terça-feira, 21 de junho de 2016

SINOPSE DE A GALERIA SECRETA

Leitorinhos, esta é uma das sinopses de A Galeria Secreta, um romance que transita entre o presente e o passado. O título é provisório. Quem puder, comente. Obrigada!



Sinopse de A Galeria Secreta por Camila:
Nada mais me interessava na vida quando fui passar uns tempos com minha avó na fazenda. Aliás, meus últimos tempos. Doente que estava, refugiei-me naquele lugar distante para esquecer que a doença me consumia e me levava aos pouquinhos…
Mas quem era aquele homem que me espreitou do jardim da fazenda, naquela noite linda de luar? Por que os seus olhos repentinamente me levaram ao passado e me cativaram tanto? Fiquei encantada, senti-melevitar por alguns instantes. Porém, em um piscar de olhos, ele desapareceu, fazendo me crer que tudo não passou de um sonho. Confesso, fiquei fascinada.
Na casa grande havia uma antiga galeria onde ficavam os retratos dos nossos antepassados. Por algum motivo obscuro, minha avó não permitia que quase ninguém entrasse lá, somente a empregada para limpar. Para chegar até a galeria era preciso atravessar um longo corredor escuro, com velhos castiçais na parede. A porta, sempre trancada.
Por coincidência ou não, o passado da minha família escondia segredos que poucos conheciam. Mistérios que minha avó Stella não estava disposta a revelar nem sob tortura. E minha ansiedade aumentava... Eu precisava rever aquele homem que tanto me encantara e queria demais entrar na galeria. Apenas uma porta me separava do passado e eu ainda não tinha idéia de como transpô-la.
Até que certa chave veio parar em minhas mãos.
Meu nome é Camila e eu tenho uma linda história de amor para contar...

sábado, 11 de junho de 2016

CURTINDO A VIDA SEM NOÇÃO (parte 2 de 2)




Carol se sentia elétrica, pelo efeito da cocaína e pela presença de Tiago tão perto. De repente ela estava mais corajosa, ousada. Viva. Sem pensar, colocou a mão na perna musculosa de Tiago. Ele sorriu. Andou com o carro mais alguns metros e pegou uma estrada vicinal não muito frequentada. Naquele momento o celular de Carol começou a berrar.

— É o trouxa do seu namorado?

Carol riu alto. Tiago era mesmo o máximo.

— Ele mesmo! ─ Carol consultou o visor, rindo debochada. — Vou desligar esta merda.

Tiago parou o carro. Estava escuro, mas Carol não sentiu medo. Pelo contrário, se sentia excitada. O rapaz avançou por cima dela, cobrindo-a totalmente com seu corpo. A moça levou um susto, mas a sensação passou logo. Puxa, Tiago era mesmo impetuoso. A calça jeans foi abaixada rapidamente e a calcinha arrancada sem dó. Carol gemeu. Nunca Victor a tratara daquele jeito tão selvagem. No fundo sempre desejara isto do namorado, contudo ele era bobão demais para ser tão atrevido. Tiago não era assim. Ele queria tudo e mais um pouco e Carol cedeu. Quando acabou percebeu que não sabia nada de sexo até aquele momento. Enquanto Tiago cheirava mais uma carreira atirado sobre o encosto do banco do carro, ela perguntou ansiosa:

— Você curtiu?
— Hein?
— O que você achou de mim?

Ele estava mais preocupado em cheirar do que olhar para a cara de Carol.

— Foi bom.

Só bom?

— Eu adorei.

Tiago ficou em silêncio. Ajeitou as calças, a camisa e os cabelos. Quando deu a partida na caminhonete, Carol perguntou curiosa:

— Para onde vamos? Você não vai me levar para casa agora, né?
— Claro que não. Vamos dar uma volta na praça. Não quer ver seus amigos e o corno do seu namorado por lá?

Era tudo o que Carol queria, alucinada como estava.

— Vamos lá!

Tiago não tinha medo de altas velocidades. Carol sim. Porém, naquela noite as coisas aconteciam de maneira vertiginosa. Tiago, cocaína, sexo selvagem. Aquela não era sua vida. Não importava. Carol se agarrou na oportunidade que lhe surgira para viver tudo o que tinha direito de uma vez só. Tiago não a procuraria novamente se Carol não fosse uma pessoa legal e divertida. Era exatamente assim que ela se sentia, muito descolada.

A caminhonete seguiu pelas ruas da pequena cidade a mais de 100 quilômetros por hora. Carol gritava, agitada, os cabelos voando. Tiago parecia estar gostando daquela loucura toda. Bem, ele era louco mesmo. Cheirado, pior ainda. A praça surgiu iluminada e animada aos olhos dos dois. Carol se perguntou o que Victor estaria achando do seu sumiço. Ah, ele ficaria muito bravo quando a visse com Tiago. E idiota como era, engoliria a seco a ousadia da namorada. Ou ex.

— Estou vendo eles ─ apontou ela aos berros. — Passe por lá, quero rir da cara daqueles babacas!

Sem pensar duas vezes, Tiago acelerou mais. De repente a praça silenciou. Os jovens que lá estavam ficaram mudos quando perceberam a aproximação da caminhonete em alta velocidade e as luzes do farol piscando loucamente. Carol pôs metade do corpo para fora da janela quando chegou perto dos amigos. Ao vê-los, bateu com as mãos na lataria do veículo, fazendo um estardalhaço dos grandes.

— Fala aí, seus panacas! Ei, Victor! Olha eu aqui!

Da turma ninguém foi capaz de falar nada. Victor esbugalhou os olhos. Era nítido que a namorada estava alterada. Como ela fora parar no carro daquele delinquente drogado? Ele chegou a pensar em pegar a moto e ir atrás. Desistiu da ideia quando se deu conta do ridículo que seria. Ora, que Carol se estrepasse.

Carol voltou para dentro do carro e perguntou quase salivando:

— Você viu a cara deles, Tiago?
— Você arrasou, garota! Vamos voltar!
— Uhu!

Aquela noite jamais seria esquecida por ela. A caminhonete novamente começou a dar a volta na praça. Carol pôs o corpo para fora, louca para afrontar sua ex-turma de amigos. Claro, porque depois daquilo tudo ela faria parte da gang dos amigos de Tiago. Que máximo!

— Ei! ─ berrou ela. — Vocês não são de nada, seus merdas!


Carol não percebeu que Tiago dirigia muito rente ao meio fio. Nenhum dos dois reparou que havia um poste na calçada e quando a garota se deu conta era tarde demais. Não deu nem tempo de gritar ou de Tiago frear. O rapaz fugiu com o corpo de Carol pendurado para fora da caminhonete. A cabeça de Carol rolou na calçada e foi parar em um jardim com flores. A mais louca noite da sua vida terminou ali.

CURTINDO A VIDA SEM NOÇÃO (parte 1 de 2)



Carol caminhava calmamente pela rua. Era noite, quase 22h30min, de uma sexta-feira. A garota de 20 anos voltava a pé do trabalho. Morava em uma cidade pequena onde nada acontecia. Nada mesmo. Era possível caminhar pelas ruas a qualquer hora sem que corresse o risco de ser assaltada, estuprada ou coisa pior. Os amigos se concentravam na praça da cidade para bater papo e ouvir música no som alto dos carros. Talvez alguns fumassem maconha, mas nada de grave decorria disto. Tudo o que acontecia nas grandes cidades passava longe de Santa Palma. A calmaria era entediante para ela.

A turma de amigos de Carol era de gente boa. Gostavam de beber, mas moderadamente. Quando não estavam na praça, se reuniam na casa de um ou de outro para fazer um jantar ou churrascada. Alguém pegava o violão ou rolava um som eletrônico. Era legal. Mas Carol queria mais.

Era muito marasmo para uma pessoa só, pensava ela naquela noite estrelada. Seu sonho era passar no vestibular, formar-se em jornalismo, trabalhar na TV e sumir de Santa Palma. Victor, seu namorado há três anos, era nerd. Entendia tudo de computador e se satisfazia com aquela vida simples. Isto enfurecia Carol. Se Victor usasse todo seu conhecimento em informática, poderia viver longe de Santa Palma, em algum lugar animado, dinâmico, com gente que poderia levá-lo para frente. Mas não. Victor não queria sair da sua zona de conforto. Naquele momento ele deveria estar chegando à praça com sua moto velha para se encontrar com os amigos e esperar por ela. Todas as sextas-feiras era esta a programação. Carol deixava a farmácia em que trabalhava, voltava para casa, tomava um banho e tomava o rumo da praça. 

Era bom ficar com os amigos.

Mas não o bastante para ela.

Não faltava muito para Carol chegar em casa quando escutou o barulho do motor de um carro atrás de si. Curiosa, ela olhou para ver quem era. O cara mais gato da cidade ─ e também o mais rico ─ diminuiu a marcha para acompanhar os passos de Carol. A garota ficou excitada. Sempre achara Tiago o mais top de todos. Naquele lugar enfadonho, ele agitava horrores. Sem se preocupar com o amanhã, Tiago e seus amigos bebiam, fumavam e cheiravam. Era um escândalo. Como não havia o que fazer em Santa Palma, a turma de loucos se bandeava para outras cidades maiores nos seus carros possantes. Victor torcia a cara para aqueles drogados, como se referia. Mas para Carol eles eram o máximo. Uma pena que era invisível aos olhos daqueles loucos.

— Oi, Carol.

Ela parou no meio da calçada, ligeiramente estonteada. Como assim? Tiago sabia o seu nome? Meu Deus, aquilo era bom demais.

— Oi... Oi, tudo bem?

Tiago sorriu de dentro da sua possante caminhonete prata. Aliás, dias antes Carol sonhara que estava dentro daquele carro. Será que… será que seu sonho seria realizado?

— O que uma garota bonita como você está fazendo sozinha numa noite gostosa como esta?

Carol piscou. Sério mesmo? Ele a achava “bonita”?

— Eu estou indo para casa.
— Para casa? ─ Tiago olhou para o relógio caro que trazia no pulso. — Tão cedo? Quer dar uma volta?

Ela disse para si mesma: resista.

— Volta?

Uma brisa balançou os cabelos loiros do rapaz.

— Você tem algum compromisso?

Carol se lembrou dos amigos que a esperavam na praça e de Victor com sua moto velha.

— Tudo bem se você não quiser.

Tiago fez menção de que iria arrancar com o carro.

— Não. Não vá ─ se não fosse ela, seria outra garota. — Quero dar uma volta. Com você.

Com um sorriso gostoso, ele abriu a porta da caminhonete. — Entra aí.

Dois segundos depois Carol estava comodamente instalada ao lado dele, feliz e extasiada. Jogou a bolsa para o banco de trás e se viu obrigada a confessar:

— Nunca andei em um carrão destes.
— Deu pra ver. Prepare-se ─ Tiago acelerou — para a aventura da sua vida.
*
Nos primeiros cinco minutos eles ficaram em silêncio. Volta e meia Tiago a olhava e sorria. Carol mal podia se conter. Como queria pegar o celular e fazer uma selfie. Seria o assunto da cidade por muito tempo. De repente Tiago perguntou:

— Quer uma carreira?
— O quê?
— Quer cheirar?

Carol engoliu em seco quando viu Tiago aproximando o nariz de um pó parecido com talco e cheirando uma carreira de cocaína. Quer dizer, ela achava que fosse. Tiago fechou os olhos e os abriu novamente para encarar Carol.

— Tenho mais um pouco. Quer?

Carol nunca tivera vontade de cheirar droga nenhuma. Nem nunca pensou nisto.

— Nunca cheirei nada na vida. Só meus perfumes ─ disse ela, tentando fazer graça.

Ele riu também.

— Mude sua vida. Você tem esta chance aqui comigo.

Ao lado de Tiago a vida de Carol não parecia nem um pouco sem graça. Muito pelo contrário. Parados naquela rua deserta, ela não recuou quando Tiago lhe estendeu uma agenda com uma carreira de cocaína em cima.

— Vai. É só cheirar.

Carol fechou os olhos. Era só negar.

— Ok. Quero ver como é ─ arrematou ela, nervosa e curiosa ao mesmo tempo.

A garota cheirou rápido, com medo de desistir e parecer uma idiota. Uma sensação estranha tomou conta dela. Prazer, um prazer diferente.

— Nossa ─ murmurou ela.

— Vamos aloprar ─ Tiago arrancou com o carro. — A noite ainda não começou.

domingo, 5 de junho de 2016

A CAIXA






O amor que sinto por você 

deixei guardado em uma caixa. 

Talvez eu a enterre bem fundo.

Ou não.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

SINOPSE DE INIMIGOS


Quando um inquérito sobre desaparecimento de garotas adolescentes do Sul do país cai nas mãos do delegado Leonardo Alvarenga, da Polícia Civil de São Paulo, crimes misteriosos começam a acontecer. À medida que o delegado aprofunda suas investigações, é descoberta uma terrível conspiração que ameaça colocar em risco a segurança nacional e sua própria vida.


quarta-feira, 4 de maio de 2016

NO ESCRITÓRIO (Conto Erótico)







Ramona entrou na sala do Dr. Clóvis e fechou a porta sorrateiramente. O chefe, concentrado entre tantos papéis, perguntou sem olhar para sua secretária:

− Dona Ramona, a senhora trouxe o relatório que eu pedi?

Ela não respondeu. Aproximou-se lentamente da mesa do chefe, abrindo um a um os botões pequenos da sua blusa recatada. Quando parou em frente a ele estava apenas de sutiã.

O homem ainda não havia reparado que sua subordinada estava tentando lhe seduzir. Sua preocupação eram os números da empresa. Ele estendeu a mão para pegar o relatório. Ramona não perdeu tempo. Abaixou um pouco o corpo e sugou com vontade dois dedos da mão do chefe.

Dr. Clóvis tomou um susto. Ele não era nenhuma beleza. Pelo contrário. Era baixinho, sedentário e usava óculos fundos de garrafa. Não fazia sucesso com as mulheres. Mas como tinha a carteira recheada, sempre havia uma para satisfazer suas necessidades mais prementes. Nunca, nunca mesmo, aventurara-se com qualquer colega da empresa. Pelo menos até aquele momento. A estonteante Ramona, ex-miss bumbum, estava deliciosamente chupando seus dedos.

Seu pau subiu na hora. Foi inevitável. Ramona estava gulosa, sorvendo seus dedos sem parar e lhe lançando olhares muito sedutores. Os peitos siliconados quase saltavam do sutiã vermelho e a saia longa estava prestes a ser jogada no chão.

− Dona Ramona, alguém pode entrar e…

Ela soltou os dedos do chefe e a mão dele caiu pesadamente sobre a mesa.

− Eu tranquei a porta.
− Dona Ramona – ele estava arfante. Ramona abriu o fecho da saia que despencou no chão. A sua secretária estava sem calcinha. – Aqui não é lugar para…
− É sim – devolveu ela, agora dando a volta na mesa e parando finalmente ao seu lado. Com alguma violência, virou a cadeira de rodinhas onde ele estava sentado e o posicionou frente a ela. Murmurou – Eu chupo seu pau. Depois você me chupa, ok?

Naquele momento o presidente da empresa abriu a porta que não estava trancada como Ramona acreditava. Ela ficou em pé, assustada, sem tentar esconder a nudez. Dr. Clóvis tentou cobrir seus 25 centímetros de pau com o relatório financeiro.

− Sexo a três? – indagou o manager, abrindo o fecho das calças. – Vamos lá!


quarta-feira, 13 de abril de 2016

O DESCONHECIDO - Conto erótico/Última parte






Kendra empalideceu e manteve apenas a cabeça fora d’água. O que ele pretendia? Por que a encarava daquela maneira tão insistente? Kendra se sentiu envergonhada, afinal estava nua frente a um total desconhecido. Se Eimé soubesse, bateria nela. Mas a mãe jamais saberia que aquela cena estava se desenrolando. Aquele homem em breve iria embora. Talvez quisesse apenas matar alguma curiosidade. Então, sem nunca tirar os olhos dela, ele também começou a tirar a roupa, sem pressa.

O coração da garota acelerou. Kendra pensou em recuar, nadar para mais longe ou gritar. Aquilo, no entanto, de nada adiantaria. Ela se encontrava sozinha ali, longe da proteção da mãe e à mercê de um homem que nunca vira antes. Antes, na hospedaria, havia imaginado o quanto seria delicioso estar em seus braços. Agora já não tinha tanta certeza assim.

De repente ele estava nu. Kendra engoliu em seco. Já havia visto um homem sem roupa, mais de um até. Certa vez deitara com um hóspede bem mais velho em troca de algumas moedas. Contudo, aquele homem era diferente. O membro se destacava entre as pernas fortes. Kendra sentiu um arrepio. Podia tentar fugir. Na verdade, mesmo com todos os riscos, seu desejo era ficar.

Ele entrou na água e Kendra recuou alguns passos. A respiração estava cada vez mais ofegante, não exatamente por medo. Quando o homem estava a poucos passos de Kendra, ela ficou em pé, cobrindo os seios. Perguntou, desafiadora:

— O que você quer? Saia daqui!

Ele avançou rapidamente e em um gesto somente, pegou-a pelos cabelos, imobilizando-a. Kendra tentou gritar, mas sua foi boca foi devorada pela dele. A jovem nunca havia sido beijada daquele jeito e tentou se debater. As mãos do homem a agarraram fortemente pelos quadris, machucando-a.

Kendra já estava sem ar quando a língua dele desceu rápida para a pele alva do seu pescoço, mordiscando cada pedacinho dele. Ela tentou afastá-lo, com medo de toda aquela impetuosidade. O membro duro e grosso a cutucava forte no meio das suas pernas toda vez que ele a puxava contra si.

Do pescoço, a boca do homem foi para os seios fartos de Kendra. Ela gemeu alto ao sentir os dentes dele morderem e sugarem os biquinhos. Kendra segurou fortemente a cabeça dele, ao mesmo tempo em que um dos dedos do homem vasculhava o traseiro dela.

Assustada, ela tentou recuar. O que era aquilo? A sua experiência com homens era pouca, nunca havia visto nada igual. Ainda assim aquilo era bom. Porém, quando o dedo dele entrou fundo no seu corpo, as pernas lhe faltaram. Ela foi mantida firme pela cintura antes que afundasse, ainda com os seios cobertos pela boca do desconhecido.

Kendra gemeu a cada metida do dedo dele no seu traseiro. Aquilo doía ao mesmo tempo em que uma onda de prazer começou a tomar forma. Kendra cravou as unhas nas costas do homem quando sentiu o gozo explodir de uma maneira que nunca tinha experimentado na vida.

Ainda não tinha acabado. Com o membro, ele forçou as pernas de Kendra a abrirem. Ela quase pediu para ele parar. Não seria capaz de aguentar aquilo tudo.

A entrada não foi tão suave assim, nada comparado com suas experiências pífias. Ele foi lhe rasgando sem dó, em um movimento de vai e vem contínuo que fez Kendra gritar. O homem a segurava fortemente pelos quadris a cada metida violenta, impedindo que ela se soltasse.

Depois de algum tempo ele gozou, praticamente urrando no ouvido dela. A jovem sentiu um jorro quente dentro do corpo e as pernas mais fracas ainda. Apoiada no peito dele, de olhos fechados, Kendra desejou que ele a levasse embora dali. Imóveis, colados um ao outro, o homem levou alguns minutos para se recuperar. Não demorou muito, no entanto, ele se endireitou. Kendra se surpreendeu quando o desconhecido se afastou um pouco dela e a encarou com aqueles olhos negros e gelados. Ainda assim, ela ofereceu os lábios para um beijo. Ele recusou.

Kendra não entendeu aquela atitude e não teve coragem de perguntar. Não sabia bem o que fazer ou o que falar até ele esticar a mão e segurar os dedos trêmulos dela. Lentamente, os dois atravessaram a lagoa, o sol queimando os seus corpos nus. Kendra ficou mais feliz. Ele podia tê-la abandonado no meio da lagoa, como uma mulher qualquer. Deixou-se levar até a beira, ansiosa pelo que ainda estava por vir.

Porém, por aquela Kendra não esperava. Mal pôs os pés na terra firme e foi jogada violentamente no chão. Ela caiu sentada, com as pernas abertas. Constrangida, tentou cobrir o corpo com as mãos. Kendra se perguntou se não era hora de fugir enquanto olhava apavorada para ele. Quando fez menção de levantar, o desconhecido foi mais rápido, jogando-se sobre Kendra. De repente ela mal podia respirar, com o corpo pesado e quente cobrindo-a toda. Não que a sensação fosse ruim. Mas... o que esperar de um homem como aquele?

Subitamente, Kendra foi posta de barriga para baixo sem delicadeza nenhuma. Ela soltou um gemido abafado e fez menção de fugir. Contudo, presa debaixo dele era impossível. Para surpresa dela, suas pernas foram abertas bruscamente e Kendra temeu o que viria em seguida.

Ela soltou um grito de dor, medo e prazer quando o membro do homem invadiu seu traseiro em uma arremetida só. Uma das mãos tapou-lhe a boca para que os gritos não fossem ouvidos. Kendra não imaginava que tal coisa existisse. Não podia ser normal. Além do mais, aquilo era bizarro! Mesmo sem querer, ela não conseguia se controlar. Kendra empinou o traseiro para tê-lo inteiro dentro de si. Queria que ele parasse. Não, ele podia continuar pelo tempo que quisesse. Ela gozou mais uma vez com o rosto colado à grama ao mesmo tempo se perguntando quando iria viver aquilo outra vez.

De repente ele parou e desabou ao seu lado. Kendra permaneceu atirada no chão, imóvel e dolorida. Teria que retornar à hospedaria e disfarçar os hematomas que em breve apareceriam pelo corpo. O homem, enfim, levantou. Foi até a água, lavou-se e refrescou-se, sob os olhares atentos de Kendra. Em seguida começou a se vestir, sem pressa. O sol a ofuscava quando ele a encarou pela última vez.

— Qual o seu nome? ─ perguntou ela, curiosa.

Silêncio. Ele sorriu levemente. Calçou os sapatos e remexeu em um dos bolsos do casaco. Algumas moedas, mais do que Kendra já vira durante um mês de trabalho, brilharam na grama ao seu lado. O homem deu meia volta e foi embora.

Kendra segurou uma pequena vontade de chorar enquanto juntava as moedas e as apertava fortemente entre os dedos. Em pé, sentindo algum desconforto, vestiu a roupa e calçou as sandálias. Guardou o dinheiro com cuidado para que a mãe não visse e fizesse perguntas indiscretas. Voltou para casa devagar tentando pensar em alguma desculpa para dar à Eimé pela demora. A esta altura o desconhecido já havia montado no seu cavalo e partido para o seu destino. Em pouco tempo o homem já não lembraria mais dela.

E Kendra jamais saberia seu nome.



Esta é minha página no Face! Acesse e conheça outros trabalhos meus!
https://www.facebook.com/abonecamaldita/


terça-feira, 12 de abril de 2016

O DESCONHECIDO - Conto erótico/Parte 1




A hospedaria ficava em uma curva na beira da estrada. Um jardim bem cuidado na frente tornava o lugar aconchegante. Do lado de fora era possível sentir o aroma delicioso da carne feita nas grandes panelas da cozinha da hospedaria. Eimé, a dona do local, dava conta das deliciosas comidas preparadas junto com a cozinheira, Maria, que a acompanhava há muito tempo. Kendra, a filha de 19 anos, ajudava a servir os visitantes e hóspedes.

O trabalho de Kendra, assim como das duas outras mulheres, era pesado. Acordavam-se antes de o sol raiar e imediatamente começavam os preparativos para o desjejum e, em seguida, para o almoço. Entre um intervalo e outro, Kendra limpava a hospedaria e os seis quartos que a compunham. Assim era o dia todo, as horas passavam rápidas demais. Quando Kendra repousava a cabeça no travesseiro antes das oito horas da noite, seu corpo já estava cansado demais para pensar em qualquer coisa. Ela só queria dormir.

Aquele dia quente de sol não foi diferente. Kendra levantou ainda de madrugada, como de costume, pôs seu vestido simples de trabalho e prendeu os cabelos loiros e cacheados debaixo de um lenço florido. Os olhos azuis brilhavam intensamente quando desceu as escadas e logo começou a trabalhar.

Na cozinha as panelas fumegavam, enquanto o aroma delicioso da comida dava água na boca dos visitantes que lentamente começaram a chegar para o almoço. Kendra se movimentava de um lado para o outro para dar conta de tudo e logo um fiozinho de suor começou a escorrer pelas costas. Em meio às atividades frenéticas lembrou que poderia ir à lagoa mais tarde, se sobrasse um tempo. Depois que limpasse a cozinha não faria mal nenhum se desse uma escapulida, desde que Eimé não visse. A mãe sempre tirava um cochilo depois que os afazeres do almoço terminavam.

Kendra servia uma travessa de carne e especiarias a um visitante, alheia ao burburinho de vozes masculinas a sua volta. Sabia ser o alvo de muitos olhares, mas nenhum daqueles homens a interessava. Pesados, barbudos e fedidos, isto o que eles eram. Já tinha 19 anos e nenhuma perspectiva de encontrar um amor. Não por aquelas bandas, pelo menos.

O ruído de vozes subitamente cessou. A princípio, Kendra não se deu conta. Continuou servindo a comida como se nada estivesse acontecendo. Sem querer, seus olhos se voltaram para Eimé. A mãe segurava um pano de prato, olhando fixamente em direção à porta. Ela estava diferente, parecia surpresa com alguém que recém chegara. Curiosa, Kendra resolveu fazer o mesmo e conferir quem era.

Um homem alto, pele morena e cabelos escuros estava parado à porta, perscrutando o salão procurando um lugar para se acomodar, juntamente com seu cocheiro. Eimé, recuperando-se do seu torpor, adiantou-se para receber o ilustre freguês.

O coração de Kendra acelerou, a ponto de ela fazer transbordar vinho da taça de um hóspede, precisando secar tudo em seguida, embaraçada. Com o canto dos olhos, percebeu o belo homem já acomodado em uma mesa mais ao canto. Eimé se aproximou da filha e a puxou para a cozinha. A mãe estava visivelmente encantada.

— Temos um hóspede célebre hoje. Sirva o conde direitinho e se mantenha calada.

Eimé colocou uma travessa de carne nas mãos da filha.

— Leve de uma vez. Ele e o cocheiro estão com fome.

Kendra pegou o recipiente quente e se dirigiu até a mesa. Os olhos do conde se cruzaram com os dela e Kendra se sentiu envergonhada. Pelo que se lembrava, era a primeira vez que um homem daquele porte aparecia na hospedaria, o que justificava o comportamento da mãe. E dela própria. Tensa, Kendra colocou a travessa sobre a mesa e relanceou os olhos rapidamente para o conde.

— Traga-nos vinho ─ disse ele encarando Kendra sem disfarçar um certo interesse.

A moça chegou a estremecer. A voz dele era forte. Forte e fria. O tom arrogante aumentou um pouco o calor que sentia percorrer seu corpo. Tímida, Kendra respondeu, quase sem olhar para o rosto dele:

— Sim, senhor.
— Agora.
— Sim, senhor.

Quase sem ar, Kendra deu meia volta e foi até a cozinha buscar a jarra de vinho. Eimé estava à frente das panelas e percebeu que a filha parecia um pouco estranha.

— Tudo bem no salão?

Kendra não encarou a mãe. Sabia a que ela se referia. Segurando a garrafa e os cálices, a jovem respondeu:

— Ele quer vinho.
— Leve de uma vez. Não deixe o conde esperando ─ ordenou Eimé rispidamente, secando o suor com um lenço.

Kendra retornou ao salão. O lugar estava cheio, havia vozes por todos os lados. Porém, ela não via mais ninguém. A beleza e virilidade do conde tomavam conta do ambiente. As pernas estavam trêmulas quando Kendra parou frente à mesa. Serviu os cálices tentando não tremer demais, ciente do quanto era observada por ele. De repente, sentiu um leve empurrão. Era Eimé. Sorridente e não parecendo sentir um pingo de vergonha ante aquela visita ilustre, ela disse para a filha, sem tirar os olhos do homem:

— Volte para a cozinha. Maria precisa de você lá.

Era a primeira vez que Eimé se dirigia a ela daquele jeito, pedante e seco. Sentindo-se magoada, Kendra foi até a cozinha. Maria cortava um pedaço de pão e as panelas cozinhavam carne.

— Mamãe disse que você precisa de ajuda.

Maria a olhou sem entender.

— Aqui está tudo sob controle, Kendra ─ ela olhou pelas frestas da janela. — Veja, chegou mais uma carruagem! Ajude a arrumar uma mesa para o próximo visitante.

Kendra voltou para o salão e ajudou a servir as demais pessoas. Eimé circulava pelo lugar com uma postura diferente, os ombros para trás e com os longos cabelos castanhos descendo pelas costas. Nunca Eimé tirava o lenço da cabeça, mas por causa do homem ela abrira uma exceção. Kendra se sentiu enciumada. Era nítido que ela queria chamar a atenção do homem bonito. Pelo visto, no entanto, as tentativas de Eimé resultavam frustradas. O conde não tirava os olhos de Kendra.
Cada vez mais o desejo tomava conta de Kendra. Se no início estava tímida, depois de um tempo já não se sentia tão envergonhada em sustentar os olhares calorosos que o conde lhe enderaçava. Em dado momento, chegou a esboçar um sorriso leve, para depois quase se arrepender. Nossa, não queria que o desconhecido a achasse uma oferecida. De qualquer forma, era muito bom sentir-se desejada. Ah, seria maravilhoso que ele passasse apenas uma noite que fosse na hospedaria!

A mão calejada de Eimé a segurou fortemente pelo cotovelo. Kendra deu um gemido baixinho ao mesmo tempo em que enfrentava os olhos furiosos da mãe.

— Venha comigo já.

Kendra não teve coragem de olhar para os lados, mas teve certeza que muita gente viu sua vergonha ao ser conduzida como uma criança para a cozinha. Lá dentro, Eimé, furiosa, quase bateu na filha única com um pano de prato sujo.

— Não saia desta cozinha, entendeu? Pensa que não vi seu olho comprido para cima do conde? Não se comporte como uma rameira.

A moça não disse nada. Era lógico que Eimé estava morrendo de ciúmes. E era óbvio também que o conde não teria interesse nenhum pela mãe, jovem, porém com o corpo disforme. Inconformada, Kendra se sentou em um banco da cozinha. Maria foi levada ao salão para ajudar a servir os visitantes.

O calor na cozinha era insuportável e a raiva de Kendra também. Sem se importar com o trabalho ou com o castigo que levaria da mãe mais tarde, a jovem abandonou a cozinha e suas panelas, fugindo pela parte de trás da hospedaria. Caminhou lentamente até a lagoa, aproveitando os odores do bosque e o ar puro. Precisava de um mergulho para afastar o calor que a consumia. Sabia que quando voltasse, o conde estaria longe. Mas seria melhor assim. Nunca mais o veria mesmo.

Kendra tirou o vestido lentamente e agachou-se à beira da lagoa para sentir a temperatura da água. Estava perfeita. Animada, Kendra entrou com cuidado e mergulhou em seguida, adorando aquele momento. Precisava de um descanso. Fazia alguns dias que não tinha tempo para si mesma.

Ela perdeu a conta do tempo em que ficou por ali, esquecida dos seus afazeres. Talvez sua mãe não precisasse tanto dela, já que a despachara da hospedaria daquela forma tão rude. Kendra decidiu permanecer mais um pouco na lagoa, imaginando se o homem bonito já teria partido. Esperava, com todas as suas forças, que ele voltasse um dia.


Um ruído de passos sobre alguns galhos partidos afastaram Kendra dos seus devaneios. Ela se assustou. Não estava sozinha! Nervosa, chegou a afundar, engolindo água. Quando voltou desajeitada à superfície, deparou-se com o homem a observando da beira da lagoa.


Esta é minha página no Face! Acesse e conheça outros trabalhos meus!
https://www.facebook.com/abonecamaldita/



domingo, 10 de abril de 2016

A NOIVA MORTA - Final


Uma forte tempestade começou a se armar, mas a ameaça das nuvens grossas não abalaram a vontade de Getúlio em ir ao encontro de Mariana. Estonteado e com a visão um pouco turva, ele reuniu suas forças para caminhar até o cemitério. Não havia ninguém na rua. Todos estavam recolhidos em suas casas esperando a chuva cair. Um pouco antes de chegar à praça, a tempestade desabou com força. O homem tremeu. Estava com pouca roupa e ela quase não lhe esquentava contra o frio. Ainda faltava um bom pedaço para chegar ao seu destino e uma dúvida se instalou na sua mente. Teria condições de vencer o trajeto, bêbado e entorpecido pelo frio?

Mesmo assim ele foi em frente. Olhou para os lados procurando Mariana. Talvez ela estivesse por ali. Não foi naquele lugar que Josué a vira pela primeira vez ?Mas não havia nenhum sinal dela. As costas começaram a doer e Getúlio espirrou. Tinha os pulmões fracos. Não podia se dar ao luxo em se expor daquela forma ao frio. Um trovão forte o assustou e Getúlio, na sua bebedeira, quase perdeu o equilíbrio. Um vulto branco surgiu do outro lado da praça.

— Mariana… ─ gemeu ele, emocionado.

Getúlio deu mais dois passos e caiu de joelhos no piso molhado. Além das costas, o peito começou a doer também. Sentindo-se doente, ele se arrastou até o gramado da praça onde permaneceu deitado, respirando com dificuldade. As pernas amoleceram e ele finalmente se deu conta que não teria condições nenhuma de ir até o cemitério encontrar Mariana, ou seja lá onde ela estivesse. Talvez estivesse ele próprio morrendo.

Resignado, Getúlio permaneceu de olhos fechados. Nunca imaginou que iria morrer daquele jeito, abandonado na chuva, em plena praça da cidade. No dia seguinte, quando o sol nascesse e a cidade acordasse, alguém encontraria seu corpo duro e frio. As pessoas lamentariam sua má sorte e a vida sem alegrias, seguindo suas vidas. As lágrimas de Getúlio misturaram-se com a da chuva.

Um movimento ao seu lado fez com que ele abrisse os olhos, devagar. Logo depois sentiu uma mão quente encostar em sua testa. Um doce perfume o envolveu. Ele sabia de quem era.

— Mariana, meu amor... Você voltou.
— Fique quietinho ─ retrucou uma voz sussurrada. — Vou tirar você daqui.

Getúlio, apesar de todo o seu intenso mal-estar, sentiu uma alegria infinita. Mariana, a mulher da sua vida, viera do mundo dos espíritos para lhe salvar. Ou levá-lo junto com ela. A partir dali ele não viu mais nada. Relaxou tão profundamente que o cansaço, as emoções e um sono pesado o levaram para um mundo sem sonhos, onde ninguém poderia lhe alcançar.

*

Getúlio acordou em um lugar que parecia ser um hospital. Ao seu lado, havia mais duas camas ocupadas por pessoas que dormiam profundamente. Do lado esquerdo, uma porta e ao longe ele podia escutar murmúrio de vozes. Por alguns instantes, Getúlio se perguntou se havia morrido. Será? Então por que Mariana não viera ainda lhe amparar? Porém, quando tossiu e sentiu o peito doer se deu conta que, infelizmente, estava vivo. E bem vivo. Pelo menos todos os desconfortos físicos que sentira naquela noite terrível em que tentara ir atrás da noiva haviam desaparecido quase pela metade. Mas como fora parar lá?

Aos poucos sua memória foi lhe trazendo algumas lembranças. Estremeceu ao relembrar a sensação do corpo molhado pela forte chuva e a dor que lhe varava o corpo. Lembrou também que alguém surgira do nada e certamente havia sido esta pessoa que lhe ajudara. Era Mariana, ele tinha certeza. Então ela não morrera? Ou ele próprio estava morto? Sua cabeça doeu com tanta confusão.

Um toque no seu braço fez com que Getúlio abrisse os olhos de repente. Havia cochilado e não se dera conta. Ao seu lado, uma mulher vestida de branco o encarava firmemente.

— Bom dia, Getúlio. Finalmente você acordou.

Ele piscou algumas vezes. Nunca tinha visto aquela pessoa na sua vida.

— Onde estou? Quem é você?
— Sou a enfermeira-chefe do hospital Santa Fátima. Encontrei você delirando na praça debaixo daquela tempestade horrorosa.

Então não tinha sido Mariana? Porém, Getúlio não ficou triste em descobrir aquilo.

— Há quanto tempo estou aqui?
— Há três dias. Meu nome é Soraia. Trabalho aqui há dois meses.

Um pouco embaraçado, Getúlio respondeu:

— Deve ser por isto que não havíamos nos conhecido ainda.

Ela sorriu levemente.

— Como você se sente?
— Meu peito dói um pouco ─ queixou-se ele.  — Mas estou bem melhor que… quando você me encontrou ─ Getúlio fez uma pausa. — Muito obrigado por me salvar.

Soraia sorriu levemente.

— Você me deu um susto e tanto. A chuva me pegou logo que saí do mercadinho. Confesso que quando lhe vi deitado no chão, acreditei que estivesse morto. Sorte sua que cheguei a tempo de providenciar socorro.

Getúlio se sentiu envergonhado. Imaginou a trabalheira que havia dado naquela noite inóspita por  causa da sua loucura e bebedeira.

— Devo meus agradecimentos e minhas desculpas também ─ murmurou ele, em voz baixa.
— Nem pense nisto ─ Soraia tinha um sorriso muito bonito. Suas feições eram suaves. — O importante é que você está bem agora. Receio lhe dizer, no entanto, que você terá que ficar mais alguns dias conosco no hospital. Você não está suficientemente forte para se cuidar sozinho.

Aquilo não pareceu tão ruim para ele. Soraia perguntou:

— Fiquei sabendo que você mora sozinho na cidade e seus parentes vivem longe. Gostaria de avisar alguém?
— Não, por favor ─ retrucou Getúlio. Seus pais já eram velhinhos e sofrido muito com as desventuras da vida do filho mais velho. Era melhor poupá-los. — Vou ficar bem, com certeza.
— Está bem, você quem sabe. Vou pedir para lhe trazerem uma sopa bem quentinha. Só comidas leves por enquanto, está bem?

Ao dizer isto, Soraia saiu do quarto. A sopa veio em seguida e Getúlio a saboreou lentamente. Não conseguiu mais tirar Soraia da cabeça.

*

Soraia costumava passar uma ou duas vezes por dia para ver como estava Getúlio. Ela mesma media sua pressão, auscultava o coração, verificava se tinha febre. Sempre lhe deixava uma palavra doce ou de esperança para ele, enchendo um pouco mais de alegria o coração solitário de Getúlio. Aquela rotina durou uma semana. Certo dia, em uma manhã, o médico que tratava dele apareceu no quarto e lhe deu alta. Getúlio ficou surpreso. Alta? Claro, era maravilhoso estar curado e sair do hospital. Só não esperava que fosse tão de repente. Enquanto se arrumava, Getúlio esperou a visita de Soraia. Um pouco antes de ir embora, não se conteve e perguntou por ela na recepção. Foi informado que ela tivera que fazer uma viagem inesperada e voltaria em dois dias.

Sentindo-se desamparado, Getúlio voltou para casa, acompanhado do ex-sogro, pai de Mariana. Quando chegou em casa, a mãe de Mariana havia deixado tudo arrumadinho para que Getúlio, ainda um pouco fraco, não tivesse que fazer força para nada. O casal foi embora, prometendo voltar mais tarde para ver como estavam as coisas. Então o homem sentou no sofá, ligou a TV e não assistiu programa nenhum. Sentia falta de Soraia. Não sabia nada sobre ela, se era casada, tinha filhos ou onde morava. Ela lhe dera atenção e cuidado quando mais ele precisara. Salvara sua vida também. Gostaria de vê-la mais vezes, porém não sabia como lhe dizer isto. Soraia havia sido profissional aquele tempo todo, exercendo com esmero sua profissão. Tímido, Getúlio não queria se precipitar. Estava frágil fisicamente e emocionalmente para levar uma negativa. Não via a hora de voltar à farmácia e se envolver completamente com suas funções. Talvez assim conseguisse tirar Soraia da cabeça.

O dia passou lentamente para Getúlio. Almoçou sem muita vontade e se deitou para cochilar. Tentou ler um livro, mas pegou no sono antes. Acordou perto das quatro horas da tarde e foi regar o jardim. As pequenas atividades em casa aliviaram um pouco a tristeza que sentia no coração. À noite, um pouco antes de começar a jantar, o telefone tocou. Devia ser um dos amigos querendo saber como ele estava. Já havia recebido várias ligações naquele dia, abrandando um pouco a solidão. Em breve, quando estivesse menos cansado, poderia receber visitas. Quem sabe até fazer um churrasco para suas amizades.

— Alô?
— Boa noite, Getúlio!

A voz cristalina de Soraia amoleceu as pernas de Getúlio. Ele precisou puxar um banquinho para sentar.

— Ei, Getúlio? Você está aí? ─ perguntou Soraia, com a voz preocupada.
— Sim, estou ─ respondeu ele, disfarçando que estava ofegante. — Puxa, que surpresa.
— Não pude estar presente por ocasião da sua alta ─ explicou ela. — Precisei fazer uma viagem repentina. Como você está?
— Ah, bem. Quer dizer, quase bem. Um pouco cansado.
— Não se esforce e nem volte a trabalhar ainda. Você precisa de repouso. Está fazendo isto?

Getúlio ficou faceiro com aquela preocupação toda.

— Mais ou menos.
— Pois lhe recomendo que faça repouso. É importante para sua completa recuperação.
— Estou fazendo o possível ─ ele respirou fundo e disse — Soraia, mais uma vez obrigado por tudo.
— Não precisa agradecer. Fico feliz que está bem.
— Você… você volta quando?
— Depois de amanhã. Preciso resolver coisas que ficaram pendentes antes de eu me mudar para aí.
— Isto é bom. Eu… que tal combinarmos de jantar? Meu ex-sogro me disse que abriu um restaurante novo na cidade.
— Oh, eu adoraria. Ligo para você quando voltar.

Getúlio exultou com aquela possibilidade.

— A propósito... Como você descobriu o número do meu telefone?
— Ah, Getúlio... Quando eu quero uma coisa, eu luto até conseguir. Até a volta!

Soraia encerrou a ligação e Getúlio se pegou sorrindo. De repente o mundo lhe pareceu um lugar melhor de se viver.