sábado, 27 de julho de 2013

REFÚGIO

MUITO QUERIA EU

REFUGIAR-ME NO CALOR DOS SEUS BRAÇOS

MAS JÁ QUE VOCÊ NEGOU SEU AMOR

ESCONDO-ME DEBAIXO DO MEU COBERTOR

quinta-feira, 18 de julho de 2013

TUA VOZ

AI, QUE SAUDADE EU SINTO DA TUA VOZ

PENA QUE EU FIQUEI SURDA...


OU FOI VOCÊ QUEM EMUDECEU?

quinta-feira, 11 de julho de 2013

BETINA, A VIRGEM (cap. 3)

Apesar da sua determinação de perder a virgindade e virar uma puta de primeira, quando Betina entrou no carro do Raul na noite seguinte pensou melhor e decidiu deixar isso para um segundo encontro. Não se sentia preparada ainda. Queria conhecer um pouco melhor o homem que marcaria sua vida para sempre.
Raul estava com um perfume de gosto duvidoso e parecendo muito confiante, ao contrário dela. Ao vê-la, desmanchou-se em elogios rasgados. De vestido branco de alcinhas e sandálias douradas, Betina sabia estar algo sexy. Talvez sexy demais para ele. De uma coisa tinha certeza. Não queria estar ali. Será que era tarde demais desistir?

− Aonde vamos?

Agora. Diga que está com dor de barriga e volte para casa.

− Eu… não era um cineminha o combinado?

Ele ligou o motor do carro e arrancou. Tarde demais.

− Pensei em algo mais aconchegante.
− Tipo o quê? – ela perguntou, com a respiração suspensa.
− Vamos jantar. Em um lugar aconchegante.

Ok, jantar. Somente jantar e cair fora. Iria comer e dizer que estava com ânsia de vômito. Ele certamente a deixaria em casa em 10 minutos.

A potente caminhonete tomou seu rumo. O papo não fluía legal. Raul falava gracinhas, contava piadas sem graça e Betina respondia aos monossílabos. Chato. Isso que ele era. Um enorme de um chato.

De repente Raul tomou uma rua estreita e mais escura e percorreu alguns metros. Luzes brilhantes anunciavam. Sexy Hot.

Um motel.

*

Betina olhou o letreiro. Ele iria passar reto, é claro. Eles iriam jantar. Restaurante e motel são coisas diferentes. Mas quando o carro foi entrando na garagem do motel, ela perguntou, quase em pânico:

− Não era um jantar?

Ele riu.

− Não deixa de ser.

Betina engoliu em seco. Bem… por que não acabar com aquela tortura de vez? Vai, Betina, disse ela para si mesma. Acabe com isso de uma vez por todas. Feche os olhos e abra as pernas. Talvez você goste.

− Tudo bem – ela disse decidida. – Vamos lá.
− U-la-lá!

Com aquela exclamação ridícula, ambos entraram no motel. Para ostentar, Raul escolheu uma suíte com tudo o que era necessário para uma trepada histórica. Cadeira erótica, pole dance, banheira de hidromassagem. A cama redonda era enorme. Espelhos por toda a parte. Parada no meio do quarto, agarrada à bolsa, Betina não estava se sentindo muito à vontade.

Empolgado, Raul tocou em alguma coisa e luzes brilhantes deixaram o quarto parecido com uma boate. Uma música passou a tocar e Raul a enlaçou. Ele se esfregava no corpo dela e Betina resolveu largar a bolsa e entrar na dança sem saber dançar. Sentiu o pau dele a pressionando. Que nojo. Mas agora era meio tarde para voltar atrás.

Havia chegado o momento.

Eles dançaram um pouco. Raul deu duas ou três lambidas no pescoço de Betina, que engoliu em seco. De repente ele a largou. Abriu o frigobar e tirou de lá uma champanha. Fazendo o estilo sexy, estourou a rolha jorrando o líquido sobre ele, ela e o tapete. Ao invés de pegar taças para servi-los, Raul não se fez de rogado e bebeu na garrafa mesmo.

Porco.

O êxtase estava tomando conta de Raul. Que tal uma dança sexy?, perguntou ele, sem esperar por uma resposta de Betina. Lentamente, Raul começou a tirar a roupa. De braços cruzados, no meio do quarto, ela assistiu a uma das cenas mais ridículas da sua vida.

Raul iniciou o strip-tease tirando a camisa. Desabotou um a um os botões balançando os quadris, sem nunca tirar os olhos dela. Depois virou de lado. Tirou as calças devagar, fazendo suspense. A cueca boxer vermelha era de morrer, mas ele não pareceu se importar com aquilo. Ainda se achando “o” gostoso, Raul tirou as cuecas teatralmente. E se virou de frente para Betina. Totalmente nu.

Betina arregalou os olhos. Ele abriu os braços como se a chamasse para um abraço.
− Como… como assim? – perguntou Betina, apontando para o meio das pernas dele.
− O que foi, meu tesão?
− Mas… mas é só isso? Cadê o resto do seu pau?

Mesmo duro, o troço era pequeno. Um arremedo de pau. Antes de pegar a bolsa e sair correndo do quarto, Betina chegou a conclusão que o cacete do Raul não lhe serviria nem para fazer cosquinha, quanto mais para lhe tirar a virgindade.

Naquela noite Betina chegou de táxi em casa.

E cada vez mais virgem. 

domingo, 7 de julho de 2013

PÕE NA BOCA




PÕE NA BOCA
FECHA OS OLHOS
SENTE O GOSTO, NÃO ENGOLE
SINTA O SABOR INUNDAR SEUS LÁBIOS
DEIXA ESCORRER, É MAIS GOSTOSO AINDA
LAMBE, NÃO PERDOE
O PRAZER É TUDO, ESQUEÇA O MUNDO


EU ADORO CHOCOLATE

BETINA, A VIRGEM (cap. 2)

Exatamente às 18h05min minutos uma potente caminhonete parou em frente à empresa, onde Betina esperava Raul, ansiosamente. Estava nervosa. As sandálias estavam machucando. Será que apesar da feiura, Raul era um cara legal?

− Ei!
Betina despertou dos seus pensamentos e focou seus olhos na caminhonete. Raul estava lá dentro. Era o motorista. O carrão era dele. Opa, agora a coisa estava se tornando interessante.

Ela equilibrou-se até o carro, abriu a porta e entrou. Acomodou-se confortavelmente, satisfeita por não ir sacolejando dentro de um ônibus lotado. Quem sabe Raul fosse um cara do bem?

Aparentemente era mesmo. O trânsito congestionado fez com que o percurso durasse mais. A conversa fluiu livremente. Raul era feio, porém simpático. Inteligente. Fazia Betina rir. Tinha dinheiro e um carrão. 

Perto da casa dela, o convite:
− Vamos dar uma saída um dia destes?

Apesar de esperar por aquilo, Betina não imaginou que fosse tão rápido. E agora?
− Sair? Onde?
− Onde você quiser.
− Bem, um cineminha?
− Perfeito.

Ele parou com o carro na frente da casa dela. Uma cortina se movimentou na janela. Das outras também. Betina sabia estar sendo observada por todas as velhas fofoqueiras da vizinhança.

− Amanhã? – perguntou ele.

Mas já?
− Claro – concordou ela. − Pode ser. Como fazemos para…
− Eu passo aqui. Às nove. Tudo bem?
− Sim, acho que sim. Sim, combinado.

Eles se despediram trocando um beijo no rosto. Quando Betina entrou em casa com suas sandálias douradas, deparou-se com sua mãe a aguardando, expectante.

− Namorado?
− Não, mãe – esclareceu Betina. – É meu colega.
− Quais as intenções dele?

Trepar.

− Somos amigos. Vamos ao cinema amanhã.

A velha juntou as mãos como se fosse rezar. E agradeceu aos céus:

− Finalmente minha filha arrumou um homem. E de posses.

Não, Betina não podia dizer que o seu interesse era apenas sexual. Que precisava urgentemente de um pau para lhe tirar a maldita virgindade e que Raul nada mais era que o instrumento – literalmente – para isso. Preferiu ficar calada. Sua mãe não entenderia. Aliás, nem Betina conseguia entender. Logo Raul… tão sem atrativos. Mas era o que tinha para o momento.

... continua ...

sexta-feira, 5 de julho de 2013

BETINA, A VIRGEM (cap.1)

Chegar virgem aos 29 anos de idade era o terror da vida de Betina. Prestes a fazer 30 anos, ela determinou: tinha um mês para perder a virgindade. E ponto final.

Betina não era das mulheres mais sedutoras da terra, mas isso não era motivo para continuar invicta desde nascença. Disposta a conquistar um partidão, Betina não perdeu tempo: pintou os cabelos de loiro, emagreceu cinco quilos, começou a fazer chapinha e a usar roupas provocantes.

E comprou as sandálias douradas.

Da primeira vez que calçou as sandálias na loja, sentiu-se poderosa. Quase dez centímetros mais alta, Betina equilibrou-se ao dar os primeiros passos. Elegante e sofisticada. Foi isso que viu ao se olhar no espelho. Sem pensar duas vezes, comprou as sandálias em cinco vezes e saiu com elas nos pés. Pretendia chegar ao trabalho assim.

*

Raul. Este era o nome dele. Gerente na empresa e colega de Betina. Já fazia algum tempo que ele se mostrava interessado. Betina, nem aí. Achava-o feio, sem graça e com uma barriga disforme. Porém, naquele mesmo dia ele a enxergou com as sandálias douradas e o homem foi tomado de um frenesi.

O estagiário do setor de finanças apareceu no meio da tarde com um bilhetinho na recepção, onde Betina trabalhava. Entregou um cartãozinho discretamente nas mãos dela e Betina esperou um tempo até poder ler. Estava curiosa. Tinha um fã na empresa! Será que seria um daqueles bonitões da Assessoria Jurídica? Trancada no banheiro, Betina leu avidamente as palavras que a elogiavam. Ela estava arrepiada. Até que leu quem assinou.

Raul.

Logo ele. Entre tantos homens, o mais feio. Além de ele a elogiar, havia um convite para se encontrarem no final do expediente, naquele mesmo dia. Betina não estava com vontade, mas… precisava perder a virgindade. Engolindo em seco, tratou de ligar do banheiro mesmo para seu fã. Ele ficou eufórico ao ouvir a voz dela. Sim, Raul poderia levá-la até em casa após o expediente. Não, era só mesmo levar em casa. Ok, ela a esperaria na frente da empresa.


Tudo combinado.


... continua ...

segunda-feira, 1 de julho de 2013

EU TENHO

EU TENHO

DINHEIRO
PRESTÍGIO
CARISMA
BELEZA
AMIGOS
SAÚDE

SÓ NÃO TENHO VOCÊ

O QUE SOBROU?

A LOIRA





Aquela cena já se repetia há algumas noites no edifício ao lado. Por volta das oito horas da noite o show começava.

Ela devia ter menos de 20 anos. Loira, magra, mas com curvas. O cabelo descia até o meio das costas e os seios eram naturalmente cheios. Não parecia ser silicone. A barriga lisinha e as pernas com músculos na medida certa. A moça nunca tinha ficado nua totalmente. Porém, a calcinha era tão pequena que parecia estar quase como veio ao mundo.

Se sabia que estava sendo observada ainda era uma incógnita. O certo, no entanto, é que a beldade já havia conquistado uma boa audiência da vizinhança. Antes de a novela começar, a loira acendia a luz do seu quarto e sem desinibição nenhuma, começava lentamente a tirar peça por peça, em uma dança sensual. Só restava a calcinha. O espetáculo não terminava. As poses e os trejeitos continuavam. Fotos e mais fotos no celular, com direito a caras e bocas. E de repente, tudo terminava. Lentamente a moça ia embora, deixando uma série de admiradores excitados se masturbando na janela.

Quem primeiro reparou foi o Zé, o marido da Natália. Gordo, fora de forma, ele estava de saco cheio da esposa, precisando algo novo para se motivar. Natália detestava sexo, a infeliz. Foi quando ele reparou na vizinha gostosa. Primeiro ficou surpreso. Ato contínuo, excitado. Desde então seu programa noturno era ir para a área de serviço, binóculo em punho, observar a performance da loira. Ah, se pegasse aquela gostosa...

Também o Solano se surpreendeu com a moça. Gay, 30 anos, achou interessante o show protagonizado pela garota. Não que tivesse algum interesse por ela. Mas na noite seguinte trouxe o namorado alguns anos mais jovem para assistir ao espetáculo e pedir que a partir dali ele fizesse igual.

Dona Catarina teve um chilique. Viúva há 20 anos, já não fazia sexo há 10 quando o marido morreu. Nem sabia mais o que era um pau. Nos seus 65 anos de vida, se deparar com uma putinha fazendo poses vulgares na janela para o mundo ver era uma afronta. E as crianças? E a moral e os bons costumes? Ah, mas aquilo não iria ficar daquele jeito.

O Tiago largou suas revistas de putarias. Não precisava mais delas. Toda noite ele tinha hora marcada para bater punheta na janela. Quando a vadia chegava, ele já estava de pau duro. Aos 18 anos, Tiago, aliás, vivia ereto. Um fenômeno. De toda a vizinhança, o garoto era quem tinha a melhor visão. Ele morava apenas um andar acima e nem precisava de binóculo nenhum. Houve uma vez – e o pau pareceu que iria explodir quando ele se lembrou disso – Tiago teve certeza que a putinha o tinha visto. Ela olhou para cima, piscou, virou de costas e deu uma reboladinha. Infelizmente o show terminou ali, já que Tiago passou mais tempo limpando a porra que explodiu no vidro do que assistindo a loira se galinhar.

E havia a Cássia. Lésbica assumida, no momento estava solteira. Carente e ansiosa para conhecer um novo amor, sua paixão pela jovem loira foi fulminante. Cássia instalou um banquinho na frente da janela e todas as noites, no escuro, se masturbava observando aquela gata. Assim que tivesse uma chance, investiria naquele corpinho tudo de bom.

Renatinha descobriu que era gostosa quando passou por uma construção e a peonada lhe desferiu diversos elogios a sua bunda. Até então ela se achava simplesmente o “uó”. Ninguém jamais fora capaz de dizer que Renatinha era uma beleza. Foi naquela noite que a garota resolveu se observar. Não quis apagar a luz. Afinal, o vidro era daqueles que não deixava que os vizinhos vissem o interior do apartamento.
Foi isso que o irmão garantiu.

Ao se ver no espelho, vestida, Renata decidiu tirar a roupa. Ficou de calcinha, virou-se de bunda, de lado, só faltou plantar bananeira. Gostou do que viu. Sim, era gostosa. Mas também tímida. Seu sonho era ser funkeira, todas as funkeiras são sexies, bundudas e cheias de namorados. Renatinha queria ser assim, só lhe faltava coragem.

Então começou a treinar. Praticamente nua – as funkeiras não andam com muita roupa mesmo – ela colocou um cd pirata da MC Gatosa e pôs-se a praticar. Aprendeu coreografias, fez carão para as fotos. Um dia seria famosa, seria “a” gostosa do pedaço.

Um dia. Mas, por enquanto, Renatinha era simplesmente uma anônima, sem fama nenhuma.



sábado, 15 de junho de 2013

quinta-feira, 6 de junho de 2013

A FÃ

O nome dele, ou melhor, apelido, era Cacau. Ou Claudiomiro, conforme a certidão de nascimento. O RG apontava 18 anos quando ele estourou no mundo futebolístico. A sequência de gols que empilhou no juvenil do time sem expressão que atuava logo chamou a atenção dos dirigentes. Em pouco tempo já jogava na equipe principal. E, no ano seguinte, seus passes, dribles e jogadas geniais levaram Cacau a ser contratado por um dos maiores times do Rio de Janeiro. Não é preciso dizer que a fama chegou rápido.

Não somente a fama. As meninas afoitas vieram junto. Algumas mais velhas, quase tias, também queriam chegar perto do Cacau, aquele menino que agora ganhava corpo, encheu o corpo de tatuagem, fez um penteado imitado por 10 entre 10 garotos e que simplesmente se achava o tal.

Por onde ele passava, gritos histéricos. Capas de revistas, casinhos amorosos sem compromisso. Era a loucura das meninas adolescentes. Cacau, o gato. Foi por ele que Suelen se apaixonou perdidamente. Suelen, vinda da periferia, corpo bem feito, loira de farmácia, ensandecida de amor (?) pelo Cacau.

Suelen trocou de time de coração para torcer por seu ídolo. Aliás, o futebol quase ficava de lado. Quando a garota se sentava vestida com as cores do clube do Cacau, ela assistia a tudo, menos futebol. Impedimento? Como assim? Seus olhos não desgrudavam da camisa suada dele, das penas compridas e musculosas, do abdômen tanquinho. Era um homem e tanto, e com apenas 19 anos! A parede do quarto da Suelen não tinha mais espaço para tanto pôster do Cacau. Na semana anterior havia rolado no chão com uma garota da escola depois que essa afirmou em alto e bom som que Suelen era muito chinelona para namorar Cacau. Depois do barraco, Suelen voltou para casa orgulhosa de ter quebrado dois dentes da rival e certa de que se ele soubesse da sua valentia, a pediria em casamento na hora. Isso só não acontecera ainda porque Cacau jogava em um time longe da sua cidade, distante muitos quilômetros de onde Suelen vivia. Ela tinha uma certeza, porém. No dia que Cacau pusesse os olhos nela, se apaixonaria no mesmo instante. E a partir daí Suelen viveria um conto de fadas.

Quando o time do Cacau veio jogar na cidade da Suelen, ela simplesmente enlouqueceu. Foi no primeiro tatuador que encontrou e pediu que ele tatuasse “Forever Cacau” no antebraço, grande, em letras pretas. Depois arregimentou algumas amigas também fãs do moço e foram todas para a frente do hotel onde o time estava concentrado, com cartazes, faixas e muita gritaria. Tanto esforço valeu uma entrevista em rede nacional, onde Suelen apareceu se debulhando em lágrimas, mostrando a tatuagem feita em homenagem ao ídolo e declarando que o amava mais que a si mesma. Ao contrário do que pensava, aquilo não foi o bastante para que alguém a pusesse frente a frente com Cacau. A única coisa que restou foi Suelen ir ao jogo e ficar se esgoelando na geral, durante os 90 minutos, pelo nome do astro. O time dele perdeu, mas naquele dia Suelen voltou para casa com mais de 200 fotos na câmera fotográfica, muito emocionada. Havia visto seu futuro marido de perto. E então, a partir desse momento, começou a planejar uma viagem para se encontrar com ele. Ninguém poderia saber. Era segredo. Suelen simplesmente faria uma trouxa de roupas e pegaria um ônibus. Depois que conseguisse conhecê-lo, Cacau nunca mais a deixaria partir. Louco de amor.

Um anúncio mal feito colado em um poste dizia que Madame Anunciação traz seu amor de volta em 3 três dias. Suelen não se fez de rogada ao descobrir aquilo. Com o pouco que lhe sobrou da sua bolsa de estágio, marcou uma hora com Madame Anunciação para que ela apenas lhe confirmasse o que já sabia: Cacau estava prestes a se tornar todo seu.

Madame Anunciação lhe atendeu em um ambiente perfumado, com um lenço na cabeça e com uma bela bola de cristal na frente. Suelen tentava disfarçar o tamanho do seu nervosismo e um pouco de constrangimento. Porém, quando começou a falar, falou até demais. Contou que era apaixonada pelo Cacau desde que ele despontara na carreira e que acompanhava cada passo seu desde então. Descreveu que o seu quarto era tomado de fotos e posters pendurados por todos os cantos e que nem a tinta da parede se via mais. Mostrou a tatuagem e a intenção de fazer outra por dentro do lábio. Revelou que sua vida era a dele e que seu próximo passo era ir até o Rio de Janeiro, invadir a concentração e declarar todo seu amor. Suelen estava lá apenas para confirmar que tudo daria certo.

Olhando para a bola de cristal feita de vidro, atentamente, Madame Anunciação segurou o riso com força. Tentou se concentrar, pensar em como daria a notícia para aquela deslumbrada infantil. Não fazia meia hora todos os sites de notícias veicularam a foto de Cacau com sua nova namorada, uma dançarina peituda e bunduda, loira e bonitona, ambos abraçados, jurando amor eterno. E ali estava aquela moça, sentada a sua frente, sonhando em casar com outro deslumbrado pela fama, possivelmente um ignorante que tivera a sorte de se dar bem no futebol. E que Deus lhe desse juízo o suficiente para que conseguisse aprender algo com a fama, logo ela, tão efêmera e tão cruel.

A vidente – que nunca foi vidente – fechou os olhos procurando as melhores palavras. E quando encarou novamente a mocinha, disparou de uma vez só: você nunca ficará com ele. Não está escrito em lugar nenhum do universo que vocês se encontrarão um dia.

Suelen tomou um susto. Empalideceu, balbuciou, tentou argumentar alguma coisa. Madame Anunciação sabia que não era preciso ser vidente para saber uma verdade daquelas. Com lágrimas nos olhos, Suelen pagou o que devia e saiu atordoada dali. Não era possível, dizia ela para si mesma, pensando no seu dinheiro guardado dentro da caixinha para a viagem que pretendia empreender tão breve. Cacau não será meu, ele não será meu...

Cega pelas lágrimas, Suelen atravessou a avenida sem olhar para os lados. Não deu tempo de o ônibus frear.


sábado, 25 de maio de 2013

VIC, A CACHORRA


O Sanguinários F.C. tinha conquistado o sétimo lugar no Citadino, campeonato entre os times da zona leste da cidade, com sete concorrentes. Nenhum dos atletas conseguiu explicar direito o péssimo rendimento no certame. Mas os torcedores conheciam muito bem o motivo... Festas. Noitadas. Muita cerveja. Zero de futebol.

David Beckam.

O craque do time era o David Beckam, um negro forte de quase 1,90 cm de altura. O apelido tinha relação com sua noiva, a Victória, mais conhecida como Vic. Única, assistia a todos os jogos de salto alto, chapinha e roupas de grife. Sua figura chamava tanto a atenção que muitos torcedores preferiam ficar olhando para a arquibancada a conferir onze pernas de pau destruindo a bola. Não é preciso salientar que as mulheres dos outros jogadores do Sanguinários tinham verdadeiro ódio da Vic.

A situação piorou quando o presidente do clube a escolheu como madrinha da equipe. O Beckam ficou todo orgulhoso e os outros arrumaram problema em casa. Então o Sanguinários Futebol Clube começar a chafurdar na lama das últimas posições. À medida que as bolas não entravam, que o goleiro se engasgava com frangos e o Beckam tinha esquecido o caminho do gol, a Vic foi se desgostando. Uma mulher do seu porte não podia suportar uma coisa daquelas. Imagine, madrinha de um time perdedor, noiva de um boleiro que tinha perdido a intimidade com a bola, colega de arquibancada de uma porção de histéricas invejosas. Não, não e não. E a sua dignidade, onde que ficava? E antes que alguma daquelas mentecaptas a chamasse de pé frio, Vic desapareceu das arquibancadas e da vida do Beckam.

O mundo caiu para David Beckam. Naquela tarde ventosa de outono, quando ele entrou em campo e não enxergou a Vic, sentiu que algo estava estranho. Aliás, já tinha notado que a noiva andava meio esquisita, quieta, arisca. Achou que fosse TPM e nem deu bola. Já bastava o mau rendimento dos Sanguinários para lhe atormentar. A solidão que sentiu foi imensa. Vic não apareceu. Vic, aquela cachorra, tinha saído da sua vida logo quando ele mais precisava de um cafuné. Naquele jogo Beckam não acertou um passe que fosse e saiu antes do primeiro tempo terminar, vaiado até pelos quero-queros.

Dali para frente tudo foi de mal a pior. Quando o motivo não eram as saídas noturnas para explicar o mau rendimento do time, era o Beckam que, sofrendo de amor por sua Vic, não repetia o seu ótimo desempenho da temporada anterior, onde a equipe tinha conquistado o bi-campeonato do Citadino. Alegres mesmo estavam as mulheres dos jogadores, já que a Vic tinha tomado um chá de sumiço e nunca mais havia dado as caras –  os peitos e a bunda - por lá.

Na festa de entrega dos prêmios aos melhores do Citadino, no CTG Gauchão de Ouro, o Sanguinários Futebol Clube estava lá para defender sua honra. Haviam sido convidados e para não ficar feio, resolveram todos irem, os jogadores e suas mulheres. O David Beckam também foi, acompanhado da Carol, cujo conhecimento de futebol não ía além de que o referido esporte é jogado com os pés. O par até que formava um casal bonito, cochichando no ouvido um do outro, dando risadinhas e trocando olhares cheios de promessas.

Então, de repente, cessou o burburinho no Gauchão de Ouro e todos olharam para a porta. David Beckam – que pedia sempre para ser chamado pelo seu verdadeiro nome, Roberval – também fez o mesmo. O fenômeno do Citadino estava chegando. Ele, o artilheiro da competição, o Naldo, garoto talentoso, marrento, cheio de estilo, chegou ao CTG. Em seguida, atrás dele, vinha uma mulher. Morena, microssaia, um decote profundo e sandálias de salto agulha. Beckam soube quem era assim que reparou no tamanho do salto.

Era ela. Vic, a cachorra.

Vic, a cachorra, entrou no CTG de mãos dadas com o Naldo, sentindo-se a rainha. E de fato, era isso que ela era. A Rainha. Todas as mulheres do salão ficaram mudas e boquiabertas, cada uma desejando o fígado da vadia. Beckam sentiu a boca seca. Carol não entendeu porque seu novo namorado de repente ficou tão esquisito. Com os punhos fechados, o traído contou até dez para não se avançar no pescoço da desgraçada e daquele guri imbecil.

Beckam ainda não havia chegado ao cinquenta quando, de repente, Vic passou pela mesa dos Sanguinários, olhou para ele e parou bem no meio do salão. Ela o fuzilou com os olhos e depois abriu a boca para soltar uma sonora gargalhada. O Naldo olhou espantado para Vic e resolveu rir junto, até porque tudo o que a sua namorada fazia era engraçado e inteligente. E logo, com exceção da mesa onde eles estavam todos os presentes também se puseram a rir do David Beckam. A maioria nem sabia o motivo.

Era muita humilhação, pensou ele, lívido. Mudo, tenso e devastado, Beckam levantou e saiu salão afora, atordoado, ouvindo as gargalhadas atrás de si. Desapareceu na noite e nunca mais foi visto por aquelas bandas. O Sanguinários F. C., no ano seguinte, acabou sendo novamente campeão do Citadino, graças ao investimento do Motel Love Hole, que ajudou a adquirir o passe do Naldo para defender as cores do clube. Vic, a cachorra, passou a frequentar as arquibancadas ao lado das outras despeitadas. Mas agora ela não era mais madrinha de time nenhum. Na sua mão esquerda brilhava uma linda aliança, presente do Naldo. Vic, a cachorra, era uma mulher casada. E de respeito.