quarta-feira, 27 de julho de 2016

OS PÃES ERÓTICOS DA DONA LOURDES - Degustação 1º capítulo

           Quinta-feira era dia de feira. Um dos meus dias preferidos, aliás. Mais ou menos pelas quatro horas da tarde eu saía de casa com meu carrinho de compras. Voltava uma hora e meia depois com verduras e frutas, sabendo das novidades de São José da Serra pelas minhas conhecidas e com algum chazinho marcado geralmente para a tarde de sábado, quando o Jorge saía para jogar futebol com os amigos.

            Naquele dia não foi diferente. Percorri as ruas calmas da cidade trazendo meu carrinho cor-de-rosa lotado. A vantagem de morar em uma cidade pequena é conhecer todo mundo. Sempre fui muito popular e várias vezes tive meu nome lembrado para concorrer a uma vaga na Câmara dos Vereadores. Até me interessei, mas o meu maridão tratou logo de cortar minhas asinhas. Ciumento, o Jorge sempre gostou que eu vivesse só para ele. Não tivemos filhos, portanto minha vida era o JORGE! Éramos casados há 25 anos (hoje eu tenho 52) e tive pouquíssimos namorados antes dele. Mesmo não tendo uma vida profissional, eu sempre gostei muito da minha vida de dona de casa. Arrumar o lar, deixá-lo perfumado e fazer uma comidinha especial para o meu marido era tudo de bom. Eu sabia que tinha gente que me invejava. Que culpa tinha eu de ser feliz?

Duas quadras antes de dobrar na rua que levaria a minha casa, deparei-me com uma novidade em São José da Serra. Uma academia. Anteriormente o local por muito tempo abrigara uma ferragem. Era um galpão grande que ficara vazio já há uns três anos quando o seu Carlos faleceu e rolou a maior briga na família por causa da herança. Agora finalmente alguém estava dando uma utilidade para o lugar. Fiquei curiosa. Havia uma movimentação na frente. Operários, caçamba para colocar o lixo, vozes altas. Aproximei-me de devagar puxando o carrinho no lado oposto da calçada. Chamou-me atenção um rapaz forte, bem apessoado e que parecia o chefe. Os cabelos dele eram compridos, batiam no ombro. Uau, um tipo diferente em São José da Serra! Finalmente! Notei que uma faixa branca e com letras vermelhas anunciava:

EM BREVE ACADEMIA.

Uma academia nova! E pelo jeito seria das boas. Até tentei frequentar uma há alguns meses. Mas além de o Jorge ficar possuído, os aparelhos estavam caindo aos pedaços. Pelo visto, esta nova academia iria bombar.

Porém, o que estava realmente me chamando atenção era o mestre de obras, o cabeludo fortão. Nossa, ele era bonito mesmo, hein? Como eu nunca o vira por aqui? Endireitei os ombros, encolhi a barriga e soltei os cabelos. O carrinho atulhado de coisa não me deixava muito sexy, mas era o que eu tinha para o momento. Ensaiei um sorriso para caso ele olhasse para o lado e comecei a dizer mentalmente:

“Olha pra mim, olha pra mim, olha pra mim.”.

Quem disse que pensamento positivo não dá certo? O bonitão olhou e deu de cara comigo encarando-o fixamente. Educado, ele me cumprimentou com um aceno de cabeça e eu sorri mais abertamente ainda. Até esqueci-me do Jorge. Ora, que mal tem? Eu só cumprimentei o vizinho novo ou seja lá o que fosse aquele cara. Pena que não passou daquilo. Fiquei com o sorriso congelado no rosto esperando um segundo olhar que não houve. Droga. Talvez minha amiga Angelina soubesse de alguma coisa. Anotei mentalmente que deveria ligar para ela logo ao chegar em casa.
*
Logo que dobrei a esquina da minha rua calma e arborizada visualizei o carro do Jorge estacionado na garagem. Eram cerca de cinco e meia da tarde. Ele costumava chegar em torno deste horário e a primeira coisa que fazia era ligar a TV e tomar um cafezinho. Então eu ia para a cozinha e começava a preparar o jantar dele. Tudo simples, mas eu adorava aquela rotina. Lembrei que na noite anterior o Jorge pediu para que eu fizesse uma mousse de chocolate. Sempre adorei fazer doce e comia junto, parelho com ele.

Abri a porta e achei que encontraria o Jorge comodamente sentado no sofá com o controle remoto na mão, assistindo a todos os canais ao mesmo tempo. Para minha surpresa só encontrei o silêncio.

— Jorge! Cheguei!

Talvez estivesse no banho. Parei no meio da sala, aguçando os ouvidos. O chuveiro não estava ligado. Sacudi os ombros levando o carrinho para a cozinha. Talvez estivesse no quintal ou ido à casa de um algum amigo. Jorge era muito bem relacionado.

Entrei na cozinha e lá estava ele. Sentado de costas para mim, com as mãos apoiada sobre a mesa.

— Ah, você está aí? Não ouviu eu lhe chamar?

Passei reto por ele e abri a torneira. Peguei os tomates e coloquei dentro da pia. Esperei que meu marido falasse alguma coisa, porém ele continuou mudo. Voltei-me para ele. Jorge estava de cabeça baixa. Parecia cochilar. Estranho...

Ué... Trabalhou demais hoje?

Aproximei-me dele sacudindo as mãos no ar para enxugar a água que escorria. Toquei de leve no ombro de Jorge. Ele detestava ter seu sono interrompido fosse o motivo que fosse.

Ele não se mexeu.

— Bebeu, seu malandro?


Nada. Dei um cutucão mais forte. Jorge, então, deslizou da cadeira direto para o piso. Eu dei um berro que foi escutado do outro lado da rua. Estendido no assoalho, Jorge me encarava com os olhos arregalados. Olhos que não viam mais nada.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

SINOPSE DE BONECA MALDITA POR FERNANDA






Não, eu não tenho a menor vontade de estar aqui na fazenda do meu pai. Isto tem um nome: Catarina. Minha meia-irmã consegue ser uma das piores pessoas que conheço. E ela só tem dez anos! Hoje encontrei minha blusa favorita toda cortada sobre minha cama. Eu sei que foi ela. Mas Catarina tem um rosto de anjo e um comportamento exemplar. As pessoas não conseguem ver o diabo que se esconde dentro dela. Não quero imaginar o que ela será ainda capaz de aprontar. Eu a odeio. Quero que ela morra.


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quinta-feira, 14 de julho de 2016

SINOPSE DE BONECA MALDITA POR CATARINA


Sinopse por Catarina:
Desde que me tenho por gente eu sou o centro das atenções da família. Pudera, eu sou muito, muito bonita. Com meu sorriso doce consigo tudo o que eu quero e todos realmente pensam que eu sou uma garotinha querida e meiga... Inclusive a trouxa da minha mãe. Tudo estava correndo muito bem até eu descobrir que na próxima semana minha irmã por parte de pai, a Fernanda, virá passar uns dias conosco aqui na fazenda. Se ela pensa que tomará o meu lugar nesta casa, está muito enganada. Durante o tempo em que ficarmos juntas irei transformar sua vida em um inferno. Fernanda realmente se arrependerá de cada minuto passado ao meu lado. Ninguém vai desconfiar de uma menininha de somente 10 anos, não é?

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terça-feira, 12 de julho de 2016

BONECA MALDITA - Capítulo 1



Quando o carro estacionou na frente da casa da fazenda, Fernanda engoliu em seco. Deixou o pai tirar suas coisas do porta-malas e segurou a mochila que ele lhe estendia. Gilberto demonstrava estar bem feliz por sua filha mais velha vir passar um mês com ele e a nova família na fazenda. Já fazia dois anos que Fernanda não aparecia por lá. E só fora desta vez porque a mãe a obrigara. O lugar era lindo, com muito verde e um rio que passava nos limites da propriedade. A casa era muito confortável, com amplos espaços. E Fernanda ainda tinha a facilidade de ter um quarto somente para ela. O que era muito bom, já que não suportava sua irmã mais nova.

Catarina tinha 10 anos, sete anos a menos que Fernanda. Era uma garotinha linda, loura e de lindos olhos verdes. Cristina, a madrasta, dedicava-se inteiramente à única filha, o que era bom já que Gilberto, devido à profissão, pouco parava em casa. Fernanda não sabia como iria fazer para suportar a ambas. Da última vez que passara alguns dias na fazenda, saíra sem se despedir devido a uma enorme briga. E jurara que nunca mais voltaria àquele lugar. Agora, em pé ao lado do pai na frente da casa, Fernanda torcia para que as coisas fossem mais calmas desta vez.

Ainda não havia escutado a voz estridente da irmã. Aliás, este era o som mais escutado por lá. Catarina falava pelos cotovelos, sem parar. Cristina achava lindo e não se cansava nunca de ouvi-la. A madrasta, contudo, era cega para todo e qualquer defeito da filha. Tudo o que Catarina fazia e falava era lindo e inteligentíssimo. Era incapaz de enxergar o quanto uma criança daquele tamanho era perversa.

− Estou muito feliz por você estar aqui conosco, minha filha.

Fernanda o encarou e tentou sorrir. Gostaria de estar em qualquer lugar, menos lá. Chegara até a sugerir que ela e o pai fizessem uma viagem juntos, somente os dois. Mas ele recusara, dizendo que seria importante ela conviver mais tempo com a irmã. Por fim, depois de alguma insistência, lá estava ela. E sem conseguir disfarçar sua expressão de contrariedade.

− Espero que saia tudo bem por aqui, pai.

Ele sorriu e beijou sua testa.

− Tenha só um pouco de paciência. Ela é apenas uma criança.
− Criança, aff...

Naquele momento a porta se abriu e Cristina apareceu. Ela estava com alguns quilos a mais e com a mesma cara de sonsa. Fernanda sabia que a madrasta morria de ciúmes dela e quando viu pai e filha juntos, o sorriso falso que trazia no rosto pouco a pouco se apagou.

− Ora, como a Fernanda cresceu.

Agora ambas já estavam praticamente do mesmo tamanho e Fernanda descobriu que não a temia mais. As duas trocaram beijos e a garota ficou enjoada com o perfume forte usado pela madrasta. Infelizmente o seu mau gosto permanecia. Não entendia como o pai um dia fora se apaixonar por aquela mulher.

− E você está muito bonita também – disse Cristina olhando a enteada de alto a baixo.
− Obrigada, Cris. É o tempo passou.
− Você precisa ver a Cat. Ela está lindíssima. Cada vez mais esperta e espirituosa.

Fernanda deu um sorrisinho sem graça e resolveu seguir o pai que entrava na casa. Quanto menos visse Catarina melhor. Não se sentia com a menor disposição para enfrentar os prováveis embates que viriam pela frente.

− O quarto está prontinho para você, querida – disse o pai feliz. Ele seguia na frente, subindo as escadas e levando as duas malas. – Não se preocupe com nada. Se lhe faltar alguma coisa, pode me chamar.

Era admirável o esforço do pai em fazer com que Fernanda se sentisse à vontade.

− Eu sei, papai, muito obrigada.

O quarto era bem espaçoso. Gilberto deixou as duas malas no meio do quarto e encarou a filha.

− Acho que você quer descansar um pouco...

Fernanda consultou o relógio. Passava um pouco das seis horas da tarde.

− Acho que vou tomar um banho. Que horas é o jantar?

Na fazenda todas as refeições eram feitas juntas, o que contrariava Fernanda que gostava de comer sozinha no quarto.

− Às vinte horas, Fê. Você sabe como Cristina faz questão que estejamos todos juntos.
− Eu estarei lá, pai.

Gilberto afagou a bochecha da filha e saiu do quarto. Quando a garota se viu sozinha, sentou na cama, exausta. Aquela ainda era a primeira noite. Teria ainda quatro semanas pela frente. Havia combinado com a mãe se caso as coisas estivessem muito insuportáveis, retornaria antes. Lentamente, Fernanda separou uma blusinha e uma saia para vestir depois do banho, deixando as peças em cima da cama. O banho foi um pouco demorado e bem gostoso. Quando ela retornou para o quarto enrolada em uma toalha percebeu que blusa estava dispersa de uma forma diferente da que havia deixado. Achando aquilo estranho, Fernanda se aproximou da cama e foi conferir de perto.


Ela sufocou um grito. O tecido havia sido perfurado em várias partes.

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terça-feira, 21 de junho de 2016

SINOPSE DE A GALERIA SECRETA

Leitorinhos, esta é uma das sinopses de A Galeria Secreta, um romance que transita entre o presente e o passado. O título é provisório. Quem puder, comente. Obrigada!



Sinopse de A Galeria Secreta por Camila:
Nada mais me interessava na vida quando fui passar uns tempos com minha avó na fazenda. Aliás, meus últimos tempos. Doente que estava, refugiei-me naquele lugar distante para esquecer que a doença me consumia e me levava aos pouquinhos…
Mas quem era aquele homem que me espreitou do jardim da fazenda, naquela noite linda de luar? Por que os seus olhos repentinamente me levaram ao passado e me cativaram tanto? Fiquei encantada, senti-melevitar por alguns instantes. Porém, em um piscar de olhos, ele desapareceu, fazendo me crer que tudo não passou de um sonho. Confesso, fiquei fascinada.
Na casa grande havia uma antiga galeria onde ficavam os retratos dos nossos antepassados. Por algum motivo obscuro, minha avó não permitia que quase ninguém entrasse lá, somente a empregada para limpar. Para chegar até a galeria era preciso atravessar um longo corredor escuro, com velhos castiçais na parede. A porta, sempre trancada.
Por coincidência ou não, o passado da minha família escondia segredos que poucos conheciam. Mistérios que minha avó Stella não estava disposta a revelar nem sob tortura. E minha ansiedade aumentava... Eu precisava rever aquele homem que tanto me encantara e queria demais entrar na galeria. Apenas uma porta me separava do passado e eu ainda não tinha idéia de como transpô-la.
Até que certa chave veio parar em minhas mãos.
Meu nome é Camila e eu tenho uma linda história de amor para contar...

sábado, 11 de junho de 2016

CURTINDO A VIDA SEM NOÇÃO (parte 2 de 2)




Carol se sentia elétrica, pelo efeito da cocaína e pela presença de Tiago tão perto. De repente ela estava mais corajosa, ousada. Viva. Sem pensar, colocou a mão na perna musculosa de Tiago. Ele sorriu. Andou com o carro mais alguns metros e pegou uma estrada vicinal não muito frequentada. Naquele momento o celular de Carol começou a berrar.

— É o trouxa do seu namorado?

Carol riu alto. Tiago era mesmo o máximo.

— Ele mesmo! ─ Carol consultou o visor, rindo debochada. — Vou desligar esta merda.

Tiago parou o carro. Estava escuro, mas Carol não sentiu medo. Pelo contrário, se sentia excitada. O rapaz avançou por cima dela, cobrindo-a totalmente com seu corpo. A moça levou um susto, mas a sensação passou logo. Puxa, Tiago era mesmo impetuoso. A calça jeans foi abaixada rapidamente e a calcinha arrancada sem dó. Carol gemeu. Nunca Victor a tratara daquele jeito tão selvagem. No fundo sempre desejara isto do namorado, contudo ele era bobão demais para ser tão atrevido. Tiago não era assim. Ele queria tudo e mais um pouco e Carol cedeu. Quando acabou percebeu que não sabia nada de sexo até aquele momento. Enquanto Tiago cheirava mais uma carreira atirado sobre o encosto do banco do carro, ela perguntou ansiosa:

— Você curtiu?
— Hein?
— O que você achou de mim?

Ele estava mais preocupado em cheirar do que olhar para a cara de Carol.

— Foi bom.

Só bom?

— Eu adorei.

Tiago ficou em silêncio. Ajeitou as calças, a camisa e os cabelos. Quando deu a partida na caminhonete, Carol perguntou curiosa:

— Para onde vamos? Você não vai me levar para casa agora, né?
— Claro que não. Vamos dar uma volta na praça. Não quer ver seus amigos e o corno do seu namorado por lá?

Era tudo o que Carol queria, alucinada como estava.

— Vamos lá!

Tiago não tinha medo de altas velocidades. Carol sim. Porém, naquela noite as coisas aconteciam de maneira vertiginosa. Tiago, cocaína, sexo selvagem. Aquela não era sua vida. Não importava. Carol se agarrou na oportunidade que lhe surgira para viver tudo o que tinha direito de uma vez só. Tiago não a procuraria novamente se Carol não fosse uma pessoa legal e divertida. Era exatamente assim que ela se sentia, muito descolada.

A caminhonete seguiu pelas ruas da pequena cidade a mais de 100 quilômetros por hora. Carol gritava, agitada, os cabelos voando. Tiago parecia estar gostando daquela loucura toda. Bem, ele era louco mesmo. Cheirado, pior ainda. A praça surgiu iluminada e animada aos olhos dos dois. Carol se perguntou o que Victor estaria achando do seu sumiço. Ah, ele ficaria muito bravo quando a visse com Tiago. E idiota como era, engoliria a seco a ousadia da namorada. Ou ex.

— Estou vendo eles ─ apontou ela aos berros. — Passe por lá, quero rir da cara daqueles babacas!

Sem pensar duas vezes, Tiago acelerou mais. De repente a praça silenciou. Os jovens que lá estavam ficaram mudos quando perceberam a aproximação da caminhonete em alta velocidade e as luzes do farol piscando loucamente. Carol pôs metade do corpo para fora da janela quando chegou perto dos amigos. Ao vê-los, bateu com as mãos na lataria do veículo, fazendo um estardalhaço dos grandes.

— Fala aí, seus panacas! Ei, Victor! Olha eu aqui!

Da turma ninguém foi capaz de falar nada. Victor esbugalhou os olhos. Era nítido que a namorada estava alterada. Como ela fora parar no carro daquele delinquente drogado? Ele chegou a pensar em pegar a moto e ir atrás. Desistiu da ideia quando se deu conta do ridículo que seria. Ora, que Carol se estrepasse.

Carol voltou para dentro do carro e perguntou quase salivando:

— Você viu a cara deles, Tiago?
— Você arrasou, garota! Vamos voltar!
— Uhu!

Aquela noite jamais seria esquecida por ela. A caminhonete novamente começou a dar a volta na praça. Carol pôs o corpo para fora, louca para afrontar sua ex-turma de amigos. Claro, porque depois daquilo tudo ela faria parte da gang dos amigos de Tiago. Que máximo!

— Ei! ─ berrou ela. — Vocês não são de nada, seus merdas!


Carol não percebeu que Tiago dirigia muito rente ao meio fio. Nenhum dos dois reparou que havia um poste na calçada e quando a garota se deu conta era tarde demais. Não deu nem tempo de gritar ou de Tiago frear. O rapaz fugiu com o corpo de Carol pendurado para fora da caminhonete. A cabeça de Carol rolou na calçada e foi parar em um jardim com flores. A mais louca noite da sua vida terminou ali.

CURTINDO A VIDA SEM NOÇÃO (parte 1 de 2)



Carol caminhava calmamente pela rua. Era noite, quase 22h30min, de uma sexta-feira. A garota de 20 anos voltava a pé do trabalho. Morava em uma cidade pequena onde nada acontecia. Nada mesmo. Era possível caminhar pelas ruas a qualquer hora sem que corresse o risco de ser assaltada, estuprada ou coisa pior. Os amigos se concentravam na praça da cidade para bater papo e ouvir música no som alto dos carros. Talvez alguns fumassem maconha, mas nada de grave decorria disto. Tudo o que acontecia nas grandes cidades passava longe de Santa Palma. A calmaria era entediante para ela.

A turma de amigos de Carol era de gente boa. Gostavam de beber, mas moderadamente. Quando não estavam na praça, se reuniam na casa de um ou de outro para fazer um jantar ou churrascada. Alguém pegava o violão ou rolava um som eletrônico. Era legal. Mas Carol queria mais.

Era muito marasmo para uma pessoa só, pensava ela naquela noite estrelada. Seu sonho era passar no vestibular, formar-se em jornalismo, trabalhar na TV e sumir de Santa Palma. Victor, seu namorado há três anos, era nerd. Entendia tudo de computador e se satisfazia com aquela vida simples. Isto enfurecia Carol. Se Victor usasse todo seu conhecimento em informática, poderia viver longe de Santa Palma, em algum lugar animado, dinâmico, com gente que poderia levá-lo para frente. Mas não. Victor não queria sair da sua zona de conforto. Naquele momento ele deveria estar chegando à praça com sua moto velha para se encontrar com os amigos e esperar por ela. Todas as sextas-feiras era esta a programação. Carol deixava a farmácia em que trabalhava, voltava para casa, tomava um banho e tomava o rumo da praça. 

Era bom ficar com os amigos.

Mas não o bastante para ela.

Não faltava muito para Carol chegar em casa quando escutou o barulho do motor de um carro atrás de si. Curiosa, ela olhou para ver quem era. O cara mais gato da cidade ─ e também o mais rico ─ diminuiu a marcha para acompanhar os passos de Carol. A garota ficou excitada. Sempre achara Tiago o mais top de todos. Naquele lugar enfadonho, ele agitava horrores. Sem se preocupar com o amanhã, Tiago e seus amigos bebiam, fumavam e cheiravam. Era um escândalo. Como não havia o que fazer em Santa Palma, a turma de loucos se bandeava para outras cidades maiores nos seus carros possantes. Victor torcia a cara para aqueles drogados, como se referia. Mas para Carol eles eram o máximo. Uma pena que era invisível aos olhos daqueles loucos.

— Oi, Carol.

Ela parou no meio da calçada, ligeiramente estonteada. Como assim? Tiago sabia o seu nome? Meu Deus, aquilo era bom demais.

— Oi... Oi, tudo bem?

Tiago sorriu de dentro da sua possante caminhonete prata. Aliás, dias antes Carol sonhara que estava dentro daquele carro. Será que… será que seu sonho seria realizado?

— O que uma garota bonita como você está fazendo sozinha numa noite gostosa como esta?

Carol piscou. Sério mesmo? Ele a achava “bonita”?

— Eu estou indo para casa.
— Para casa? ─ Tiago olhou para o relógio caro que trazia no pulso. — Tão cedo? Quer dar uma volta?

Ela disse para si mesma: resista.

— Volta?

Uma brisa balançou os cabelos loiros do rapaz.

— Você tem algum compromisso?

Carol se lembrou dos amigos que a esperavam na praça e de Victor com sua moto velha.

— Tudo bem se você não quiser.

Tiago fez menção de que iria arrancar com o carro.

— Não. Não vá ─ se não fosse ela, seria outra garota. — Quero dar uma volta. Com você.

Com um sorriso gostoso, ele abriu a porta da caminhonete. — Entra aí.

Dois segundos depois Carol estava comodamente instalada ao lado dele, feliz e extasiada. Jogou a bolsa para o banco de trás e se viu obrigada a confessar:

— Nunca andei em um carrão destes.
— Deu pra ver. Prepare-se ─ Tiago acelerou — para a aventura da sua vida.
*
Nos primeiros cinco minutos eles ficaram em silêncio. Volta e meia Tiago a olhava e sorria. Carol mal podia se conter. Como queria pegar o celular e fazer uma selfie. Seria o assunto da cidade por muito tempo. De repente Tiago perguntou:

— Quer uma carreira?
— O quê?
— Quer cheirar?

Carol engoliu em seco quando viu Tiago aproximando o nariz de um pó parecido com talco e cheirando uma carreira de cocaína. Quer dizer, ela achava que fosse. Tiago fechou os olhos e os abriu novamente para encarar Carol.

— Tenho mais um pouco. Quer?

Carol nunca tivera vontade de cheirar droga nenhuma. Nem nunca pensou nisto.

— Nunca cheirei nada na vida. Só meus perfumes ─ disse ela, tentando fazer graça.

Ele riu também.

— Mude sua vida. Você tem esta chance aqui comigo.

Ao lado de Tiago a vida de Carol não parecia nem um pouco sem graça. Muito pelo contrário. Parados naquela rua deserta, ela não recuou quando Tiago lhe estendeu uma agenda com uma carreira de cocaína em cima.

— Vai. É só cheirar.

Carol fechou os olhos. Era só negar.

— Ok. Quero ver como é ─ arrematou ela, nervosa e curiosa ao mesmo tempo.

A garota cheirou rápido, com medo de desistir e parecer uma idiota. Uma sensação estranha tomou conta dela. Prazer, um prazer diferente.

— Nossa ─ murmurou ela.

— Vamos aloprar ─ Tiago arrancou com o carro. — A noite ainda não começou.

domingo, 5 de junho de 2016

A CAIXA






O amor que sinto por você 

deixei guardado em uma caixa. 

Talvez eu a enterre bem fundo.

Ou não.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

SINOPSE DE INIMIGOS


Quando um inquérito sobre desaparecimento de garotas adolescentes do Sul do país cai nas mãos do delegado Leonardo Alvarenga, da Polícia Civil de São Paulo, crimes misteriosos começam a acontecer. À medida que o delegado aprofunda suas investigações, é descoberta uma terrível conspiração que ameaça colocar em risco a segurança nacional e sua própria vida.


quarta-feira, 4 de maio de 2016

NO ESCRITÓRIO (Conto Erótico)







Ramona entrou na sala do Dr. Clóvis e fechou a porta sorrateiramente. O chefe, concentrado entre tantos papéis, perguntou sem olhar para sua secretária:

− Dona Ramona, a senhora trouxe o relatório que eu pedi?

Ela não respondeu. Aproximou-se lentamente da mesa do chefe, abrindo um a um os botões pequenos da sua blusa recatada. Quando parou em frente a ele estava apenas de sutiã.

O homem ainda não havia reparado que sua subordinada estava tentando lhe seduzir. Sua preocupação eram os números da empresa. Ele estendeu a mão para pegar o relatório. Ramona não perdeu tempo. Abaixou um pouco o corpo e sugou com vontade dois dedos da mão do chefe.

Dr. Clóvis tomou um susto. Ele não era nenhuma beleza. Pelo contrário. Era baixinho, sedentário e usava óculos fundos de garrafa. Não fazia sucesso com as mulheres. Mas como tinha a carteira recheada, sempre havia uma para satisfazer suas necessidades mais prementes. Nunca, nunca mesmo, aventurara-se com qualquer colega da empresa. Pelo menos até aquele momento. A estonteante Ramona, ex-miss bumbum, estava deliciosamente chupando seus dedos.

Seu pau subiu na hora. Foi inevitável. Ramona estava gulosa, sorvendo seus dedos sem parar e lhe lançando olhares muito sedutores. Os peitos siliconados quase saltavam do sutiã vermelho e a saia longa estava prestes a ser jogada no chão.

− Dona Ramona, alguém pode entrar e…

Ela soltou os dedos do chefe e a mão dele caiu pesadamente sobre a mesa.

− Eu tranquei a porta.
− Dona Ramona – ele estava arfante. Ramona abriu o fecho da saia que despencou no chão. A sua secretária estava sem calcinha. – Aqui não é lugar para…
− É sim – devolveu ela, agora dando a volta na mesa e parando finalmente ao seu lado. Com alguma violência, virou a cadeira de rodinhas onde ele estava sentado e o posicionou frente a ela. Murmurou – Eu chupo seu pau. Depois você me chupa, ok?

Naquele momento o presidente da empresa abriu a porta que não estava trancada como Ramona acreditava. Ela ficou em pé, assustada, sem tentar esconder a nudez. Dr. Clóvis tentou cobrir seus 25 centímetros de pau com o relatório financeiro.

− Sexo a três? – indagou o manager, abrindo o fecho das calças. – Vamos lá!


quarta-feira, 13 de abril de 2016

O DESCONHECIDO - Conto erótico/Última parte






Kendra empalideceu e manteve apenas a cabeça fora d’água. O que ele pretendia? Por que a encarava daquela maneira tão insistente? Kendra se sentiu envergonhada, afinal estava nua frente a um total desconhecido. Se Eimé soubesse, bateria nela. Mas a mãe jamais saberia que aquela cena estava se desenrolando. Aquele homem em breve iria embora. Talvez quisesse apenas matar alguma curiosidade. Então, sem nunca tirar os olhos dela, ele também começou a tirar a roupa, sem pressa.

O coração da garota acelerou. Kendra pensou em recuar, nadar para mais longe ou gritar. Aquilo, no entanto, de nada adiantaria. Ela se encontrava sozinha ali, longe da proteção da mãe e à mercê de um homem que nunca vira antes. Antes, na hospedaria, havia imaginado o quanto seria delicioso estar em seus braços. Agora já não tinha tanta certeza assim.

De repente ele estava nu. Kendra engoliu em seco. Já havia visto um homem sem roupa, mais de um até. Certa vez deitara com um hóspede bem mais velho em troca de algumas moedas. Contudo, aquele homem era diferente. O membro se destacava entre as pernas fortes. Kendra sentiu um arrepio. Podia tentar fugir. Na verdade, mesmo com todos os riscos, seu desejo era ficar.

Ele entrou na água e Kendra recuou alguns passos. A respiração estava cada vez mais ofegante, não exatamente por medo. Quando o homem estava a poucos passos de Kendra, ela ficou em pé, cobrindo os seios. Perguntou, desafiadora:

— O que você quer? Saia daqui!

Ele avançou rapidamente e em um gesto somente, pegou-a pelos cabelos, imobilizando-a. Kendra tentou gritar, mas sua foi boca foi devorada pela dele. A jovem nunca havia sido beijada daquele jeito e tentou se debater. As mãos do homem a agarraram fortemente pelos quadris, machucando-a.

Kendra já estava sem ar quando a língua dele desceu rápida para a pele alva do seu pescoço, mordiscando cada pedacinho dele. Ela tentou afastá-lo, com medo de toda aquela impetuosidade. O membro duro e grosso a cutucava forte no meio das suas pernas toda vez que ele a puxava contra si.

Do pescoço, a boca do homem foi para os seios fartos de Kendra. Ela gemeu alto ao sentir os dentes dele morderem e sugarem os biquinhos. Kendra segurou fortemente a cabeça dele, ao mesmo tempo em que um dos dedos do homem vasculhava o traseiro dela.

Assustada, ela tentou recuar. O que era aquilo? A sua experiência com homens era pouca, nunca havia visto nada igual. Ainda assim aquilo era bom. Porém, quando o dedo dele entrou fundo no seu corpo, as pernas lhe faltaram. Ela foi mantida firme pela cintura antes que afundasse, ainda com os seios cobertos pela boca do desconhecido.

Kendra gemeu a cada metida do dedo dele no seu traseiro. Aquilo doía ao mesmo tempo em que uma onda de prazer começou a tomar forma. Kendra cravou as unhas nas costas do homem quando sentiu o gozo explodir de uma maneira que nunca tinha experimentado na vida.

Ainda não tinha acabado. Com o membro, ele forçou as pernas de Kendra a abrirem. Ela quase pediu para ele parar. Não seria capaz de aguentar aquilo tudo.

A entrada não foi tão suave assim, nada comparado com suas experiências pífias. Ele foi lhe rasgando sem dó, em um movimento de vai e vem contínuo que fez Kendra gritar. O homem a segurava fortemente pelos quadris a cada metida violenta, impedindo que ela se soltasse.

Depois de algum tempo ele gozou, praticamente urrando no ouvido dela. A jovem sentiu um jorro quente dentro do corpo e as pernas mais fracas ainda. Apoiada no peito dele, de olhos fechados, Kendra desejou que ele a levasse embora dali. Imóveis, colados um ao outro, o homem levou alguns minutos para se recuperar. Não demorou muito, no entanto, ele se endireitou. Kendra se surpreendeu quando o desconhecido se afastou um pouco dela e a encarou com aqueles olhos negros e gelados. Ainda assim, ela ofereceu os lábios para um beijo. Ele recusou.

Kendra não entendeu aquela atitude e não teve coragem de perguntar. Não sabia bem o que fazer ou o que falar até ele esticar a mão e segurar os dedos trêmulos dela. Lentamente, os dois atravessaram a lagoa, o sol queimando os seus corpos nus. Kendra ficou mais feliz. Ele podia tê-la abandonado no meio da lagoa, como uma mulher qualquer. Deixou-se levar até a beira, ansiosa pelo que ainda estava por vir.

Porém, por aquela Kendra não esperava. Mal pôs os pés na terra firme e foi jogada violentamente no chão. Ela caiu sentada, com as pernas abertas. Constrangida, tentou cobrir o corpo com as mãos. Kendra se perguntou se não era hora de fugir enquanto olhava apavorada para ele. Quando fez menção de levantar, o desconhecido foi mais rápido, jogando-se sobre Kendra. De repente ela mal podia respirar, com o corpo pesado e quente cobrindo-a toda. Não que a sensação fosse ruim. Mas... o que esperar de um homem como aquele?

Subitamente, Kendra foi posta de barriga para baixo sem delicadeza nenhuma. Ela soltou um gemido abafado e fez menção de fugir. Contudo, presa debaixo dele era impossível. Para surpresa dela, suas pernas foram abertas bruscamente e Kendra temeu o que viria em seguida.

Ela soltou um grito de dor, medo e prazer quando o membro do homem invadiu seu traseiro em uma arremetida só. Uma das mãos tapou-lhe a boca para que os gritos não fossem ouvidos. Kendra não imaginava que tal coisa existisse. Não podia ser normal. Além do mais, aquilo era bizarro! Mesmo sem querer, ela não conseguia se controlar. Kendra empinou o traseiro para tê-lo inteiro dentro de si. Queria que ele parasse. Não, ele podia continuar pelo tempo que quisesse. Ela gozou mais uma vez com o rosto colado à grama ao mesmo tempo se perguntando quando iria viver aquilo outra vez.

De repente ele parou e desabou ao seu lado. Kendra permaneceu atirada no chão, imóvel e dolorida. Teria que retornar à hospedaria e disfarçar os hematomas que em breve apareceriam pelo corpo. O homem, enfim, levantou. Foi até a água, lavou-se e refrescou-se, sob os olhares atentos de Kendra. Em seguida começou a se vestir, sem pressa. O sol a ofuscava quando ele a encarou pela última vez.

— Qual o seu nome? ─ perguntou ela, curiosa.

Silêncio. Ele sorriu levemente. Calçou os sapatos e remexeu em um dos bolsos do casaco. Algumas moedas, mais do que Kendra já vira durante um mês de trabalho, brilharam na grama ao seu lado. O homem deu meia volta e foi embora.

Kendra segurou uma pequena vontade de chorar enquanto juntava as moedas e as apertava fortemente entre os dedos. Em pé, sentindo algum desconforto, vestiu a roupa e calçou as sandálias. Guardou o dinheiro com cuidado para que a mãe não visse e fizesse perguntas indiscretas. Voltou para casa devagar tentando pensar em alguma desculpa para dar à Eimé pela demora. A esta altura o desconhecido já havia montado no seu cavalo e partido para o seu destino. Em pouco tempo o homem já não lembraria mais dela.

E Kendra jamais saberia seu nome.



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