VOCÊ PARTE, SOU UM ICEBERG
OUÇO TUA VOZ, SOU NOITE ESTRELADA
VOCÊ ME TOCA, SOU UM VULCÃO
terça-feira, 27 de outubro de 2015
sábado, 17 de outubro de 2015
VALENTINA, A GATA
Daqui enxergo o mundo. Já vi coisas que deixaram meus pelos amarelos
eriçados. Hoje, no entanto, não me surpreendo com mais nada. Pelo contrário,
acho tudo tão engraçado. Esses humanos, no fundo, me divertem.
Gosto de ficar aqui no telhado, quando o sol ainda não está quente. Fico
sentadinha, vendo o mundo passar, longe da minha dona chata. Por que as pessoas
não entendem que os gatos são diferentes dos cachorros? Eu gosto de passear
sozinha, não preciso de ninguém para ficar caminhando junto comigo. Minha dona,
aquela boba, deve ter me confundido com um cachorro assim que me tirou da
companhia da minha mãe e dos meus irmãos. Onde já se viu gato com coleira? Miei
tanto, fiz um escarcéu sem tamanho, e ela se viu obrigada a arrancar aquele
troço antes que eu me enforcasse. Mesmo assim, ela insiste em colocar aquele
maldito lacinho cor de rosa na minha cabeça. Claro, ele não sobrevive a um dia
inteiro das minhas andanças. Às vezes tenho vontade de dizer para ela: Me esqueça!
Mas sabe, ela faz umas comidinhas gostosas para mim. Será que existe alguém que
saiba fazer um pedaço de carne tão gostoso igual ao que ela me faz? Minha dona
é chata, mas cozinha bem. Eu não gosto de rações para gatos.
Humm... mas eu sou fascinada é
pelo namorado dela. No começo ele não me dava bola. Mas eu me insinuei tanto,
me esfreguei tanto nas suas pernas peludas que acabei por conquistá-lo. Aliás,
eu sou uma conquistadora nata. Ai, ele é um gato de duas pernas! O lindo me
adora. Daqui do telhado, vejo quando ele chega. Eu saio correndo, entro pela
janela, pela área, por qualquer lugar e já me posiciono na porta. Ouço-o
subindo as escadas, sinto o cheiro do seu perfume. Minha dona fica meio
enciumada, mas a gata aqui sou eu. Depois que eles se beijam, o namorado
dela me pega no colo, me acaricia, até já me beijou no focinho! São nestas
ocasiões que eu gostaria de ter duas pernas. Certamente minha dona já o teria
perdido para mim.
Ruim mesmo é quando chove. Argh, eu tenho horror a água. Aí não tem
jeito. É ficar em casa, enroladinha, esperando a chuva passar. É um saco! Minha
dona fica toda hora me colocando no colo dela, mas eu não fico ali nem um
segundo. Que coisa, me deixa em paz. Tenho vontade de dizer a ela que vá
comprar um cachorro. Ou vá fazer um filho.
Ontem o gato da vizinha veio aqui em casa me namorar. É um gatão branco,
peludo, de pedigree. Claro que ele entrou escondido, o sem vergonha. Que felino
bonito... acho que estou ficando apaixonada, logo eu, imagine só. Mas não tem
como resistir àqueles olhos amarelo-esverdeados, o ronronar sedutor. Ele sabe
como tratar uma gatinha. E eu que me achava tão esperta, fui cair nas suas
armadilhas. Se minha dona sabe, corre com o peludo daqui.
Daqui do telhado enxergo o mundo, o meu mundo. Ele é tão grande e às
vezes pequeno demais. Mas chegará o dia em que vou criar coragem de transpor os
muros e conhecer outras paisagens. E depois, será que vou querer voltar?
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
CLAUDIOMIRO, O CARA
Claudiomiro, ou melhor, Cacau, tinha 18 anos quando estourou no universo
futebolístico. A sequência de gols que empilhou no juvenil do time sem
expressão que atuava logo chamou a atenção dos dirigentes. Em pouco tempo já
jogava na equipe principal. E, no ano seguinte, seus passes, dribles e jogadas
geniais levaram Cacau a ser contratado por um dos maiores times do Rio de
Janeiro.
A fama chegou rápida e trouxe de arrasto mulheres de todas as faixas
etárias. Cacau encheu o corpo de tatuagens imitando seus outros colegas de
profissão e inventou um penteado maluco copiado por 10 entre 10 garotos. Ele
era o tal.
Sua presença desencadeava gritos histéricos de hordas de adolescentes em
surto sexual. Capas de revistas, casinhos amorosos sem compromisso, treinos e
jogos. Esta era a vida do Claudiomiro. Suelen se apaixonou perdidamente por ele.
Suelen, vinda da periferia, bonitinha, loira de farmácia, ensandecida de amor
pelo astro em ascensão.
Suelen trocou de time de coração para torcer por seu ídolo. Sentada e
uniformizada frente à TV durante as partidas, ela assistia a tudo, menos
futebol. Impedimento? Como assim? Os olhos não desgrudavam da camisa suada
dele, das penas compridas e musculosas, do abdômen tanquinho. Era um homem e
tanto, e com apenas 19 anos! A parede do quarto da Suelen não tinha mais espaço
para tanto pôster do Cacau. Na semana anterior havia rolado no chão com uma
garota da escola depois que a outra afirmou em alto e bom som que Suelen era
muito chinelona para namorá-lo. Depois do barraco, Suelen voltou para casa
orgulhosa de ter quebrado dois dentes da rival. Pena que o Cacau morava longe
da sua cidade, distante muitos quilômetros de onde Suelen vivia. Ela tinha uma
certeza, porém. No dia que Cacau pusesse os olhos nela, se apaixonaria no mesmo
instante, perdidamente. E a partir daí ambos viveria um conto de fadas.
Quando o time do Cacau veio jogar na cidade da Suelen, ela simplesmente
enlouqueceu. Foi no primeiro tatuador que encontrou e pediu que ele tatuasse
“Forever Cacau” no antebraço, grande, em letras pretas. Depois convocou algumas
amigas também fãs do moço e foram todas para a frente do hotel onde o time
estava concentrado, com cartazes, faixas e muita gritaria. Tanto esforço valeu
uma entrevista em rede nacional, onde Suelen apareceu se debulhando em
lágrimas, mostrando a tatuagem feita em homenagem ao ídolo e declarando que o
amava mais que a si mesma. Ao contrário do que pensava, aquilo não foi o
bastante para que alguém a pusesse frente a frente com Cacau. A única coisa que
restou foi Suelen ir ao jogo e ficar se esgoelando na geral, durante os 90
minutos, pelo nome do astro. O time dele perdeu, mas naquele dia Suelen voltou
para casa com trocentas fotos no celular, muito emocionada. Havia visto seu
futuro marido de perto. E então, a partir desse momento, começou a planejar uma
viagem para se encontrar com ele. Ninguém poderia saber. Era segredo. O plano
era sair de casa durante a madrugada e pegar um ônibus para o Rio de Janeiro.
Daria um jeito de conhecê-lo e deixá-lo perdido de amor. Suelen confiava no seu
taco.
Um anúncio mal feito colado em um poste dizia que Madame Anunciação traz
seu amor de volta em três dias. Suelen pegou o pouco que sobrou da sua bolsa de
estágio e marcou uma hora com a cartomante. Só queria que ela confirmasse o que
já sabia: que Cacau muito em breve seria todinho seu.
Madame Anunciação lhe atendeu em um ambiente perfumado, com um lenço na
cabeça e uma bela bola de cristal na frente. Suelen, constrangida e nervosa,
logo contou o motivo da sua visita. Falou até demais. Revelou que acompanhava a
vida de Cacau desde o início da carreira dele, que o quarto era tomado por
fotos e posters gigantes e que tinha certeza que um dia iriam casar. Só queria
uma confirmação antes de pegar o ônibus fugida para o Rio. Mostrou a tatuagem e
a intenção que tinha de fazer outra por dentro do lábio.
Olhando atentamente para a bola de cristal feita de vidro, Madame
Anunciação segurou o riso com esforço. Mais uma trouxa. Precisava manter o foco
e não se trair. Não fazia meia hora havia visto em vários sites de notícias,
fotos de Cacau com sua nova namorada, uma dançarina peituda e bunduda, loira e
bonitona, ambos abraçados, jurando amor eterno. E ali estava aquela moça,
sentada a sua frente, sonhando em casar com outro deslumbrado pela fama,
possivelmente um ignorante que tivera a sorte de se dar bem no futebol. Que
Deus lhe desse juízo suficiente para conseguir aprender algo com a fama, tão efêmera e tão cruel. E que fizesse grana
de uma vez.
A vidente – que nunca foi vidente – fechou os olhos procurando as
melhores palavras. Quando encarou novamente a mocinha, disparou de uma vez só:
— Você nunca ficará com ele. Não está escrito em lugar nenhum do
universo que vocês se encontrarão um dia.
Suelen tomou um susto. Empalideceu, balbuciou, tentou argumentar alguma
coisa. Com lágrimas nos olhos, Suelen pagou o que devia e saiu atordoada dali.
Não era possível, dizia ela para si mesma, pensando na grana guardada dentro da
caixinha para a viagem que pretendia empreender tão breve. Cacau não será meu,
ele não será meu...
Cega pelas lágrimas, Suelen atravessou a avenida sem olhar para os
lados. Não deu tempo de o ônibus frear.
sábado, 3 de outubro de 2015
FIM DE PAPO
Ele conduzia o carro pela estrada cheia de curvas,
encrustada na serra. A paisagem era bonita, o sol iluminava a vegetação, um dia
perfeito para um passeio com uma boa companhia. Mas ele estava sozinho. Quer
dizer, Tatiana estava ao seu lado, de olhos fechados, presa no cinto de
segurança. Não era uma boa companhia a Tatiana.
Ela estava morta.
Quem ultrapassava o carro de Breno e se prestasse para
reparar quem era o passageiro não veria mais que uma moça bonita em sono
profundo. A echarpe preta, comprada em Paris em uma viagem romântica um ano
antes, escondia o corte profundo da garganta de Tatiana. Breno sorriu. Não
havia sido difícil matar a esposa. Ela sempre fora de estatura pequena, frágil.
O problema fora matar o Ricardo. O cara era forte, cheio de músculos, boa
pinta. A boa estampa certamente atraíra Tatiana, cansada dele, Breno. Cara
chato, sem grana e barrigudo com quem tinha casado há 3 anos. Breno um dia fora
um pedaço de mau caminho. Depois relaxou. Engordou, ficou careca e, não demorou
muito, corno também.
Bem, Ricardo estava morto. Foi preciso três pancadas na
cabeça dele com uma pá para dar fim naquele traste. O corpo ainda estava no
apartamento de Breno na cidade, esperando para ser desovado em algum lugar ermo
durante a madrugada. A preocupação de Breno agora era se livrar da puta.
O homem pegou uma estrada secundária sem asfalto e que jogava
terra por todos os lados. Ele conhecia muito bem aquele lugar. Havia ido várias
vezes com a Tati passear por ali, admirar o vale e a natureza exuberante. A
esposa adorava aquele lugar, por isto Breno escolheu que ali seria um bom lugar
para deixar seu ex-amor. Aliás, ela não merecia mais que um lixão. Mas, puxa...
a infeliz estava morta. Era só jogar o corpo despenhadeiro abaixo e tudo estava
acabado.
Ele parou o carro na beira da estrada. Era raro qualquer
veículo transitar por ali. Fumando e aparentando calma, Breno abriu a porta do
carona, pegou Tatiana no colo e sem dificuldade a carregou até a beira do
penhasco. Antes de jogá-la, deu uma tragada funda no cigarro e o apagou no
chão. Olhou para Tati, beijou-a na testa e no momento seguinte a projetou no
ar. Fechou os olhos para escutar melhor o som do corpo batendo nas pedras e galhos
de árvores. Depois, silêncio.
Fim de papo.
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
NA SAUNA
Ele era alto, moreno de olhos verdes, corpo bem trabalhado na academia. 50 anos completados na semana anterior. Bem sucedido, carismático, o sorriso mais lindo que já vi na vida.
Puta merda. Ele era
meu padrasto.
Eu tinha 19 anos.
Minha mãe se separou do trouxa do meu pai quando eu nem bem tinha completado
três anos de vida. Desde então a vida dela foi uma eterna busca pelo homem
perfeito (?), coisa que parecia cada vez mais difícil de encontrar. Era
possível dizer que com a minha pouca idade até eu já conhecia mais homens que
ela.
Enfim, um dia o
passarinho azul atravessou o caminho da minha mãe. De uma hora para outra ela
mudou. O semblante sério deu lugar a risadas fora de hora, esmalte vermelho nas
unhas e mais visitas ao salão de beleza. Não foi preciso ninguém me contar que
tinha homem na jogada.
Conheci o Regis em um
almoço de família onde ele foi apresentado oficialmente para todo mundo. Eu
babei, minhas tias babaram, minhas primas babaram, minha avó se encantou. Não
era para menos.
O Regis era
simplesmente tudo de bom.
Lembro que naquele
mesmo almoço ele vestia uma calça jeans clara e que marcava sua linda bundinha.
Se alguém percebeu, não sei, mas meus olhos não desgrudaram daquela bunda nem
por um minuto. A única coisa que me lembro foi de ter dito para mim mesma que
pela primeira vez na vida minha mãe tinha dado uma dentro.
Bem, o namoro rendeu.
Rendeu tanto que decidiram se casar. Quase surtei, juro. Uma coisa era ver o
Regis uma ou duas vezes por semana. Mas juntar os trapos?! Isto significava que
aquele baita homem viveria em nossa casa. Ou nós na dele, tanto faz. E como
resistir a tamanha tentação? Pensei seriamente em me mudar e deixar que eles
vivessem sozinhos, em seu ninho de amor. Quando propus isto para minha mãe, ela
refutou na hora. Claro que não expliquei os motivos para querer sair de casa e
acabei ficando. Meu Deus, eu fiquei.
Nos mudamos de mala e
cuia para a casa do Regis. Felizmente a casa era grande. Eu podia me perder lá
dentro e evitar sua presença se assim eu quisesse. Mas eu não queria. À medida
que o tempo foi passando percebi porque minha mãe era tão louca por ele. Meu
padrasto era um ser apaixonante. O sorriso e a gargalhada dele enchiam a casa e
logo eu também me vi ensandecida. Eu tinha um namorado. Paulinho. Tudo nele era
“inho”. E comparado com o Regis, meu querido perdia disparado.
Uma bela noite minha
mãe ligou para casa e avisou que teria uma reunião até mais tarde. Resultado:
eu e meu padrasto sozinhos em casa. Cheguei a ter uma palpitação. Nossa, será
que se eu desse mole para ele, alguma coisa poderia acontecer? Eu estava tão
desesperada de tesão que estava a fim de jogar tudo para cima apenas para desfrutar
de algumas horas com o cara.
Percebi quando Regis
pegou suas coisas e foi para a sauna. Era um dos hobbies dele. Minha mãe
detestava e nunca o acompanhava. Bem, a partir daquela noite a solidão do meu
padrasto na sauna chegaria ao fim. Vesti um top e um short bem curtinho que mal
tapava a bunda. E lá fui eu.
Abri a porta da sauna
já fazendo carão. Queria que ele se impressionasse com meu jeito sexy. Regis
estava de olhos fechados e descerrou as pálpebras devagar quando se deu conta
que não estava mais sozinho.
Nossa, ele estava nu.
Inteiramente. O pau com que eu tanto sonhava estava ali ao meu alcance e o
calor que me consumia era bem maior que o da sauna.
− Quer um boquete? Eu sei fazer um melhor do
que qualquer mulher.
Ele me encarou como
se não acreditasse no que estava vendo. Mas antes que pensasse em me expulsar
dali, aproximei-me rapidamente e me ajoelhei na sua frente. Não, ele não me
afastou. Pelo contrário. Enfiou aquele pau de 22 centímetros dentro da minha
boca. Quase me engasguei. Estava acostumada com o “inho” do Paulinho e pensei
que fosse morrer asfixiada. Porém esta sensação durou por poucos segundos. Logo
me adaptei àquele pau incrível e o chupei com tanta vontade que logo comecei a
escutar os gemidos dele.
Fiquei totalmente
empolgada. Do caralho passei para as bolas dele. Ricas bolas, por sinal. Era
tudo o que eu amava. Lambi, chupei, beijei. Peguei o cacete para chupar de novo
como se aquilo fosse meu troféu. Ah, como eu queria poder tirar uma foto
daquele momento e guardar para sempre.
De repente meu
padrasto me puxou para cima. Suas mãos procuraram avidamente os botões do meu
short. Uau!!! Ele queria me comer. Eu o ajudei e logo estava nua inteirinha na
frente dele. Sentei-me em cima do pau do Regis e logo aquele tronco invadiu
minha buceta de alto a baixo. Até então nunca tinha transado com um cara tão
bem dotado e sinceramente no início foi um pouco desconfortável. Achei que
seria rasgada. Não que me importasse. Com dor ou sem dor era uma maravilha
poder cavalgar o Régis, sentir os dedos dele no meu cuzinho e a língua nos meus
seios. Será que ele fazia isso com minha mãe? Duvido. Ela era muito tradicional
e certinha. Não era para menos que o Régis estava me comendo tão gostoso. E
dali para frente sempre seria assim.
Ele gozou na minha
buceta feito um cavalo e chegamos ao clímax praticamente juntos. Tentei não berrar
muito, mas não teve jeito. Vi estrelas por toda a sauna, algo quase inédito
para mim. E eu já sabia o que faria depois daquela sessão incrível de sexo.
Telefonaria pro Paulinho e daria um fim no nosso relacionamento. Eu topava ser
amante do meu padrasto sem problema nenhum.
Nos recuperamos por
10 minutos, enquanto eu o enchia de beijos. Ele já era meu e nem sabia disto
ainda. Foi quando Regis me deitou no chão da sauna e me cobriu totalmente.
Senti meu rabo sendo aberto pelas mãos fortes dele e previ a cena. Seria
currada. E agora? O meu cuzinho não comportaria todo aquele pau.
Bom, isto não era
problema do Régis quando ele enfiou sem cuspe o enorme caralho dentro de mim.
Eu berrei enquanto ele urrava no meu ouvido:
− Rebola, vadia! Vai,
mexe este rabão!
Aquilo me excitou. Só
de tentar rebolar eu sentia dor, mas não me fiz de rogada. Obedeci-o
totalmente, pois se eu não fizesse aquilo, outra iria fazer. Dor e prazer se
misturavam naquela foda imperdível. Meus gritos se confundiam com os urros
dele. Não sabia que era tão bom ser arrombada. Nossa, eu só desejava transar o
resto da vida com aquele homem e minha mãe que se danasse.
Senti o jato quente
de porra no meu rabo e o Regis desabando sobre minhas costas. Era ótima a
sensação de ter um homem daquele tamanho deitado em cima de mim, me cobrindo
com toda a sua masculinidade. Tadinho, ele estava tão cansado que nem tirou o
caralho de dentro da minha bunda. Não me importei. Eu estava adorando aquilo.
De alguma forma eu
peguei no sono por uns vinte minutos, creio. E quando acordei o Régis
continuava na mesma posição. Em cima de mim, com o pau enterrado no meu cu. A
sauna estava quente demais e depois de todo aquele exercício eu me sentia
desconfortável. A pedida era um banho a dois bem juntinhos antes que minha mãe
chegasse.
− Régis, meu amor…
Vamos fazer outra coisa?
Silêncio. Nossa, eu
tinha dado uma canseira no meu velho!
− Amor… Uma ducha cai
bem agora.
Tentei me virar um
pouco e olhei bem para o rosto dele. Régis estava com os olhos arregalados,
babando no meu cabelo e ficando roxo.
Puta que pariu, ele
estava morto!
Empurrei-o para o
lado e meu padrasto rolou no chão ficando de barriga para cima. A visão era
aterradora. Me vesti correndo e quando dei meia volta para sair daquele
inferno, deparei-me com minha mãe parada na porta da sauna. Encaramo-nos por
longos segundos. Eu podia ter dito várias coisas como “desculpe, foi uma
fatalidade, meus pêsames.” Mas a única coisa que veio a minha mente foi:
− Pelo menos ele
morreu feliz.
domingo, 2 de agosto de 2015
BOLO DE CHOCOLATE
No curso de Formação de Escritores que estou fazendo, o professor nos desafiou a escrever uma cena onde estivessem presentes os cinco sentidos: olfato, paladar, tato, audição e visão. Ou quase todos. O resultado desta pequena aventura está aqui. Degustem!
Era da cozinha
que vinha o aroma delicioso que tomou conta da casa. Maria salivou quando
finalmente o bolo de chocolate foi posto sobre a mesa apenas para observação.
Ainda não era o momento de ele ser degustado. Faltava finalizar. Dona Odete, a
mãe, despejou com cuidado a cobertura de leite condensado, espalhando o creme
com uma faca por toda a superfície e laterais. Os olhos de Maria brilharam,
antevendo o prazer de saborear a sobremesa. Em menos de dois minutos, o bolo de
chocolate estava pronto. Sobre a cobertura de leite condensado, Dona Odete
ainda colocou raspas de chocolate para enfeitar. De repente, Maria se viu a sós
com sua sobremesa preferida. Não havia ninguém por perto. Ela fechou os olhos e
cravou os dentes com vontade, sentindo o leite condensado escorrer pelo queixo
e o chocolate se desmanchar dentro da boca. Mas não esperava que sua sobremesa
favorita estivesse tão quente. Recém
saído do forno, o bolo desceu queimando a garganta de Maria e o prazer se foi.
A língua ainda queimava quando ela emborcou um copo cheio de água gelada, tão
gelada que os seus dentes sensíveis doeram. Mas o bolo continuava ali em cima
da mesa, nem tão intacto agora. Quem sabe mais um pedacinho? Desta vez Maria
pegou a faca e cortou uma fatia grande. Encostou o nariz no bolo e na cobertura
para sentir o cheirinho dele. Soprou bem, nem pensar em se queimar novamente! E
sem ligar para boas maneiras, enfiou tudo dentro da boca, mastigando bem
devagarinho e gemendo de prazer. Um bolo de chocolate bem feito podia ser melhor
que sexo.
sexta-feira, 24 de julho de 2015
SUSANA
Meu
nome é Milton, tenho 40 anos de vida e mais da metade dela só de estrada.
Explico: sou caminhoneiro. Herdei a profissão do meu falecido pai. Comecei na
boléia aos 15, peguei no volante aos 18 e nunca mais larguei este mundo. No
início, antes de eu casar, tudo era festa. Agora, com mulher e filhos, fica
cada vez mais complicado andar por estas estradas, sujeito a assaltos e outras
coisas mais. Se vê cada coisa estranha.…E o que vou contar agora para vocês é
algo muito, mas muito estranho mesmo.
Aconteceu
há mais ou menos um ano. Fiquei parado seis meses devido a um rompimento nos
tendões, resultado de uma partida de futebol. Foram seis meses que se não fosse
minha mulher pôr comida dentro de casa, passaríamos fome. Bem, finalmente fui
liberado para pegar a estrada. Confesso que estava com um pouco de saudade.
Tinha perdido contato com meus amigos caminhoneiros. A gente sente falta das
conversas, das risadas, dos causos. A minha primeira viagem de retorno era pra
longe. Mas eu não tinha escolha, né? Peguei minha carga e botei os pés na
estrada.
Tudo
transcorreu bem na primeira noite. Encontrei alguns amigos e dormi em um posto
de gasolina. No dia seguinte, nada aconteceu de anormal. O caminhão estava
legal, o dia bonito e as estradas daquele jeito que todo mundo sabe. Lá pelas
nove horas da noite me bateu fome. E cansaço também. Parei em um posto de beira
de estrada, simples. Não havia nenhum outro caminhão. Pedi um sanduíche e um
refrigerante e fiquei ali, comendo sozinho, lembrando que uns cinqüenta quilômetros
adiante havia um posto maior, onde eu poderia dormir com mais segurança e,
certamente, haveria outros colegas para pôr os causos em dia. Quando eu já
estava mordendo meu último pedaço de sanduíche, alguém apareceu na minha frente
e se sentou, sem pedir licença.
Levei
um susto. O restaurante estava praticamente vazio. Era eu e o proprietário, um
senhor sonolento que escutava um radinho, no caixa. Para minha surpresa, eu
conhecia a pessoa que sentou ali comigo. Era a Susana, irmã do meu amigo e
colega, Roberto.
— Susana! Puxa, você me deu um susto! Como
você está? Já casou?
Eu
estava realmente satisfeito de ver Susana. Aquela moça deveria ter uns 20 anos.
Eu a tinha visto nascer e crescer. Sempre fôra muito bonita. Mas naquela noite
ela estava estranha. Os cabelos caiam soltos pelo vestido branco e ela não
mostrava seu habitual sorriso.
— Quero que você me faça um favor – pediu
ela, com a voz profunda.
Fiquei
cabreiro. Aquela voz… Nem parecia ela. Reparei que havia um ferimento no seu
pescoço, disfarçado pelos cabelos compridos. Respondi, meio sem jeito:
— Claro. O que você quiser… Está sozinha?
— Toma – disse ela, estendendo-me alguma
coisa e sem responder minha pergunta — Leve para o Roberto e diga para ele
entregar para o André.
Nas
minhas mãos foi depositado um belo crucifixo de prata, com pedrinhas
brilhantes. Lembrei que André era o noivo de Susana. Olhei de novo para a moça, que me fitava
intensamente. Eu teria que desviar o caminho, isto atrasaria minha viagem, mas
eu não consegui recusar o pedido feito por aqueles olhos negros e tristes. Sim,
os olhos dela estavam muito tristes.
— Sim, está bem. Você espera um pouco? – pedi
eu — Vou pagar a conta.
Levantei
e fui até o caixa me acertar. Fiz tudo bem rápido, mas quando eu me virei para
ir ao encontro de Susana, ela havia ido embora. Fiquei chateado. Saí correndo
até o lado de fora do restaurante para tentar alcançá-la, mas não havia sequer
um sinal que fosse da menina. Bem, Roberto talvez pudesse me explicar alguma
coisa. Entrei no caminhão, ainda intrigado, dirigi mais alguns quilômetros e
encontrei o posto onde dormi até às seis horas da manhã. E de novo peguei a
estrada, com o crucifixo de Susana brilhando no espelho interno do caminhão.
Próximo
ao meio-dia, cheguei na casa de Roberto, depois de desviar por uma estrada que
aumentou meu trajeto em 30 quilômetros. Felizmente, meu amigo estava em casa. A
esposa havia ganho bebê e ele estava dando uma força. Roberto ficou feliz ao me
ver. Ele me convidou para entrar, mas eu recusei para não atrasar mais. Depois
de conversamos algumas amenidades, resolvi ir direto ao assunto:
— Roberto, na verdade vim até aqui para lhe
entregar uma coisa – e tirei do bolso o crucifixo.
Quando
meu amigo se deparou com a jóia, ficou muito pálido. Segurando-o firmemente,
ele me perguntou:
— É de Susana! Onde você conseguiu isto?
Não
sei o motivo, mas eu comecei a ficar nervoso.
— Com a própria Susana. Ontem eu parei em um
posto de gasolina na beira da estrada e quando estava no final do meu lanche,
ela apareceu e pediu que eu lhe entregasse isto. E que você levasse o crucifixo
até o André. É o noivo dela, não é? Eles romperam?
Roberto
estava tão branco que pensei que fosse desmaiar. E minhas mãos começaram a suar.
— Milton… ─ ele respirou fundo — Meu cunhado
deu de presente este crucifixo para Susana. Uma semana antes do casamento, dois
rapazes a assaltaram e arrancaram a correntinha do pescoço da minha irmã. O
ferimento foi tão grande que ela morreu de tanto sangrar.
Aí
quem quase teve um troço fui eu. Não era possível. Eu fiquei apavorado. Cheguei
a estontear.
— Mas era… era ela – tentei dizer.
— Você tem certeza? – Roberto tremia com o
crucifixo entre os dedos.
— Claro, claro que sim! Ela sentou a minha
frente! Fiz perguntas que ela não respondeu! E reparei que Susana tinha um
ferimento no pescoço e que disfarçava com os cabelos.
— Como estava vestida?
— De branco – respondi, sentindo-me enjoado.
— Ela foi enterrada de branco…
Não
sei mais o que eu disse. Fiquei em pânico. Despedi-me rapidamente do meu amigo
e entrei no caminhão. Não sei como consegui dirigir aquele dia e nos outros. Quando
anoitecia, eu me refugiava em postos onde havia bastantes caminhoneiros. Eu me
recusava a ficar sozinho. Não tive coragem de contar esta história para
ninguém, a não ser para minha mulher que, felizmente, não disse que eu estava
ficando louco. Um dia destes, uma moça de branco e cabelos compridos entrou no
restaurante em que eu estava com outros colegas, à noite. Levei um susto, quase
me engasguei. Mas não era Susana. Aquela moça estava bem viva e feliz. E no seu
pescoço brilhava um lindo crucifixo de pedras brilhantes.
domingo, 19 de julho de 2015
DOMINGO
Domingo de sol, parque lotado.
Ele veio correndo na minha direção.
Torso nu, sorriso aberto, coxas torneadas.
Me apaixonei em três segundos.
Ele passou reto. O dia estava bom para se exercitar.
Ele veio correndo na minha direção.
Torso nu, sorriso aberto, coxas torneadas.
Me apaixonei em três segundos.
Ele passou reto. O dia estava bom para se exercitar.
MEIO-DIA
É meio-dia.
Tenho fome de arroz, macarrão, feijão, batata-frita.
Me olho no espelho.
Mais um dia de alface, tomate e barriga vazia.
Tenho fome de arroz, macarrão, feijão, batata-frita.
Me olho no espelho.
Mais um dia de alface, tomate e barriga vazia.
FUTEBOL
Domingo.
Drible, firula, torcida ensandecida.
Jogada ensaiada, raça, gols e taça.
Segunda-feira.
A minha vida continua a mesma.
Drible, firula, torcida ensandecida.
Jogada ensaiada, raça, gols e taça.
Segunda-feira.
A minha vida continua a mesma.
terça-feira, 14 de julho de 2015
domingo, 31 de maio de 2015
RAIO DE SOL
Tem gente que quando ri parece abrir um raio de sol no
coração dos outros.
Risadas verdadeiras são fundamentais.
coração dos outros.
Risadas verdadeiras são fundamentais.
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