quinta-feira, 5 de novembro de 2015

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

LONGA ESPERA

Penteei meu cabelo, pus meu perfume mais doce
Nos meus lábios, o batom mais vermelho
Sem demora me instalei na janela de cortinas floridas
Alisei meu vestido lilás de renda e fitas, caprichei no sorriso sedutor
Fiquei por horas seguidas esperando meu amor passar
Abanei para um, acenei para outro
Mas o rapaz de terno escuro desta vez não apareceu
A noite chegou e com ela meu desalento
Sentei na cadeira de balanço com meu bordado nas mãos
Oh, Deus, a única coisa que eu desejo para mim
É uma vida de sonhos, amor e paixão


MOÇO BONITO



Aquele moço moreno e bonito
Tímido, de sorriso acanhado
Me faz ter sonhos infinitos
Eu te quero meu namorado



terça-feira, 3 de novembro de 2015

terça-feira, 27 de outubro de 2015

sábado, 17 de outubro de 2015

VALENTINA, A GATA

Daqui enxergo o mundo. Já vi coisas que deixaram meus pelos amarelos eriçados. Hoje, no entanto, não me surpreendo com mais nada. Pelo contrário, acho tudo tão engraçado. Esses humanos, no fundo, me divertem.

Gosto de ficar aqui no telhado, quando o sol ainda não está quente. Fico sentadinha, vendo o mundo passar, longe da minha dona chata. Por que as pessoas não entendem que os gatos são diferentes dos cachorros? Eu gosto de passear sozinha, não preciso de ninguém para ficar caminhando junto comigo. Minha dona, aquela boba, deve ter me confundido com um cachorro assim que me tirou da companhia da minha mãe e dos meus irmãos. Onde já se viu gato com coleira? Miei tanto, fiz um escarcéu sem tamanho, e ela se viu obrigada a arrancar aquele troço antes que eu me enforcasse. Mesmo assim, ela insiste em colocar aquele maldito lacinho cor de rosa na minha cabeça. Claro, ele não sobrevive a um dia inteiro das minhas andanças. Às vezes tenho vontade de dizer para ela: Me esqueça! Mas sabe, ela faz umas comidinhas gostosas para mim. Será que existe alguém que saiba fazer um pedaço de carne tão gostoso igual ao que ela me faz? Minha dona é chata, mas cozinha bem. Eu não gosto de rações para gatos. 

 Humm... mas eu sou fascinada é pelo namorado dela. No começo ele não me dava bola. Mas eu me insinuei tanto, me esfreguei tanto nas suas pernas peludas que acabei por conquistá-lo. Aliás, eu sou uma conquistadora nata. Ai, ele é um gato de duas pernas! O lindo me adora. Daqui do telhado, vejo quando ele chega. Eu saio correndo, entro pela janela, pela área, por qualquer lugar e já me posiciono na porta. Ouço-o subindo as escadas, sinto o cheiro do seu perfume. Minha dona fica meio enciumada, mas a gata aqui sou eu.  Depois que eles se beijam, o namorado dela me pega no colo, me acaricia, até já me beijou no focinho! São nestas ocasiões que eu gostaria de ter duas pernas. Certamente minha dona já o teria perdido para mim. 

Ruim mesmo é quando chove. Argh, eu tenho horror a água. Aí não tem jeito. É ficar em casa, enroladinha, esperando a chuva passar. É um saco! Minha dona fica toda hora me colocando no colo dela, mas eu não fico ali nem um segundo. Que coisa, me deixa em paz. Tenho vontade de dizer a ela que vá comprar um cachorro. Ou vá fazer um filho.

Ontem o gato da vizinha veio aqui em casa me namorar. É um gatão branco, peludo, de pedigree. Claro que ele entrou escondido, o sem vergonha. Que felino bonito... acho que estou ficando apaixonada, logo eu, imagine só. Mas não tem como resistir àqueles olhos amarelo-esverdeados, o ronronar sedutor. Ele sabe como tratar uma gatinha. E eu que me achava tão esperta, fui cair nas suas armadilhas. Se minha dona sabe, corre com o peludo daqui. 

Daqui do telhado enxergo o mundo, o meu mundo. Ele é tão grande e às vezes pequeno demais. Mas chegará o dia em que vou criar coragem de transpor os muros e conhecer outras paisagens. E depois, será que vou querer voltar?



quinta-feira, 15 de outubro de 2015

CLAUDIOMIRO, O CARA

Claudiomiro, ou melhor, Cacau, tinha 18 anos quando estourou no universo futebolístico. A sequência de gols que empilhou no juvenil do time sem expressão que atuava logo chamou a atenção dos dirigentes. Em pouco tempo já jogava na equipe principal. E, no ano seguinte, seus passes, dribles e jogadas geniais levaram Cacau a ser contratado por um dos maiores times do Rio de Janeiro.

A fama chegou rápida e trouxe de arrasto mulheres de todas as faixas etárias. Cacau encheu o corpo de tatuagens imitando seus outros colegas de profissão e inventou um penteado maluco copiado por 10 entre 10 garotos. Ele era o tal.

Sua presença desencadeava gritos histéricos de hordas de adolescentes em surto sexual. Capas de revistas, casinhos amorosos sem compromisso, treinos e jogos. Esta era a vida do Claudiomiro. Suelen se apaixonou perdidamente por ele. Suelen, vinda da periferia, bonitinha, loira de farmácia, ensandecida de amor pelo astro em ascensão.

Suelen trocou de time de coração para torcer por seu ídolo. Sentada e uniformizada frente à TV durante as partidas, ela assistia a tudo, menos futebol. Impedimento? Como assim? Os olhos não desgrudavam da camisa suada dele, das penas compridas e musculosas, do abdômen tanquinho. Era um homem e tanto, e com apenas 19 anos! A parede do quarto da Suelen não tinha mais espaço para tanto pôster do Cacau. Na semana anterior havia rolado no chão com uma garota da escola depois que a outra afirmou em alto e bom som que Suelen era muito chinelona para namorá-lo. Depois do barraco, Suelen voltou para casa orgulhosa de ter quebrado dois dentes da rival. Pena que o Cacau morava longe da sua cidade, distante muitos quilômetros de onde Suelen vivia. Ela tinha uma certeza, porém. No dia que Cacau pusesse os olhos nela, se apaixonaria no mesmo instante, perdidamente. E a partir daí ambos viveria um conto de fadas.

Quando o time do Cacau veio jogar na cidade da Suelen, ela simplesmente enlouqueceu. Foi no primeiro tatuador que encontrou e pediu que ele tatuasse “Forever Cacau” no antebraço, grande, em letras pretas. Depois convocou algumas amigas também fãs do moço e foram todas para a frente do hotel onde o time estava concentrado, com cartazes, faixas e muita gritaria. Tanto esforço valeu uma entrevista em rede nacional, onde Suelen apareceu se debulhando em lágrimas, mostrando a tatuagem feita em homenagem ao ídolo e declarando que o amava mais que a si mesma. Ao contrário do que pensava, aquilo não foi o bastante para que alguém a pusesse frente a frente com Cacau. A única coisa que restou foi Suelen ir ao jogo e ficar se esgoelando na geral, durante os 90 minutos, pelo nome do astro. O time dele perdeu, mas naquele dia Suelen voltou para casa com trocentas fotos no celular, muito emocionada. Havia visto seu futuro marido de perto. E então, a partir desse momento, começou a planejar uma viagem para se encontrar com ele. Ninguém poderia saber. Era segredo. O plano era sair de casa durante a madrugada e pegar um ônibus para o Rio de Janeiro. Daria um jeito de conhecê-lo e deixá-lo perdido de amor. Suelen confiava no seu taco.

Um anúncio mal feito colado em um poste dizia que Madame Anunciação traz seu amor de volta em três dias. Suelen pegou o pouco que sobrou da sua bolsa de estágio e marcou uma hora com a cartomante. Só queria que ela confirmasse o que já sabia: que Cacau muito em breve seria todinho seu.

Madame Anunciação lhe atendeu em um ambiente perfumado, com um lenço na cabeça e uma bela bola de cristal na frente. Suelen, constrangida e nervosa, logo contou o motivo da sua visita. Falou até demais. Revelou que acompanhava a vida de Cacau desde o início da carreira dele, que o quarto era tomado por fotos e posters gigantes e que tinha certeza que um dia iriam casar. Só queria uma confirmação antes de pegar o ônibus fugida para o Rio. Mostrou a tatuagem e a intenção que tinha de fazer outra por dentro do lábio.

Olhando atentamente para a bola de cristal feita de vidro, Madame Anunciação segurou o riso com esforço. Mais uma trouxa. Precisava manter o foco e não se trair. Não fazia meia hora havia visto em vários sites de notícias, fotos de Cacau com sua nova namorada, uma dançarina peituda e bunduda, loira e bonitona, ambos abraçados, jurando amor eterno. E ali estava aquela moça, sentada a sua frente, sonhando em casar com outro deslumbrado pela fama, possivelmente um ignorante que tivera a sorte de se dar bem no futebol. Que Deus lhe desse juízo suficiente para conseguir aprender algo com a fama,  tão efêmera e tão cruel. E que fizesse grana de uma vez.

A vidente – que nunca foi vidente – fechou os olhos procurando as melhores palavras. Quando encarou novamente a mocinha, disparou de uma vez só:

— Você nunca ficará com ele. Não está escrito em lugar nenhum do universo que vocês se encontrarão um dia.

Suelen tomou um susto. Empalideceu, balbuciou, tentou argumentar alguma coisa. Com lágrimas nos olhos, Suelen pagou o que devia e saiu atordoada dali. Não era possível, dizia ela para si mesma, pensando na grana guardada dentro da caixinha para a viagem que pretendia empreender tão breve. Cacau não será meu, ele não será meu...

Cega pelas lágrimas, Suelen atravessou a avenida sem olhar para os lados. Não deu tempo de o ônibus frear.


sábado, 3 de outubro de 2015

FIM DE PAPO

Ele conduzia o carro pela estrada cheia de curvas, encrustada na serra. A paisagem era bonita, o sol iluminava a vegetação, um dia perfeito para um passeio com uma boa companhia. Mas ele estava sozinho. Quer dizer, Tatiana estava ao seu lado, de olhos fechados, presa no cinto de segurança. Não era uma boa companhia a Tatiana.

Ela estava morta.

Quem ultrapassava o carro de Breno e se prestasse para reparar quem era o passageiro não veria mais que uma moça bonita em sono profundo. A echarpe preta, comprada em Paris em uma viagem romântica um ano antes, escondia o corte profundo da garganta de Tatiana. Breno sorriu. Não havia sido difícil matar a esposa. Ela sempre fora de estatura pequena, frágil. O problema fora matar o Ricardo. O cara era forte, cheio de músculos, boa pinta. A boa estampa certamente atraíra Tatiana, cansada dele, Breno. Cara chato, sem grana e barrigudo com quem tinha casado há 3 anos. Breno um dia fora um pedaço de mau caminho. Depois relaxou. Engordou, ficou careca e, não demorou muito, corno também.

Bem, Ricardo estava morto. Foi preciso três pancadas na cabeça dele com uma pá para dar fim naquele traste. O corpo ainda estava no apartamento de Breno na cidade, esperando para ser desovado em algum lugar ermo durante a madrugada. A preocupação de Breno agora era se livrar da puta.
O homem pegou uma estrada secundária sem asfalto e que jogava terra por todos os lados. Ele conhecia muito bem aquele lugar. Havia ido várias vezes com a Tati passear por ali, admirar o vale e a natureza exuberante. A esposa adorava aquele lugar, por isto Breno escolheu que ali seria um bom lugar para deixar seu ex-amor. Aliás, ela não merecia mais que um lixão. Mas, puxa... a infeliz estava morta. Era só jogar o corpo despenhadeiro abaixo e tudo estava acabado.

Ele parou o carro na beira da estrada. Era raro qualquer veículo transitar por ali. Fumando e aparentando calma, Breno abriu a porta do carona, pegou Tatiana no colo e sem dificuldade a carregou até a beira do penhasco. Antes de jogá-la, deu uma tragada funda no cigarro e o apagou no chão. Olhou para Tati, beijou-a na testa e no momento seguinte a projetou no ar. Fechou os olhos para escutar melhor o som do corpo batendo nas pedras e galhos de árvores. Depois, silêncio.


Fim de papo. 

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

NA SAUNA






Ele era alto, moreno de olhos verdes, corpo bem trabalhado na academia. 50 anos completados na semana anterior. Bem sucedido, carismático, o sorriso mais lindo que já vi na vida.

Puta merda. Ele era meu padrasto.

Eu tinha 19 anos. Minha mãe se separou do trouxa do meu pai quando eu nem bem tinha completado três anos de vida. Desde então a vida dela foi uma eterna busca pelo homem perfeito (?), coisa que parecia cada vez mais difícil de encontrar. Era possível dizer que com a minha pouca idade até eu já conhecia mais homens que ela.

Enfim, um dia o passarinho azul atravessou o caminho da minha mãe. De uma hora para outra ela mudou. O semblante sério deu lugar a risadas fora de hora, esmalte vermelho nas unhas e mais visitas ao salão de beleza. Não foi preciso ninguém me contar que tinha homem na jogada.

Conheci o Regis em um almoço de família onde ele foi apresentado oficialmente para todo mundo. Eu babei, minhas tias babaram, minhas primas babaram, minha avó se encantou. Não era para menos.

O Regis era simplesmente tudo de bom.

Lembro que naquele mesmo almoço ele vestia uma calça jeans clara e que marcava sua linda bundinha. Se alguém percebeu, não sei, mas meus olhos não desgrudaram daquela bunda nem por um minuto. A única coisa que me lembro foi de ter dito para mim mesma que pela primeira vez na vida minha mãe tinha dado uma dentro.

Bem, o namoro rendeu. Rendeu tanto que decidiram se casar. Quase surtei, juro. Uma coisa era ver o Regis uma ou duas vezes por semana. Mas juntar os trapos?! Isto significava que aquele baita homem viveria em nossa casa. Ou nós na dele, tanto faz. E como resistir a tamanha tentação? Pensei seriamente em me mudar e deixar que eles vivessem sozinhos, em seu ninho de amor. Quando propus isto para minha mãe, ela refutou na hora. Claro que não expliquei os motivos para querer sair de casa e acabei ficando. Meu Deus, eu fiquei.

Nos mudamos de mala e cuia para a casa do Regis. Felizmente a casa era grande. Eu podia me perder lá dentro e evitar sua presença se assim eu quisesse. Mas eu não queria. À medida que o tempo foi passando percebi porque minha mãe era tão louca por ele. Meu padrasto era um ser apaixonante. O sorriso e a gargalhada dele enchiam a casa e logo eu também me vi ensandecida. Eu tinha um namorado. Paulinho. Tudo nele era “inho”. E comparado com o Regis, meu querido perdia disparado.

Uma bela noite minha mãe ligou para casa e avisou que teria uma reunião até mais tarde. Resultado: eu e meu padrasto sozinhos em casa. Cheguei a ter uma palpitação. Nossa, será que se eu desse mole para ele, alguma coisa poderia acontecer? Eu estava tão desesperada de tesão que estava a fim de jogar tudo para cima apenas para desfrutar de algumas horas com o cara.

Percebi quando Regis pegou suas coisas e foi para a sauna. Era um dos hobbies dele. Minha mãe detestava e nunca o acompanhava. Bem, a partir daquela noite a solidão do meu padrasto na sauna chegaria ao fim. Vesti um top e um short bem curtinho que mal tapava a bunda. E lá fui eu.

Abri a porta da sauna já fazendo carão. Queria que ele se impressionasse com meu jeito sexy. Regis estava de olhos fechados e descerrou as pálpebras devagar quando se deu conta que não estava mais sozinho.

Nossa, ele estava nu. Inteiramente. O pau com que eu tanto sonhava estava ali ao meu alcance e o calor que me consumia era bem maior que o da sauna.

 − Quer um boquete? Eu sei fazer um melhor do que qualquer mulher.

Ele me encarou como se não acreditasse no que estava vendo. Mas antes que pensasse em me expulsar dali, aproximei-me rapidamente e me ajoelhei na sua frente. Não, ele não me afastou. Pelo contrário. Enfiou aquele pau de 22 centímetros dentro da minha boca. Quase me engasguei. Estava acostumada com o “inho” do Paulinho e pensei que fosse morrer asfixiada. Porém esta sensação durou por poucos segundos. Logo me adaptei àquele pau incrível e o chupei com tanta vontade que logo comecei a escutar os gemidos dele.

Fiquei totalmente empolgada. Do caralho passei para as bolas dele. Ricas bolas, por sinal. Era tudo o que eu amava. Lambi, chupei, beijei. Peguei o cacete para chupar de novo como se aquilo fosse meu troféu. Ah, como eu queria poder tirar uma foto daquele momento e guardar para sempre.

De repente meu padrasto me puxou para cima. Suas mãos procuraram avidamente os botões do meu short. Uau!!! Ele queria me comer. Eu o ajudei e logo estava nua inteirinha na frente dele. Sentei-me em cima do pau do Regis e logo aquele tronco invadiu minha buceta de alto a baixo. Até então nunca tinha transado com um cara tão bem dotado e sinceramente no início foi um pouco desconfortável. Achei que seria rasgada. Não que me importasse. Com dor ou sem dor era uma maravilha poder cavalgar o Régis, sentir os dedos dele no meu cuzinho e a língua nos meus seios. Será que ele fazia isso com minha mãe? Duvido. Ela era muito tradicional e certinha. Não era para menos que o Régis estava me comendo tão gostoso. E dali para frente sempre seria assim.

Ele gozou na minha buceta feito um cavalo e chegamos ao clímax praticamente juntos. Tentei não berrar muito, mas não teve jeito. Vi estrelas por toda a sauna, algo quase inédito para mim. E eu já sabia o que faria depois daquela sessão incrível de sexo. Telefonaria pro Paulinho e daria um fim no nosso relacionamento. Eu topava ser amante do meu padrasto sem problema nenhum.

Nos recuperamos por 10 minutos, enquanto eu o enchia de beijos. Ele já era meu e nem sabia disto ainda. Foi quando Regis me deitou no chão da sauna e me cobriu totalmente. Senti meu rabo sendo aberto pelas mãos fortes dele e previ a cena. Seria currada. E agora? O meu cuzinho não comportaria todo aquele pau.

Bom, isto não era problema do Régis quando ele enfiou sem cuspe o enorme caralho dentro de mim. Eu berrei enquanto ele urrava no meu ouvido:

− Rebola, vadia! Vai, mexe este rabão!

Aquilo me excitou. Só de tentar rebolar eu sentia dor, mas não me fiz de rogada. Obedeci-o totalmente, pois se eu não fizesse aquilo, outra iria fazer. Dor e prazer se misturavam naquela foda imperdível. Meus gritos se confundiam com os urros dele. Não sabia que era tão bom ser arrombada. Nossa, eu só desejava transar o resto da vida com aquele homem e minha mãe que se danasse.

Senti o jato quente de porra no meu rabo e o Regis desabando sobre minhas costas. Era ótima a sensação de ter um homem daquele tamanho deitado em cima de mim, me cobrindo com toda a sua masculinidade. Tadinho, ele estava tão cansado que nem tirou o caralho de dentro da minha bunda. Não me importei. Eu estava adorando aquilo.

De alguma forma eu peguei no sono por uns vinte minutos, creio. E quando acordei o Régis continuava na mesma posição. Em cima de mim, com o pau enterrado no meu cu. A sauna estava quente demais e depois de todo aquele exercício eu me sentia desconfortável. A pedida era um banho a dois bem juntinhos antes que minha mãe chegasse.

− Régis, meu amor… Vamos fazer outra coisa?

Silêncio. Nossa, eu tinha dado uma canseira no meu velho!

− Amor… Uma ducha cai bem agora.

Tentei me virar um pouco e olhei bem para o rosto dele. Régis estava com os olhos arregalados, babando no meu cabelo e ficando roxo.

Puta que pariu, ele estava morto!

Empurrei-o para o lado e meu padrasto rolou no chão ficando de barriga para cima. A visão era aterradora. Me vesti correndo e quando dei meia volta para sair daquele inferno, deparei-me com minha mãe parada na porta da sauna. Encaramo-nos por longos segundos. Eu podia ter dito várias coisas como “desculpe, foi uma fatalidade, meus pêsames.” Mas a única coisa que veio a minha mente foi:


− Pelo menos ele morreu feliz.

domingo, 2 de agosto de 2015

BOLO DE CHOCOLATE


No curso de Formação de Escritores que estou fazendo, o professor nos desafiou a escrever uma cena onde estivessem presentes os cinco sentidos: olfato, paladar, tato, audição e visão. Ou quase todos. O resultado desta pequena aventura está aqui. Degustem!




Era da cozinha que vinha o aroma delicioso que tomou conta da casa. Maria salivou quando finalmente o bolo de chocolate foi posto sobre a mesa apenas para observação. Ainda não era o momento de ele ser degustado. Faltava finalizar. Dona Odete, a mãe, despejou com cuidado a cobertura de leite condensado, espalhando o creme com uma faca por toda a superfície e laterais. Os olhos de Maria brilharam, antevendo o prazer de saborear a sobremesa. Em menos de dois minutos, o bolo de chocolate estava pronto. Sobre a cobertura de leite condensado, Dona Odete ainda colocou raspas de chocolate para enfeitar. De repente, Maria se viu a sós com sua sobremesa preferida. Não havia ninguém por perto. Ela fechou os olhos e cravou os dentes com vontade, sentindo o leite condensado escorrer pelo queixo e o chocolate se desmanchar dentro da boca. Mas não esperava que sua sobremesa favorita estivesse tão quente.  Recém saído do forno, o bolo desceu queimando a garganta de Maria e o prazer se foi. A língua ainda queimava quando ela emborcou um copo cheio de água gelada, tão gelada que os seus dentes sensíveis doeram. Mas o bolo continuava ali em cima da mesa, nem tão intacto agora. Quem sabe mais um pedacinho? Desta vez Maria pegou a faca e cortou uma fatia grande. Encostou o nariz no bolo e na cobertura para sentir o cheirinho dele. Soprou bem, nem pensar em se queimar novamente! E sem ligar para boas maneiras, enfiou tudo dentro da boca, mastigando bem devagarinho e gemendo de prazer. Um bolo de chocolate bem feito podia ser melhor que sexo.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

SUSANA

  
Meu nome é Milton, tenho 40 anos de vida e mais da metade dela só de estrada. Explico: sou caminhoneiro. Herdei a profissão do meu falecido pai. Comecei na boléia aos 15, peguei no volante aos 18 e nunca mais larguei este mundo. No início, antes de eu casar, tudo era festa. Agora, com mulher e filhos, fica cada vez mais complicado andar por estas estradas, sujeito a assaltos e outras coisas mais. Se vê cada coisa estranha.…E o que vou contar agora para vocês é algo muito, mas muito estranho mesmo.

Aconteceu há mais ou menos um ano. Fiquei parado seis meses devido a um rompimento nos tendões, resultado de uma partida de futebol. Foram seis meses que se não fosse minha mulher pôr comida dentro de casa, passaríamos fome. Bem, finalmente fui liberado para pegar a estrada. Confesso que estava com um pouco de saudade. Tinha perdido contato com meus amigos caminhoneiros. A gente sente falta das conversas, das risadas, dos causos. A minha primeira viagem de retorno era pra longe. Mas eu não tinha escolha, né? Peguei minha carga e botei os pés na estrada.

Tudo transcorreu bem na primeira noite. Encontrei alguns amigos e dormi em um posto de gasolina. No dia seguinte, nada aconteceu de anormal. O caminhão estava legal, o dia bonito e as estradas daquele jeito que todo mundo sabe. Lá pelas nove horas da noite me bateu fome. E cansaço também. Parei em um posto de beira de estrada, simples. Não havia nenhum outro caminhão. Pedi um sanduíche e um refrigerante e fiquei ali, comendo sozinho, lembrando que uns cinqüenta quilômetros adiante havia um posto maior, onde eu poderia dormir com mais segurança e, certamente, haveria outros colegas para pôr os causos em dia. Quando eu já estava mordendo meu último pedaço de sanduíche, alguém apareceu na minha frente e se sentou, sem pedir licença.

Levei um susto. O restaurante estava praticamente vazio. Era eu e o proprietário, um senhor sonolento que escutava um radinho, no caixa. Para minha surpresa, eu conhecia a pessoa que sentou ali comigo. Era a Susana, irmã do meu amigo e colega, Roberto.

— Susana! Puxa, você me deu um susto! Como você está? Já casou?

Eu estava realmente satisfeito de ver Susana. Aquela moça deveria ter uns 20 anos. Eu a tinha visto nascer e crescer. Sempre fôra muito bonita. Mas naquela noite ela estava estranha. Os cabelos caiam soltos pelo vestido branco e ela não mostrava seu habitual sorriso.

— Quero que você me faça um favor – pediu ela, com a voz profunda.

Fiquei cabreiro. Aquela voz… Nem parecia ela. Reparei que havia um ferimento no seu pescoço, disfarçado pelos cabelos compridos. Respondi, meio sem jeito:

— Claro. O que você quiser… Está sozinha?
— Toma – disse ela, estendendo-me alguma coisa e sem responder minha pergunta — Leve para o Roberto e diga para ele entregar para o André.

Nas minhas mãos foi depositado um belo crucifixo de prata, com pedrinhas brilhantes. Lembrei que André era o noivo de Susana.  Olhei de novo para a moça, que me fitava intensamente. Eu teria que desviar o caminho, isto atrasaria minha viagem, mas eu não consegui recusar o pedido feito por aqueles olhos negros e tristes. Sim, os olhos dela estavam muito tristes.

— Sim, está bem. Você espera um pouco? – pedi eu — Vou pagar a conta.

Levantei e fui até o caixa me acertar. Fiz tudo bem rápido, mas quando eu me virei para ir ao encontro de Susana, ela havia ido embora. Fiquei chateado. Saí correndo até o lado de fora do restaurante para tentar alcançá-la, mas não havia sequer um sinal que fosse da menina. Bem, Roberto talvez pudesse me explicar alguma coisa. Entrei no caminhão, ainda intrigado, dirigi mais alguns quilômetros e encontrei o posto onde dormi até às seis horas da manhã. E de novo peguei a estrada, com o crucifixo de Susana brilhando no espelho interno do caminhão.

Próximo ao meio-dia, cheguei na casa de Roberto, depois de desviar por uma estrada que aumentou meu trajeto em 30 quilômetros. Felizmente, meu amigo estava em casa. A esposa havia ganho bebê e ele estava dando uma força. Roberto ficou feliz ao me ver. Ele me convidou para entrar, mas eu recusei para não atrasar mais. Depois de conversamos algumas amenidades, resolvi ir direto ao assunto:

— Roberto, na verdade vim até aqui para lhe entregar uma coisa – e tirei do bolso o crucifixo.

Quando meu amigo se deparou com a jóia, ficou muito pálido. Segurando-o firmemente, ele me perguntou:

— É de Susana! Onde você conseguiu isto?

Não sei o motivo, mas eu comecei a ficar nervoso.

— Com a própria Susana. Ontem eu parei em um posto de gasolina na beira da estrada e quando estava no final do meu lanche, ela apareceu e pediu que eu lhe entregasse isto. E que você levasse o crucifixo até o André. É o noivo dela, não é? Eles romperam?

Roberto estava tão branco que pensei que fosse desmaiar. E minhas mãos começaram a suar.

— Milton… ─ ele respirou fundo — Meu cunhado deu de presente este crucifixo para Susana. Uma semana antes do casamento, dois rapazes a assaltaram e arrancaram a correntinha do pescoço da minha irmã. O ferimento foi tão grande que ela morreu de tanto sangrar.

Aí quem quase teve um troço fui eu. Não era possível. Eu fiquei apavorado. Cheguei a estontear.

— Mas era… era ela – tentei dizer.
— Você tem certeza? – Roberto tremia com o crucifixo entre os dedos.
— Claro, claro que sim! Ela sentou a minha frente! Fiz perguntas que ela não respondeu! E reparei que Susana tinha um ferimento no pescoço e que disfarçava com os cabelos.
— Como estava vestida?
— De branco – respondi, sentindo-me enjoado.
— Ela foi enterrada de branco…


Não sei mais o que eu disse. Fiquei em pânico. Despedi-me rapidamente do meu amigo e entrei no caminhão. Não sei como consegui dirigir aquele dia e nos outros. Quando anoitecia, eu me refugiava em postos onde havia bastantes caminhoneiros. Eu me recusava a ficar sozinho. Não tive coragem de contar esta história para ninguém, a não ser para minha mulher que, felizmente, não disse que eu estava ficando louco. Um dia destes, uma moça de branco e cabelos compridos entrou no restaurante em que eu estava com outros colegas, à noite. Levei um susto, quase me engasguei. Mas não era Susana. Aquela moça estava bem viva e feliz. E no seu pescoço brilhava um lindo crucifixo de pedras brilhantes.

domingo, 19 de julho de 2015

DOMINGO

Domingo de sol, parque lotado.
Ele veio correndo na minha direção.
Torso nu, sorriso aberto, coxas torneadas.
Me apaixonei em três segundos.
Ele passou reto. O dia estava bom para se exercitar.