domingo, 31 de maio de 2015

RAIO DE SOL

Tem gente que quando ri parece abrir um raio de sol no 

coração dos outros.

Risadas verdadeiras são fundamentais.

sábado, 23 de maio de 2015

A GOSTOSA E O PEÃO (Final)

Sandro chegou e me encontrou exausta sentada no sofá. Ainda estava emburrado, mas para minha surpresa, disposto para sexo. Nem acreditei. Justo naquele dia? Quando percebi Sandro estava em cima de mim, beijando meu pescoço e tocando nos meus seios. Consegui apagar a luz do abajur da sala e ficamos na penumbra. Meu receio era que Sandro enxergasse algum hematoma em mim. Nós transamos do mesmo jeito de sempre; sem graça nenhuma. Felizmente foi uma transa leve, pois uma mais pesada eu não teria condições de suportar. Depois do sexo, Sandro se levantou e foi tomar banho. E não deu mais bola para mim a noite inteira.

Na sexta-feira choveu e seu Toni avisou que dispensara os peões. Minha frustração foi grande. O que eu mais desejava era invadir aquela obra e foder com Vando até me acabar. Me masturbei o final de semana inteiro pensando nele, no meu gato. Lembrei que da próxima vez que eu o visse perguntaria mais sobre sua vida. Quem sabe ele necessitasse de alguma ajuda financeira? Nem por um momento me preocupei se ele teria algum tipo de relacionamento. Aquilo para mim era irrelevante. Eu tinha certeza de que ele seria meu. Onde Sandro ficaria nesta história eu não tinha certeza.

No início da semana minha intenção era que tudo se repetisse como da outra vez. Eu aportaria no meio da tarde na obra, me trancaria com Vando em algum lugar e teríamos uma sessão de sexo forte e caliente. Estacionei o carro no mesmo lugar e desci ciente de que esbanjava sensualidade com minhas calças justíssimas e uma blusa decotada. Os peões pararam de trabalhar quando me viram e seu Toni saiu apressado lá de dentro quando percebeu minha chegada.

— Dona Ângela… — ele parecia meio ansioso. — Achei que a senhora não viesse hoje.
— Ué? Mas você sabe que sou eu a responsável por vistoriar a obra.

Naquele momento Sandro saiu de dentro da casa e eu congelei. Ele estava diferente. Arrogante, até. Ao me ver, se aproximou de mim e me beijou no rosto.

— Não precisa mais se preocupar, meu amor. Decidi que daqui para frente eu mesmo virei aqui supervisionar tudo.

Abri a boca para protestar. Não era possível. Será que Sandro tinha desconfiado de alguma coisa?

— Mas eu…
— Sei que você se cansa de vir aqui sempre. Além disso, acho que estou muito afastado das obras.
— Você não confia em mim? — consegui perguntar. Reparei que Vando observava tudo lá de dentro da casa.
— Claro que sim. Só não quero dar mais trabalho para você.

Seu Toni assistia nosso debate muito interessado.

— Escute, Sandro. De maneira nenhuma eu me importo de vir aqui.  Adoro ver o que está acontecendo. Além disso, eu e seu Toni nos entendemos muito bem.
— Ah, mas eu e nosso querido mestre de obras nos entendemos até pelo olhar. Fique tranquila. Eu assumo isto aqui agora.
— Tudo bem — disse eu furiosa, porém controlada. Peguei a chave do carro e decidi que iria embora antes que acertasse um soco no meu marido. — Vou voltar para meu trabalho.
— Faça isto.

Beijamo-nos sem vontade e fui embora. Sandro que me aguardasse. Os chifres que eu instalaria na sua cabeça seriam tão imensos que tão cedo ele não passaria por porta alguma.

*

Naquela noite nos tratamos bem, porém friamente. Sandro chegou mais tarde, contou-me sobre a obra, tudo de forma bem natural. Fiz de conta que estava muito interessada, quando na verdade eu queria esganar o cretino. Ele ainda me anunciou que no outro dia passaria a tarde na obra, fiscalizando tudo. Pobre do seu Toni e operários. Sandro era o maior pentelho do mundo e com certeza iria mais atrapalhar que ajudar.

Dia seguinte eu não fui para o trabalho como Sandro imaginou. Com um simples telefonema cancelei todos meus compromissos para aquela manhã e apareci na obra pouco depois das nove horas. Por algum motivo, seu Toni me recebeu tenso e sem jeito. Não sei o que Sandro teria dito a ele sobre mim, contudo eu pouco me importava.

— Onde está o Vando? — perguntei curta e grossa.

O homem pigarreou e nem respondeu. Fez apenas um sinal com a cabeça indicando que o Vando estava no interior da casa. Entrei decidida a ter a maior foda de todos os tempos com meu gato lindo. Escutei algum ruído no piso superior da casa e subi em seguida. O som vinha do banheiro. Sim, provavelmente Vando estivesse dando um retoque por lá. Nem bati na porta. Abri de supetão, esperando encontrar meu príncipe em suas roupas rústicas de trabalho pronto para me foder por todos os lados.

Gritei.

*

 De repente pareceu que o mundo tinha parado. Eu, na porta, sem me mexer. Meus olhos estavam fixos em Sandro. De quatro, era currado por Vando. Aliás, Vando parecia estar com muito mais apetite com meu marido do que comigo. Sandro me olhou e empalideceu. Vando de imediato parou de meter no rabo do meu marido. Ficamos por uns bons trinta segundos nos encarando, nenhum dos três acreditando que aquilo estava acontecendo.

Depois de um tempo achei que fosse desmaiar. O banheiro rodou e eu me segurei firme na porta até a sensação ruim passar. Vando se desgrudou do Sandro, este se levantou puxando as calças e eu comecei a andar de ré, louca para sair daquele lugar.

— Não é bem isto que você está pensando.

Sandro disse a frase clichê mais pálido que eu. Vando puxou as calças para cima e me olhou como se estivesse se desculpando.

— Ele me ofereceu uma grana. Não pude recusar.
— Tudo bem — murmurei.

Dei meia volta e fiz a única coisa digna que podia fazer: caí fora. Passei reto por seu Toni e não olhei para os lados e nem para ninguém. Fui direto para casa, peguei todas as roupas do Sandro e coloquei de qualquer jeito dentro de uma mala ou duas. Mais tarde, entrei em contato com seu Toni e pedi o celular do Vando. Em pouco tempo eu já estava falando com ele.


— Venha para minha casa agora. 

sexta-feira, 22 de maio de 2015

A GOSTOSA E O PEÃO (Cap. 2)

No outro dia nosso desjejum foi praticamente em silêncio. Tentei puxar assunto com Sandro, mas ele estava monossilábico. Por fim, desisti. Ele saiu primeiro que eu sem ao menos se despedir. Logo eu o esqueci. Meu foco era o Vando. Fui para o trabalho pensando na investida que eu faria logo mais à tarde. Sim, porque daquele dia Vando não passava. Passei a manhã toda sem conseguir me concentrar direito e abreviei meu expediente. Precisava estar linda e cheirosa para ele.

Fui até minha casa, tomei um banho perfumado, coloquei um vestido curto para facilitar o sexo e me mandei para minha nova casa. Seu Toni não estava. Segundo os peões, ele havia ido até o banco pagar algumas contas. Quando perguntei quem estava dentro de casa, obtive a resposta que eu mais desejava. Ele, Vando.

Entrei apressada. Tinha que agir rápido antes que seu Toni chegasse ou algum peão metido entrasse na casa. Subi as escadas e fui procurar por Vando no segundo piso. Caminhei pelo corredor decidida, esperando encontrá-lo a qualquer momento. Fui de um lado ao outro da casa e não o vi em lugar algum. Minha decepção era grande.

— Procurando alguém?

Aquela voz máscula e firme só podia ser dele. Olhei para baixo. Da sala, Vando me fitava com uma cara de ordinário. Ele sabia muito bem de quem eu estava atrás.

 Aproximei da escada devagar, fazendo o estilo sexy.

— Descobri um defeito no seu trabalho.

Ele não disse nada. Subiu as escadas de dois em dois degraus e eu tomei a frente, levando-o até o banheiro. Entramos os dois, fechei a porta e não precisou que eu dissesse nada. Vando me agarrou pelos cabelos e beijou minha boca como se quisesse me engolir. Nem em um milhão de anos Sandro seria capaz de me beijar daquele jeito. No momento seguinte eu já estava quase sem roupa. Meu vestido foi jogado no chão, minha calcinha parou quase dentro do vaso sanitário. Não me fiz boba, eu tinha pressa. Nua, eu avancei para os botões da bermuda dele e em seguida aquele pau delicioso de 22 centímetros saltou na minha frente. Vando chutou a bermuda para longe e nos grudamos nus, roçando nossos corpos. Eu me sentia quente, achei até que estivesse com febre. As mãos dele passaram pelas minhas costas até chegarem na minha bunda. Logo senti o dedo dele vasculhando minha bundinha, penetrando em seguida, a seco no meu rabo. Quase gritei e para não atrair audiência, enterrei minhas unhas nas costas dele. Eu nem lembrava mais o que era sexo anal quando Vando me virou com a maior facilidade do mundo de frente para a parede e abriu minhas pernas. Não tive nem tempo de raciocinar. O caralho do Vando entrou no meu cuzinho sem dó nem piedade. E doeu. Doeu muito. Mas eu adorei. Soquei a parede, quase quebrei os dedos de dor e prazer. Rebolei gemendo naquele pau gostoso, não conseguia parar mais. Os dedos dele chegaram no meu grelhinho  e não foi preciso muito para que eu sentisse que um orgasmo de alta voltagem iria me tomar inteira. Vando enterrou seu cacete mais umas cinco vezes no meu cu antes que eu sentisse a sua porra me besuntando. Gozei naquela hora. Meus gritos com certeza foram escutados em todo o condomínio e além.

Desabei no chão, dolorida e saciada. Olhei para Vando. Ele se sentou no chão, encostado à porta. A barba por fazer que me arranhara todo o pescoço o deixava lindo e misterioso. Lembrei que devia ter trazido um preservativo, mas… paciência. Eu estava tão excitada que não tinha me lembrado daquele mero detalhe.

— Você é incrível — disse ele sorrindo. — Soube disto desde a primeira vez que pus o olho em você.

Engatinhei até ele como uma gata e beijei-o. Desta vez o beijo foi mais doce e posso dizer que nunca beijei tão gostoso na minha vida.

— Me chupa — pediu ele. — Vai, agora.

Ele empurrou minha cabeça direto no pau e, confesso, nunca fiz boquete em um troço tão grande como aquele. Custei um pouco a me adaptar ao tamanho; afinal, Sandro tinha um pau ridículo comparado ao do Vando. Chupei-o com tanta vontade que não me dei conta que ele estava prestes a gozar de novo. De repente senti a porra dentro da minha boca e acabei engolindo tudinho. Foi minha primeira vez, nunca havia feito aquilo na vida, sempre cheia de nojo. Mas com Vando era diferente. Eu poderia fazer tudo por ele. Tudo mesmo. Se pudesse, levava-o para casa naquele instante.

                Quando seu Toni chegou 40 minutos mais tarde, encontrou-me descabelada e com o vestido amassado. Minha calcinha estava dentro da bolsa, rasgada e sem condições de uso. Tratei alguns assuntos da obra com o mestre de obras, enquanto Vando comia um sanduíche na cozinha sem tirar os olhos de mim. Seu Toni desconfiou de alguma coisa, talvez fosse o cheiro de sexo que exalava do meu corpo. Fui embora momentos depois, quase sem conseguir tirar os olhos de Vando. E eu tinha pressa. Precisava chegar antes que Sandro chegasse e percebesse que eu tinha trepado com um homem que realmente valia a pena. 

A GOSTOSA E O PEÃO (Cap. 1)

O que eu posso dizer do Sandro? Um cara legal, bom marido, sempre disposto a satisfazer meus caprichos. Minhas amigas viviam dizendo que Sandro era o marido nota 10, o tipo de homem que qualquer mulher gostaria de ter ao seu lado pelo resto da vida.

Do lado de fora, claro, tudo eram flores. Contudo, meu maridinho tinha um grande problema. Ele não era nada criativo no sexo. Era sempre a mesma coisa, o tal papai e mamãe, sem nenhuma variação. No início me sujeitei àquele relacionamento morno. Quando eu o conheci, recém havia perdido o emprego e estava com uma mão na frente e outra atrás. Sandro surgiu em minha vida como uma espécie de tábua de salvação. Sua situação social e financeira era boa e estes dois quesitos me conquistaram imediatamente. O fator sexo deixou a desejar desde o primeiro encontro, mas achei que aquilo poderia ser revertido à medida que nos conhecêssemos melhor.

Infelizmente, enganei-me. Ainda assim casamos, pois eu precisava garantir meu futuro e estabilidade. Mais tarde conquistei um excelente emprego por méritos próprios, porém me continuei casada com Sandro. Ele era um cara legal. No sexo, um desastre.

Apesar de viver insatisfeita neste ponto, até o momento eu não havia traído meu marido. A ideia passava pela minha cabeça, porém simplesmente não tinha surgido uma oportunidade bacana.

Até o dia que eu conheci o Vando.
*

 Sandro resolveu comprar uma casa em um condomínio fechado, o que achei maravilhoso. A casa era grande e decidimos reformar para ficar do nosso jeito. Meu marido me nomeou como a encarregada de supervisionar as obras e todas as tardes eu reservava um tempinho da minha agenda para ir até minha futura casa ver o andamento das coisas.

Era uma tarde de quarta-feira quando estacionei o carro na frente da nova residência. Desci altiva, de saltos altos e minissaia, ignorando o olhar da peonada. O mestre de obras, seu Toni, adiantou-se para me receber cheio de mesuras e ansioso para me contar as novidades. Muito animado, levou-me para dentro de casa. Queria me mostrar o banheiro novo.

— Dona Ângela, quero que a senhora veja o piso que estamos colocando para a senhora — foi dizendo ele enquanto nos dirigíamos para lá. — Mudou completamente a peça.

Fiquei curiosa. Quando parei frente à porta do banheiro, seu Toni me apresentou um rapaz que, agachado, finalizava aquela parte:

— Este é o Vando. Contratei no lugar do outro que pediu as contas.

Meus olhos então se fixaram para onde seu Toni apontava. Vando, ah, Vando... De onde saíra aquele peão magnífico? Moreno do sol, cabeça raspada, algumas tatuagens e olhos negros. Vestia uma bermuda jeans e uma camisa de marca toda rasgada. Parecia um top model, artista de cinema, qualquer coisa do gênero. Senti um calor percorrer meu corpo, em uma eletricidade intensa. Logo me recompus. Não podia dar na vista que eu estava tão excitada.

— Boa tarde, Vando — cumprimentei com a voz firme. — Excelente trabalho o seu. Parabéns.

Ele apenas balançou a cabeça e este simples gesto quase me desmontou. Em menos de cinco minutos eu estava excitada e louca para agarrar aquele homem. Infelizmente meu tempo era curto e eu tinha um compromisso para logo mais. Conversei mais um pouco com seu Toni tentando disfarçar o calorão. Quando me despedi de ambos, percebi que Vando também me observava com curiosidade e desejo. Entrei no carro e liguei o ar-condicionado ao máximo. Não lembrava a última vez que tinha sentido algo parecido por um homem.

*

Retornei para casa próximo das oito horas da noite. Precisava urgentemente fazer sexo. Sandro já estava em casa. Abri a porta do apartamento e me deparei com meu marido sentado no sofá, de cueca samba canção e bebendo cerveja na latinha. O quadro da dor. Uma barriguinha já ousava se formar, inclusive... Era o resultado de tanto sedentarismo. Céus, como ele era diferente do Vando!       
 
Na hora que me deparei com aquela cena deprimente, resolvi que iria me aliviar sozinha mesmo. Beijei-o, conversamos um pouco sobre a reforma e depois de uns 10 minutos eu avisei que iria tomar banho. Mal fechei a porta do banheiro, arranquei minhas roupas e comecei a me masturbar sentada no piso frio. Achei meu grelhinho rapidamente — coisa que nem em mil anos o Sandro irá conseguir descobrir — e não demorou muito para eu alcançar um orgasmo daqueles. Não me contive e soltei um gemido alto demais. E antes que eu pudesse me recompor, Sandro escancarou a porta do banheiro que eu havia esquecido de trancar...

Para minha vergonha, meu marido me encontrou sentada no chão, de pernas abertas e em uma posição muito suspeita.

Ele não disse nada nos primeiros segundos, mas era evidente o seu choque. Levantei do chão com o rosto em chamas, enquanto ele me encarava fixamente. Eu não sabia o que dizer. Somente quando fiquei em pé, Sandro murmurou:

— Achei que fosse capaz de satisfazer você.

A porta foi fechada com um estrondo e eu me mantive por uns cinco minutos sem me mexer, meio que paralisada. Em hipótese alguma eu queria magoar Sandro, mas o fato é que Vando não saía da minha mente, mesmo que eu não tivesse escutado sequer a sua voz e não soubesse nada sobre ele.


Naquela noite ainda, depois que saí do banho, ele mal me olhou. Foi deitar bem depois de mim, como se quisesse me evitar.

quinta-feira, 19 de março de 2015

FELIZ PARA SEMPRE

Depois de um certo tempo, o sofrimento passa a ser opcional. 

É quando bate aquela vontade imensa de voltar a ser feliz de novo.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

SEM CONTROLE

Quando me apaixono perco o controle

Céus, há quanto tempo eu ando com os pés grudados no chão!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

DISFARCE

NÃO, EU NÃO DESISTI

É QUE ALGUMAS VEZES EU ME RESERVO NO DIREITO DE APENAS OBSERVAR

ATÉ COMEÇAR TUDO OUTRA VEZ

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

ÀS VEZES

ÀS VEZES ESCREVER É A ÚNICA COISA QUE ME FAZ SENTIR VIVA

NÃO TENTE COMPETIR COM ISTO

VOCÊ VAI PERDER

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

POR QUE NÃO?

Priscila conversava com Bernardo virtualmente fazia uns dois meses. Mas parecia pelo menos dois anos. O casal se encontrara pela primeira vez no mundo virtual por acaso, em um chat. Ela, a Loira Carente 30. Ele, o Bronzeado Solitário. Priscila, na verdade, no início não se interessara. Mas o Bronzeado Solitário foi insistente, puxou assunto, fez um agrado e então os dois acabaram combinando de se encontrarem novamente via chat.

Já na segunda vez o papo fluiu e evoluiu para o Whatsapp. Priscila revelou seu nome, Bernardo também e ambos gostaram muito da foto um do outro. Carente e infeliz pelo término do seu último relacionamento, não foi difícil para que Priscila logo se apaixonasse. Bernardo, além de boa pinta, era um cara trabalhador, gostava de praia e não era gastador. Divorciado, era tudo o que Priscila sempre sonhou. Mais velho e sempre atencioso, ela acreditava que o homem era um príncipe.

Quando as amigas perceberam o tamanho do envolvimento de Priscila, foram logo avisando: ei, este cara não é tudo isto! Ele é perfeito demais! Se liga, mulher!”

Mas mesmo com tanta paixão, o encontro custou um pouco a sair. O motivo? Bernardo morava a cem quilômetros de distância e o trabalho e problemas familiares o impediam de ir ao encontro de Priscila. Ela não se importou, embora a paixão estivesse maior e mais forte. A jovem já se imaginava construindo uma família com Bernardo, um mundo de conto de fadas. Embora ela própria soubesse que tinha asas nos pés, não podia deixar de levar fé que desta vez a relação tinha tudo para dar certo.

Foi então que um dia, pelo whats, Bernardo disse que estaria livre no próximo sábado à tarde. Priscila se emocionou! Nossa! Só faltavam dois dias! Ainda que soubesse – ou melhor, tivesse certeza absoluta – que Bernardo era um homem íntegro e respeitador, o tão esperado encontro foi marcado para ser em um shopping da cidade. Priscila comprou roupa nova, fez mais mechas nos cabelos e calçou um par de sandálias prateadas compradas na última liquidação. Ao se olhar no espelho, ela aprovou sua imagem. Certamente Bernardo ficaria encantado. Uma hora antes do encontro, Priscila pegou um táxi e tensa, chegou ao local do encontro – uma cafeteria – meia hora antes. Ela sentou recatada na cadeira, olhou ao redor, mas não viu ninguém parecido com Bernardo. Mas era cedo demais. Tentando descontrair e fingir que aquela era uma situação natural, pegou o celular e começou a mexer nele. Quando o relógio bateu 18hs e 15 min, Priscila suspirou. Nada. Se algo houvesse acontecido, Bernardo teria avisado. Porém, não havia notícias. Na certa o cara pensara melhor e tinha desistido de conhecê-la.

Uma mulher surgiu à frente de Priscila, que levantou os olhos para ela, desinteressada. Provavelmente a pessoa desejava alguma informação.

– Pois não? –perguntou Priscila sem tirar sua atenção do celular.
– Priscila?

Ué? A mulher sabia o nome dela? Priscila a encarou fixamente.

– Como você sabe meu nome?

Para espanto da jovem, a outra puxou a cadeira e se alojou à frente de Priscila.

– Não estou sozinha.
– Você é igual às fotos – sorriu a mulher. – Ou melhor, mais linda ainda. Mais do que eu imaginava.
O coração de Priscila se acelerou.
– O que…
– Conversamos tanto… – ela pegou a mão da garota –… Você é tudo o que eu sonhava.

Priscila puxou a mão de volta e encarou mais ainda a outra mulher. Ela era tão estranha! Cabelo curto, voz mais grave. A roupa definitivamente não era nada feminina.

– Quem é você? – a voz dela saiu ríspida.
– Beatriz. Ou Bernardo. Me chame como quiser.

O choque foi tão arrasador que por cinco segundos o mundo rodou. Priscila custou a conseguir focar os olhos em Beatriz. Ela sorria com ar conquistador. Parecia muito segura de si.

– Se eu falasse que era uma mulher – explicou olhando fixo nos olhos de Priscila – você poderia fugir. Mas eu sei que depois que me conhecer melhor, seremos ótimas amigas. Bem mais que isto, até.
– Isto é jogo sujo! – disparou Priscila segurando a bolsa, pronta para ir embora – Eu fui enganada durante todo este tempo!
– Ah, você é tão bobinha… E isto me encanta, sabe? Várias vezes eu dei indícios sobre quem realmente eu sou. E você nunca percebeu nada.
– Acreditei em tudo o que você falou! Como teve coragem de prosseguir com esta história sórdida?

Priscila tentou manter a voz firme, porém não conseguiu. Estava prestes a perder o controle e a elegância.

– Me conheça melhor – propôs Beatriz – e você verá que nada é tão terrível como está parecendo agora. Dê-me uma chance. Tenho certeza que seremos muito felizes.
– Não! – Priscila levantou bruscamente. – Jamais! Jamais irei me envolver com uma mentirosa como você! Bruxa!

Ela deu meia volta e saiu correndo pelo shopping, com as lágrimas escorrendo pela face. Arrasada, Priscila pegou o primeiro táxi que apareceu, chegou em casa e se encerrou no quarto. Se sentia profundamente envergonhada. Apaixonara-se por uma mulher! Não, não era bem isto. Aquilo acontecera porque a tal Beatriz se passara por um homem. O homem dos seus sonhos era uma mulher! Uma mulher! Que raiva! Priscila socou o colchão várias vezes. No lugar do coração agora existia um imenso vazio. Beatriz mandou mensagens. Muitas, todas ignoradas, naquele dia e nos dias seguintes.

Priscila escondeu a história de todo mundo. As amigas no início insistiram. Todas desconfiavam que o tal Bernardo aprontara alguma, mas era impossível saber o que era. A jovem deixou de lado os convites para sair. Uma das amigas tentou apresentar um primo, mas Priscila refutou.  E para seu espanto, ela sentia uma falta terrível de Bernardo. Ou melhor, da imagem que construíra na sua mente. O seu príncipe encantado era uma mulher que dia a dia mandava mensagens com palavras bonitas e carinhosas. Aos poucos, Priscila começou a dar mais atenção às palavras que Beatriz lhe enviava. Leu uma, duas, três vezes. Nenhum homem jamais havia sido capaz de escrever coisas tão lindas para ela.

Beatriz parecia ser uma pessoa cuidadosa. Preocupava-se com o bem-estar de Priscila. Não havia dia que não perguntasse como ela estava, que era linda e que adoraria vê-la mais uma vez. Nem que fosse a última vez. Priscila começou a se sentir tocada. Depois, emocionada. Durante toda sua vida não tivera sorte com homem nenhum. Quando não era traída, eles se mostravam uns babacas completos. O último então se superara! Colocara dois chifres na sua testa como se aquilo fosse normal.

Por que não? – perguntou –se ela pegando o celular e discando o número de Beatriz.


domingo, 18 de janeiro de 2015

UM CADÁVER NO MEU JARDIM (Cap. Final)

− Pai…
− Cale a boca, Amanda! Vocês conseguiram me tirar do sério! Tereza, Rodolfo... Mais alguém morreu e eu devo saber?

Cris olhou para Poncho e respondeu sussurrando:

− Faltou o Poncho.
− Fique quieto. Eu…

A campainha tocou. Marília e Carlos se entreolharam.

− Vocês convidaram alguém para participar da nossa festinha particular? – perguntou Carlos dando uma risada sinistra.

Temendo alguma reação do pai, Amanda recuou alguns passos e disse:

− Eu… É melhor eu ir ver quem é.

Um minuto depois Amanda retornou acompanhada de dois homens jovens. Carlos não reparou o quanto a filha estava pálida. Ainda segurando a pá, ele a cravou com força na terra e perguntou para Amanda em altos brados:

− Quem são estes caras, Amanda?

Um deles respondeu:

− Somos da polícia, senhor – e estendeu a carteira funcional para Carlos.
− Polícia? – Carlos tentou ganhar tempo. Discretamente ele largou a pá, mas ela bateu em uma pedra fazendo o maior barulhão. – Muito prazer – Ele se aproximou deles estendendo a mão amistosamente. Que diabos era aquilo afinal?

− Recebemos uma denúncia anônima.
− É mesmo?

Somente Carlos falava. Amanda, os gêmeos e Marília se postaram um ao lado do outro, mudos e gelados, esperando o pior.

− Relataram que há um corpo aqui – os olhos dos dois policiais se dirigiram para onde a terra já estava remexida.
− Um corpo?

Carlos deu sua risada apavorante. Colocou as mãos na cintura e olhou para a família procurando apoio.

− Eles estão dizendo que tem um corpo aqui.

André apontou para onde Poncho jazia e perguntou:

− Serve aquele?

Os olhos de todos focaram no corpo do cachorro morto.

− Bem, como vocês podem ver – Carlos sentiu-se dono da situação outra vez, − há um corpo nesta casa. Meu cachorro Poncho teve um ataque cardíaco e caiu duro. Quando vocês chegaram aqui estávamos debatendo o que fazer com ele. Aliás, iremos enterrá-lo aqui no jardim.
− Pedimos desculpas, senhor – falou um dos policiais. – Meus pêsames.
− Ah, tudo bem. Amanda leve os senhores até a porta, por favor.

Quando a garota retornou encontrou o pai cavando desesperadamente a cova de Tereza. Assustada, ela indagou baixinho:

− Pai, eles podem voltar. Vamos dar um tempo.
− Tempo coisa nenhuma. Pra mim chega. Chega mesmo! André, acenda a churrasqueira.

A conversa era feita quase aos sussurros. André prontamente fez o que o pai pedia enquanto Marília, nervosa, aproximou-se do marido para perguntar:

− O que você está pretendendo, Carlos?
− Não vamos mais correr riscos. E não fale nada. Aliás, estão todos proibidos de falar aqui.
Assim que Carlos avistou o cobertor cor-de-rosa, pediu que um dos filhos alcançasse uma máscara e a luva cirúrgica. Um cheiro terrível tomou conta do ar quando Carlos pegou o saco preto e envolveu Tereza nele. Todos deram passagem quando o homem colocou os restos da empregada em um carrinho de mão e se dirigiu até a churrasqueira.
− André, coloque o cachorro no buraco. Agora.

Enquanto André e Cris levavam Poncho até o buraco, cobrindo-o com a terra, Tereza queimava na churrasqueira. Amanda e Marília assistiam a tudo abraçadas e chocadas. Os gêmeos mantiveram uma boa distância do pai, por via das dúvidas. O fedor impregnou o ar e Cris cutucou o irmão:

− Daqui a pouco a polícia vai voltar.

Carlos, prestes a ter um surto, começou a fazer a dança da chuva. Marília, abismada com o comportamento irracional do marido, perguntou:

− Posso saber o que você está fazendo, homem?
− Se não chover logo, estaremos fodidos. O fedor vai chegar até a delegacia e todos seremos presos! Rá! Todos nós!

De fato começou a chover em pouco tempo, amainando o cheiro ruim. Depois que Tereza virou pó, Carlos juntou tudo, colocou em uma vasilha e parou em frente a todos. E declarou:

− Aqui jaz a amiga de vocês de tantos anos. Aquela que, inadvertidamente, resolveu se meter na briga dos meus dois filhos imbecis e se deu muito mal. Viva Tereza!

Carlos jogou as cinzas da empregada sobre Cris e André, deu a sua risada mais sinistra de todos e entrou na casa cantarolando. Marília murmurou:

− Se eu matar o pai de vocês, alguém me ajuda a abrir uma cova?


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

UM CADÁVER NO MEU JARDIM (Cap. 13)

Marília deu um pulo da cadeira aos gritos e correu para o outro lado da sala. Enquanto Amanda, André e Cris praticamente rolavam de tanto rir, Carlos se levantou furioso, enxotou Poncho aos berros e tapando o nariz, levou o braço para fora com a ajuda de uma toalha que Marília jogou para ele.

Os filhos seguiram Carlos até a sepultura de Tereza onde sem muito cuidado, ele enterrou o braço de novo. O cheiro estava terrível.

− Não passa de amanhã, sem dúvida nenhuma – esbravejou Carlos esquecendo que os vizinhos podiam escutar alguma coisa. – E se tivéssemos uma visita? Como eu iria explicar a origem do braço?
− Pai, é melhor mantermos o Poncho preso – avisou André. – Ele adora fuçar onde a Terê está enter…
− Ei, não fale demais! – disse Cris pegando o cachorro e o levando para sua casinha.

Poncho foi devidamente preso, ainda que sob protesto. André se aproximou e colocou o prato de ração perto dele.

− Misturei o restante dos comprimidos da mamãe. Isto vai mantê-lo quieto até nos livrarmos da Tereza.

Lá de dentro veio a voz de Marília:

− Já enterraram o braço da mulher?

Cris olhou para o irmão sem acreditar no que estava ouvindo.

− Será que vocês querem que a vizinhança saiba que tem um corpo enterrado no nosso jardim? – perguntou ele tenso.
− Por culpa de vocês dois – acusou Carlos lavando com esmero as mãos no tanque. – Se ambos tivessem tido a decência de ter chamado a polícia, tudo isto já teria sido resolvido.
− Quer saber? – Amanda perguntou enquanto entrava com o pai e os irmãos para dentro da casa. – Estou achando tudo isto sen-sa-cio-nal.

*

Naquela noite ninguém dormiu direito (com exceção de Amanda) e durante todo o dia nenhum deles conseguiu se concentrar direito nas suas atividades. Poncho havia sido solto pela manhã, mas, sonolento, se contentou em ficar quieto descansando no gramado.

Era próximo das dez horas da noite quando a família inteira rumou para o jardim. Carlos forrou com toalhas e cobertores velhos o porta-malas do carro. Ninguém havia jantado e nenhum deles estava com fome. Luvas cirúrgicas e máscaras estavam ao alcance de todos. André e Cris aguardavam nervosamente o momento em que teriam que cavar a cova e desenterrar Tereza. Um saco preto de bom tamanho estava ao lado da sepultura. Marília observava a tudo de longe com uma toalha no nariz.

− O que é aquilo ali?

A voz de Amanda interrompeu o silêncio da noite. Carlos que segurava a pá olhou para onde a filha apontava.

− Ora, Amanda! – Carlos se sentia completamente sem paciência. – É somente o Poncho dormindo.

André olhou com mais atenção. Havia algo estranho ali.

− Espere um pouco – disse ele.
− Esperar o quê? – Carlos não esperou e deu duas escavadas seguidas. Queria se livrar daquele fardo de uma vez por todas.
− Pai, para tudo – pediu Cris apressando seus passos em direção ao seu animal de estimação.

A família observou quando o gêmeo tocou no bicho, puxando a mão em seguida.

− Gente, ele está morto.

Um “oh” generalizado ecoou por todo o jardim. Cris se levantou furioso e encarou o irmão.

− Foi você!
− Eu? Eu o quê?
− Você matou Poncho!
− Eu? Antes eu havia matado o Rodolfo! Agora você vai me acusar de ter matado o cachorro também? E Tereza? Sou culpado também pela morte dela?
− Ei, falem baixo! – pediu Marília correndo na direção dos dois brigões, implorando para que baixassem o tom de voz. – Deixem para discutir depois.
− Você exagerou na dose dos comprimidos da mamãe. Ele não suportou!

Amanda, que até então tinha achado tudo muito divertido, naquele momento estava à beira das lágrimas.

− Vocês dois… são uns assassinos! Assassinos!
− Calem a boca todo mundo! – ordenou Carlos. – Temos algo mais importante para fazer do que discutir a morte dele!
− Eu não matei ninguém! – defendeu-se André. – E você apoiou quando dei a ideia de roubar os comprimidos da mamãe para dopá-lo.
− Eu não acredito que vocês fizeram uma coisa destas – murmurou Amanda.
− Carlos, nós precisamos dar um jeito neste corpo também – exigiu Marília evitando olhar para onde estava Poncho. – E breve! Estou de saco cheio desta história!
− Sabe qual é a minha vontade? De atirar vocês todos no rio! – Carlos parecia um louco, com os olhos vidrados e descabelado.


Silêncio total.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

UM CADÁVER NO MEU JARDIM (Cap. 12)

− Foi você?

Os dois irmãos se encontravam no banheiro da casa. Os pais degustavam a sobremesa na sala de estar. Cris encarou André surpreso com aquela pergunta descabida.

− Foi você? – ele devolveu a pergunta muito ofendido.
− Claro que não.
− Também não matei ninguém – estrebuchou Cris. – Não tenho o hábito de sair por aí atropelando pessoas.
− Ok, desculpe. Só queria ter certeza – falou André tentando apaziguar o ânimo do irmão.
− Pode ter sido nosso pai.
− Ou nossa mãe – emendou Cris, pesaroso.
− O importante é que não temos mais nenhuma testemunha. Quem atropelou o velho na verdade nos prestou um grande favor. Ei! Quer parar de me olhar com esta cara? Quem estava com a chave do carro hoje de manhã era você.
− Nossa única testemunha ainda é o Poncho.
− Inofensivo agora que toda a família sabe que a Tereza está enterrada no jardim.
− Será que papai já tem alguma ideia de como vai despachar o corpo?
− Se não teve ainda, é melhor que tenha de uma vez por todas. Daqui a pouco a Tereza vai virar adubo no jardim da mamãe.

*

A decisão foi comunicada à noite durante o jantar com toda a família reunida novamente. Tomando um cálice de vinho, Carlos declarou:

− Pensei bastante sobre o caso da Tereza. O melhor que temos a fazer é jogá-la dentro de um rio. De preferência bem distante daqui.
− Rá! – exclamou Cris se sentindo o tal. – Esta ideia é minha.
− Certamente se vocês fossem jogar o corpo da infeliz no rio no dia do ocorrido, seriam descobertos. A pressa é inimiga da perfeição.
− Humm, que legal – Marília debochou. – Você irá executar este servicinho na maior perfeição. Que bonito.

Carlos ignorou a ironia da esposa e continuou:

− Amanhã eu vou forrar o porta-malas com lençóis e toalhas velhos. Desenterraremos o corpo depois que tivermos certeza que os vizinhos estão recolhidos. Vamos ensacá-la e a colocar dentro do carro. Vou comprar luvas descartáveis e máscaras porque o cheiro vai estar insuportável. Depois vamos até o local a uns 50 quilômetros daqui e jogamos o corpo no rio. Tenho alguns tijolos que sobraram da última reforma. Ela vai afundar que é uma beleza.
− Não vejo a hora de ver tudo isto. Já tenho uma história para contar aos meus netos! Uhu! – Amanda esfregou as mãos muito empolgada. – Quanta emoção!
− E quem disse que você vai ir junto conosco? – indagou Carlos irritado. – Quanto menos gente, menos atenção iremos chamar.
− O quê? Você acha que eu vou perder esta? Nunca! Nunquinha mesmo!
− Bem, se toda a família vai – declarou Marília tomando chá, – por óbvio que eu também irei para dar uma força.

Poncho latiu lá fora. Cris comentou:

− O cachorro quer ir junto também!

Gargalhada geral. Naquele momento Poncho entrou na sala sem ninguém perceber e largou algo atrás da cadeira de Marília. Amanda fungou o ar e perguntou:

− Alguém peidou?
− Olha os modos, Amanda – ralhou Marília. – Onde está sua sofisticação?

A garota farejou a direção do fedor que já empestava a sala. E então disse:


− Minha sofisticação está no lugar de sempre. Mas o braço de Tereza está bem atrás de você.