terça-feira, 20 de dezembro de 2016

SOMENTE NOS MEUS SONHOS (Cap. 3)



No outro dia pela manhã Lucinda mal conseguiu tomar o café direito. Escutou sua mãe jurar que ela havia falado durante algum sonho, mas não a moça não deu muita importância. E sem maiores explicações, Lucinda pegou a bolsa e saiu. Precisava ir até o cemitério. Temia que Álvaro não voltasse mais e precisava dizer a ele que estava pronta para ajudá-lo.

Lucinda ignorou o velório que estava acontecendo e foi direto à sepultura dele. A foto de Álvaro já estava posta na lápide e Lucinda confirmou o quanto ele havia sido belo.

— Por que você partiu, Álvaro? – ela suspirou de tristeza. — Meu Deus, por que não tive tempo de conhecê-lo?

Ela se ajoelhou no chão, arranhando os joelhos. Juntou as mãos em oração e fechou os olhos, implorando ser ouvida por Álvaro. Estava tão concentrada que não percebeu a aproximação de João.

— Você de novo aqui?

A voz ríspida do homem fez com que ela desse um pulo de susto.

— O que você tem a ver com isto?

Lucinda não gostou do jeito que João lhe encarava. Ele parecia ser um homem muito mau.

— Você não é da família. Que tanto vem aqui chorar o falecido?
— Não lhe interessa! – Lucinda recuou um pouco aterrorizada com a atitude dele. — Não tenho que dar explicações a ninguém!

João pôs a mão ameaçadoramente sobre o braço dela.

— Tem que dar explicações à família Malta. Dona Marília quer saber o que tanto você chora e reza aqui.

Homem linguarudo! Ele já tinha levado o assunto à viúva!

— Solte meu braço, seu mal educado! Como ousa tocar em uma mulher que você não conhece?

João não aliviou a pressão, pelo contrário. Deu um puxão violento na manga do vestido de Lucinda e rugiu:

— Venha comigo.

Desta vez Lucinda realmente sentiu medo. João a puxou mais uma vez querendo arrastá-la daquele lugar. Ela olhou desesperada para os lados. Estavam sozinhos, não havia ninguém para ajudá-la.

— Solte-me, seu monstro!
— Fale baixo, vagabunda!

Lucinda acertou um forte soco no rosto de João com o braço solto e um violento pontapé entre suas pernas. João dobrou-se em dois praguejando baixinho, enquanto Lucinda aproveitou a situação para sair correndo. Somente quando virou a esquina de casa que sossegou. Não, não estava sendo seguida. Aliviada, Lucinda sentiu as pernas trêmulas. Naquele dia não teve mais coragem de pôr os pés na rua.

*
Aconteceu um pouco antes das oito horas da noite. A mãe bordava na sala com as filhas e Lucinda estava na cozinha finalizando o jantar. De repente ela escutou um barulho forte e uma gritaria das mulheres. Ela correu até a sala, bem assustada. Isabel, uma das irmãs, segurava na mão uma pedra grande. Os vidros estavam estilhaçados. Ante o olhar apavorado de Lucinda, Isabel explicou com a voz trêmula:

— Alguém atirou aqui dentro.

Lucinda não conseguiu falar nada. Seus pensamentos eram os piores possíveis.  Dona Francisca apareceu com uma vassoura e uma pá.

— São estes moleques de rua. Os pais não dão mais limites, vejam vocês!

Lucinda deu meia volta e retornou para a cozinha. O corpo tremia e ela precisou tomar um chá de maracujá para se acalmar. Tinha certeza que aquela pedra fora arremessada com o intuito de amedrontá-la.

“Álvaro, o que está acontecendo?”

*

Por precaução, Lucinda não voltou mais ao cemitério naquela semana e o espectro de Álvaro também não apareceu. A mente de Lucinda era um turbilhão de dúvidas. Ele teria mesmo se manifestado? Não, não poderia tudo ter sido somente um sonho! As coisas estavam confusas. Volta e meia Lucinda sentia uma presença perto de si e quando se voltava para ver o que era, não havia ninguém por perto. Para completar a situação, a família Malta parecia disposta a encrencar.

Lucinda passava os dias inteiro se lembrando da visão que tivera de Álvaro pedindo ajuda. Suas noites de sono eram cada vez mais raras. Enquanto a família dormia, ela aguardava Álvaro voltar. Por vezes acordava mal acomodada na cama, tendo pegado no sono sem perceber. Mas quando a angústia era demais, Lucinda vagava pela casa como se o fantasma fosse ela. Felizmente mãe e irmãs nunca repararam nas andanças noturnas da moça.

Quando os ossos começarama saltar na pele, Dona Francisca comentou com as outras filhas que a caçula estava esquisita, talvez doente. Pouco se alimentava e quase não saía de casa. Nem aos velórios Lucinda ia mais. Houve um dia, contudo, que ela não suportou mais ficar longe de Álvaro. Tinha aguardado em vão longos quinze dias que ele voltasse e agora não ficaria mais um dia sequer sem a sua presença. Esperou até o final da tarde chegar para ir até o cemitério. Torcia para que João não estivesse por lá.

Foi com o coração aos pulos que Lucinda chegou ao local com um lenço na cabeça para disfarçar. Tomou a direção da sepultura de Álvaro, tendo o cuidado de olhar para os lados. Respirou aliviada. Aparentemente estava sozinha ali. A lápide estava repleta de flores vermelhas e brancas, indicando que João deveria fazer a manutenção todos os dias. Ao se aproximar, Lucinda sorriu como se Álvaro pudesse lhe ver. Quase pôde sentir a presença dele em meio às flores.

— Sinto você aqui, meu querido.

Lucinda não teve tempo de mais nada. Uma mão forte segurou com brusquidão seu cotovelo, fazendo com que ela gemesse de dor.

— Você de novo? Eu sabia que um dia eu a veria aqui outra vez.

A moça se contorceu, tentando se soltar desesperadamente. Mas João era muito mais forte, imobilizando-a de um jeito que qualquer movimento tornava tudo muito mais dolorido.

— Eu estava… somente passando…
— Mentira. Venha, Dona Marília está esperando você faz dias.
— O quê? – Lucinda ficou abismada. — O que você está dizendo?
— Cale a boca e venha comigo. Não ouse gritar. A família Malta é muito poderosa e você não é nada.


Lucinda foi levada aos tropeções até uma saída lateral do cemitério e posta dentro de um carro preto e com vidros escuros. Durante o trajeto ela não ousou falar nada. Aliás, mal respirava. Um motorista carrancudo dirigiu em boa velocidade até a mansão dos Malta, enquanto João ia sentado ao lado dela no banco de trás. Quando o carro cruzou os portões da mansão, Lucinda rezou para que saísse viva de lá.


sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

SOMENTE NOS MEUS SONHOS (Cap. 2)



Lucinda voltou ao cemitério no domingo trazendo nas mãos um lindo buquê. Encontrou um homem ajeitando as coroas e as flores do dia anterior. Quando ele a viu, fez uma expressão de surpresa, principalmente quando Lucinda depositou suas próprias flores em um lugar de destaque.

— Conheço você? É da família?

Ela não se deu ao trabalho de responder. Fechou os olhos, fez uma pequena oração para Álvaro e também para que o homem inoportuno fosse embora. Não deu certo. Ao abrir os olhos outra vez ele ainda estava ali, encarando-a com as mãos na cintura.

— Você quem é?

Lucinda fechou a cara e devolveu a pergunta:

— E você? Sempre vem aqui?
— Sou empregado da família Malta e encarregado para zelar pela sepultura do Doutor Álvaro. Meu nome é João.
— Prazer, João – ela gostaria de ficar mais tempo, mas com o homem por ali isto seria impraticável. — Eu já vou indo. Só quis prestar minha homenagem a este senhor.
— E nome você não tem?

Ela deu meia volta e foi embora sem olhar para trás. Não iria se prestar a satisfazer a curiosidade de um mero subalterno.

*

Naquele mesmo dia Dona Francisca se deu conta que Lucinda estava esquisita. Deixara mais da metade da comida no prato e recusara a sobremesa, um delicioso doce de abóbora. Uma das irmãs berrou:

— A Lu está apaixonada!

Lucinda não respondeu, limitando-se a remexer a comida que deixara no prato quase intocada. Como explicar que amava um desconhecido que somente conhecera morto?

— É o que dá frequentar velórios! – retrucou Dona Francisca. — Eu sabia que um dia você iria aparecer maluca!
— Não estou maluca e muito menos apaixonada. Só estou cansada. — Lucinda se levantou da mesa, bastante irritada. — Deixem-me em paz!

Ante os olhares espantados da família, Lucinda saiu rapidamente da mesa e se trancou no quarto. Usou o travesseiro para abafar o choro. Odiava Marília, ela não cuidara bem de Álvaro, permitindo que ele morresse tão jovem. Por que não conhecera Álvaro antes? Por que o destino tinha que ser tão cruel? E agora? Quando irei encontrar Álvaro novamente?

Lucinda não saiu mais do quarto naquele domingo. Quando o sono veio perto da madrugada, ela teve um sonho muito estranho.

*
— Lucinda...

Ela não despertou imediatamente. Revirou-se na cama e cobriu a cabeça com a coberta.

— Lucinda...

A moça rolou na cama e abriu os olhos. A luz do luar entrava pelas frestas da veneziana deixando o quarto na penumbra. Alguém chamara o nome dela? Ora, devia ter sido um sonho.

— Me ajude...

Um sussurro no ar fez o coração dela acelerar. Alguém a chamava, a voz ressoava pelo espaço e Lucinda não sabia dizer quem era. Curiosa, ela sentou na cama.

Havia um homem encostado junto à porta.

Lucinda segurou um grito e se encolheu toda, segurando o travesseiro ao encontro do peito. Não dava para ver direito quem era, a pouca luminosidade não permitia visualizar o rosto do estranho.

— Como você entrou aqui?

A voz de Lucinda saiu em um murmúrio. Ele não era um bandido. Pelas suas vestes era possível ver que era uma pessoa de posses.

— Preciso da sua ajuda.

Já acostumada com a escuridão, Lucinda começou a perceber alguns traços no rosto angustiado daquele homem. Os olhos tristes mostravam tanto sofrimento que partiu o coração da jovem.

— Álvaro! – Lucinda gritou baixinho, de puro susto, ainda sobre a cama. — É você mesmo?

Mas ele não respondeu. Continuou a fitá-la com os olhos tão desesperados que ela se obrigou a ficar em pé.

— Diga-me o que aconteceu – ela pediu à meia voz a alguns passos de distância dele. — Como posso ajudar você? Por favor, me diga!

Álvaro levou a mão até a garganta como se estivesse sofrendo de grande dor. Lágrimas escorreram pela face de Lucinda. Ela deu um passo à frente com a mão estendida para tocá-lo no exato momento em que uma luz acendeu no corredor e a voz de Dona Francisca se fez ouvir:

— Lucinda, você está sonhando? Acorde, menina!

O espectro de Álvaro desapareceu em um piscar de olhos ao mesmo tempo em que Lucinda se jogava na cama. A mãe abriu a porta segundos depois e encontrou a filha deitada sob as cobertas, aparentemente dormindo.

— Lucinda?

A moça permaneceu em silêncio, de olhos fechados. A senhora não insistiu e fechou a porta outra vez. Lucinda esperou tudo silenciar até abrir perceber que não havia mais perigo.

— Álvaro? Pode voltar agora – murmurou ela, ansiosa.

O pedido foi em vão.

— Por favor, volte. Diga-me como posso ajudar você.


Para infelicidade de Lucinda, Álvaro não retornou. Depois de chorar por alguns segundos, Lucinda lembrou que o fato de ele a ter procurado significava que poderia haver um vínculo entre ambos. Um elo que nem mesmo a morte fora capaz de destruir.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

SOMENTE NOS MEUS SONHOS (Cap. 1)





Lucinda tinha um hábito estranho: frequentar velórios. Costumava visitar cemitérios a qualquer hora dia para saber quem tinha morrido. Quando algum conhecido partia desta para melhor, prontamente Lucinda se oferecia para enfeitar o caixão, fazer coroas de flores e ainda chorava junto com a família.

A mãe de Lucinda tentou proibir aquele gosto pavoroso da filha mais nova. Mas não teve jeito. Com o passar do tempo Lucinda foi se aperfeiçoando tanto que os amigos dos mortos pensavam que ela era da família, tamanha a intimidade que se construía. Quando terminava a função, Lucinda voltava para casa satisfeita. Além de ter ajudado os parentes, também sabia tudo sobre a vida do defunto.  Dona Francisca, a mãe, ficava horrorizada quando Lucinda começava a narrar a vida do falecido e seus pormenores às vezes bem indiscretos e muitas vezes mandava a filha calar a boca.

Era sábado quando Lucinda pegou sua bolsa, pôs o vestido escuro e foi para o cemitério atrás das suas novidades. Era assim que ela se referia aos defuntos. Logo que chegou deparou-se com uma aglomeração maior do que das outras vezes. Havia um número maior de carros e pessoas mais bem vestidas, o que levava a crer que o morto tinha sido alguém importante. Lucinda apertou o passo, empolgada, certa de que aquele dia iria render.
A capela funerária estava cheia de gente. Lucinda conseguiu, com certo custo, chegar perto do caixão. Antes de visualizar quem estava dentro, surpreendeu-se ao ver uma mulher jovem, de cabelos claros e chorando aos soluços quase sobre o morto. As mulheres ao redor a consolavam sem parar, estendendo-lhe lenços que não davam conta de tantas lágrimas. Então Lucinda voltou os olhos para o defunto.

Levou um choque.

*

Não, nunca havia visto aquele homem na vida. Mas… Será que ele estava mesmo morto? Lucinda apertou a bolsa contra o peito e se aproximou lentamente do caixão disputando espaço com os familiares.
Quem era ele?,perguntou-se Lucinda, angustiada. Não devia ter mais de trinta anos. O cabelo escuro estava bem penteado e sua expressão era um tanto conturbada. Parecia que estava prestes a abrir os olhos e saltar dali. Lucinda não conseguia tirar os olhos do morto, tentando adivinhar o que causara seu passamento. Era tão bonito mesmo dentro de um caixão que ela perguntou-se o quanto não teria sido belo quando vivo. Por isto a noiva chorava tão desesperadamente. Como não amar um príncipe daqueles? Oh, meu Deus, gemeu ela, com tanta gente feia por aí, por que um homem daqueles tinha que ter morrido?

— Meu amor… − murmurou a viúva soluçando e acariciando o rosto dele. — Por que você me deixou tão cedo?

Lucinda se fazia a mesma pergunta. Gostaria tanto de tê-lo conhecido em vida! Talvez tivesse até mesmo podido evitar a sua morte. Ela esticou a mão para tocar a dele, um atrevimento que nunca ousara em toda a sua carreira de frequentadora de velórios. Alguém a empurrou bruscamente para o lado fazendo com que Lucinda se desequilibrasse. Outro parente histérico chegara e a moça perdeu o lugar junto ao caixão.

Ela precisava de ar e saber quem era o pobre homem. Desarvorada, Lucinda saiu para o jardim do cemitério procurando alguém disposto a lhe passar todas as informações que precisava. Não precisou caminhar muito. Sentada em um banco próximo a uma árvore, uma simpática senhora parecia apreciar a vista. Um segundo depois Lucinda acomodara-se ao lado dela.

— Dia lindo, não? – Lucinda fingiu estar apreciando a bela manhã. — Pena que tudo está tão triste.
 — É verdade – a mulher suspirou. — Ele gostava de dias assim. Céu azul, passarinhos voando... uma tragédia o que aconteceu.
— De que… de que ele morreu?
— Coração – mais um suspiro, desta vez mais profundo. — Ele estava andando de bicicleta com a Marília quando caiu duro. Ela pensou que fosse uma brincadeira, mas Álvaro não levantou mais. Ela então se aproximou para ver o que estava acontecendo. Foi fulminante.
— Nossa, que horror! – Lucinda não pôde esconder o choque. Um exercício tão simples matara Álvaro. Este era o nome dele. — Não deu tempo de chamar o socorro?
— A pobrezinha da viúva fez tudo o que pôde. Mas quando os médicos chegaram não havia mais nada a fazer.
— Coitado do Álvaro – os olhos de Lucinda lacrimejavam. Tinha certeza que se fosse ela a sua esposa teria cuidado dele tão bem que nada daquilo teria acontecido.
— Um ótimo homem. Eles eram casados há apenas dois anos! Marília não merecia uma sorte destas!
— Que mundo injusto!

A velha se voltou para Lucinda e resolveu perguntar, curiosa:

— Quem é você, afinal?

Lucinda levantou sem dar resposta alguma. Com lágrimas nos olhos retornou para a capela onde Marília continuava com suas lamentações. Achou melhor enfiar-se em um canto onde podia observar o rosto moreno do falecido e sofrer sozinha com sua dor. Quando se deu conta entoava algo semelhante a um mantra:

“Acorde acorde acorde acorde acorde acorde.”

Olhou para os lados, atarantada. Felizmente ninguém havia escutado. Álvaro havia sido um homem expoente na sociedade. Como nunca soubera nada sobre ele?


O enterro saiu próximo ao meio dia. Lucinda não teve chance de acompanhar o cortejo. Para dar adeus ao defunto pelo qual se encantara, ela se pendurou em uma árvore e assistiu ao sepultamento de camarote. Quando tudo acabou e as pessoas lentamente se retiraram do local, Lucinda se aproximou do túmulo. Fez uma pequena oração e jurou a Álvaro que iria voltar no dia seguinte e em todos os outros.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

A CASA DA FRENTE - Degustação 1º Capítulo











SINOPSE:

Samanta e Marcelo são o casal perfeito. Flávia vive um casamento de fachada com Renan. Quando os quatro se tornam vizinhos em um condomínio de alto padrão, algo não muito convencional começa a acontecer por lá. Você emprestaria seu marido para a vizinha gostosa?

Quando Marcelo estacionou o carro junto ao meio fio, Samanta perguntou, surpresa:
− Você tem certeza de que é esta?
− Eu não iria brincar com uma coisa tão séria − respondeu ele sorrindo.
Ela riu alto. Aquela casa era simplesmente demais. Samanta abriu a porta do carro praticamente em câmera lenta, analisando cada detalhe da construção. Em pé, na
calçada, ficou em silêncio até escutar a voz de Marcelo:
− E então? O que você acha?
− Incrível. É a casa que eu sempre sonhei. Moderna, clean... Podemos entrar?
− Claro! – Marcelo pegou as chaves do bolso e perguntou: − Você acha que eu a traria aqui só para ficar do lado de fora?
− Ora, eu mataria você!
De mãos dadas, entraram na casa. O hall e a sala eram de bom tamanho, e Samanta
logo se viu pensando na decoração.
− Me aparece aconchegante − e ela apontou para o canto da sala. – Sempre sonhei em ter uma lareira como aquela ali.
− Você ainda não viu o resto. Venha − disse Marcelo, puxando-a pela mão. – Tem muito mais.
Durante a meia hora seguinte, o casal percorreu a casa de dois pisos fazendo planos como se ela já lhes pertencesse. No final, Samanta enumerou tudo o que tinha gostado:
− Piscina, banheira de hidromassagem, lareira, escritório para você, um quarto de casal enorme… O que posso querer mais? Para mim ela é perfeita. Sem falar que este condomínio é bem bacana.
Marcelo e Samanta estavam casados há pouco mais de um ano. Modelo famosa, Samanta fazia ainda alguns trabalhos, optando por ficar o maior tempo possível com o marido. Já Marcelo era um advogado em ascensão em uma notória firma jurídica. O casamento ia muito bem. Desde o primeiro dia em que se viram, nunca mais haviam se desgrudado. Porém, apesar de ambos estarem vivendo momentos de grande paixão, Samanta jamais
poderia suspeitar que Marcelo, poucos anos antes, sofrera uma terrível decepção amorosa. Aliás, isto era um tabu na vida dele, um assunto que poucos conheciam, o qual Marcelo não fazia a menor questão de lembrar. Mulher de rara beleza, Samanta o fascinara instantaneamente com seus olhos verdes e a pele negra. Em três meses estavam casados e vivendo intensamente cada instante.
− É só você dizer “sim” e eu ligo para o corretor − Marcelo apontou para o celular. – A decisão está toda em suas mãos.
− Ligue para ele agora. Eu quero esta casa!
Sem perder tempo, ele telefonou para o corretor, acertando uma visita. Samanta já tinha mil ideias para decorar a casa quando o marido desligou o celular.
− Vou fazer deste lugar o nosso ninho de felicidade, meu amor. Será que fui piegas demais?
Acho que sim − sorriu Marcelo, abraçando-a. – Mas qual é o problema, desde que isso a faça mais feliz?
− Você é o responsável por tudo de bom que tem acontecido na minha vida − confessou ela. – Mal vejo a hora de me mudar para cá. – Samanta lhe roubou um beijo.
− Vamos dar uma volta pelo condomínio e conhecer nossos novos vizinhos?
− Claro, estou ansiosa por isto!
O condomínio agradou em cheio Samanta. Com ciclovia e calçadão para caminhar, ela se sentiu em casa. De mãos dadas com o marido enquanto faziam o reconhecimento de área, ela apontou para frente discretamente e exclamou:
− Veja, tem até um supermercado!
− Eu falei que você encontraria tudo o que precisa aqui − replicou Marcelo, satisfeito com a alegria da esposa.
− Realmente, estou cada vez mais surpresa. E aliviada.
− Aliviada por quê?
− Não suporto mais o estresse da cidade. Estou precisando de um lugar calmo para viver. E você também − reparou ela. – Aquele escritório suga toda a sua energia.
− Você repõe todas as minhas energias.
− Pensei que eu também tirasse.
− Nas horas certas, sim – Marcelo riu.
E depois – emendou ela com um sorriso no rosto, – nossos bebês serão criados com mais liberdade e qualidade de vida. Este lugar é perfeito para crianças.
Marcelo ficou em silêncio. O assunto “filhos” era constante na vida do casal, porém sempre por parte de Samanta. O sonho dela era ser mãe. Ele, no entanto, jamais revelara que fizera uma vasectomia meses antes de conhecê-la, e não tinha se arrependido disso, mesmo depois de se apaixonar por ela. Crianças, sinceramente, somente as dos outros, e, mesmo assim, com alguma distância. Marcelo sabia que deveria ter contado para Samanta desde o início, mas não o fizera. Assim, ela continuava alimentando seu sonho, mal sabendo que com Marcelo isso jamais poderia se concretizar.
− Você não acha? – perguntou ela.
− Acho o quê?
Que os nossos filhos serão muito felizes aqui. Viverão uma infância de verdade, e não presos dentro de apartamentos, em uma selva de concreto.
− Ah, claro... Aqui é o lugar ideal – para trocar de assunto, Marcelo rapidamente falou. – Vou deixar você encarregada das reformas, dos pedreiros, de tudo. Com o novo caso que me deram na firma, não terei tempo de gerenciar as coisas mais de perto.
− Deixa comigo – Samanta concordou feliz. – Vou adorar me ocupar com a reforma e com a decoração da casa. Posso até consultar você de vez em quando.
− Gostaria muito, mas reconheço seu bom gosto. Fico tranquilo deixando tudo em suas mãos.
Samanta deu uma gargalhada gostosa e o abraçou.
− Tenho certeza de que seremos muito felizes aqui, meu amor.
− Viveremos momentos inesquecíveis neste lugar.
Eles mal podiam imaginar o quanto a frase de Marcelo tinha de verdadeira.
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domingo, 13 de novembro de 2016

O AMOR É A ÚNICA COISA QUE IMPORTA





Depois de um tempo nos damos conta do que realmente é prioridade na nossa vida. Algumas coisas vão ficando para trás por serem simplesmente descartáveis. E no final das contas, depois de pesar tudo na balança (ou no coração), descobrimos, talvez tarde demais, que o amor é a única coisa que importa

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A CHAVE









Procurando a chave que vai abrir aquela porta
Mas enquanto eu não a encontro

Vale dar voadora?

terça-feira, 8 de novembro de 2016

OPORTUNIDADE






Oportunidade. É aquilo que você deixa passar por estar com preguiça, com sono, sem saco e sem vontade de sair do sofá.



Oportunidade. É aquilo que o outro aproveitou porque você decidiu ficar na janela vendo o mundo passar.

sábado, 5 de novembro de 2016

PERTURBAÇÃO










Pensamentos perturbadores eu tenho todos os dias. 

Mas aqueles em que você aparece são os melhores.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

PAISAGEM



Mude a trajetória da sua vida, nunca será tarde demais para isso.

Ao seguirmos sempre o mesmo caminho deixamos de admirar a paisagem.

domingo, 30 de outubro de 2016

ATITUDE




CANSEI DE TOMAR PORRES PARA ESQUECER MEUS PROBLEMAS


HOJE EU TOMO ATITUDE.


É DE GRAÇA E FAZ MUITO BEM

terça-feira, 25 de outubro de 2016

TOPO DA MONTANHA





SEMPRE TENTEI SER FORTE
E CAMINHEI COM PASSOS FIRMES
AINDA QUE A ESTRADA FOSSE INSTÁVEL
NÃO DESISTI
AH, ISTO EU NUNCA FIZ
TALVEZ POR ISTO EU ESTEJA AQUI

OLHANDO VOCÊ DO TOPO DA MONTANHA

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

SINAIS DOS TEMPOS






ALTOS PAPOS VIRTUAIS COM ALGUÉM DO OUTRO LADO DO MUNDO

EM SILÊNCIO COM A PESSOA QUE ESTÁ SENTADA AO LADO.

sábado, 15 de outubro de 2016

TEU NOME





Eu gosto de ouvir teus lábios pronunciarem meu nome

E quando eu digo o teu minha voz nunca é a mesma

São pequenas coisas que tornam tudo tão simples

Tão simples, mas do tamanho do nosso Universo