Tem gente que quando ri parece abrir um raio de sol no
coração dos outros.
Risadas verdadeiras são fundamentais.
domingo, 31 de maio de 2015
sábado, 23 de maio de 2015
A GOSTOSA E O PEÃO (Final)
Sandro chegou e
me encontrou exausta sentada no sofá. Ainda estava emburrado, mas para minha
surpresa, disposto para sexo. Nem acreditei. Justo naquele dia? Quando percebi
Sandro estava em cima de mim, beijando meu pescoço e tocando nos meus seios.
Consegui apagar a luz do abajur da sala e ficamos na penumbra. Meu receio era
que Sandro enxergasse algum hematoma em mim. Nós transamos do mesmo jeito de
sempre; sem graça nenhuma. Felizmente foi uma transa leve, pois uma mais pesada
eu não teria condições de suportar. Depois do sexo, Sandro se levantou e foi
tomar banho. E não deu mais bola para mim a noite inteira.
Na sexta-feira choveu e seu Toni
avisou que dispensara os peões. Minha frustração foi grande. O que eu mais
desejava era invadir aquela obra e foder com Vando até me acabar. Me masturbei
o final de semana inteiro pensando nele, no meu gato. Lembrei que da próxima
vez que eu o visse perguntaria mais sobre sua vida. Quem sabe ele necessitasse
de alguma ajuda financeira? Nem por um momento me preocupei se ele teria algum
tipo de relacionamento. Aquilo para mim era irrelevante. Eu tinha certeza de
que ele seria meu. Onde Sandro ficaria nesta história eu não tinha certeza.
No início da semana minha
intenção era que tudo se repetisse como da outra vez. Eu aportaria no meio da
tarde na obra, me trancaria com Vando em algum lugar e teríamos uma sessão de
sexo forte e caliente. Estacionei o carro no mesmo lugar e desci ciente de que
esbanjava sensualidade com minhas calças justíssimas e uma blusa decotada. Os
peões pararam de trabalhar quando me viram e seu Toni saiu apressado lá de
dentro quando percebeu minha chegada.
— Dona Ângela… —
ele parecia meio ansioso. — Achei que a senhora não viesse hoje.
— Ué? Mas você
sabe que sou eu a responsável por vistoriar a obra.
Naquele momento Sandro saiu de
dentro da casa e eu congelei. Ele estava diferente. Arrogante, até. Ao me ver,
se aproximou de mim e me beijou no rosto.
— Não precisa
mais se preocupar, meu amor. Decidi que daqui para frente eu mesmo virei aqui
supervisionar tudo.
Abri a boca para protestar. Não
era possível. Será que Sandro tinha desconfiado de alguma coisa?
— Mas eu…
— Sei que você
se cansa de vir aqui sempre. Além disso, acho que estou muito afastado das
obras.
— Você não
confia em mim? — consegui perguntar. Reparei que Vando observava tudo lá de
dentro da casa.
— Claro que sim.
Só não quero dar mais trabalho para você.
Seu Toni assistia nosso debate
muito interessado.
— Escute,
Sandro. De maneira nenhuma eu me importo de vir aqui. Adoro ver o que está acontecendo. Além disso,
eu e seu Toni nos entendemos muito bem.
— Ah, mas eu e
nosso querido mestre de obras nos entendemos até pelo olhar. Fique tranquila.
Eu assumo isto aqui agora.
— Tudo bem —
disse eu furiosa, porém controlada. Peguei a chave do carro e decidi que iria
embora antes que acertasse um soco no meu marido. — Vou voltar para meu
trabalho.
— Faça isto.
Beijamo-nos sem vontade e fui
embora. Sandro que me aguardasse. Os chifres que eu instalaria na sua cabeça
seriam tão imensos que tão cedo ele não passaria por porta alguma.
*
Naquela noite nos tratamos bem,
porém friamente. Sandro chegou mais tarde, contou-me sobre a obra, tudo de
forma bem natural. Fiz de conta que estava muito interessada, quando na verdade
eu queria esganar o cretino. Ele ainda me anunciou que no outro dia passaria a
tarde na obra, fiscalizando tudo. Pobre do seu Toni e operários. Sandro era o
maior pentelho do mundo e com certeza iria mais atrapalhar que ajudar.
Dia seguinte eu não fui para o
trabalho como Sandro imaginou. Com um simples telefonema cancelei todos meus
compromissos para aquela manhã e apareci na obra pouco depois das nove horas. Por
algum motivo, seu Toni me recebeu tenso e sem jeito. Não sei o que Sandro teria
dito a ele sobre mim, contudo eu pouco me importava.
— Onde está o
Vando? — perguntei curta e grossa.
O homem pigarreou e nem
respondeu. Fez apenas um sinal com a cabeça indicando que o Vando estava no
interior da casa. Entrei decidida a ter a maior foda de todos os tempos com meu
gato lindo. Escutei algum ruído no piso superior da casa e subi em seguida. O
som vinha do banheiro. Sim, provavelmente Vando estivesse dando um retoque por
lá. Nem bati na porta. Abri de supetão, esperando encontrar meu príncipe em
suas roupas rústicas de trabalho pronto para me foder por todos os lados.
Gritei.
*
De repente pareceu que o mundo
tinha parado. Eu, na porta, sem me mexer. Meus olhos estavam fixos em Sandro. De
quatro, era currado por Vando. Aliás, Vando parecia estar com muito mais
apetite com meu marido do que comigo. Sandro me olhou e empalideceu. Vando de imediato
parou de meter no rabo do meu marido. Ficamos por uns bons trinta segundos nos
encarando, nenhum dos três acreditando que aquilo estava acontecendo.
Depois de um tempo achei que
fosse desmaiar. O banheiro rodou e eu me segurei firme na porta até a sensação
ruim passar. Vando se desgrudou do Sandro, este se levantou puxando as calças e
eu comecei a andar de ré, louca para sair daquele lugar.
— Não é bem isto
que você está pensando.
Sandro disse a frase clichê mais
pálido que eu. Vando puxou as calças para cima e me olhou como se estivesse se
desculpando.
— Ele me
ofereceu uma grana. Não pude recusar.
— Tudo bem —
murmurei.
Dei meia volta e fiz a única
coisa digna que podia fazer: caí fora. Passei reto por seu Toni e não olhei
para os lados e nem para ninguém. Fui direto para casa, peguei todas as roupas
do Sandro e coloquei de qualquer jeito dentro de uma mala ou duas. Mais tarde,
entrei em contato com seu Toni e pedi o celular do Vando. Em pouco tempo eu já estava
falando com ele.
— Venha para
minha casa agora.
sexta-feira, 22 de maio de 2015
A GOSTOSA E O PEÃO (Cap. 2)
No outro dia
nosso desjejum foi praticamente em silêncio. Tentei puxar assunto com Sandro,
mas ele estava monossilábico. Por fim, desisti. Ele saiu primeiro que eu sem ao
menos se despedir. Logo eu o esqueci. Meu foco era o Vando. Fui para o trabalho
pensando na investida que eu faria logo mais à tarde. Sim, porque daquele dia
Vando não passava. Passei a manhã toda sem conseguir me concentrar direito e
abreviei meu expediente. Precisava estar linda e cheirosa para ele.
Fui até minha casa, tomei um
banho perfumado, coloquei um vestido curto para facilitar o sexo e me mandei
para minha nova casa. Seu Toni não estava. Segundo os peões, ele havia ido até
o banco pagar algumas contas. Quando perguntei quem estava dentro de casa,
obtive a resposta que eu mais desejava. Ele, Vando.
Entrei apressada. Tinha que agir
rápido antes que seu Toni chegasse ou algum peão metido entrasse na casa. Subi
as escadas e fui procurar por Vando no segundo piso. Caminhei pelo corredor
decidida, esperando encontrá-lo a qualquer momento. Fui de um lado ao outro da
casa e não o vi em lugar algum. Minha decepção era grande.
— Procurando alguém?
Aquela voz máscula e firme só
podia ser dele. Olhei para baixo. Da sala, Vando me fitava com uma cara de
ordinário. Ele sabia muito bem de quem eu estava atrás.
Aproximei da escada devagar,
fazendo o estilo sexy.
— Descobri um
defeito no seu trabalho.
Ele não disse nada. Subiu as escadas
de dois em dois degraus e eu tomei a frente, levando-o até o banheiro. Entramos
os dois, fechei a porta e não precisou que eu dissesse nada. Vando me agarrou
pelos cabelos e beijou minha boca como se quisesse me engolir. Nem em um milhão
de anos Sandro seria capaz de me beijar daquele jeito. No momento seguinte eu
já estava quase sem roupa. Meu vestido foi jogado no chão, minha calcinha parou
quase dentro do vaso sanitário. Não me fiz boba, eu tinha pressa. Nua, eu
avancei para os botões da bermuda dele e em seguida aquele pau delicioso de 22
centímetros saltou na minha frente. Vando chutou a bermuda para longe e nos
grudamos nus, roçando nossos corpos. Eu me sentia quente, achei até que
estivesse com febre. As mãos dele passaram pelas minhas costas até chegarem na
minha bunda. Logo senti o dedo dele vasculhando minha bundinha, penetrando em
seguida, a seco no meu rabo. Quase gritei e para não atrair audiência, enterrei
minhas unhas nas costas dele. Eu nem lembrava mais o que era sexo anal quando
Vando me virou com a maior facilidade do mundo de frente para a parede e abriu
minhas pernas. Não tive nem tempo de raciocinar. O caralho do Vando entrou no
meu cuzinho sem dó nem piedade. E doeu. Doeu muito. Mas eu adorei. Soquei a
parede, quase quebrei os dedos de dor e prazer. Rebolei gemendo naquele pau
gostoso, não conseguia parar mais. Os dedos dele chegaram no meu grelhinho e não foi preciso muito para que eu sentisse
que um orgasmo de alta voltagem iria me tomar inteira. Vando enterrou seu
cacete mais umas cinco vezes no meu cu antes que eu sentisse a sua porra me
besuntando. Gozei naquela hora. Meus gritos com certeza foram escutados em todo
o condomínio e além.
Desabei no chão, dolorida e
saciada. Olhei para Vando. Ele se sentou no chão, encostado à porta. A barba
por fazer que me arranhara todo o pescoço o deixava lindo e misterioso. Lembrei
que devia ter trazido um preservativo, mas… paciência. Eu estava tão excitada
que não tinha me lembrado daquele mero detalhe.
— Você é
incrível — disse ele sorrindo. — Soube disto desde a primeira vez que pus o olho
em você.
Engatinhei até ele como uma gata
e beijei-o. Desta vez o beijo foi mais doce e posso dizer que nunca beijei tão
gostoso na minha vida.
— Me chupa —
pediu ele. — Vai, agora.
Ele empurrou minha cabeça direto
no pau e, confesso, nunca fiz boquete em um troço tão grande como aquele.
Custei um pouco a me adaptar ao tamanho; afinal, Sandro tinha um pau ridículo
comparado ao do Vando. Chupei-o com tanta vontade que não me dei conta que ele
estava prestes a gozar de novo. De repente senti a porra dentro da minha boca e
acabei engolindo tudinho. Foi minha primeira vez, nunca havia feito aquilo na
vida, sempre cheia de nojo. Mas com Vando era diferente. Eu poderia fazer tudo
por ele. Tudo mesmo. Se pudesse, levava-o para casa naquele instante.
A GOSTOSA E O PEÃO (Cap. 1)
O que eu posso dizer do Sandro?
Um cara legal, bom marido, sempre disposto a satisfazer meus caprichos. Minhas
amigas viviam dizendo que Sandro era o marido nota 10, o tipo de homem que
qualquer mulher gostaria de ter ao seu lado pelo resto da vida.
Do lado de fora, claro, tudo
eram flores. Contudo, meu maridinho tinha um grande problema. Ele não era nada
criativo no sexo. Era sempre a mesma coisa, o tal papai e mamãe, sem nenhuma
variação. No início me sujeitei àquele relacionamento morno. Quando eu o
conheci, recém havia perdido o emprego e estava com uma mão na frente e outra
atrás. Sandro surgiu em minha vida como uma espécie de tábua de salvação. Sua
situação social e financeira era boa e estes dois quesitos me conquistaram
imediatamente. O fator sexo deixou a desejar desde o primeiro encontro, mas
achei que aquilo poderia ser revertido à medida que nos conhecêssemos melhor.
Infelizmente, enganei-me. Ainda
assim casamos, pois eu precisava garantir meu futuro e estabilidade. Mais tarde
conquistei um excelente emprego por méritos próprios, porém me continuei casada
com Sandro. Ele era um cara legal. No sexo, um desastre.
Apesar de viver insatisfeita
neste ponto, até o momento eu não havia traído meu marido. A ideia passava pela
minha cabeça, porém simplesmente não tinha surgido uma oportunidade bacana.
Até o dia que eu conheci o
Vando.
*
Sandro resolveu comprar uma casa
em um condomínio fechado, o que achei maravilhoso. A casa era grande e
decidimos reformar para ficar do nosso jeito. Meu marido me nomeou como a
encarregada de supervisionar as obras e todas as tardes eu reservava um
tempinho da minha agenda para ir até minha futura casa ver o andamento das
coisas.
Era uma tarde de quarta-feira
quando estacionei o carro na frente da nova residência. Desci altiva, de saltos
altos e minissaia, ignorando o olhar da peonada. O mestre de obras, seu Toni,
adiantou-se para me receber cheio de mesuras e ansioso para me contar as
novidades. Muito animado, levou-me para dentro de casa. Queria me mostrar o banheiro
novo.
— Dona Ângela,
quero que a senhora veja o piso que estamos colocando para a senhora — foi
dizendo ele enquanto nos dirigíamos para lá. — Mudou completamente a peça.
Fiquei curiosa. Quando parei
frente à porta do banheiro, seu Toni me apresentou um rapaz que, agachado,
finalizava aquela parte:
— Este é o
Vando. Contratei no lugar do outro que pediu as contas.
Meus olhos então se fixaram para
onde seu Toni apontava. Vando, ah, Vando... De onde saíra aquele peão
magnífico? Moreno do sol, cabeça raspada, algumas tatuagens e olhos negros.
Vestia uma bermuda jeans e uma camisa de marca toda rasgada. Parecia um top
model, artista de cinema, qualquer coisa do gênero. Senti um calor percorrer
meu corpo, em uma eletricidade intensa. Logo me recompus. Não podia dar na
vista que eu estava tão excitada.
— Boa tarde,
Vando — cumprimentei com a voz firme. — Excelente trabalho o seu. Parabéns.
Ele apenas balançou a cabeça e
este simples gesto quase me desmontou. Em menos de cinco minutos eu estava
excitada e louca para agarrar aquele homem. Infelizmente meu tempo era curto e
eu tinha um compromisso para logo mais. Conversei mais um pouco com seu Toni
tentando disfarçar o calorão. Quando me despedi de ambos, percebi que Vando
também me observava com curiosidade e desejo. Entrei no carro e liguei o
ar-condicionado ao máximo. Não lembrava a última vez que tinha sentido algo
parecido por um homem.
*
Retornei para casa próximo das
oito horas da noite. Precisava urgentemente fazer sexo. Sandro já estava em
casa. Abri a porta do apartamento e me deparei com meu marido sentado no sofá,
de cueca samba canção e bebendo cerveja na latinha. O quadro da dor. Uma
barriguinha já ousava se formar, inclusive... Era o resultado de tanto
sedentarismo. Céus, como ele era diferente do Vando!
Na hora que me deparei com
aquela cena deprimente, resolvi que iria me aliviar sozinha mesmo. Beijei-o,
conversamos um pouco sobre a reforma e depois de uns 10 minutos eu avisei que
iria tomar banho. Mal fechei a porta do banheiro, arranquei minhas roupas e
comecei a me masturbar sentada no piso frio. Achei meu grelhinho rapidamente —
coisa que nem em mil anos o Sandro irá conseguir descobrir — e não demorou
muito para eu alcançar um orgasmo daqueles. Não me contive e soltei um gemido
alto demais. E antes que eu pudesse me recompor, Sandro escancarou a porta do
banheiro que eu havia esquecido de trancar...
Para minha vergonha, meu marido
me encontrou sentada no chão, de pernas abertas e em uma posição muito
suspeita.
Ele não disse nada nos primeiros
segundos, mas era evidente o seu choque. Levantei do chão com o rosto em
chamas, enquanto ele me encarava fixamente. Eu não sabia o que dizer. Somente
quando fiquei em pé, Sandro murmurou:
— Achei que
fosse capaz de satisfazer você.
A porta foi fechada com um
estrondo e eu me mantive por uns cinco minutos sem me mexer, meio que
paralisada. Em hipótese alguma eu queria magoar Sandro, mas o fato é que Vando
não saía da minha mente, mesmo que eu não tivesse escutado sequer a sua voz e
não soubesse nada sobre ele.
Naquela
noite ainda, depois que saí do banho, ele mal me olhou. Foi deitar bem depois
de mim, como se quisesse me evitar.
quinta-feira, 19 de março de 2015
FELIZ PARA SEMPRE
Depois de um certo tempo, o sofrimento passa a ser opcional.
É quando bate aquela vontade imensa de voltar a ser feliz de novo.
É quando bate aquela vontade imensa de voltar a ser feliz de novo.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
SEM CONTROLE
Quando me apaixono perco o controle
Céus, há quanto tempo eu ando com os pés grudados no chão!
Céus, há quanto tempo eu ando com os pés grudados no chão!
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
DISFARCE
NÃO, EU NÃO DESISTI
É QUE ALGUMAS VEZES EU ME RESERVO NO DIREITO DE APENAS OBSERVAR
ATÉ COMEÇAR TUDO OUTRA VEZ
É QUE ALGUMAS VEZES EU ME RESERVO NO DIREITO DE APENAS OBSERVAR
ATÉ COMEÇAR TUDO OUTRA VEZ
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
ÀS VEZES
ÀS VEZES ESCREVER É A ÚNICA COISA QUE ME FAZ SENTIR VIVA
NÃO TENTE COMPETIR COM ISTO
VOCÊ VAI PERDER
NÃO TENTE COMPETIR COM ISTO
VOCÊ VAI PERDER
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
POR QUE NÃO?
Priscila
conversava com Bernardo virtualmente fazia uns dois meses. Mas parecia pelo
menos dois anos. O casal se encontrara pela primeira vez no mundo virtual por
acaso, em um chat. Ela, a Loira Carente 30. Ele, o Bronzeado Solitário.
Priscila, na verdade, no início não se interessara. Mas o Bronzeado Solitário foi
insistente, puxou assunto, fez um agrado e então os dois acabaram combinando de
se encontrarem novamente via chat.
Já na segunda
vez o papo fluiu e evoluiu para o Whatsapp. Priscila revelou seu nome, Bernardo
também e ambos gostaram muito da foto um do outro. Carente e infeliz pelo
término do seu último relacionamento, não foi difícil para que Priscila logo se
apaixonasse. Bernardo, além de boa pinta, era um cara trabalhador, gostava de
praia e não era gastador. Divorciado, era tudo o que Priscila sempre sonhou.
Mais velho e sempre atencioso, ela acreditava que o homem era um príncipe.
Quando as amigas
perceberam o tamanho do envolvimento de Priscila, foram logo avisando: ei, este
cara não é tudo isto! Ele é perfeito demais! Se liga, mulher!”
Mas mesmo com
tanta paixão, o encontro custou um pouco a sair. O motivo? Bernardo morava a
cem quilômetros de distância e o trabalho e problemas familiares o impediam de
ir ao encontro de Priscila. Ela não se importou, embora a paixão estivesse
maior e mais forte. A jovem já se imaginava construindo uma família com
Bernardo, um mundo de conto de fadas. Embora ela própria soubesse que tinha
asas nos pés, não podia deixar de levar fé que desta vez a relação tinha tudo
para dar certo.
Foi então que um
dia, pelo whats, Bernardo disse que estaria livre no próximo sábado à tarde.
Priscila se emocionou! Nossa! Só faltavam dois dias! Ainda que soubesse – ou melhor,
tivesse certeza absoluta – que Bernardo era um homem íntegro e respeitador, o
tão esperado encontro foi marcado para ser em um shopping da cidade. Priscila
comprou roupa nova, fez mais mechas nos cabelos e calçou um par de sandálias
prateadas compradas na última liquidação. Ao se olhar no espelho, ela aprovou
sua imagem. Certamente Bernardo ficaria encantado. Uma hora antes do encontro,
Priscila pegou um táxi e tensa, chegou ao local do encontro – uma cafeteria –
meia hora antes. Ela sentou recatada na cadeira, olhou ao redor, mas não viu
ninguém parecido com Bernardo. Mas era cedo demais. Tentando descontrair e
fingir que aquela era uma situação natural, pegou o celular e começou a mexer
nele. Quando o relógio bateu 18hs e 15 min, Priscila suspirou. Nada. Se algo
houvesse acontecido, Bernardo teria avisado. Porém, não havia notícias. Na
certa o cara pensara melhor e tinha desistido de conhecê-la.
Uma mulher
surgiu à frente de Priscila, que levantou os olhos para ela, desinteressada.
Provavelmente a pessoa desejava alguma informação.
– Pois não? –perguntou
Priscila sem tirar sua atenção do celular.
– Priscila?
Ué? A mulher
sabia o nome dela? Priscila a encarou fixamente.
– Como você sabe
meu nome?
Para espanto da
jovem, a outra puxou a cadeira e se alojou à frente de Priscila.
– Não estou
sozinha.
– Você é igual
às fotos – sorriu a mulher. – Ou melhor, mais linda ainda. Mais do que eu
imaginava.
O coração de
Priscila se acelerou.
– O que…
– Conversamos
tanto… – ela pegou a mão da garota –… Você é tudo o que eu sonhava.
Priscila puxou a
mão de volta e encarou mais ainda a outra mulher. Ela era tão estranha! Cabelo
curto, voz mais grave. A roupa definitivamente não era nada feminina.
– Quem é você? –
a voz dela saiu ríspida.
– Beatriz. Ou
Bernardo. Me chame como quiser.
O choque foi tão
arrasador que por cinco segundos o mundo rodou. Priscila custou a conseguir
focar os olhos em Beatriz. Ela sorria com ar conquistador. Parecia muito segura
de si.
– Se eu falasse
que era uma mulher – explicou olhando fixo nos olhos de Priscila – você poderia
fugir. Mas eu sei que depois que me conhecer melhor, seremos ótimas amigas. Bem
mais que isto, até.
– Isto é jogo
sujo! – disparou Priscila segurando a bolsa, pronta para ir embora – Eu fui
enganada durante todo este tempo!
– Ah, você é tão
bobinha… E isto me encanta, sabe? Várias vezes eu dei indícios sobre quem
realmente eu sou. E você nunca percebeu nada.
– Acreditei em
tudo o que você falou! Como teve coragem de prosseguir com esta história
sórdida?
Priscila tentou
manter a voz firme, porém não conseguiu. Estava prestes a perder o controle e a
elegância.
– Me conheça
melhor – propôs Beatriz – e você verá que nada é tão terrível como está
parecendo agora. Dê-me uma chance. Tenho certeza que seremos muito felizes.
– Não! –
Priscila levantou bruscamente. – Jamais! Jamais irei me envolver com uma
mentirosa como você! Bruxa!
Ela deu meia
volta e saiu correndo pelo shopping, com as lágrimas escorrendo pela face.
Arrasada, Priscila pegou o primeiro táxi que apareceu, chegou em casa e se
encerrou no quarto. Se sentia profundamente envergonhada. Apaixonara-se por uma
mulher! Não, não era bem isto. Aquilo acontecera porque a tal Beatriz se
passara por um homem. O homem dos seus sonhos era uma mulher! Uma mulher! Que
raiva! Priscila socou o colchão várias vezes. No lugar do coração agora existia
um imenso vazio. Beatriz mandou mensagens. Muitas, todas ignoradas, naquele dia
e nos dias seguintes.
Priscila escondeu
a história de todo mundo. As amigas no início insistiram. Todas desconfiavam
que o tal Bernardo aprontara alguma, mas era impossível saber o que era. A
jovem deixou de lado os convites para sair. Uma das amigas tentou apresentar um
primo, mas Priscila refutou. E para seu
espanto, ela sentia uma falta terrível de Bernardo. Ou melhor, da imagem que construíra
na sua mente. O seu príncipe encantado era uma mulher que dia a dia mandava
mensagens com palavras bonitas e carinhosas. Aos poucos, Priscila começou a dar
mais atenção às palavras que Beatriz lhe enviava. Leu uma, duas, três vezes.
Nenhum homem jamais havia sido capaz de escrever coisas tão lindas para ela.
Beatriz parecia
ser uma pessoa cuidadosa. Preocupava-se com o bem-estar de Priscila. Não havia
dia que não perguntasse como ela estava, que era linda e que adoraria vê-la
mais uma vez. Nem que fosse a última vez. Priscila começou a se sentir tocada.
Depois, emocionada. Durante toda sua vida não tivera sorte com homem nenhum. Quando
não era traída, eles se mostravam uns babacas completos. O último então se
superara! Colocara dois chifres na sua testa como se aquilo fosse normal.
Por que não? –
perguntou –se ela pegando o celular e discando o número de Beatriz.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
domingo, 18 de janeiro de 2015
UM CADÁVER NO MEU JARDIM (Cap. Final)
− Pai…
− Cale a
boca, Amanda! Vocês conseguiram me tirar do sério! Tereza, Rodolfo... Mais
alguém morreu e eu devo saber?
Cris
olhou para Poncho e respondeu sussurrando:
− Faltou
o Poncho.
− Fique
quieto. Eu…
A
campainha tocou. Marília e Carlos se entreolharam.
− Vocês
convidaram alguém para participar da nossa festinha particular? – perguntou
Carlos dando uma risada sinistra.
Temendo
alguma reação do pai, Amanda recuou alguns passos e disse:
− Eu… É
melhor eu ir ver quem é.
Um minuto
depois Amanda retornou acompanhada de dois homens jovens. Carlos não reparou o
quanto a filha estava pálida. Ainda segurando a pá, ele a cravou com força na
terra e perguntou para Amanda em altos brados:
− Quem
são estes caras, Amanda?
Um deles
respondeu:
− Somos
da polícia, senhor – e estendeu a carteira funcional para Carlos.
−
Polícia? – Carlos tentou ganhar tempo. Discretamente ele largou a pá, mas ela
bateu em uma pedra fazendo o maior barulhão. – Muito prazer – Ele se aproximou
deles estendendo a mão amistosamente. Que diabos era aquilo afinal?
− Recebemos
uma denúncia anônima.
− É
mesmo?
Somente
Carlos falava. Amanda, os gêmeos e Marília se postaram um ao lado do outro,
mudos e gelados, esperando o pior.
−
Relataram que há um corpo aqui – os olhos dos dois policiais se dirigiram para
onde a terra já estava remexida.
− Um
corpo?
Carlos
deu sua risada apavorante. Colocou as mãos na cintura e olhou para a família
procurando apoio.
− Eles
estão dizendo que tem um corpo aqui.
André
apontou para onde Poncho jazia e perguntou:
− Serve
aquele?
Os olhos
de todos focaram no corpo do cachorro morto.
− Bem,
como vocês podem ver – Carlos sentiu-se dono da situação outra vez, − há um
corpo nesta casa. Meu cachorro Poncho teve um ataque cardíaco e caiu duro.
Quando vocês chegaram aqui estávamos debatendo o que fazer com ele. Aliás,
iremos enterrá-lo aqui no jardim.
− Pedimos
desculpas, senhor – falou um dos policiais. – Meus pêsames.
− Ah,
tudo bem. Amanda leve os senhores até a porta, por favor.
Quando a
garota retornou encontrou o pai cavando desesperadamente a cova de Tereza.
Assustada, ela indagou baixinho:
− Pai,
eles podem voltar. Vamos dar um tempo.
− Tempo
coisa nenhuma. Pra mim chega. Chega mesmo! André, acenda a churrasqueira.
A
conversa era feita quase aos sussurros. André prontamente fez o que o pai pedia
enquanto Marília, nervosa, aproximou-se do marido para perguntar:
− O que
você está pretendendo, Carlos?
− Não
vamos mais correr riscos. E não fale nada. Aliás, estão todos proibidos de
falar aqui.
Assim que
Carlos avistou o cobertor cor-de-rosa, pediu que um dos filhos alcançasse uma
máscara e a luva cirúrgica. Um cheiro terrível tomou conta do ar quando Carlos
pegou o saco preto e envolveu Tereza nele. Todos deram passagem quando o homem
colocou os restos da empregada em um carrinho de mão e se dirigiu até a
churrasqueira.
− André,
coloque o cachorro no buraco. Agora.
Enquanto
André e Cris levavam Poncho até o buraco, cobrindo-o com a terra, Tereza
queimava na churrasqueira. Amanda e Marília assistiam a tudo abraçadas e
chocadas. Os gêmeos mantiveram uma boa distância do pai, por via das dúvidas. O
fedor impregnou o ar e Cris cutucou o irmão:
− Daqui a
pouco a polícia vai voltar.
Carlos,
prestes a ter um surto, começou a fazer a dança da chuva. Marília, abismada com
o comportamento irracional do marido, perguntou:
− Posso
saber o que você está fazendo, homem?
− Se não
chover logo, estaremos fodidos. O fedor vai chegar até a delegacia e todos
seremos presos! Rá! Todos nós!
De fato
começou a chover em pouco tempo, amainando o cheiro ruim. Depois que Tereza
virou pó, Carlos juntou tudo, colocou em uma vasilha e parou em frente a todos.
E declarou:
− Aqui
jaz a amiga de vocês de tantos anos. Aquela que, inadvertidamente, resolveu se
meter na briga dos meus dois filhos imbecis e se deu muito mal. Viva Tereza!
Carlos
jogou as cinzas da empregada sobre Cris e André, deu a sua risada mais sinistra
de todos e entrou na casa cantarolando. Marília murmurou:
− Se eu
matar o pai de vocês, alguém me ajuda a abrir uma cova?
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
UM CADÁVER NO MEU JARDIM (Cap. 13)
Marília
deu um pulo da cadeira aos gritos e correu para o outro lado da sala. Enquanto
Amanda, André e Cris praticamente rolavam de tanto rir, Carlos se levantou
furioso, enxotou Poncho aos berros e tapando o nariz, levou o braço para fora
com a ajuda de uma toalha que Marília jogou para ele.
Os filhos
seguiram Carlos até a sepultura de Tereza onde sem muito cuidado, ele enterrou
o braço de novo. O cheiro estava terrível.
− Não
passa de amanhã, sem dúvida nenhuma – esbravejou Carlos esquecendo que os
vizinhos podiam escutar alguma coisa. – E se tivéssemos uma visita? Como eu
iria explicar a origem do braço?
− Pai, é
melhor mantermos o Poncho preso – avisou André. – Ele adora fuçar onde a Terê
está enter…
− Ei, não
fale demais! – disse Cris pegando o cachorro e o levando para sua casinha.
Poncho
foi devidamente preso, ainda que sob protesto. André se aproximou e colocou o
prato de ração perto dele.
−
Misturei o restante dos comprimidos da mamãe. Isto vai mantê-lo quieto até nos
livrarmos da Tereza.
Lá de
dentro veio a voz de Marília:
− Já
enterraram o braço da mulher?
Cris
olhou para o irmão sem acreditar no que estava ouvindo.
− Será
que vocês querem que a vizinhança saiba que tem um corpo enterrado no nosso
jardim? – perguntou ele tenso.
− Por
culpa de vocês dois – acusou Carlos lavando com esmero as mãos no tanque. – Se
ambos tivessem tido a decência de ter chamado a polícia, tudo isto já teria sido
resolvido.
− Quer
saber? – Amanda perguntou enquanto entrava com o pai e os irmãos para dentro da
casa. – Estou achando tudo isto sen-sa-cio-nal.
*
Naquela
noite ninguém dormiu direito (com exceção de Amanda) e durante todo o dia
nenhum deles conseguiu se concentrar direito nas suas atividades. Poncho havia
sido solto pela manhã, mas, sonolento, se contentou em ficar quieto descansando
no gramado.
Era
próximo das dez horas da noite quando a família inteira rumou para o jardim.
Carlos forrou com toalhas e cobertores velhos o porta-malas do carro. Ninguém
havia jantado e nenhum deles estava com fome. Luvas cirúrgicas e máscaras estavam
ao alcance de todos. André e Cris aguardavam nervosamente o momento em que
teriam que cavar a cova e desenterrar Tereza. Um saco preto de bom tamanho
estava ao lado da sepultura. Marília observava a tudo de longe com uma toalha
no nariz.
− O que é
aquilo ali?
A voz de
Amanda interrompeu o silêncio da noite. Carlos que segurava a pá olhou para
onde a filha apontava.
− Ora,
Amanda! – Carlos se sentia completamente sem paciência. – É somente o Poncho
dormindo.
André
olhou com mais atenção. Havia algo estranho ali.
− Espere
um pouco – disse ele.
− Esperar
o quê? – Carlos não esperou e deu duas escavadas seguidas. Queria se livrar daquele
fardo de uma vez por todas.
− Pai,
para tudo – pediu Cris apressando seus passos em direção ao seu animal de
estimação.
A família
observou quando o gêmeo tocou no bicho, puxando a mão em seguida.
− Gente,
ele está morto.
Um “oh”
generalizado ecoou por todo o jardim. Cris se levantou furioso e encarou o
irmão.
− Foi
você!
− Eu? Eu
o quê?
− Você
matou Poncho!
− Eu?
Antes eu havia matado o Rodolfo! Agora você vai me acusar de ter matado o
cachorro também? E Tereza? Sou culpado também pela morte dela?
− Ei,
falem baixo! – pediu Marília correndo na direção dos dois brigões, implorando
para que baixassem o tom de voz. – Deixem para discutir depois.
− Você
exagerou na dose dos comprimidos da mamãe. Ele não suportou!
Amanda,
que até então tinha achado tudo muito divertido, naquele momento estava à beira
das lágrimas.
− Vocês
dois… são uns assassinos! Assassinos!
− Calem a
boca todo mundo! – ordenou Carlos. – Temos algo mais importante para fazer do
que discutir a morte dele!
− Eu não
matei ninguém! – defendeu-se André. – E você apoiou quando dei a ideia de
roubar os comprimidos da mamãe para dopá-lo.
− Eu não
acredito que vocês fizeram uma coisa destas – murmurou Amanda.
− Carlos,
nós precisamos dar um jeito neste corpo também – exigiu Marília evitando olhar para
onde estava Poncho. – E breve! Estou de saco cheio desta história!
− Sabe
qual é a minha vontade? De atirar vocês todos no rio! – Carlos parecia um
louco, com os olhos vidrados e descabelado.
Silêncio
total.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
UM CADÁVER NO MEU JARDIM (Cap. 12)
− Foi
você?
Os dois
irmãos se encontravam no banheiro da casa. Os pais degustavam a sobremesa na
sala de estar. Cris encarou André surpreso com aquela pergunta descabida.
− Foi
você? – ele devolveu a pergunta muito ofendido.
− Claro
que não.
− Também
não matei ninguém – estrebuchou Cris. – Não tenho o hábito de sair por aí atropelando
pessoas.
− Ok,
desculpe. Só queria ter certeza – falou André tentando apaziguar o ânimo do
irmão.
− Pode
ter sido nosso pai.
− Ou
nossa mãe – emendou Cris, pesaroso.
− O
importante é que não temos mais nenhuma testemunha. Quem atropelou o velho na
verdade nos prestou um grande favor. Ei! Quer parar de me olhar com esta cara?
Quem estava com a chave do carro hoje de manhã era você.
− Nossa
única testemunha ainda é o Poncho.
−
Inofensivo agora que toda a família sabe que a Tereza está enterrada no jardim.
− Será
que papai já tem alguma ideia de como vai despachar o corpo?
− Se não
teve ainda, é melhor que tenha de uma vez por todas. Daqui a pouco a Tereza vai
virar adubo no jardim da mamãe.
*
A decisão
foi comunicada à noite durante o jantar com toda a família reunida novamente.
Tomando um cálice de vinho, Carlos declarou:
− Pensei
bastante sobre o caso da Tereza. O melhor que temos a fazer é jogá-la dentro de
um rio. De preferência bem distante daqui.
− Rá! –
exclamou Cris se sentindo o tal. – Esta ideia é minha.
−
Certamente se vocês fossem jogar o corpo da infeliz no rio no dia do ocorrido,
seriam descobertos. A pressa é inimiga da perfeição.
− Humm,
que legal – Marília debochou. – Você irá executar este servicinho na maior
perfeição. Que bonito.
Carlos
ignorou a ironia da esposa e continuou:
− Amanhã
eu vou forrar o porta-malas com lençóis e toalhas velhos. Desenterraremos o
corpo depois que tivermos certeza que os vizinhos estão recolhidos. Vamos
ensacá-la e a colocar dentro do carro. Vou comprar luvas descartáveis e
máscaras porque o cheiro vai estar insuportável. Depois vamos até o local a uns
50 quilômetros daqui e jogamos o corpo no rio. Tenho alguns tijolos que
sobraram da última reforma. Ela vai afundar que é uma beleza.
− Não
vejo a hora de ver tudo isto. Já tenho uma história para contar aos meus netos!
Uhu! – Amanda esfregou as mãos muito empolgada. – Quanta emoção!
− E quem
disse que você vai ir junto conosco? – indagou Carlos irritado. – Quanto menos
gente, menos atenção iremos chamar.
− O quê?
Você acha que eu vou perder esta? Nunca! Nunquinha mesmo!
− Bem, se
toda a família vai – declarou Marília tomando chá, – por óbvio que eu também
irei para dar uma força.
Poncho
latiu lá fora. Cris comentou:
− O
cachorro quer ir junto também!
Gargalhada
geral. Naquele momento Poncho entrou na sala sem ninguém perceber e largou algo
atrás da cadeira de Marília. Amanda fungou o ar e perguntou:
− Alguém
peidou?
− Olha os
modos, Amanda – ralhou Marília. – Onde está sua sofisticação?
A garota
farejou a direção do fedor que já empestava a sala. E então disse:
− Minha
sofisticação está no lugar de sempre. Mas o braço de Tereza está bem atrás de
você.
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