segunda-feira, 22 de setembro de 2014

MENINAS MÁS (parte 7)

Depois disso eu e Aline nos tornamos inseparáveis. Ela não era tão estranha como eu pensava e descobri que tínhamos muitas coisas em comum além do ódio por Sarah e Vanusa. Depois da nossa primeira conversa, Aline imediatamente ocupou o lugar deixado por Gabriela ao meu lado, na classe.

Ao mesmo tempo em que minha amizade com Aline se aprofundava, o mesmo acontecia do lado de lá. Gabi nem olhava mais para minha cara. Era como se eu não existisse. Eu, por minha vez, a ignorava totalmente em sala de aula. Porém, quando chegava em casa, ía direto pro Face catar as novidades. E novidades, fotos e postagens alto astral não faltavam. Aquilo só fazia aumentar a minha raiva e o meu desejo de vingança. Eu só ainda não sabia como fazer.

A merda aconteceu em uma quarta-feira, na troca de períodos. Estávamos esperando o professor e a turma de repente ficou uma bagunça. Eu e Aline nos mantínhamos quietas, conferindo a matéria. Claro que eu não conseguia me concentrar em nada. As vozes de Sarah e Vanusa se destacavam como gralhas. Algumas vezes eu escutava a risadinha sem graça de Gabi, ansiosa para agradá-las. Aline chegou a sussurrar:

− Não suporto mais escutar estas putas.
− Nem eu. Tomara que o professor chegue logo...

Sem querer olhei para frente. Vanusa estava na porta e olhava na minha direção. Reparei que ela chamava alguém que estava do lado de fora e até então eu não tinha a menor noção de quem seria. Aline também percebeu e franziu a testa. O que aquela vaca estava armando?

De repente Mateus surgiu do nada ao lado de Vanusa. Ele era alto, passando do 1,80 cm. A desgraçada se aproximou do ouvido dele, cochichou alguma coisa e Mateus olhou para mim. Eu fiquei parada, sem reação. Meu coração acelerou como nunca. Ao meu lado Aline chegou a ficar sem respirar. Mateus fez uma careta de nojo e encarou Vanusa. Disse alguma coisa para ela e desapareceu. A vaca deu uma gargalhada e me olhou debochada. Fiquei tão chocada que não reagi. O professor chegou, passou matéria nova e eu não consegui assimilar mais nada. O sinal tocou para irmos embora, eu peguei a mochila e saí correndo da sala. Acho que escutei a risada de Vanusa e Sarah zombando de mim.

Aline só foi me alcançar uma quadra adiante. Aquela altura eu já estava aos prantos em plena rua, sem fazer a menor questão de disfarçar.

– Eu a odeio! – berrei sem me importar com quem estivesse perto. – Odeio Gabriela! Foi ela quem contou que eu estou a fim do Mateus!

Aline caminhou ao meu lado. Eu me sentia sem direção. Não tinha a menor vontade de ir para casa. A única coisa que precisava era de um buraco para me enfiar.

– Paula, você precisa dar um basta nisto. Até quando vai suportar o que estas meninas estão fazendo com você?

As palavras de Aline doeram mais fundo em mim. Odiar Sarah e Vanusa era algo normal. Elas não prestavam. Eram seres nojentos. Mas Gabriela??? Ela me traíra mais uma vez contando um segredo meu para as duas. A vontade que eu tinha era matar todas elas com requintes de crueldade.

Nossa, será que estou ficando louca?

– Pode ter certeza, Aline. Eu vou acabar com elas. Vou mesmo.

Aline colocou as mãos no meu ombro e disse bem perto do meu ouvido:

– Se precisar da minha força, você já a tem.



domingo, 21 de setembro de 2014

MENINAS MÁS (parte 6)

Nem dormi direito. Me acordei muda e saí de casa calada. Não havia motivos para eu passar na casa de Gabi, por isto aumentei o caminho para nem chegar perto do prédio daquela ridícula. Por causa disto cheguei atrasada uns cinco minutos e o professor já estava em sala de aula. Apesar de tudo, não imaginei que o lugar ao meu lado – o lugar de Gabi – pudesse estar vazio. Mas estava. De relance eu a enxerguei sentada próximo à Sarah e Vanusa. Parecia bem satisfeita em estar pertinho das suas novas amigas. Engoli em seco, fiz que não vi nada e me sentei dura na cadeira, totalmente desconfortável.

Mesmo sendo eu uma pessoa insignificante na turma, parecia outra vez que todos os olhos estavam grudados em mim. O lugar vazio deixado por Gabriela também havia aberto um rombo no meu peito. Fiz força para não chorar de vergonha, mágoa e raiva. Eu tinha uma bola dentro do peito prestes a fazer “bum”. Embora eu não ligasse para o que os outros pensassem, eu não podia deixar de imaginar o que meus colegas deveriam estar achando daquilo tudo. Paula havia sido abandonada por Gabi. Gabi preferira a amizade de Sarah e Vanusa. Logo, Paula devia mesmo ser uma enorme chata.

Aguentei firme até o intervalo. Aliás, temia justamente isto. Eu ficaria sozinha por vinte minutos, talvez os mais longos da minha vida. Podia buscar a companhia de outras colegas, mas isto significava responder a algumas perguntas. Eu não estava disposta. Era melhor ficar sozinha. Assim eu podia pensar melhor.

Quando o sinal tocou eu fui a primeira a sair da sala. Passei na lanchonete, peguei um copo de refri e me isolei nos fundos da escola. Tive vontade de chorar, mas aguentei firme. Chegar com os olhos vermelhos na sala de aula nem pensar.

Eu estava de cabeça baixa quando ouvi passos. Tive uma leve esperança que fosse Gabi vindo pedir desculpas.

− E aí...

Olhei para cima. Era Aline, a criatura mais estranha da escola e minha colega de turma. Nunca havíamos trocado um “oi” na vida.

− Tudo bem? – falei meio sem jeito.

Aline sentou do meu lado. Ela era pequena e magra e usava óculos fundo de garrafa. Era tão quieta que eu não tinha como avaliar se era boa ou má companhia.

− Você não está bem. Sei exatamente o que está sentindo. Também não gosto de passar os intervalos sozinha. E nem tenho ninguém para sentar ao meu lado.

Eu a encarei.

− Achei que você tivesse acostumado com isto.

Ela balançou a cabeça.

− Tem certas coisas que a gente não se habitua nunca.

Ficamos em silêncio.

− Também não gosto delas.
− Gabi me descartou. Parece inacreditável que jogou fora uma amizade de sete anos.
− Não se engane. Ela nunca foi sua amiga. Se você fosse importante, ela não teria lhe trocado.

Cruzes, engoli em seco. Seria verdade aquilo? Meu coração doeu.

− Tenho tanta raiva que não dá para explicar – confessei amassando a latinha de refri com o pé. – A vontade que tenho é de socar as três.
− Então faça isto.
− Como?

Aline me olhou através dos óculos de lentes grossas.

− Vingue-se. Elas merecem.

Vingança. E por que não?


sábado, 20 de setembro de 2014

MENINAS MÁS (parte 5)

No outro dia eu não passei na casa de Gabi. Simples, não me senti disposta. Por causa disto ela chegou depois de mim, quando eu já estava comodamente sentada e com cara de bunda. As putas ainda não haviam aparecido.

Gabi desabou ao meu lado, largando a mochila na mesa fazendo um barulhão.

− Fiquei esperando você!

Olhei tão friamente para ela que Gabi se encolheu.

− Ontem à tarde também fiquei te esperando para nós estudarmos.

Parece que somente naquele momento Gabriela se lembrou da nossa combinação.

− Oh, Paula... Eu acho que…
− Ok, tudo bem. Estudei sozinha.

E encerrei o assunto. A prova era logo no início da aula e não olhei mais para a cara dela. No intervalo Gabi ficou em cima de mim, tentando me agradar. Eu até estava disposta a perdoar, pois era nítido o empenho de Gabi em desfazer a cagada que tinha feito. Quando começou a aula de educação física tudo foi por água abaixo. Mais uma vez.

A professora resolveu montar dois times de vôlei. Tentei ficar de fora, mas fui sumariamente convocada pela professora para ficar no time “B”. Detestava aquilo. E a situação piorou quando na outra equipe se juntaram Sarah, Vanusa e Gabi. Seria eu contra elas. Minha chance de vingança, pensei. Ainda não sabia como, mas alguma atitude eu precisava tomar, mesmo jogando muito pouco.

O jogo começou e percebi Vanusa e Sarah me olhando. Elas cochicharam alguma coisa. Saquei o que era. As duas sabiam que eu não era boa jogadora e se concentrariam em mim. Não me deixei abater. Eu estava furiosa com aquilo. E quando ficava brava, também me sentia mais forte.

Na primeira jogada a bola veio forte na minha direção, mas defendi bem. Arranquei elogios da professora e das minhas colegas e me empolguei. Decidi que nenhuma delas, incluindo Gabi, seriam capazes de me derrotar. E fui em frente.

Logo que pude acertei duas bolas fortes sobre Vanusa e consegui os pontos. Ela queria meu fígado e, pelo visto, Gabi também. Não fiquei surpresa quando Gabriela chegou perto da rede e falou irritada:

− Pegue leve, Paula!
− Preocupe-se com seu time, entendeu?

Gabi ficou muda e vermelha de raiva. Ela não fazia uma partida boa. Para finalizar, fiz o último ponto em cima de Gabi e ganhamos o jogo. Enquanto comemorávamos, Gabi pegou a mochila e sumiu. Era o último período. Não sei se ela se mandou com Sarah e Vanusa, porém mais uma vez fui embora sozinha para casa. Apesar de eu ter me vingado, não me sentia muito feliz.

Era sexta-feira. Nós passávamos o final de semana sempre juntas. Meu sexto sentido me alertou que daquela vez minha única companhia no sábado e no domingo seria a internet.

*

Foi um final de semana estranho. Não sabia o que era não ter companhia, pois estava acostumada demais a ficar com Gabi, falando besteira, indo ao shopping ou ao parque e trocando confidências. De repente eu não tinha ninguém para conversar. Minha mãe percebeu que algo estava errado quando sábado à tarde se deparou comigo em casa, emburrada, no sofá. A internet já havia me enjoado. Eu já tinha visto tudo na rede mundial. E me sentia agoniada por não ter o que fazer.

− Ué, você não vai se encontrar com a Gabi hoje?

Olhei para minha mãe. Subitamente me senti envergonhada. Não queria contar para ela que havia sido trocada. Não queria também que minha mãe ficasse com peninha de mim.

− Nós… nós nos estressamos.

Foi o máximo que consegui dizer e não chegava a ser uma mentira.

− Mas qual o motivo?
− Besteira, mãe. Outra hora nós nos acertamos. Quer saber? Vou dar uma volta de bike.

Enquanto pegava minha bicicleta para dar uma espairecida, me perguntei se um dia realmente nós voltaríamos a ser amigas como éramos antes.

*

Meu final de semana só não pior porque eu não permiti. Pedalei muito. O exercício me fazia bem. No domingo à tarde andei de bicicleta por duas horas com meu pai. Até consegui esquecer Gabi. Porém, quando cheguei em casa, não aguentei de curiosidade. Era quase noite, eu nem havia tomado banho. Fui direto na página de Gabi conferir se ela tinha postado alguma coisa. Eu esperava ansiosamente que não.

Havia novidades por lá.

Várias fotos de Sarah, Vanusa e Gabi no shopping e na praça jogando vôlei estavam recebendo um monte de curtidas e comentários. Eu própria fiz um comentário maldoso que resolvi apagar antes de publicar. Não valia a pena. Não valia mesmo.


A raiva me consumia.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

MENINAS MÁS (parte 4)

Gabriela se voltou imediatamente para trás. Era Sarah. Vanusa estava ao seu lado, ambas a alguns metros de distância de nós.

− Olá, meninas!

Minha amiga se tornou imensamente ridícula de um segundo para o outro. Como da outra vez, me deixou plantada e foi correndo em direção a elas.

− Gabriela, vamos ao shopping?
Foi Vanusa quem fez o convite. Eu quase me intrometi e disse que não, Gabi já tinha combinado de me ensinar o conteúdo de matemática para a prova de amanhã. Porém, esperei calmamente (se é que isto era possível) que Gabi respondesse por conta própria.

− Ao shopping?

Ela estava de costas, mas tive certeza que os olhos brilharam com aquele convite sensacional.

− Sim! Você tem algo melhor para fazer? Nós vamos almoçar e depois treinar. Lembra que agora você faz parte do time?

Time. Não era apenas o “time” de vôlei. Havia uma conotação maior para aquela frase e que Gabi perfeitamente entendeu.

− Claro que quero! Puxa, eu adoraria!

Deslumbramento total. Era assim que Gabriela se sentia quando saiu caminhando ao lado delas na direção oposta. Eu fiquei parada na calçada por um minuto inteiro, tentando absorver aquela cena. Senti-me uma idiota. Muito idiota. Parecia que a escola inteira havia visto minha vergonha de ter sido preterida na frente de todo mundo. Na verdade não sei se alguém deu bola para mim. Nunca fui popular para alguém reparar na minha figura. Talvez fosse por isto que Gabi estivesse se bandeando para o outro lado. Porque comigo tudo era muito sem graça.

Eu fiquei tão triste que não tive sequer vontade de berrar chamando Gabi de volta e cobrar o compromisso que ela tinha firmado comigo. Simplesmente dei as costas e saí de fininho. Já tinha perdido completamente a fome quando cheguei em casa e a macarronada e a sobremesa ficaram intactas. Minha mãe com certeza ficaria muito decepcionada, porém era impossível comer sentindo uma bola na barriga. Chorei desta vez sentada no sofá, socando as almofadas e batendo os pés no chão. Eu podia esperar qualquer coisa de Vanusa e Sarah, nunca aquela traição de Gabi.

Depois de uma hora chorando e com os músculos da face doloridos, resolvi tomar uma atitude e estudar matemática sozinha. Aliás, eu não tinha alternativa. Não sabia direito o conteúdo e não podia ficar aos prantos a tarde toda. Peguei meus cadernos, livros e internet e mergulhei a fundo nos conteúdos. Alguma coisa tinha que dar certo.

*

Quando minha mãe chegou em casa me encontrou de banho tomado e com a matéria na ponta da língua. Ela estava prestes a preparar o jantar quando se deparou com o almoço intacto. A mousse inteirinha, algo inédito. Eu estava na sala, com o notebook no colo, quando ela perguntou abismada:

− Vocês não almoçaram aqui hoje?

Não tive coragem de olhar para minha mãe. Fazendo de conta que estava super concentrada na internet respondi:

− A Gabi não pôde vir, mãe.
− E você não almoçou?
− Comi um salgado na escola que me embrulhou o estômago – menti. – Mas agora estou melhor.

Na verdade minha barriga roncava. Eram sete horas da noite e percebi que não comia nada desde as sete horas da manhã.

− Gabi não pôde vir? E como você estudou?
− Dei um jeito, mãe. E acabei aprendendo a matéria sozinha.

Minha mãe foi fazer suas coisas e me deixou sozinha. Fui futricar no Face de Gabi e levei um choque. Na página de Gabi havia mais de dez fotos suas com Vanusa e Sarah, tanto no shopping como no treino. Todas felizes. O pior de tudo foi ler o que Gabi postou: melhores amigas.

Meu Deus, que nojo. Era inacreditável. Até três dias atrás Gabi era minha eterna amiga. Nada poderia nos separar. Eu nunca pensei que houvesse algo com força suficiente para isto. Mas quando olhava para Sarah e Vanusa naquelas fotos senti que era praticamente impossível lutar contra aquelas duas.

Elas já tinham roubado minha melhor amiga.


quinta-feira, 18 de setembro de 2014

MENINAS MÁS (parte 3)

Voltei para casa sozinha naquele dia. O sinal tocou, eu peguei minha mochila e caí fora. Alguma coisa me dizia que Gabi seria cercada novamente por aquelas duas e eu não estava com estômago para ver aquilo outra vez. Meu almoço era sempre solitário. Eu sou filha única e meus pais só voltam à noite. Nunca gostei de fazer minhas refeições sozinha, mas naquela situação em que eu me encontrava não me importei. Esquentei a comida que minha mãe havia me deixado e comi chorando. Era a primeira vez durante aqueles anos todos que minha única amiga havia se afastado de mim.

Eu estava completamente sem chão. E me odiei por isto.

*

Decidi que deveria lutar pela amizade de Gabi. Acordei no dia seguinte disposta a isto. Por isto não alterei minha rotina. De manhã passei no prédio de Gabriela e ela estava lá, como sempre. Confesso que tive medo de encontrar Sarah e Vanusa também, mas felizmente isto não aconteceu. Gabi pareceu aliviada quando me viu e eu fiquei mais aliviada ainda por isto. Talvez nossa amizade não houvesse ficado abalada. Durante a ida não comentamos nada sobre os acontecimentos do dia anterior. Era melhor assim, zerar o assunto. Fiquei contente quando a própria Gabi me lembrou de que à tarde iríamos estudar matemática na minha casa depois do almoço. Isto também significava que eu não faria outra refeição solitária novamente. Ela parecia querer me agradar. E meu coração ficou feliz.

Quando chegamos na sala de aula, Sarah e Vanusa já estavam lá. Tentei ignorar o fato que as três se abanaram sorridentes e histéricas. Mas não consegui e me mordi de ciúmes. Gabi sentou ao meu lado e murmurou:

− Elas são super legais.

Nem respondi. Por mim eu queria mais é que elas se explodissem e não sobrasse pedaço nem para os cachorros comerem. Durante a aula, no entanto, percebi que Gabi estava inquieta e pouco concentrada. E eu sabia bem o motivo. Por causa disto, também perdi o foco, pois não conseguia deixar de reparar nos movimentos dela, não querendo perder nada. Muito frequentemente Gabi voltava os olhos na direção de Sarah e Vanusa. Acho que as vacas deveriam ter algum tipo de imã.

O melhor aconteceu na hora do intervalo. O sinal tocou e Gabi deu um salto. Levei um enorme susto, pois ela quase derrubou a cadeira. Logo entendi o motivo. Gabriela queria ficar com as duas. Antes que eu pudesse digerir aquilo, Sarah e Vanusa passaram reto por Gabi e saíram rindo em direção ao corredor. A trouxa ficou parada, em pé, com uma enorme cara de bunda. Apesar da minha raiva, tive vontade de rir também. Ver Gabriela sendo esnobada por seus dois novos ídolos era bom demais.

Não sei onde aquelas duas ficaram durante o intervalo, mas eu e Gabi nos sentamos em um banco mais afastado e só eu falei. Levou um tempo até eu perceber que ela não escutava nada do que eu dizia. Devia estar arrasada por ter sido ignorada tão sumariamente. Bem feito.

Quando voltávamos para a sala de aula, Gabi resolveu sair da sua depressão e me perguntou meio que rindo:

− E então? Sua mãe preparou alguma coisa bem gostosa para mim?
− Você nem sabe... Ela fez aquela macarronada com molho ao sugo e de sobremesa... Mousse de chocolate!
− Puxa! – sorriu ela colocando a mão no estômago. – Até já senti minha barriga roncar!

Descontraímos finalmente e voltamos para a sala de aula rindo. Gabi resolveu bancar a digna e não olhou em nenhum momento para o lado das duas. E eu senti que pelo menos naquele momento a parada estava ganha.

Minha alegria, porém, durou pouco. O professor nos liberou cinco minutos mais cedo e eu peguei Gabi pelo braço. Talvez fosse algum pressentimento, sei lá. Disse, tentando apressá-la:

− Vamos de uma vez, Gabriela. Estou morrendo de fome.

Ela não disse nada. Nem sequer olhou para “aquele” lado. Pegou a mochila, ajeitou a blusa amarrotada e veio junto comigo. Eu não larguei o braço de Gabi. Praticamente a arrastei pelo corredor até o portão. Ela nem se importou. Achou engraçado e comentou:

− Ei, você não se alimenta há quanto tempo?
− Se você soubesse como aquela mousse de chocolate está perfeita você entenderia o motivo da minha pressa.
− Ai, ai... Eu adoro a mousse da sua mãe! – exclamou ela saltitando em plena calçada na frente da escola. – Não vejo a hora de cair com tudo em cima e…
− Ei, Gabriela!

Gelei. Eu sabia de quem era aquela voz.


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

MENINAS MÁS (parte 2)




Chegamos apressadas no banheiro onde Gabriela lavou as mãos e o rosto. Eu parei ao lado dela e estendi algumas toalhas de papel. Ela confessou super orgulhosa de si mesma:

− Foi o melhor jogo da minha vida! Imagine, com as minhas parcerias não poderia ser diferente!

Antes que eu conseguisse responder à altura, Sarah e Vanusa entraram no banheiro. Elas andavam sempre juntas, acho que era pior que eu e Gabi. De repente aquelas vozes afetadas e de gralhas inundaram o ambiente e eu quase coloquei as mãos no ouvido para não ter que escutá-las. Ao verem Gabi, elas a cercaram imediatamente. Fui posta de lado. Eu não existia mais para nenhuma delas.

− Ei, nossa jogadora revelação! – exclamou Sarah com seu batom mais vermelho que os cabelos de Vanusa. Parecia uma prostituta.
− Garota, por que você não disse que jogava tão bem?

Enojada, eu percebi o rosto de Gabi ficar rosado de pura satisfação. Ela estava se sentindo uma estrela no meio delas.

− Eu adoro jogar vôlei! Mas o time de vocês já está fechadinho, por isto nunca pedi para entrar.

Nem eu sabia disso. Aliás, aquilo era uma baita mentira. Gabi tinha medo de ir para quadra e passar vergonha e sempre que podia dava um jeito de fugir.

− Pare com isto! – exclamou Vanusa. – Quer jogar com a gente? Nossa colega nos deixou na mão. Tem lugar para você agora.

Era quase uma intimação, eu percebi. Sarah emendou:

− Você é ótima, garota. Olha só, nós treinamos no ginásio da escola três vezes por semana. Daqui a dois meses irá começar o campeonato interescolar. Quer fazer parte da nossa equipe?

Quase vomitei. Juro, cheguei a olhar para o lado procurando uma cesta de lixo. Os olhos de Gabi brilharam.

− Nossa, eu quero sim! É meu sonho!

Sonho? Como assim, sonho? Tive vontade de me meter naquela conversa e acabar com tudo. Porém, confesso, não tive coragem. Eu estava em minoria. Foi então que algo surpreendente aconteceu. Sarah pegou o braço de Gabriela, abriu a porta do banheiro e a puxou para fora. Me vi sozinha ali olhando para as paredes, enjoada com o perfume doce que foi deixado no ar.

Eu não queria acreditar no que estava acontecendo. Minha BFF havia me deixado sozinha, me preterindo para ficar com aquelas vacas? A raiva foi tanta que senti as lágrimas subirem aos meus olhos. Gabi tinha me deixado de lado!

Esperei mais um minuto ou dois para me acalmar. Eu sabia o que acontecia quando me irritava. Perder o controle era muito fácil para mim. E eu não podia mostrar o quanto aquela atitude de Gabi havia me atingido. Quando me senti segura, abri a porta do banheiro, ergui a cabeça e caminhei até a sala de aula. A professora ainda não havia chegado. Deparei-me com Gabi do outro lado da sala em risinhos e conversas com as garotas. Abri um caderno e fiz de conta que repassava a matéria. Mas meus sentidos estavam todos ligados tentando captar alguma coisa.

Gabi só voltou para o meu lado quando a professora entrou e mandou todos para os seus lugares. Ela sentou, a boca escancarada de tanta felicidade. Sim, era felicidade o que minha amiga sentia. Ela simplesmente estava no céu.

− Você viu o que aconteceu?
− O quê? – perguntei olhando o caderno e não enxergando uma linha sequer.

Sussurrando para não chamar a atenção da professora, ela contou:

− Vou jogar com elas!

Não olhei para Gabi. Aliás, não consegui encará-la mais até o final da aula.

− Parabéns – respondi secamente.

Reparei que Gabriela ficou surpresa com meu jeito. Ela era tão bobinha que talvez não tivesse se dado conta o quanto eu estava magoada.


terça-feira, 16 de setembro de 2014

MENINAS MÁS (parte 1)





Todo o dia era sempre a mesma coisa. Me acordava às 6:30 da manhã, banho rápido, chapinha no cabelo, roupinha transada e partiu para a casa da Gabi, minha melhor amiga e confidente.

Temos 16 anos, estamos no último ano do ensino médio. Nos suportamos desde os nove anos de idade, quando o destino nos colocou na mesma sala de aula e sentadas uma ao lado da outra. Pode se dizer que foi “amor à primeira vista”. Desde então não nos desgrudamos mais e partilhamos todos os nossos segredos. Claro que temos outras amigas, mas eu e Gabriela somos super parceiras. Nem tenho ciúme por ela ser mais bonita que eu.

A escola era perto das nossas casas, portanto íamos sempre a pé, contando fofocas e sempre com muito assunto mesmo nos vendo todos os dias. Quando cheguei ao prédio da Gabi ela já estava lá embaixo. Ainda faltavam uns 20 minutos para a aula começar e isto significava que não precisávamos ter pressa.

Na nossa classe estudavam também duas garotas lindas. Sarah e Vanusa. Assim como eu e Gabi, as duas eram bem amigas. A diferença é que também eram muito metidas. Ricas, volta e meia elas apareciam – juntas ou separadas – em alguma coluna social, tanto na internet como em jornal impresso. Todo mundo as paparicava.

Menos eu.

Eu não suportava as duas. E apesar de a Gabi dizer a mesma coisa, sempre tive a impressão que lá no fundo minha melhor amiga tinha vontade de fazer parte do grupinho delas. Não que ela quisesse me deixar de lado. Apenas desejava estar no centro dos acontecimentos. Eu, na verdade, queria que aquelas duas se explodissem. Nunca vou me esquecer um dia que estava na porta da sala de aula e não vi que a ruiva Vanusa vinha se aproximando. Não posso esconder de mim mesma que a desgraçada é linda com aqueles cabelos vermelhos e o corpo perfeito. Mas eu a odeio não exatamente por este motivo. Naquela manhã ela simplesmente não foi capaz de pedir licença e me atropelou com a bolsa de marca famosa para entrar na sala. Fui deslocada para o lado como se eu fosse um saco de batata. Fiquei furiosa. Aliás, eu fico furiosa por muito pouco. O xingamento veio naturalmente aos meus lábios:

− Vá à merda!

Ela escutou e me ignorou totalmente. Gabriela, que estava por perto, empalideceu e me deu um cutucão.

− Ei – disse Gabi sussurrando, − você mandou a Vanusa à merda! Ela vai jogar os outros contra você! E contra mim!
− Você acha que eu tenho medo dela?

Aquele episódio quase arranhou nossa amizade. Fiquei puta por Gabi dar importância aos sentimentos de Vanusa. Mas deixei passar. Desde aquela vez passei a ignorar totalmente aquela dupla de metidas. E elas pouco se importavam comigo. E com Gabriela.

Pois bem, como eu estava falando, aquele dia começou como todos os outros. Chegamos à escola, acomodamo-nos nas nossas classes ­– as vacas se sentavam do outro lado da sala – e tudo correu bem até chegar o intervalo.

Como sempre, eu e Gabi fomos para o pátio. Quando o dia estava bom, sempre havia um jogo na quadra. Daquela vez era vôlei e um dos times era composto por Sarah e Vanusa. Elas jogavam super bem para o meu desgosto.

Sentei na arquibancada procurando com o olhar o Mateus, o gato da escola. Ele era um fofo. Louro, estilo surfista, sempre com as roupas da moda. Tinha um defeito, contudo. Era amiguinho das vadias, embora até onde eu soubesse nunca havia pegado nenhuma delas. Não preciso dizer que ele jamais olhou para minha cara. De repente senti um beliscão no braço.

− Ei, Paulinha. Está faltando alguém no time delas.
− E eu com isto?

O jogo não havia começado ainda. Havia um debate por estar faltando um integrante na equipe de Sarah e Vanusa. Alguns defendiam que o jogo começasse assim mesmo, mas Sarah batia o pé e dizia que aquilo não era justo e elas poderiam perder. De repente, para minha imensa surpresa, Gabriela deu um salto do meu lado e perguntou em voz alta:

− Eu posso jogar?

Sarah e Vanusa a encararam e eu tive certeza que minha amiga escutaria um sonoro “não”. Porém, ao contrário do que eu imaginava, Vanusa fez um sinal positivo com a mão e Gabi entrou correndo na quadra, totalmente empolgada. Eu cheguei a engolir em seco quando vi aquilo. Mas naquele momento a única coisa que pensei foi em torcer pela Gabi se dar bem ou a dupla a trucidaria.

A verdade é que nem eu sabia que Gabi jogava vôlei direito. Das vezes em que a vi em ação, o seu desempenho sempre tinha sido médio. Porém, ela se superou. Acertou saques, fez bloqueios e o ponto decisivo. Fiquei desconfiada que Gabi se puxou para chamar a atenção delas.

E conseguiu.

Quando o jogo terminou, aplaudi e gritei o nome da Gabi. Ela nem me olhou. Estava distraída demais recebendo os cumprimentos de Sarah e Vanusa no meio da quadra. Fiquei em pé assistindo aquela cena, sem me conformar. As duas cercaram minha amiga e eu podia escutar os elogios delas com suas vozinhas afetadas. Fiquei enojada. Logo depois Gabi veio na minha direção, saltitante e com o sorriso de orelha a orelha. O sinal tocou.

− Você viu? Eu fiz o ponto decisivo!

Lógico que eu sorri amarelo. Preferiria que Gabi tivesse jogado mal.

− Puxa, você jogou muito.

Eu não disfarcei que havia odiado aquilo, entretanto Gabi simplesmente não notou. Ela me puxou pelo braço e disse:

− Vamos até o banheiro antes que a professora chegue na sala.

Fui seguindo Gabi até o banheiro e ela não parava de falar. Elogiou direto tanto Sarah quanto Vanusa, sem se importar com os meus sentimentos. Ela sabia muito bem o quanto eu detestava aquelas asquerosas. Eu estava me mordendo de ciúmes.


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O SUMIÇO DE LARA - Final

Claudia acordou estonteada nos braços do vampiro. Entreabriu os olhos. Ela estava deitada em uma cama macia, aconchegada a ele. A sensação era boa, mas Claudia lembrou que precisava reagir.

- Solte-me, solte-me – gemeu ela.

Ele a apertou mais. O prazer que Claudia sentia era algo inexplicável. Tentou se mexer e se livrar daquele abraço forte. Não conseguiu. Então se deu conta que os caninos estavam dele estavam muito próximos do seu pescoço.

O vampiro cravou os dentes na jugular de Claudia e ela gritou e se retorceu. No início sentiu dor. Mas à medida que seu sangue era sugado, tudo o mais perdeu o sentido. Claudia perdeu a noção de onde estava e de quem era. A única coisa importante era o prazer que sentia. Novamente Claudia perdeu os sentidos. E quando despertou outra vez já não era uma garota comum.


Quando Getúlio chegou às sete horas da manhã do dia seguinte, estranhou em encontrar o apartamento às escuras. Acendeu a luz da sala e se deparou com a mulher e as duas filhas sentadas no sofá.

- Lara, minha filha! – exclamou ele esbanjando felicidade. – Minha filhinha, você voltou.

Ela sorriu expondo os caninos. Encarou o pai com seus olhos amarelos e sussurrou:

- Bem-vindo ao nosso mundo, papaizinho querido.

Getúlio gritou.


Mãos sacudiram Claudia para que ela parasse de gritar também. Ela abriu os olhos. O sol entrava pela janela do quarto. Lara a encarou surpresa:

- Ei, que pesadelo é este?

Claudia se sentou na cama muito pálida. Lara lhe sorria. Não havia caninos na sua boca.

- Você… você…
- Não vai se arrumar para ir à faculdade? Você vai perder o horário.

Meu Deus, não é possível, disse Claudia para si mesma, afastando as cobertas para o lado. Teria sido aquilo tudo... um terrível pesadelo?

- Por que você está me encarando deste jeito? – Lara achava divertida aquela situação.
- Nada, esqueça… - respondeu Claudia, sentindo-se feliz. Muito feliz.

O café foi descontraído. Julia e Getúlio estavam com excelente humor. Claudia tomou o café da manhã aliviada. Lara riu e brincou, como sempre havia sido. Meia hora depois as duas irmãs saíram juntas do prédio.

- Você não me disse ainda com quem estava sonhando – Lara riu enquanto caminhavam pela calçada.
- Foi um pesadelo horrível, Lara. Nem vale a pena contar.
- Ah, conta sim! Quero sentir um pouco de medo! Minha vida anda muito monótona.

Um carro preto e possante parou ao lado das duas irmãs.

A porta do carona abriu lentamente.

Nunca mais se teve notícias delas.



O SUMIÇO DE LARA - parte 5


Claudia desviou o olhar rapidamente, em pânico. Ela não podia se perder naquele olhar ou estaria perdida para sempre. Para completar, não havia sinal de Lara em lugar nenhum. A irmã havia desaparecido, talvez nunca tivesse estado mesmo por ali. Ou pior de tudo, aquilo poderia ter sido uma armadilha para atrair Claudia, deixando sua mãe sozinha.

Raios e trovões tiraram Claudia do seu pavor anestesiante. As pernas que pareciam grudadas no chão, de repente se moveram em um passo incerto para frente. Sem voltar seus olhos na direção que estaria o vampiro, Claudia começou a caminhar apressadamente. Depois, quando sentiu que podia andar mais depressa, iniciou uma corrida desesperada até seu prédio. Perdeu o vampiro de vista. Quem sabe fosse tudo sua imaginação?

Mas ele apareceu de repente na mesma calçada, a alguns metros à frente. A capa preta rodava ao sabor do vento da tempestade que se aproximava. Claudia parou ao vê-lo e perdeu o equilíbrio, se estatelando na calçada. O joelho sangrou. O vampiro não podia ver aquele sangue...

Os cabelos compridos dele emolduravam um rosto forte e de traços marcantes. Claudia pôde escutar o coração batendo acelerado ao mesmo tempo em que dizia para si mesma “não olhe para ele, não olhe para ele.” Um pedido praticamente impossível. O desgraçado era lindo demais.

Ainda assim Claudia fez um esforço enorme e conseguiu ficar em pé. Atravessou a rua e foi parar do outro lado. O uivo do vento era aterrador e seu prédio ainda estava um pouco distante. Tinha dúvidas se conseguiria chegar até lá. O vampiro não parecia estar disposto a permitir isto.

Claudia recomeçou sua corrida, agora com mais dificuldade, puxando uma perna. Não havia ninguém na rua, nenhum carro passava. Quando entre lágrimas conseguiu fixar seus olhos à frente, identificou Lara. A irmã lhe acenou ou algo parecido. E sumiu nas sombras da noite.

- Lara! Lara, me espere!

O vampiro desapareceu, Claudia reparou olhando de soslaio para os lados. Ela tentou respirar enquanto chorava. Tentou gritar mais uma vez, porém a voz saiu fraca demais:

- Lara, diga que não é verdade!

Claudia deu mais alguns passos, sentindo o sangue escorrer pela perna. O vampiro apareceu outra vez, acompanhando-lhe do outro lado da rua. Por mais que ela corresse, a criatura estava sempre ao seu lado, com passos calmos. Algumas vezes Claudia caiu e esfolou as mãos. Nestes instantes horríveis teve certeza que o vampiro iria saltar sobre ela e cravar os caninos afiados no seu pescoço. Contudo, isto não aconteceu. Aos trancos e barrancos, Claudia finalmente chegou à entrada do prédio, cansada e machucada. O porteiro a encarou da recepção. Era a primeira pessoa que via desde que saíra atrás de Lara.

- Por favor, me ajude – implorou Claudia aproximando-se dele. – Ligue para a polícia e diga que…

O homem sorriu para ela. Mas aquele não foi um sorriso normal. Os caninos se destacaram nos cantos da boca e ele fez menção de tocar em Claudia.

Ela gritou. O berro ecoou pelo prédio, mas ninguém veio ver o que era. Talvez todos seus vizinhos já estivessem sido transformados em vampiros. Este pensamento aterrorizou Claudia, que tomou o rumo do seu apartamento temerosa do que iria encontrar. Se não fosse por sua mãe, jamais colocaria os pés lá novamente. Ainda tinha esperança de salvá-la.

A porta foi aberta bruscamente. A sala estava vazia e com todas as luzes acesas. Julia apareceu sorridente vinda do quarto.

- Oh, querida! Como demorou!
- Eu não encontrei Lara, mãe… - mentiu ela, pegando-a pelo braço. – Venha, temos que ir embora daqui.

Julia, porém, resistiu. Soltou-se de Claudia e replicou muito feliz:

- Agora está tudo bem, Claudinha. Você não precisa mais se preocupar com Lara.

Claudia empalideceu. Lara apareceu de repente ao seu lado e colocou uma das mãos no ombro da irmã. Claudia deu um pulo para o lado. Lara estava gelada.

- Onde você esteve o tempo todo? – sussurrou Claudia recuando alguns passos.

Lara sorriu e Claudia reparou nos caninos. Eles estavam crescidos. Em pânico, olhou para a mãe e gritou:

- Mãe, ela é uma vampira! Vamos embora daqui!

Julia sorriu e desta vez Claudia percebeu que tudo estava perdido. Os caninos da mãe pareciam mais pontiagudos que os de Lara. Jamais poderia lutar contra duas vampiras.

- Afastem-se de mim! – bradou Claudia colocando uma das mãos dentro da blusa. O crucifixo estava pendurado no pescoço. Mais um pouco e…

Lara se aproximou de repente, mas Claudia foi mais rápida. Estendeu a cruz em direção a ela, colocando-a muito próximo da testa da vampira. Tanto Julia como Lara soltaram gritos pavorosos, encolhendo-se no chão. Aquela era a chance, pensou Claudia. Tinha que aproveitar a chance em que elas estavam abatidas para sair correndo dali.

Claudia voltou-se para a porta, pronta para desaparecer daquele inferno e nunca mais voltar. Não deu sequer dois passos. O choque com o vampiro foi tão forte que Claudia caiu desmaiada no outro lado da sala.