tensão e porque eu simplesmente não sabia onde me enfiar, peguei o celular e resolvi fingir que estava no WhatsApp. Sentei na ponta de um banco tentando passar a imagem que pouco me importava com aquela situação, todo mundo com sua turminha e eu, a isolada.

Então a sirene tocou. Me arrastei atrás dos meus colegas, a mochila pendurada, displicente, no ombro. Tudo para passar a imagem de “garota descolada”. Uma gota de suor escorreu pelas minhas costas. Alguém pode me abduzir? Não me sentia nem um pouco preparada para lidar com aquele monte de caras novas. Na minha outra escola eu tinha status. Status pop. Agora, graças aos meus queridos pais, teria que começar do zero.

Parei em frente à sala 211 e olhei para dentro. O pessoal já estava sentado, rindo e conversando, gente bronzeada e bonita. E eu ali, sem nem saber onde ia sentar.

Mal tive tempo para me desesperar. Uma menina de óculos não parava de me encarar. No início achei que ela queria briga. Mas não. Ela fez um sinal com os olhos indicando que o lugar ao seu lado estava vago. Não havia escolha. Entrei dura na sala sem olhar para ninguém e escorreguei na cadeira, na terceira fileira de uma sala com cerca de trinta alunos.

Olhei para minha colega. Ela parecia ansiosa em fazer amizade.

— Oi, meu nome é Jéssica!

Me surpreendi com a animação.

— Ah, eu sou a Victória. Mas me chama de Vicki, tudo bem? É assim que sou conhecida pela geral.

— É seu primeiro dia hoje?

— Sim. – não consegui disfarçar meu desgosto. — Rodei de ano e meus pais resolveram me trocar de escola. Respirar novos ares, sabe? Sempre é bom.

— Você vai gostar daqui.

A Jéssica parecia ser legal, pois era louvável o esforço que fazia para me deixar à vontade. Minha cara de bunda devia estar nítida. Pelo menos minha colega não criticou meu estilo e meu cabelo laranja.

— Adorei a cor dos seus cabelos!

Pronto. Melhores amigas. Me entusiasmei.

— Jura? Quer igual?

— Uau! Eu quero sim!

— Legal. Vou te ensinar. Você primeiro tem que…

— Bom dia, turma!

Jesus–Maria–José, o que era aquilo? Uma maluca entrou super empolgada na sala de aula perdendo pastas pelo meio do caminho e tentando mostrar que era uma profe descontraída. Não deu certo. Carisma zero. Todos se calaram encarando a criatura.

— Olá, pessoas! Sou a professora Ivonete e darei aula de Filosofia para vocês!

Odeio Filosofia e já estava odiando a professora também.

— Humm... Vejo carinhas novas por aqui. Vamos nos apresentar, gente?

NÃO!

— Você. – enxerguei um dedo comprido com uma unha estupidamente vermelha-brilhante apontando para mim. — Aluna nova, não? Apresente-se para seus colegas!

Quase senti os tambores rufando. Outra vez dezenas de olhos grudados em mim. Não havia me preparado para aquilo. Não tinha ensaiado nenhuma gracinha para descontrair meus colegas. Respirei fundo e comecei olhando fixo para frente:

— Bem, eu… Meu nome é…

— Venha aqui para frente. Todos querem lhe conhecer.

Não vou ficar vermelha, disse para mim mesma, enquanto me levantava amaldiçoando aquela infeliz. Parei ao lado dela e encarei a turma.

— Meu nome é Victória e…

Ivonete me interrompeu:

— Por que você decidiu estudar aqui?

— Eu não decido nada. Quem decidiu foram meus pais depois que fui reprovada.

Algumas risadinhas. Ponto para mim. A maluca ficou sem graça.

— Espero que você tenha melhores resultados este ano. O que acha do estudo da Filosofia?

Meu Deus! Oi? Sinceridade?

— Inútil.

Desta vez todo mundo riu. Para disfarçar o mal-estar, Ivonete encerrou minha apresentação e apontou para outro coitado que tomou o lugar lá na frente. Ganhei a implicância da professora.

Um bom começo.


... Continua...

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domingo, 1 de dezembro de 2024

VICKI VIDA LOKA - CAP. 1 - APRESENTAÇÕES




 Não passei de ano. No boletim, gritando em letras vermelhas, constava a seguinte palavrinha: REPROVADA.

Ok, isto acontece nas melhores famílias e, principalmente, para quem vadiou o ano inteiro. Mas o castigo que me foi imposto foi o pior de todos.

Fui trocada de escola.

Não teve choro que convencesse meus pais a mudarem de ideia. Ameacei que eles corriam o sério risco de terem uma filha suicida no currículo. Nada os demoveu. Por fim, quando vi que não tinha jeito, me resignei e decidi assumir a burrada.

Bom, mas acho que devo me apresentar. Meu nome é Victória, mas todos me chamam de Vicki. Tenho 16 anos, cabelo laranja, moro num apartamento bem confortável com minha mãe, meu pai e minha irmã, a Gabi, aliás, uma das pessoas mais insuportáveis deste mundo.

Continuando as apresentações. Adoro redes sociais. Tenho milhares de amigos. A maioria não sei de onde veio. Confesso que há mais quantidade que qualidade. Sou muito popular no mundo virtual. No mundo real nem tanto assim.

Minha mãe é professora universitária. É chique até quando está de pijama. Ela fala com todos os plurais e terminações verbais como se estivesse em sala de aula 24 horas por dia. É bem bonita também. Somos diferentes em tudo, principalmente no quesito beleza.

Meu pai. Meu herói. É gerente importante em um banco. Ele precisa trabalhar muito para sustentar as minhas loucuras e as frescuras da Gabi. Gente boa ele.

Gabi. Ela tem 17 anos e seu nome deveria ser Barbie. Pois ela é uma. Loira, feições de boneca, já foi escolhida duas vezes rainha da escola. Estudiosa, pretende fazer faculdade de medicina este ano. E namora o Ken. Ou melhor, o Diego. Eles se completam na mais completa chatice.

Enquanto Gabi veste roupas da moda, eu sou adepta de um look mais despojado. Não sei se isso atrai ou afasta os meninos. Nunca namorei de verdade, mas já beijei algumas bocas. O pior vem agora.

Sou virgem. Mas é segredo, não contem para ninguém. Para todos os efeitos comecei a transar com 14 anos. Minto sem ficar vermelha. É um drama que carrego, espero que não por muito tempo.

Assim se passaram minhas férias do último verão. Me diverti, bebi escondido, fiquei com alguns caras. Minhas aulas começam amanhã. Faço de conta não estar nem aí que vou para uma escola nova.

Mas estou com dor de barriga faz dois dias.

... Continua...

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domingo, 3 de novembro de 2024

BONECA MALDITA - Capítulo 1

 





Quando o carro estacionou na frente da casa da fazenda, Fernanda engoliu em seco. Deixou o pai tirar suas coisas do porta-malas e segurou a mochila que ele lhe estendia. Gilberto demonstrava estar bem feliz por sua filha mais velha vir passar um mês com ele e a nova família na fazenda. Já fazia dois anos que Fernanda não aparecia por lá. E só fora desta vez porque a mãe a obrigara. O lugar era lindo, com muito verde e um rio que passava nos limites da propriedade. A casa era muito confortável, com amplos espaços. E Fernanda ainda tinha a facilidade de ter um quarto somente para ela. O que era muito bom, já que não suportava sua irmã mais nova. 

Catarina tinha 10 anos, sete anos a menos que Fernanda. Era uma garotinha linda, loura e lindos olhos verdes. Cristina, a madrasta, dedicava-se inteiramente à única filha. Gilberto, devido à profissão, pouco parava em casa. Fernanda não sabia como iria fazer para suportar ambas. Da última vez que passara alguns dias na fazenda, saíra sem se despedir devido a uma enorme briga. E jurara que nunca mais voltaria àquele lugar. Agora, em pé ao lado do pai na frente da casa, Fernanda torcia para que as coisas fossem mais calmas desta vez.

Ainda não havia escutado a voz estridente da irmã. Aliás, este era o som mais escutado por lá. Catarina falava pelos cotovelos, sem parar. Cristina achava lindo e não se cansava nunca de ouvi-la. A madrasta, contudo, era cega para todo e qualquer defeito da filha. Tudo o que Catarina fazia e falava era lindo e inteligentíssimo. Era incapaz de enxergar o quanto uma criança daquele tamanho era perversa. 

− Estou muito feliz por você estar aqui conosco, minha filha.

Fernanda o encarou e tentou sorrir. Gostaria de estar em qualquer lugar, menos lá. Chegara até a sugerir que ela e o pai fizessem uma viagem juntos, somente os dois. Mas ele recusou, dizendo que seria importante ela conviver mais tempo com a irmã. Por fim, depois de alguma insistência, lá estava Fernanda. Sem conseguir disfarçar sua expressão de contrariedade.

− Espero que saia tudo bem por aqui, pai.

Ele sorriu e beijou sua testa.

− Tenha só um pouco de paciência. Ela é apenas uma criança.

− Criança, aff... 

Naquele momento a porta se abriu e Cristina apareceu. Ela estava com alguns quilos a mais e com a mesma cara de sonsa. Fernanda sabia que a madrasta morria de ciúmes dela e quando viu pai e filha juntos, o sorriso falso que trazia no rosto pouco a pouco se apagou.

− Ora, como a Fernanda cresceu. 

Agora ambas já estavam praticamente do mesmo tamanho e Fernanda descobriu que não a temia mais. As duas trocaram beijos e a garota ficou enjoada com o perfume enjoativo usado pela madrasta. Infelizmente o seu mau gosto permanecia. Não entendia como o pai um dia fora se apaixonar por aquela mulher.

− E você está muito bonita também – disse Cristina olhando a enteada de alto a baixo. 

− Obrigada, Cris. É, o tempo passou.

− Você precisa ver a Cat. Ela está lindíssima. Cada vez mais esperta e espirituosa.

Fernanda deu um sorrisinho sem graça e resolveu seguir o pai que entrava na casa. Quanto menos visse Catarina, melhor. Não se sentia com a menor disposição para enfrentar os prováveis embates que viriam pela frente.

− O quarto está prontinho para você, querida – disse o pai feliz. Ele seguia na frente, subindo as escadas e levando as duas malas. – Não se preocupe com nada. Se lhe faltar alguma coisa, pode me chamar. 

Era admirável o esforço do pai em fazer com que Fernanda se sentisse à vontade. 

− Eu sei, papai, muito obrigada. 

O quarto era bem espaçoso. Gilberto deixou as duas malas no meio do quarto e encarou a filha. 

− Acho que você quer descansar um pouco...

Fernanda consultou o relógio. Passava um pouco das seis horas da tarde.

− Acho que vou tomar um banho. Que horas é o jantar?

Na fazenda todas as refeições eram feitas juntas, o que contrariava Fernanda, que gostava de comer sozinha no quarto.

− Às vinte horas, Fê. Você sabe como Cristina faz questão que estejamos todos juntos.

− Eu estarei lá, pai.

Gilberto afagou a bochecha da filha e saiu do quarto. Quando a garota se viu sozinha, sentou na cama, exausta. Aquela ainda era a primeira noite. Teria ainda quatro semanas pela frente. Havia combinado com a mãe, caso as coisas estivessem muito insuportáveis, retornaria antes. Lentamente, Fernanda separou uma blusinha e uma saia para vestir depois do banho, deixando as peças em cima da cama. O banho foi um pouco demorado e bem gostoso. Quando ela retornou para o quarto enrolada em uma toalha, percebeu que a blusa estava dispersa de uma forma diferente da que havia deixado. Achando aquilo estranho, Fernanda se aproximou da cama e foi conferir de perto.

Ela sufocou um grito. O tecido havia sido perfurado em várias partes.


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domingo, 13 de outubro de 2024

UM AMOR DE PLUS SIZE - DEGUSTAÇÃO




DEGUSTAÇÃO DO CAPÍTULO 4 DE UM AMOR DE PLUS SIZE.

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 Não me perguntem onde o Aírton e o Doutor André se enfiaram durante toda aquela manhã. Enquanto fiquei com a bunda quadrada sentada na minha cadeira, os dois bonitos não retornaram da apresentação. Só imaginei qual seria a cara das minhas colegas quando descobrissem que o Aírton não somente era apetitoso, mas também um enorme de um antipático pedante. Rá! Iriam cair duras!

Minha alegria foi barranco abaixo quando encontrei com Cássia e Bárbara para almoçar. Ambas me esperavam na frente do prédio da agência. O frenesi estava instalado entre as duas. O motivo tinha nome.

Aírton.

— Ele é demais ─ Cássia vinha caminhando ao meu lado, os olhos brilhantes perdidos no espaço. — Um fofo simpático e sexy.

Bárbara gemeu.

— Aírton... Um doce de pessoa. Um cara fino, educado. Meus parabéns à mãe dele. Você não achou, Gisele?

— Achei o quê? ─ rosnei.

— Seu novo colega! Um gentleman, não? Super querido!

— Ah, claro ─ seria possível que ele só tivesse sido metido comigo? Resolvi me vangloriar. — Nós vamos trabalhar juntos. Segundo o Doutor André, algumas vezes vou me reportar a ele.

Já nem sabia se aquilo me traria alguma espécie de vantagem em relação às outras mulheres da agência. O cara por quem eu me apaixonara em uma velocidade meteórica era hierarquicamente meu superior e não me dava a mínima.

— Não! ─ as duas quase gritaram no meio da rua. Eu continuei andando altiva e disfarçando o constrangimento pelo comportamento histérico delas. — Sério?

— Foi o que o Doutor André disse. Mas estou tranquila. Não achei o Aírton isto tudo. Sou mais o Osvaldo.

Osvaldo. Meu ex-noivo. Eu preferia um encontro com o capeta a ter que ficar com ele outra vez.

— O Osvaldo? Convenhamos né, Gi? Com aquela barriguinha de cerveja... Tenha dó. Não serve nem como comparação.

Estávamos as três chegando ao nosso restaurante preferido e barato (nós o apelidamos de Baratex), e só não acertei uma bolsada na Cássia porque senti o cheirinho da comida vindo do bufê. Minha raiva se extinguiu na mesma hora.

Nos sentamos no fundão. Meu prato parecia o Corcovado. Arroz, feijão, bife à milanesa, batata-frita e um ovo frito por cima para coroar aquela segunda-feira fora do normal. Eu adoro comer. E ainda tinha o bufê da sobremesa me chamando.

— Ué? Vocês não vão mandar ver?

O prato das minhas duas colegas se resumia a um peixe grelhado e montanhas de salada. Bárbara balançou a cabeça, mastigando uma folha de alface. Qualquer semelhança com a vaca mimosa não era mera coincidência.

— É melhor eu começar a entrar em forma, né? ─ Bárbara me olhou, convicta. — Sabe como é... O Aírton...

— O que tem o Aírton? ─ eu não estava entendendo lhufas.

Cássia então resolveu esclarecer: — O Aírton não vai querer uma gorda ao lado dele.

Aquilo me atingiu. Pela primeira vez em muitos anos me senti acima do peso. Claro que eu tinha noção das minhas gordurinhas, mas até então nunca me incomodara com aquilo. Aírton. Cretino. Talvez tenha sido por isto que ele fizera pouco caso de mim. Ele não gostava de cheiinhas?

Comi com raiva todo meu almoço e só não lambi o prato porque eu estava em público. Repeti duas vezes a sobremesa e voltei para o escritório explodindo e ansiando por um chá de boldo.

Bem capaz. Mas capaz mesmo que eu deixaria de comer as coisas que eu gosto por causa das preferências do Aírton! 

Não, não e não!

Não?